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10 Maiores Laterais-Esquerdos das Copas

 

Por Guilherme Diniz

 

Neste ano de Copa do Mundo – que também marca nosso aniversário de 10 anos! -, o Imortais faz uma viagem no tempo e relembra grandes momentos do maior torneio do futebol. E, entre os especiais, destaque para os 10 Mais das Copas, com os principais craques que ajudaram a construir o legado da competição. Neste texto, elencamos os maiores laterais-esquerdos da história dos Mundiais. Lembrando que o foco nessas listas são os jogadores que brilharam exclusivamente em Copas, por isso, muitas lendas não irão aparecer por aqui ou não estarão em uma posição tão relevante quanto outros que brilharam mais na competição, ok? E, falando em Copa, conheça o onlinecassino.com.br e encontre as melhores casas de jogos para você. Boa leitura!

 

10º Víctor Rodríguez Andrade (Uruguai)

Copas disputadas: 2 (1950 e 1954)

Jogos: 8 (4 jogos em 1950; 4 jogos em 1954)

Títulos: 1 (1950)

Premiações

  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1950

 

Dono de um vigor físico privilegiado e capaz de atuar em ambas as laterais e também no meio de campo, Rodríguez Andrade foi um dos maiores jogadores do Uruguai nos anos 1940 e 1950 e peça-chave na equipe campeã da Copa do Mundo de 1950. Sobrinho de José Leandro Andrade, também campeão do mundo, mas lá em 1930, Rodríguez Andrade se destacava pelo poder de marcação, os passes precisos e o apoio ao ataque. Na decisão da Copa de 1950 contra o Brasil, teve a missão de marcar Zizinho, um dos principais nomes brasileiros, e o uruguaio cumpriu sua tarefa com precisão absurda. Foram 42 jogos pela Celeste entre 1947 e 1957 na carreira e duas Copas do Mundo disputadas, em 1950 e 1954, esta atuando como lateral-direito, em especial no épico jogo da semifinal contra a Hungria.

 

9º Bixente Lizarazu (França)

Copas disputadas: 2 (1998 e 2002)

Jogos: 9 (6 jogos em 1998; 3 jogos em 2002)

Gols: 1 (em 1998)

Títulos: 1 (1998)

 

Com 1,69m de altura, Lizarazu compensava a baixa estatura para um defensor com muita técnica, ótima impulsão, cruzamentos impecáveis, apoio maciço ao ataque e talento, qualidades que o transformaram em um dos maiores laterais-esquerdos do futebol mundial. Com 97 jogos e dois gols com a camisa da França – um deles na goleada de 4 a 0 sobre a Arábia Saudita, em 1998 -, Lizarazu é um dos recordistas em partidas pela seleção e disputou as Copas de 1998 e 2002, além das Eurocopas de 2000 e 2004. Revelado pelo Bordeaux, o craque fez história no Bayern München, pelo qual jogou de 1997 até 2004 e também entre 2005 e 2006, época em que vestia a camisa 69 por ter nascido em 1969, medir 1,69m e pesar 69kg, segundo palavras do próprio. Disputou 182 jogos na Bundesliga e venceu 16 títulos pelos bávaros. Pela seleção francesa, venceu tudo: uma Copa do Mundo, em 1998, uma Eurocopa, em 2000, e duas Copas das Confederações, em 2001 e 2003.

 

8º Andreas Brehme (Alemanha)

Copas disputadas: 3 (1986, 1990 e 1994)

Jogos: 16 (5 jogos em 1986; 6 jogos em 1990; 5 jogos em 1994)

Gols: 4 (1 gol em 1986; 3 gols em 1990)

Títulos: 1 (1990) / Vice-campeão em 1986

Premiações

  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1990

 

Foi o dono da lateral-esquerda alemã após a chegada do técnico Franz Beckenbauer à seleção e esteve no time vice-campeão da Copa de 1986, fazendo grandes jogos e marcando gols. Polivalente, podia jogar como volante e em ambas as laterais, mas foi pela esquerda que o craque se consagrou como um dos mais talentosos de sua época. Brehme foi um dos maiores batedores de faltas e pênaltis da história e um dos maiores especialistas em cruzamentos para a área. Tinha um petardo na perna direita e foi absoluto na equipe alemã por uma década, de 1984 até 1994. 

