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Craque Imortal – Lolo Fernández

Nascimento: 20 de maio de 1913, em San Vicente de Cañete, Peru. Faleceu em 17 de setembro de 1996, em Lima, Peru.

Posição: Atacante

Clube: Universitario-PER (1931-1953).

Principais títulos por clube: 6 Campeonatos Peruanos (1934, 1939, 1941, 1945, 1946 e 1949) pelo Universitario.

Principal título por seleção: 1 Campeonato Sul-Americano – atual Copa América (1939) pelo Peru.

Principais títulos individuais e Artilharias:

Maior artilheiro da história do Universitario: 161 gols em 180 jogos oficiais / 345 gols em 397 jogos totais (oficiais + amistosos)

Artilheiro do Campeonato Peruano: 1932 (11 gols), 1933 (9 gols), 1934 (10 gols), 1939 (15 gols), 1940 (15 gols), 1942 (11 gols) e 1945 (16 gols)

Recordista em artilharias na história do campeonato peruano: 7 vezes

7º Maior Artilheiro da história do Campeonato Peruano: 161 gols

Maior artilheiro da história do Clássico do Futebol Peruano entre Universitario x Alianza Lima: 29 gols em 48 jogos

Artilheiro do Campeonato Sul-Americano: 1939 (7 gols)

Melhor Jogador da América do Sul: 1939

3º maior artilheiro da história da Copa América: 15 gols

 

“El Cañonero”

Por Guilherme Diniz

Alguns clubes do mundo criam identificações únicas com certos futebolistas, que ganham estátuas, têm suas camisas aposentadas e viram até nome de rua ou mesmo de estádio. Mas existe um clube que até hoje venera seu maior ídolo em qualquer circunstância, em qualquer momento. Antes dos jogos, a fanática torcida do Universitario sempre levanta um bandeirão exclusivo para ele, com os dizeres “El más grande”. Nas laterais das arquibancadas, faixas relembram o ídolo. Do lado de fora do estádio Monumental U, uma estátua imponente possui o infinito na legenda. Essa ligação intrauterina se explica pelos números, pelos títulos, pela devoção. Mesmo sendo o maior jogador peruano durante décadas, ele jamais foi jogar por outro clube do exterior. A única camisa diferente que vestiu foi da seleção peruana, pela qual também fez história ao levantar o título do Campeonato Sul-Americano de 1939. 

Poderia ter vencido um Ouro Olímpico se uma bagunça não tivesse prejudicado o avanço do time peruano à decisão. Ao longo de duas décadas, foi mesmo o maior do Pacífico, o mais artilheiro, o mais emblemático. Teodoro Fernández Meyzán, ou simplesmente Lolo Fernández, alavancou o futebol peruano como nenhum outro jamais fez em tempos de soberania argentina e uruguaia no continente. Foi devoto da camisa crema do Universitario, vestida ininterruptamente por 22 anos. Um ídolo autêntico e inquestionável que pertence ao clube, aos seus torcedores e a Ate, onde está localizado o estádio Monumental U. Um guardião de glórias, patrono da esperança e de La U. É hora de relembrar.

O início crema

Lolo Fernández

Nascido em San Vicente de Cañete, a 160 km de Lima, Lolo Fernández foi o sexto dos oito filhos de Tomás Fernández Cisneros e Raymunda Meyzán e viveu sua infancia em Hualcará. Apaixonado por futebol, jogava quando podia com os colegas do bairro, mas era complicado encontrar bolas de futebol na região. O pai de Lolo era contra a prática futebolística do filho pelo fato de seus calçados sempre ficarem gastos ou até arrebentados só do lado direito, enquanto o do lado esquerdo permanecia intacto, consequência dos chutes poderosos que ele já disparava com o pé direito em suas investidas ao ataque. Para driblar as repressões do pai, ele até jogava descalço em algumas ocasiões junto com seus irmãos e amigos, mas ainda sim levava bronca por causa do risco de lesões que o esporte podia trazer.

Ainda na juventude, Lolo e seus amigos formaram uma equipe de futebol que pudesse competir com times vizinhos de Cañete, chamado Huracán de Hualcará. Lolo, claro, foi o artilheiro principal da equipe e ficou conhecido pelos chutes fortes de longa distância e os gols decisivos que anotava. Por isso, ganhou o apelido de “El Cañonero” – seus chutes eram tão poderosos que rompiam as redes dos gols! Quando completou 16 anos, foi enviado a Lima para completar seus estudos e recebido pelo irmão mais velho, Arturo, que também seria futebolista e jogaria com Lolo ao longo de sua carreira.

