Nascimento: 28 de abril de 1960, em Milão, Itália.
Posição: Goleiro
Clubes: Internazionale-ITA (1978-1994), Salernitana-ITA (1978-1979-empréstimo), Savona-ITA (1979-1980-empréstimo), Sambenedettese-ITA (1980-1982), Sampdoria-ITA (1994-1996), Padova-ITA (1996-1997) e New England Revolution-EUA (1997-1999).
Principais títulos por clubes: 2 Copas da UEFA (1990-1991 e 1993-1994), 1 Campeonato Italiano (1988-1989) e 1 Supercopa da Itália (1989) pela Internazionale.
Principais títulos individuais:
- Melhor Goleiro do Mundo pela IFFHS: 1989, 1990 e 1991
- 20º Melhor Goleiro do Século XX pela IFFHS: 2000
- Goleiro do Ano da UEFA: 1990
- Guerín d’Oro: 1987
- Eleito para o All-Star Team da MLS: 1997 e 1999
- Eleito para o Hall da Fama da Internazionale: 2018
“O Muro de Milão”
Por Leandro Stein
Grandes goleiros costumam definir épocas em seus clubes. A torcida da Internazionale, saudosa, não se esquece dos anos em que teve Walter Zenga em sua meta. Criado nas categorias de base da Beneamata e também nas arquibancadas do San Siro, o camisa 1 defendeu os nerazzurri com máxima dedicação. Firmou-se como um dos melhores arqueiros da história e, talvez, o nome mais marcante da posição na era dourada da Serie A. Eleito o melhor goleiro do mundo por três anos consecutivos, entre 1989 e 1991, Zenga possuía um estilo tão plástico quanto elegante de proteger sua meta. Ganhou o apelido de ‘Asa Delta’, com voos altos e gloriosos – inclusive com a seleção italiana, pela qual fez uma Copa do Mundo de 1990 sensacional ao permanecer 517 minutos sem levar gols, desempenho que ajudou a Azzurra a alcançar o 3º lugar no Mundial. É hora de relembrar a trajetória dessa lenda do Calcio.
Sumário
Ganhando experiência

A relação de Zenga com o gol começa antes mesmo de seu nascimento. Seu pai, Alfonso, também atuou na posição por clubes amadores e teve uma rápida passagem pelo Napoli durante os anos 1940. Desta maneira, Walter recebeu as primeiras lições em casa. E o pai seria capaz até mesmo de cometer uma loucura para acelerar o desenvolvimento do menino. Quando Zenga tinha nove anos, Alfonso resolveu colocá-lo em seu primeiro clube, embora apenas garotos acima dos dez anos pudessem ser inscritos. O que ele fez? Falsificou a certidão de nascimento, substituindo o 28 de abril de 1960 por 28 de abril de 1959. A equipe logo percebeu a farsa, mas Alfonso assumiu a responsabilidade e, passado o período, usaria a certidão de nascimento “original”.
Zenga também não demorou a se apaixonar pela Internazionale. Nascido em Milão, o garoto cresceu em uma década bastante prolífica ao clube, em tempos abastados sob as ordens de Helenio Herrera. As glórias se tornariam mais esparsas a partir da saída do treinador, mas nada que atrapalhasse o sonho do prodígio. E logo ele seria descoberto pelos olheiros da Inter: em 1971, o goleiro ingressaria nas categorias de base dos nerazzurri, aos 11 anos. Poderia aprimorar o seu talento, assim como a sua paixão pela camisa.
Quando Zenga chegou aos 18 anos, a Internazionale decidiu que seria melhor a ele ganhar rodagem nas divisões de acesso do Campeonato Italiano. Assim, a promessa comeu poeira nos rincões do Calcio. Começou como reserva da Salernitana na terceirona, antes de assumir a titularidade do Savona, na quarta divisão. Já a verdadeira ascensão ocorreria na Sambenedettese. Na temporada de 1980/81, Zenga foi um dos destaques na equipe que conquistou o acesso à Serie B, com apenas 19 gols sofridos em 33 partidas. Ficaria mais um ano por lá, ajudando a agremiação a se manter na segundona, terminando o campeonato numa digna oitava colocação.
Enfim, nerazzurri

A Internazionale abriu as portas para Zenga na temporada 1982/83. O jovem, contudo, precisaria se contentar com a reserva naquele primeiro momento. O titular nerazzurro era Ivano Bordon, ídolo absoluto do clube e uma das grandes figuras no Scudetto de 1979/80. Aos 31 anos, o veterano acabara de ser campeão do mundo com a seleção, na reserva de Dino Zoff, e era cotado como seu natural sucessor quando o capitão resolvesse se aposentar. Já em Milão, era Zenga quem precisava ter paciência como herdeiro da camisa 1.
No entanto, a mudança na meta da Inter seria bem mais rápida que o esperado. Bordon ficou apenas mais uma temporada no clube, antes de aceitar uma proposta da Sampdoria. Zenga não entrou em campo pela Serie A em 1982/83, mas acumulou boas atuações nas chances que ganhou durante a Copa da Itália e convenceu a diretoria de que ele seria o dono do posto em 1983/84. Os interistas até trouxeram novas opções ao setor, incluindo a presença do rodado Angelo Recchi, que se destacara no Cesena. De qualquer forma, aos 23 anos, Zenga desfrutava da confiança do técnico Luigi Radice e disputou todas as 30 rodadas do Italiano.