Brehme faz seu gol na final da Copa de 1990: Alemanha campeã!

 

Foi, sem dúvida, um herói alemão na conquista da Copa de 1990, quando marcou, de pênalti, o gol do título sobre a Argentina de Maradona – falando no Dieguito, a GameArt decidiu homenagear o jogador dedicando-lhe a nova slot machine Maradona HyperWays -, além de ter anotado um gol na vitória sobre a Holanda, nas oitavas de final, e outro no empate em 1 a 1 com a Inglaterra, na semifinal, e ter convertido seu pênalti na vitória sobre os ingleses por 4 a 3. Em 1994, disputou cinco jogos no Mundial dos EUA, mas viu a equipe sucumbir nas quartas de final diante da Bulgária. Foram 86 jogos e oito gols pela Nationalelf na carreira.

 

7º Antonio Cabrini (Itália)

Copas disputadas: 3 (1978, 1982 e 1986)

Jogos: 18 (7 jogos em 1978; 7 jogos em 1982; 4 jogos em 1986)

Gols: 1 (em 1982)

Títulos: 1 (1982)

Premiações

  • Eleito para os All-Stars Teams das Copas do Mundo de 1978 e 1982
  • Melhor Jogador Jovem da Copa do Mundo de 1978

 

Um dos melhores laterais da história da Juventus, Cabrini foi o substituto do brilhante Facchetti na lateral-esquerda da seleção da Itália e ajudou a Azzurra a conquistar a Copa do Mundo de 1982. Divino na defesa, Cabrini ia muito bem, também, no ataque, seja em cruzamentos ou chutes no gol. Com 73 jogos pela Itália na carreira, Cabrini começou sua trajetória na Nazionale exatamente em uma Copa, em 1978. Com apenas 20 anos, demonstrou enorme personalidade e realizou jogos impecáveis, ajudando a Itália a alcançar o 4º lugar. Além disso, o defensor venceu o prêmio de Melhor Jogador Jovem do torneio.


Quatro anos depois, Cabrini foi mais uma vez titular absoluto da campanha italiana na Copa de 1982 e conseguiu levantar o caneco que escapou no Mundial anterior. O craque fez partidas impecáveis, marcou um gol na vitória por 2 a 1 sobre a Argentina e colocou o brasileiro Leandro “no bolso” na vitória épica sobre o Brasil por 3 a 2, jogo no qual Cabrini deu o passe para o primeiro gol do carrasco Paolo Rossi. O Bell’Antonio ainda integrou a seleção da Itália na Copa de 1986, mas a Azzurra caiu já nas oitavas de final diante da França de Platini. Cabrini se aposentou da equipe italiana em outubro de 1987 e deixou uma lacuna na seleção que só seria preenchida anos depois com a ascensão de um certo Paolo Maldini…

 

6º Giacinto Facchetti (Itália)

Copas disputadas: 3 (1966, 1970 e 1974)

Jogos: 12 (3 jogos em 1966; 6 jogos em 1970; 3 jogos em 1974)

Premiações

  • Vice-campeão da Copa do Mundo de 1970
  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1970

 

Alto (tinha mais de 1,90m), forte, com um fôlego privilegiado, eficiente defensivamente e também no ataque, aparecendo quase como um ponta lá na frente, além de poder atuar como líbero e até como meia ou atacante se fosse preciso. Um legítimo polivalente, Giacinto Facchetti foi tudo isso e muito mais. Ícone do futebol italiano nos anos 1960 e 1970, capitão da Itália em sua primeira conquista da Eurocopa, em 1968, e também no vice-campeonato da Copa de 1970. Lenda da Grande Inter bicampeã do mundo e da Europa em 1964 e 1965, o grande capitano nerazzurri é até hoje considerado um dos maiores laterais da história do futebol e fez carreira atuando pelo lado esquerdo tanto da Internazionale quanto da Itália. 

Facchetti e Seeler, antes do duelo entre Itália e Alemanha pela semifinal da Copa de 1970.