Arturo atuava na época no Ciclista Lima, um dos mais antigos clubes do país. Jogando como zagueiro, Arturo acabou contratado pelo Universitario e o caminho se abriu para Lolo Fernández, que foi levado pelo irmão para jogar na equipe juvenil do clube crema. Certo dia, o presidente do Universitario na época, Plácido Galindo, viu Lolo jogar e ficou abismado com o estilo de jogo ofensivo e implacável do garoto. Imediatamente, ofereceu o primeiro contrato ao jovem, por 120 soles mensais, em 1930. Começaria ali uma história de devoção, títulos e gols.

Artilharias e primeiras glórias

Lolo Fernández (centro) e seus companheiros do Universitario

Pelo time juvenil, Lolo Fernández se tornou o goleador da equipe com 24 gols e debutou pela equipe principal em novembro de 1931, aos 18 anos, contra o Deportivo Magallanes de Chile, marcando o gol da vitória crema. No ano seguinte, o atacante foi o artilheiro do Campeonato Peruano com 11 gols em nove jogos, embora o Universitario tenha terminado com o vice-campeonato, quatro pontos atrás do campeão Alianza Lima. Em 1933, mesmo filme: Lolo artilheiro do campeonato com 9 gols e Universitario vice-campeão. Ainda em 1933, Lolo Fernández integrou o Combinado do Pacífico, equipe que ficou nove meses enfrentando times de vários países da Europa e realizou 39 jogos, com 13 vitórias, 13 empates e 13 derrotas. Fernández anotou 48 gols e foi o artilheiro da gira do time, que teve entre os atletas:

  • 13 jogadores do Universitario: Juan Criado, Arturo Fernández, César del Río, Alberto Denegri, Plácido Galindo, Eduardo Astengo, Vidente Arce, Mario Pacheco, Alfredo Alegre, Lolo Fernández, Julio Landa, Carlos Tovar e Luis Souza Ferreyra;
  • 2 do Alianza Lima: Juan Valdivieso e Alejandro Villanueva;
  • 1 do Chalaco: Alfonso Saldarriaga; 
  • 1 do Circolo: Antonio Maquilón;
  • 4 do Colo-Colo-CHI: Juan Montero, Antonio Luco, Guillermo Subiabre e Eduardo Schenenberger.
All Pacific combinado Peru Chile 1933

Só em 1934 que, enfim, o Universitario foi campeão e Lolo Fernández levantou sua primeira taça pelos cremas, além de marcar 10 gols e vencer mais uma vez o prêmio de artilheiro do torneio. No jogo decisivo, Lolo Fernández marcou o gol da vitória por 2 a 1 sobre o rival Alianza Lima, que passaria a sofrer bastante sob os pés do Cañonero.

Polêmica nas Olimpíadas

Peru e Áustria nas Olimpíadas de 1936

Em 1936, Lolo Fernández integrou a seleção olímpica do Peru que disputou os Jogos de Berlim (ALE). A equipe peruana era uma das favoritas ao Ouro e contava com grandes nomes como o goleiro Valdivieso, o defensor e irmão de Lolo, Arturo Fernández, e os atacantes Jorge Alcalde e Alejandro Villanueva. Na estreia, os peruanos golearam a Finlândia por 7 a 3, com cinco gols de Lolo e dois de Villanueva. Nas quartas de final, o adversário foi a Áustria, uma das mais fortes do mundo na época, que abriu 2 a 0, mas levou o empate. Na prorrogação, muita confusão, invasão de campo e paralisação do jogo, ações que foram descritas pelos peruanos como tentativas de atrapalhar a seleção sul-americana e beneficiar a Áustria, esperança nazista nos Jogos após a eliminação da Alemanha.

Na retomada, o Peru virou para 4 a 2, com o gol decisivo anotado por Lolo Fernández. O Peru ainda marcou outros três gols, todos anulados pelo árbitro. Com o fim do jogo, os austríacos pediram à FIFA que remarcasse a partida por conta dos transtornos ocorridos. A entidade aceitou o argumento, pressionada obviamente pelo governo de Hitler – que estava no estádio no dia do jogo -, mas os peruanos, não. Eles abandonaram os Jogos e a Áustria seguiu nas Olimpíadas até perder para a Itália na final. 

peru 1936
O Peru de 1936. Em pé: Carlos Tovar, Víctor Guarderas Lavalle, Juan Valdivieso, Arturo Fernández, Segundo Castillo e Orestes Jordán. Agachados: Adelfo Magallanes, Jorge Alcalde, Teodoro Lolo Fernández, José Morales e Alejandro Villanueva.
 

