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Piores campanhas do Brasileirão na era dos pontos corridos

Por Guilherme Diniz

Durante décadas, o Campeonato Brasileiro teve os mais diversos sistemas de disputa como fases de grupos, mata-matas, quadrangulares e alguns exemplos absurdos de criatividade às avessas. Com a consolidação dos pontos corridos a partir de 2003, a competição, enfim, ganhou sobriedade e premiou os times mais regulares. Por outro lado, exige bastante planejamento e não perdoa equipes mais fracas ou que não conseguem manter um bom rendimento durante 38 rodadas. Confira a seguir, em ordem cronológica, as piores campanhas do Brasileirão na era dos pontos corridos.

2007 – América de Natal

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17 pontos em 38 jogos – 14,9% de aproveitamento

  • 4 vitórias
  • 5 empates
  • 29 derrotas
  • 24 gols marcados
  • 80 gols sofridos
  • -56 saldo de gols

Após terminar na 4ª colocação o Campeonato Brasileiro da Série B em 2006, o América de Natal conseguiu o acesso para a elite de 2007, encerrando um jejum de 9 anos sem disputar o torneio (descontando a Copa João Havelange de 2000). Porém, foi exatamente naquele ano de 2007 que o Dragão entrou em uma crise danada que ficou conhecida como “A crise dos 4 anos”, que levaria o time à Série C no período.

Derrotado na final do Campeonato Potiguar pelo rival ABC por 5 a 2, o time não conseguiu esboçar reação alguma na tabela do torneio nacional desde o início e fez uma campanha desastrosa. Foram apenas quatro vitórias – 3 a 2 no Santos, 1 a 0 no Paraná, 2 a 1 no Athletico-PR e 3 a 2 no Paraná – e 29 derrotas, além de a equipe sofrer 80 gols – uma das piores defesas da história, atrás apenas dos 81 gols sofridos pelo América-MG em 2023, clube que somou mais pontos (24) do que o time potiguar.

O América de Natal permaneceu na zona de rebaixamento a partir da 4ª rodada e foi lanterna da 15ª até a 38ª. Além disso, foram 11 derrotas seguidas, 15 jogos seguidos sem vencer e algumas goleadas pelo caminho como um 5 a 1 e um 4 a 0 para o Náutico; 4 a 1 para o Atlético-MG; 4 a 1 para o Santos e seis derrotas pelo placar de 3 a 0. Com apenas 17 pontos, o time potiguar teve um aproveitamento de apenas 14,9% e caiu para a Segundona. Desde então, nunca mais voltou para a Série A. O clube chegou até a Série D, da qual foi campeão em 2022, mas caiu já em 2023 e segue na última divisão nacional.

2013 – Náutico

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20 pontos em 38 jogos – 17,5% de aproveitamento

  • 5 vitórias
  • 5 empates
  • 28 derrotas
  • 22 gols marcados
  • 79 gols sofridos
  • -57 saldo de gols

Em 2012, o Náutico fez uma campanha surpreendente e terminou na 12ª colocação, o que lhe deu uma inédita vaga na Copa Sul-Americana de 2013, a primeira participação do clube em um torneio continental depois de 45 anos – a última foi na Libertadores de 1968, como vice-campeão da Taça Brasil de 1967. Porém, o Timbu acabou perdendo vários jogadores importantes como Araújo, Souza, Rhayner e Kieza, além do técnico Alexandre Gallo (que foi treinar a seleção sub-20 do Brasil), e teve uma temporada decepcionante em 2013. Apesar de ser o único clube de Pernambuco na Série A na época, o alvirrubro não conseguiu o título Estadual – a taça ficou com o Santa Cruz -, foi eliminado na Copa Sul-Americana pelo rival Sport e, no Brasileirão, o Timbu somou apenas 20 pontos em 38 jogos.

Os alvirrubros foram lanternas da 10ª rodada até o fim – no geral, ficaram na última posição em 33 rodadas, um recorde que só seria superado pelo rival Sport em 2025 – e venceram apenas cinco jogos, três deles contra Flamengo, Corinthians e Internacional, além de um triunfo sobre o Coritiba e outro sobre a Ponte Preta.

Foram 14 jogos seguidos sem vencer e 12 derrotas seguidas entre as rodadas 26 e 37, que decretaram a queda iminente dos pernambucanos. As mais dolorosas derrotas foram para o Athletico-PR (4 a 1 e 6 a 1), Internacional (4 a 1), Cruzeiro (4 a 1), Santos (5 a 1), Atlético-MG (5 a 0), e 8 derrotas por 3 a 0. Após a queda, o Náutico não conseguiu mais subir e segue oscilando entre as Séries B e C.

2018 – Paraná

parana

23 pontos em 38 jogos – 20,2% de aproveitamento

  • 4 vitórias
  • 11 empates
  • 23 derrotas
  • 18 gols marcados
  • 57 gols sofridos
  • -39 saldo de gols

De volta à elite após 10 anos, o Paraná queria desempenhar um bom papel no Brasileirão de 2018, mas só colecionou decepção. Lanterna nas primeiras rodadas e depois da 17ª até a 38ª, o tricolor viveu uma sequência angustiante de 18 jogos sem vencer, a maior do torneio na época, sendo 13 derrotas e cinco empates. Uma curiosidade é que o time da Vila Capanema empatou muito e não teve uma defesa tão ruim como de outros rebaixados. As maiores derrotas foram para o Corinthians (4 a 0), Fluminense (4 a 0) e Flamengo (4 a 0) e só duas derrotas por 3 a 0. As quatro vitórias foram sobre Fluminense (2 a 1), Bahia (1 a 0) e América Mineiro (1 a 0 e 1 a 0). Desde então, o clube não conseguiu mais se reerguer e está atualmente sem divisão no futebol nacional.