 

Facchetti é o 10º jogador que mais vestiu a camisa da Itália na história: 94 jogos (70 deles como capitão, é o 4º que mais vezes capitaneou a Azzurra), além de ter marcado três gols. Facchetti disputou as Copas de 1966, 1970 e 1974, sendo o capitão da Itália em 1970 e 1974. No Mundial do México, na primeira fase, Facchetti deu o passe para o gol da vitória por 1 a 0 sobre a Suécia, marcado por Domenghini, e sua enorme segurança defensiva contribuiu para que a Itália segurasse, à sua maneira, empates contra Uruguai (0 a 0) e Israel (0 a 0). 

Facchetti (à esq.) e Pelé durante a final de 1970. Foto: OMEGA/DPA/ASA/Werek.

 

Nas quartas de final, o capitão foi soberano e a Itália não teve problemas para golear o México por 4 a 1, resultado que colocou a equipe na semifinal, na qual os italianos fizeram um duelo épico contra a Alemanha que terminou com vitória da Azzurra por 4 a 3. Embora não tenha sido capaz de vencer o fortíssimo Brasil na final, a Itália fez uma grande Copa e Facchetti terminou entre os melhores defensores do Mundial. Ele ainda detém o recorde de defensor com maior número de gols na história do Campeonato Italiano: 59 gols. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

5º Roberto Carlos (Brasil)

Copas disputadas: 3 (1998, 2002 e 2006)

Jogos: 17 (7 jogos em 1998; 6 jogos em 2002; 4 jogos em 2006)

Gols: 1 (em 2002)

Títulos: 1 (2002) / Vice-campeão em 1998

Premiações

  • Eleito para o All-Star Team de todos os tempos da Copa do Mundo (eleição de 2002)
  • Eleito para os All-Star Teams das Copas do Mundo de 1998 e 2002

 

Foi dono da camisa 6 da Seleção Brasileira em três Copas do Mundo e da camisa 3 do poderoso Real Madrid por 11 anos. De 1997 até 2007, poucos jogaram mais do que ele em sua posição. Ninguém foi tão preciso quanto ele. E poucos colecionaram tantos títulos como ele. Jogador completo, Roberto Carlos atacava como poucos, cruzava, fazia tabelas, aparecia como elemento surpresa nas zagas rivais, cobrava laterais impressionantes como se usasse os pés, e, acima de tudo, sabia defender, voltava para ajudar na marcação e tomava para si um lado inteiro do campo, como bem disse certa vez Vicente Del Bosque, um de seus treinadores no Real Madrid. Além disso, cansou de desafiar os físicos com as curvaturas impressionantes que seus chutes seguiam. 

Roberto Carlos durante a Copa de 1998.

 

E com a Taça FIFA após a conquista de 2002.

 

Estrela em tempos concorridos, o craque teve a honra de jogar com alguns dos melhores jogadores de todos os tempos (Rivaldo, Redondo, Seedorf, Zidane, Ronaldo, isso só para citar alguns…) e quase venceu o prêmio de Melhor Jogador do Mundo da FIFA em 1997 – ele ficou em segundo, atrás “apenas” do companheiro Ronaldo. Embora tenha falhado no jogo do Brasil contra a Dinamarca na Copa de 1998 e no fatídico “lance do meião” no jogo contra a França em 2006, Roberto Carlos foi absoluto na lateral-esquerda da seleção principalmente na Copa de 2002, quando o Brasil foi campeão com Roberto fazendo grandes e seguros jogos. Prova disso é que até hoje nenhum jogador chegou perto do que ele jogou pela seleção. Nem Marcelo, nem Gilberto, nem ninguém. Leia mais sobre Roberto Carlos clicando aqui!