A federação peruana repudiou as ações da FIFA e rechaçou que tudo aquilo havia sido um meio de discriminar os peruanos e que ia contra o espírito olímpico. “Não temos fé no atletismo europeu. Viemos aqui e encontramos um bando de comerciantes”, disse Miguel Dasso, membro do Comitê Olímpico Peruano na época. Quando a delegação peruana retornou a Callao, os atletas foram calorosamente recebidos por milhares de pessoas, que aclamaram todos como verdadeiros campeões.

Ainda no Peru, multidões enfurecidas protestaram contra as decisões do Comitê Olímpico atirando pedras no consulado alemão, recusaram-se a embarcar em navios alemães nas docas de Callao e proferiram discursos inflamados, incluindo do presidente Oscar Benavides Larrea à “astuta decisão de Berlim”. Esse jogo até hoje é debatido e um dos mais polêmicos da história, conhecido também como o dia em que a seleção peruana humilhou Hitler. 

Campeão da América e do Peru

Peru 1939
O Peru, campeão de 1939. Em pé: Raúl Chapell, Arturo Fernández, Carlos Tovar, Juan Honores, Pablo Pasache e Segundo Castillo. Agachados: Teodoro Alcalde, Teodoro Lolo Fernández, Jorge Alcalde, Victor Bielich e Arturo Paredes.
 

Curiosamente após os Jogos Olímpicos, Lolo Fernández entrou no período mais laureado de sua carreira. Em 1939, levantou mais um título do Campeonato Peruano com o Universitario, que terminou três pontos à frente do Sucre. O craque foi artilheiro do torneio com 15 gols e fez daquele ano um dos mais especiais de sua trajetória ao levantar com a seleção do Peru o título do Campeonato Sulamericano (atual Copa América), realizado em Lima. Na estreia, o Peru venceu o Equador por 5 a 2, com três gols de Lolo Fernández. Na sequência, vitória por 3 a 1 sobre o rival Chile, com mais dois gols de Lolo. Na terceira partida, vitória por 3 a 0 sobre o Paraguai, com dois gols de Lolo. E, no duelo final e decisivo contra o Uruguai, o Peru venceu por 2 a 1 (gols de Alcalde e Bielich) e sacramentou o título histórico. Lolo Fernández terminou como artilheiro da competição com 7 gols e foi eleito o melhor jogador do torneio e do continente naquele ano.

Implacável, Lolo Fernández anotou mais 15 gols no Campeonato Peruano de 1940, mas o Universitario acabou com o vice. Em 1941, após grandes exibições em amistosos no Chile, Lolo Fernández recebeu a visita de Robinson Alvarez, presidente do Colo-Colo, que lhe deu um cheque em branco certo de que iria contratá-lo. O craque devolveu o cheque ao mandatário do cacique dizendo:

“Não, senhor, obrigado. Só tenho um amor, que fica no Peru e se chama “U”.”

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A categórica resposta foi uma das muitas que o Cañonero deu aos clubes que tentaram contratá-lo nos anos 1940. Ele também foi cobiçado por San Lorenzo e Racing, da Argentina, Peñarol-URU e Racing-FRA. Para se ter uma ideia da grande fase do craque peruano, em 1944, durante uma visita do Racing-ARG ao Peru, Lolo Fernández estava se recuperando de uma cirurgia de hérnia e começou do banco de reservas um amistoso entre o time argentino e o Universitario. 

Quando o placar apontava 2 a 0 para a Academia, a torcida começou a pedir por Lolo nas arquibancadas do antigo Estádio Nacional – também conhecido como Estádio Guadalupe. O craque conseguiu convencer seu irmão, Arturo, então técnico do clube Crema, a colocá-lo em campo. Pois Lolo Fernández entrou e marcou os dois gols do empate em 2 a 2 (!). Dias depois, o Racing voltou a enfrentar o Universitario e, jogando desde o início, Lolo marcou simplesmente os cinco gols dos 5 a 3 dos cremas sobre os argentinos. E isso porque ele vinha de uma cirurgia de hérnia!

Últimos títulos e aposentadoria

lolo fernandez 1953
Lolo Fernández, em sua despedida, em 1953.
 

Lolo Fernández seguiu prolífico pelo Universitario e pela seleção e foi artilheiro do Campeonato Peruano de 1945 (16 gols, recorde pessoal do craque), além de ter levantado os títulos nacionais de 1945, 1946 e 1949. Nos campeonatos sulamericanos, participou das edições de 1941 (3 gols), 1942 (2 gols) e 1947 (não marcou gols), mas o Peru não conseguiu o bicampeonato. Já sentindo bastante dores no joelho direito, Lolo Fernández começou a jogar menos a partir de 1947 e se despediu da seleção naquele mesmo ano, após 24 gols em 32 jogos, o que fez dele o maior artilheiro da blanquirroja por muito tempo.