2019 – Avaí

Avai Catarinense 2019

20 pontos em 38 jogos – 17,5% de aproveitamento

  • 3 vitórias
  • 11 empates
  • 24 derrotas
  • 18 gols marcados
  • 62 gols sofridos
  • -44 saldo de gols

Os catarinenses foram campeões estaduais em 2019, mas não repetiram o embalo na Série A e viram o rebaixamento ser construído já no primeiro turno, quando emendaram 16 jogos sem vencer, com 9 derrotas e 7 empates. Só na 17ª rodada que veio a primeira vitória, um surpreendente 1 a 0 em cima do Fluminense fora de casa. Após perder para o Flamengo de Jorge Jesus na rodada seguinte por 3 a 0, o time da Ressacada emendou duas vitórias seguidas por 1 a 0, uma sobre o Atlético-MG e outra sobre o Athletico-PR, mas parou por aí. Foram 18 jogos sem vencer até o final da competição, sequência negativa recorde na época e igual ao do Paraná de 2018, sendo oito derrotas seguidas, o que culminou com a queda para a Série B já na 33ª rodada. Desde então, o time oscila entre subidas para a Série A e quedas para a B.

2021 – Chapecoense

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15 pontos em 38 jogos – 13,1% de aproveitamento

  • 1 vitória
  • 12 empates
  • 25 derrotas
  • 27 gols marcados
  • 67 gols sofridos
  • -40 saldo de gols

A pior campanha da história dos pontos corridos foi da Chapecoense de 2021, que não conseguiu se manter um ano após subir. Ainda na difícil reconstrução após a tragédia de 2016, o clube ficou apenas uma rodada fora da zona de rebaixamento e foi lanterna da 12ª rodada até o final. Com apenas uma vitória em 38 jogos – 2 a 1 sobre o RB Bragantino, fora de casa, na 20ª rodada -, o time alviverde ficou impressionantes 19 jogos sem vencer e quebrou o recorde de partidas sem triunfos que antes era do Paraná-2018 e do Avaí-2019.

Apesar do fraco desempenho, os catarinenses não sofreram goleadas como outras equipes e o maior revés foi um 5 a 2 para o Inter, fora de casa. As piores sequências de derrotas foram os oito jogos entre as rodadas 8 e 15 e mais sete seguidas a partir da rodada 32. A equipe foi rebaixada com sete rodadas de antecedência, não conseguiu passar dos 15 pontos e acabou ficando com um assustador aproveitamento de 13,1%.

2022 – Juventude

Serie A SAO PAULO 0 X 0 JUVENTUDE Elenco do Juventude em 2022

22 pontos em 38 jogos – 19,3% de aproveitamento

  • 3 vitórias
  • 13 empates
  • 22 derrotas
  • 29 gols marcados
  • 69 gols sofridos
  • -40 saldo de gols

Com apenas três vitórias – 2 a 1 no Avaí, 1 a 0 no Fluminense e 1 a 0 no Ceará – o time de Caxias do Sul não escapou da queda como havia escapado no ano anterior. A equipe entrou na zona já na terceira rodada e não saiu mais, chegando à lanterna na 13ª rodada, oscilando com a penúltima posição, até permanecer na última colocação da 20ª rodada em diante. Aliás, foi a partir dali que a equipe gaúcha não venceu mais e igualou o recorde negativo da Chapecoense de 19 jogos seguidos sem vencer, com 13 derrotas e seis empates. Os piores revezes foram diante do América-MG (4 a 1), Flamengo (4 a 0), Internacional (4 a 0), Fluminense (4 a 0), Santos (4 a 1) e Ceará (4 a 1).

2025 – Sport

piores campanhas do Brasileirão na era dos pontos corridos

17 pontos em 38 jogos – 14,9% de aproveitamento

  • 2 vitórias
  • 11 empates
  • 25 derrotas
  • 28 gols marcados
  • 75 gols sofridos
  • -47 saldo de gols

Time que permaneceu mais rodadas na lanterna na história dos pontos corridos – 36 rodadas seguidas (!), a partir da 3ª rodada – o Leão da Ilha fez uma campanha trágica na Série A de 2025 e deixou seu torcedor com muita saudades do time lá do final dos anos 2000, que faturou a Copa do Brasil e encheu de orgulho a massa rubro-negra. O Sport só foi vencer seu primeiro jogo na 19ª rodada – 1 a 0 no Grêmio, fora – e depois triunfou sobre o Corinthians, em casa, por 1 a 0. Apesar de ter sofrido apenas três goleadas – 4 a 0 para o Cruzeiro, 5 a 1 para o Flamengo e 4 a 0 para o Grêmio – a equipe em nenhum momento demonstrou força para reverter sua situação e conviveu com problemas dentro e fora de campo, com vários percalços na parte administrativa e diretiva. Para piorar, o Sport ganhou o “título” de clube com mais rebaixamentos da Série A para a Série B no século XXI: seis vezes, sendo cinco na era dos pontos corridos.

O Ranking das piores campanhas:

1ª – Chapecoense 2021 – 13,1% de aproveitamento

2ª – América-RN 2007 – 14,9% de aproveitamento

3ª – Sport 2025 – 14,9% de aproveitamento

4ª – Náutico 2013 – 17,5% de aproveitamento

5ª – Avaí 2019 – 17,5% de aproveitamento

6ª – Juventude 2022 – 19,3% de aproveitamento

7ª – Paraná 2018 – 20,2% de aproveitamento

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