 

4º Ruud Krol (Holanda)

Copas disputadas: 2 (1974 e 1978)

Jogos: 14 (7 jogos em 1974; 7 jogos em 1978)

Gols: 1 (em 1974)

Premiações

  • Vice-campeão das Copas do Mundo de 1974 e 1978
  • Eleito para os All-Stars Teams das Copas do Mundo de 1974 e 1978

 

Depois do brasileiro Nilton Santos inovar nos anos 1950 e 1960 ao se arriscar no ataque mesmo sendo lateral de origem (indo contra os padrões da época), os anos 1970 ficaram marcados pelo surgimento de um dos mais completos defensores do futebol mundial, capaz de jogar maravilhosamente bem como lateral-esquerdo, lateral-direito, zagueiro central e até líbero. E mais: poder jogar em outras posições e ajudar no ataque, marcando gols. Esse jogador foi Ruud Krol, uma das peças que fizeram o Carrossel Holandês da Copa de 1974 dar show e quase conquistar o mundo. Krol fez sua carreira no Ajax, ao lado dos craques da seleção e do técnico Rinus Michels, sendo o soberano da lateral-esquerda e da zaga da equipe de 1968 até 1980, conquistando todos os títulos possíveis pelo clube.

Krol foi durante anos o recordista em jogos pela Laranja com 83 partidas disputadas, sendo 14 em Copas do Mundo, todas as das campanhas dos vices-mundiais em 1974 e 1978. Em 1974, inclusive, o craque marcou um golaço na goleada de 4 a 0 sobre a Argentina e foi um gigante no esquema do técnico Michels. Em 1978, com a ausência de Johan Cruyff, Ruud Krol virou capitão da Holanda e atuou como líbero do time de Ernst Happel que ficou com o vice diante da Argentina. Mesmo sem levantar o mais prestigiado troféu do futebol, o legado de Ruud Krol permanece vivo e intacto para o esporte. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

3º Paul Breitner (Alemanha)

Copas disputadas: 2 (1974 e 1982)

Jogos: 14 (7 jogos em 1974; 7 jogos em 1982)

Títulos: 1 (1974) / Vice-campeão em 1982

Premiações

  • Eleito para o All-Star Team do Século XX da Copa do Mundo
  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1974

 

Ele era genioso, mas também genial. Emendava poderosos chutes de fora da área, efetuava lançamentos precisos para os companheiros, exibia sua habilidade e velocidade e assumia a liderança de uma partida com um ar extremamente sólido e sem temer adversário algum. O caminho natural para Paul Breitner não poderia ser outro: quase todos os principais títulos possíveis para um jogador de futebol, as maiores glórias pela seleção e idolatria eterna das torcidas do Bayern München e do Real Madrid, além do reconhecimento de todos como um dos mais talentosos e completos defensores de todos os tempos. Fabuloso lateral-esquerdo, Breitner escreveu sua história não apenas com atuações fantásticas dentro de campo, mas também fora dele, por sempre dizer o que pensava, não amenizar nas críticas aos companheiros e até treinadores e nunca negar seu lado revolucionário.

Os imortais Paul Breitner e Franz Beckenbauer, na Copa de 1974.

 

O craque marca o gol de empate contra a Holanda na decisão: frieza e talento.

 

Breitner jamais deixou de jogar em alto nível e mostrou sua versatilidade com o passar do tempo ao atuar como meio-campista com tanta qualidade como nos tempos de lateral, a ponto de voltar à seleção alemã oito anos depois do título Mundial de 1974 e conduzir sua equipe a uma final de Copa, em 1982, que seria perdida para os italianos. Mas Breitner conseguiu enriquecer ainda mais sua carreira ao balançar as redes nas duas decisões de Mundial que disputou, tornando-se um dos quatro craques a conseguir tal feito (os outros foram Pelé e Vavá, do Brasil, e Zidane, da França). Foram 48 jogos e 10 gols pela seleção da Alemanha, defendida entre 1971 e 1986 pelo craque, e duas Copas do Mundo disputadas (1974 e 1982). Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

2º Paolo Maldini (Itália)

Copas disputadas: 4 (1990, 1994, 1998 e 2002)

Jogos: 23 (7 jogos em 1990; 7 jogos em 1994; 5 jogos em 1998; 4 jogos em 2002)

Premiações

  • Vice-campeão da Copa do Mundo de 1994
  • Eleito para o All-Star Team de todos os tempos da Copa do Mundo (eleição de 2002)
  • Eleito para os All-Stars Teams das Copas do Mundo de 1990 e 1994

 