Pelo Universitario, Lolo Fernández passou a figurar mais no banco de reservas no começo dos anos 1950 e, em 1952, teve a honra de ver o clube inaugurar seu primeiro estádio e batizá-lo com o nome de Estádio Teodoro Lolo Fernández, algo raro com um futebolista ainda em atividade na época. Na estreia do estádio, Lolo anotou três gols na vitória de La U sobre a Universidad de Chile-CHI por 4 a 2. 

Tempo depois, em 30 de agosto de 1953, Lolo Fernández, aos 40 anos, se despediu dos gramados em grande estilo: vitória por 4 a 2 sobre o rival Alianza Lima, no recém-inaugurado Estádio Nacional de Lima, com três gols do craque, que saiu ovacionado pela torcida e deu a volta olímpica no gramado, sendo aplaudido até mesmo pelos adversários. Nas vésperas do jogo, ele disse à imprensa: “vou sair com o mesmo entusiasmo de 20 anos atrás. Mesmo que minhas pernas não sejam as mesmas, meu coração é o mesmo.” Ele ainda rechaçou a paixão pelo Universitario:

“Aquela camisa me atrai e seduz desde a infância. Aparentemente, foi minha namorada para a vida toda. Como eu poderia abandoná-la, a menos que ela parasse de me amar?”.

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Artilheiro máximo do Universitario, do Campeonato Peruano e da seleção na época, Lolo Fernández se despediu dos gramados como um ídolo de todos, uma lenda que transcendia o esporte. Ele foi o ícone que catapultou o futebol peruano não só na América do Sul, mas no mundo. O craque seguiu no cotidiano do Universitario, ganhou consideráveis ajudas do clube para ter sua casa própria e ao menos uma pensão – em tempos nos quais os futebolistas não ficavam ricos – e trabalhou no arquivo da Aduana de Callao, escreveu para jornais esportivos e comandou ainda divisões inferiores do Universitario nos anos 1970, além de receber incontáveis homenagens ainda em vida no Peru e pelo continente, incluindo o Laureles Deportivos, máxima condecoração esportiva do Peru, e ter seu nome no Coliseum Metropolitano Lolo Fernández, ginásio poliesportivo na cidade de San Vicente de Cañete, sua terra-natal. 

2013
Icônico bandeirão do craque em dia de jogo.
 
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O rosto do craque nas arquibancadas do Monumental U.
 
Lolo fernandez 2021
Estátua do craque na entrada principal do Monumental U.
 

Nos anos 1990, já bem debilitado, passou a aparecer menos na mídia e cuidou da saúde. Em 17 de setembro de 1996, Lolo Fernández faleceu aos 83 anos, entristeceu um país inteiro e seu funeral teve até volta olímpica no estádio Lolo Fernández. Anos depois, em 2000, o Universitario inaugurou seu novo estádio, o Monumental U, e fez questão de enaltecer seu ídolo com o rosto do atacante na arquibancada Oriente e uma estátua na entrada principal, que acabou substituída anos depois por uma ainda maior e mais bonita. 

Mesmo quase 30 anos após sua morte, Lolo Fernández segue vivo no cotidiano do futebol peruano e na história do Universitario. Parece que a qualquer momento ele irá aparecer para dar um alô das tribunas do Monumental U tamanha sua presença e a paixão que ele desperta nos hinchas jogo a jogo. É o ídolo que não morre, que vive e que inspira o Universitario. É infinito, como as inscrições de sua estátua na porta do Coloso de Ate. Um craque imortal.

Números de destaque:

Marcou 161 gols em 180 jogos oficiais / 345 gols em 397 jogos totais (oficiais + amistosos) pelo Universitario.

Disputou 32 jogos e marcou 24 gols pela seleção do Peru.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Já ouvi falar mas agora conheço toda a história.depois do nenê Cubillas ao meu ver Lolo pode ser considerado o segundo maior jogador do peru mas infelizmente ele não pode jogar copas do mundo pois no auge dele o peru não jogou a eliminatória para 1938 e depois veio a segunda guerra e ferrou tudo.

  2. Já tinha ouvido falar do Lolo Fernández, mas só o Imortais mesmo para me convencer de ele foi craque imortal! O que me chamou a atenção no texto foi o quanto ele foi talentoso, artilheiro e, principalmente, fiel ao Universitario. Ele se apaixonou, de fato, pelo time Crema! Acho que está cada vez mais difícil de ver essa lealdade no futebol atual!

    Mandou bem, Imortais! Bem, já que estamos falando de Peru, tenho uma sugestão: coloque o Julio Meléndez, aquele zagueiraço peruano que brilhou no Boca Juniors! Bom trabalho sempre e abraço!

Comentários encerrados.

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