Absoluto na lateral-esquerda do melhor Milan de todos os tempos, ele também exerceu tal função com maestria na seleção italiana em três Copas do Mundo – 1990, 1994 e 1998. Nos anos 2000, virou zagueiro. E também jogou nessa posição em uma Copa pela Azzurra (2002). Paolo Maldini é uma lenda incontestável e referência da clássica escola de zagueiros da Itália, além de ser um dos mais completos defensores de todos os tempos – e eleito para o Ballon d’Or Dream Team de 2020, da France Football. Durante muito tempo, Maldini foi o recordista em jogos pela Nazionale com 126 partidas disputadas (e sete gols marcados) entre 1988 e 2002, até ser superado por Fabio Cannavaro e Gianluigi Buffon. 

Na Copa de 1990, Maldini brilhou e ajudou a Itália a alcançar o 3º lugar.

 

Maldini era perito em desarmar adversários, sabia sair jogando com uma classe impressionante, cobria os espaços, recuava, atacava, enfim, era o lateral dos sonhos de qualquer time. Mas apenas o Milan teve o privilégio de contar com essa lenda. Sua camisa número 3 foi aposentada tamanha importância do capitano ao clube rossonero. Maldini foi também capitão da Itália em alguns jogos da Copa de 1994 e capitão pleno nas Copas de 1998 e 2002. Uma pena o jogador não ter vencido um Mundial, pois ele ficaria em ótimas mãos. As grandes chances do craque foram em 1990 – quando a Itália caiu na semifinal diante da Argentina, após empate no tempo regulamentar e derrota nos pênaltis – e em 1994, quando a Azzurra foi para a final, mas perdeu para o Brasil.

 

Aliás, o Mundial de 1994 foi sem dúvida um dos melhores da carreira do craque, que fez jogos espetaculares e foi um dos pilares da zaga italiana, que sofreu bastante com a ausência de Franco Baresi, lesionado. Na decisão, Baresi voltou e jogou ao lado de seu companheiro de Milan no miolo de zaga. Com um fôlego inacabável e desarmes assustadores, Maldini simplesmente anulou a dupla Bebeto e Romário e o jogo ficou mesmo no 0 a 0. Se você pegar uma compilação dos lances do defensor naquele jogo (e em outros daquela Copa), vai perceber o quão estupendo ele era. Veja abaixo:

 

 

Após se aposentar da seleção, Maldini viu a Itália levantar a Copa do Mundo em 2006, justamente a primeira sem o defensor após quatro torneios. Mesmo assim, o craque foi eleito para o Time dos Sonhos das Copas do Mundo, em eleição da própria FIFA realizada em 2002. Maldini é um dos recordistas em jogos de Copas com 23 partidas disputadas. E um adendo: se ele tivesse vencido pelo menos um Mundial, estaria no topo da nossa lista (é que o campeão é quase apelação…). Leia mais sobre Maldini clicando aqui!

 

1º Nilton Santos (Brasil)

Copas disputadas: 4 (1950, 1954, 1958 e 1962)

Jogos: 16 (4 jogos em 1954; 6 jogos em 1958; 6 jogos em 1962)

Gols: 1 (em 1958)

Títulos: 2 (1958 e 1962)

Premiações

  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo de 1958

 

Lateral que ataca, hoje em dia, virou balela. Mas, se voltarmos ao tempo, mais precisamente até a década de 1950, isso era algo impensável no futebol. Quem pensaria em deixar a defesa, apoiar o ataque, ter fôlego para voltar e ainda correr o risco de ver uma “avenida” em suas costas? Uma pessoa: Nilton Santos. Este imortal do futebol marcou época como o mais talentoso, rápido, técnico e completo lateral-esquerdo do século XX, sendo sempre lembrado por acabar com o paradigma do lateral preso à defesa. Nilton foi exemplo de lealdade e amor a um só clube, a uma só estrela, o Botafogo, onde ficou de 1948 até 1964. A única camisa diferente que vestiu em toda sua carreira foi a amarela ou azul da seleção brasileira. O craque apoiava o ataque com a mesma precisão que defendia, e ainda se tornou um ótimo zagueiro perto da aposentadoria. Conhecido como “A Enciclopédia do Futebol”, por sua imensa sabedoria sobre o esporte, tanto na prática quanto na teoria, Nilton era, também, um sábio da vida, sempre alegre e fiel ao amigo Garrincha.

Após ver do banco de reservas a tragédia do Maracanazo, em 1950, sem ser utilizado pelo técnico Flávio Costa, Nilton Santos virou titular da seleção na Copa de 1954 e disputou os três jogos do Brasil, que acabou eliminado já na fase inicial após a derrota por 4 a 2 para a Hungria de Puskás, na partida que ficou conhecida como a “Batalha de Berna”, quando jogadores dos dois times brigaram entre si numa confusão danada, que tirou até o sereno e calmo Nilton Santos do sério, levando o craque à expulsão.

A volta por cima veio em 1958, quando o lateral brasileiro, contrariando as orientações do treinador Vicente Feola, começava a mostrar sua ótima vocação ofensiva ao ir constantemente à linha de fundo. Numa dessas investidas, na vitória sobre a Áustria por 3 a 0, Nilton foi avançando, driblando, tabelou com Mazzola e fez um dos gol(aço)s do Brasil. Um fato curioso é que, nesse jogo, Feola teria dito para Nilton: “volta, volta!”. Após o gol, ele disse: “muito bom, muito bom!”. O Brasil seguiu firme até a final e goleou a Suécia por 5 a 2, levantando a Jules Rimet pela primeira vez. Nilton Santos foi eleito para o All-Star Team da Copa e confirmou a ótima fase que vivia na carreira. 

Em pé: Vicente Feola (técnico), Djalma Santos, Zito, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gylmar. Agachados: Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagallo e Paulo Amaral (preparador físico).

 

Quatro anos depois, o craque foi mais uma vez titular absoluto na trajetória do bicampeonato e usou uma artimanha para ajudar a classificar o Brasil para a etapa final. No jogo contra a Espanha, vencido pela seleção canarinho por 2 a 1, a vitória poderia não ter ocorrido não fosse um gesto de pura malandragem de Nilton Santos. O jogo estava 1 a 0 para a Espanha quando Nilton cometeu um pênalti claro em um jogador espanhol. Quando o árbitro chegava próximo à área, Nilton, com toda a tranquilidade do mundo, deu singelos dois passos para fora da área, fazendo com que a falta fosse marcada fora dela. Os brasileiros respiraram aliviados, os espanhóis ficaram possessos e o Brasil conseguiu virar o jogo.

Em todas as partidas do bicampeonato, Nilton Santos esbanjou vitalidade, força, precisão estupenda nos desarmes e um fôlego incomparável. Ele e Djalma Santos formaram sem dúvida alguma a melhor dupla de laterais da história do Brasil. E, sem dúvida, da história das Copas. Aos contestadores, ambos têm duas Copas do Mundo para acabar com qualquer discussão. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Menções Honrosas

 

Alberto Tarantini (Argentina)

Talentoso lateral-esquerdo do Boca Juniors multicampeão dos anos 1970, Alberto Tarantini era o mais jovem (22 anos) jogador da Argentina campeã da Copa do Mundo de 1978 e curiosamente estava sem clube na época do mundial, pois o Boca não renovou seu contrato, o que fez dele o primeiro campeão do mundo sem clube, com passe livre. O motivo foi uma briga contratual do jogador com os xeneizes, que impediu o lateral de assinar com outra equipe do país na época. Só depois do Mundial que Tarantini conseguiu resolver o imbróglio e atuar pelo Birmingham City-ING por 295 mil libras. Sem ligar para isso, o defensor jogou muito naquele Mundial e esbanjou velocidade, técnica e fôlego. Ficou conhecido também pelo temperamento forte e pela vida noturna, um prato cheio para os paparazzi da época. Ele esteve também no elenco que disputou a Copa de 1982.

 

Júnior (Brasil)

Um dos melhores laterais da história do futebol brasileiro, Júnior foi um dos destaques do timaço do Brasil na Copa de 1982. Apoiava o ataque com perfeição, era habilidoso, driblador e tinha um fôlego invejável. Por conta do esquema ofensivo do time, não ligava muito para a defesa. Mas, quando tinha que defender, ia muito bem. Craque nato do nosso futebol, jogou a Copa de 1986 no meio de campo, posição na qual brilhou principalmente no início dos anos 1990 com a camisa do Flamengo. Mesmo com a eliminação do Brasil diante da Itália na Copa de 1982, Júnior foi considerado um dos melhores daquele Mundial. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Philipp Lahm (Alemanha)

Presente na lista dos 10 Maiores Laterais-Direitos das Copas, Lahm também merece destaque por aqui por ter iniciado sua trajetória em Mundiais atuando pela esquerda. Foi lá em 2006, quando o jovem fez grandes jogos e ainda marcou um golaço na estreia da Nationalelf. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Everaldo (Brasil)

Na bandeira do Grêmio existe uma estrela dourada. Ela é Everaldo, o único atleta do tricolor a ser titular de uma seleção brasileira campeã mundial. Esse feito foi perpetuado pelo clube e desde então é o símbolo máximo da idolatria de um craque revelado pelo tricolor e que foi, durante mais de uma década, sinônimo de eficiência na lateral-esquerda com seus desarmes precisos, fôlego privilegiado, passes e visão de jogo notáveis. Everaldo não era de apoiar tanto como outros laterais, mas em defender e proteger a zaga ele era especialista. Por isso que a seleção de 1970 se deu ao luxo de jogar com tantos camisas 10, pois Everaldo garantia a tranquilidade lá atrás para Rivellino, Gérson, Tostão, Pelé e Jairzinho fazerem suas barbaridades com a bola nos pés. Everaldo disputou apenas a Copa de 1970, mas foi simplesmente impecável na campanha do tricampeonato.

 

Silvio Marzolini (Argentina)

Pouco conhecido das gerações mais novas, Silvio Marzolini deve estar presente em qualquer lista de melhores laterais-esquerdos da história do futebol argentino. Com carreira estreitamente ligada ao Boca Juniors (o craque jogou de 1960 até 1972 nos xeneizes e faturou seis títulos), Marzolini tinha técnica, visão de jogo, vigor físico e liderança. Disputou 28 jogos pela seleção, esteve em duas Copas do Mundo (1962 e 1966) e foi eleito o melhor lateral-esquerdo da Copa do Mundo de 1966.

 

Karl-Heinz Schnellinger (Alemanha)

Photo by Jochen Blume/ullstein bild via Getty Images

 

O alemão foi um dos maiores defensores que atuavam pela esquerda da história do futebol mundial e ganhou o curioso apelido de “Volkswagen” por conta de sua performance “duradoura e de qualidade”. Tinha uma mentalidade vencedora notável, muita calma e inspirava confiança tanto pelo Milan, no qual jogou entre 1965 e 1974, quanto pela seleção alemã, pela qual jogou quatro Copas (1958, 1962, 1966 e 1970), foi eleito para o All-Star Team da Copa de 1962 e marcou um único gol, porém marcante: o de empate em 1 a 1 no jogo contra a Itália na semifinal da Copa de 1970, que levou a partida para a prorrogação mais espetacular de todos os tempos. Venceu oito títulos com a camisa do Milan e é um ídolo eterno do clube. Foram 47 jogos pela Nationalelf.

 

Hans-Peter Briegel (Alemanha)

O polivalente Briegel foi um dos principais craques de sua época e também um exemplo de atleta (ele chegou a praticar decathlon e diversos esportes como salto triplo e salto em distância!). Briegel podia jogar como zagueiro, lateral, volante ou meia sempre com a mesma habilidade e a mesma eficiência. Com um fôlego invejável e grande presença física (tinha quase 1,90m de altura), era um terror para os adversários e marcava diversos gols em suas subidas ao ataque. Foi titular da Alemanha atuando na lateral-esquerda do time campeão da Eurocopa de 1980 e também nas Copas de 1982 (como lateral-esquerdo) e 1986 (como zagueiro pela esquerda, permitindo a entrada de Brehme no time titular). Foram 72 jogos e quatro gols pela Nationalelf. Briegel foi uma lenda, também, do Hellas Verona campeão do Campeonato Italiano de 1984-1985.

 

 

 

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