A Internazionale encerrou a Serie A 1983/84 na quarta colocação, muito graças às atuações de Walter Zenga. O goleiro sofreu apenas 23 gols e terminou como o menos vazado da competição. Cairia logo nas graças da torcida, não apenas pelo fato de ser um prata-da-casa ou por seu histórico como torcedor que frequentava as arquibancadas: ficava claro que o clube contava com um dos melhores goleiros do país. Não à toa, Zenga também recebia suas primeiras chances na seleção e fez parte do elenco que disputou os Jogos Olímpicos de 1984. A Azzurra sucumbiu nas semifinais em Los Angeles, diante do Brasil.
Após a contratação de Karl-Heinz Rummenigge, a Inter montava uma equipe que pretendia conquistar grandes títulos. Todavia, aquele período seria marcado pelos insucessos dos nerazzurri, que se aproximaram das taças sem poder tocá-las. Entre 1984/85 e 1985/86, o time seria por duas vezes semifinalista da Copa da Uefa, em ambas eliminado pelo Real Madrid da Quinta del Buitre. Também seria terceiro colocado na campanha da Serie A vencida pelo Verona, em 1985. Zenga, pelo menos, se estabelecia como uma figura de grande reputação no Calcio. Os milagres se repetiam sob as traves, permitindo à torcida esperar por uma mudança em sua sorte dentro dos próximos anos.
Cada vez mais importante

Zenga sequer tinha estreado pela seleção quando ganhou a convocação para sua primeira Copa do Mundo, em 1986. O jovem seria a terceira opção no elenco comandado por Enzo Bearzot. Giovanni Galli e Franco Tancredi, os escolhidos da época, não transmitiam a mesma confiança e o posto deixado por Dino Zoff seguia sem dono. Zenga passaria assumi-lo depois do Mundial, realizando sua estreia durante amistoso contra a Grécia em agosto de 1986. A partir de então, seria intocável sob as ordens de Azeglio Vicini – apesar da concorrência de Stefano Tacconi, seu amigo e titular da Juventus na metade final dos anos 1980.
A partir de 1986/87, a Internazionale passou a viver uma nova era sob as ordens de Giovanni Trapattoni. O treinador aceitou uma proposta da Beneamata, após empilhar títulos com a Juventus, e vinha para restabelecer a equipe como uma potência nacional. O processo ainda demorou um pouco a acontecer. Nas duas primeiras temporadas sob as ordens de Trap, a Inter não teve fôlego para acompanhar Napoli e Milan no topo da Serie A. Algumas das apostas feitas pelo clube no mercado de transferências também não deram certo e até mesmo o técnico vitorioso sofria seus questionamentos. Um ponto fora da curva era Zenga, inquestionável sob as traves. Em 1986/87, o arqueiro teve um desempenho absurdo e sofreu míseros 16 gols em 29 partidas, outra vez o menos vazado no campeonato.
Se ainda faltava algo para a Inter se erigir novamente como campeã, esta lacuna não se encontrava no gol. Pelo contrário, Zenga cresceu ainda mais naquele período com Trapattoni. O goleiro tinha personalidade forte e ascendeu naturalmente como uma liderança dentro dos vestiários. Além disso, sua forma dentro de campo falava por si. Com um estilo mais clássico, o camisa 1 preferia esperar os atacantes adversários e frustrá-los com sua explosão sob os paus. Seus saltos e o ótimo tempo de reação eram virtudes, bem como a habilidade para encaixar a bola sem dar rebote. A qualidade técnica potencializava sua confiança.
Essencial no Scudetto e a Copa de 1990

Em 1988, Zenga disputou a Eurocopa e foi titular nas quatro partidas da Azzurra. A equipe avançou de fase, mas caiu diante da União Soviética na semifinal. A volta por cima do goleiro aconteceria em 1988/89, sua grande temporada com a Internazionale. Trapattoni fez o time investir pesado no mercado de transferências, com as contratações principais de Lothar Matthäus, Andreas Brehme e Ramón Díaz. A equipe se encaixaria perfeitamente e nadaria de braçada, numa das melhores campanhas da história da Serie A. O título veio com 58 pontos conquistados em 68 possíveis e somente duas derrotas.
Numa época de poucos gols no Calcio, o desempenho ofensivo da Inter seria mais marcante. Mas não que Zenga fosse um mero coadjuvante. Pelo contrário, o goleiro outra vez liderou a melhor defesa do campeonato e sofreu apenas 19 gols em 33 partidas. Suas atuações mais notáveis aconteceram nos confrontos diretos, quando a Beneamata pôde estabelecer sua vantagem sobre Napoli e Milan. Colecionou defesas no clássico do San Siro durante a nona rodada e fechou o gol no 0 a 0 do San Paolo, para evitar que os napolitanos encostassem na tabela de classificação. A conquista se consumou com quatro rodadas de antecedência. Carregado nos braços da torcida, enfim, o goleiro era campeão por seu clube de coração.

A Inter não manteve o ritmo na temporada seguinte. Terminou na terceira colocação da Serie A e Zenga falhou na eliminação diante do Malmö pela Copa dos Campeões. Independentemente disso, o goleiro seguia incólume na seleção italiana e vestiria a camisa 1 na Copa do Mundo de 1990. As expectativas sobre a Azzurra eram enormes, não apenas pelo fato de jogar dentro de casa, como também pela quantidade de estrelas à disposição de Azeglio Vicini. No fim das contas, Zenga acabou entre os protagonistas da equipe nacional em sua caminhada até as semifinais do torneio.
A Itália tinha uma linha defensiva fantástica naquela Copa. Inter e Milan se combinavam na zaga, com o trio central formado por Giuseppe Bergomi, Franco Baresi e Riccardo Ferri. Já Zenga reforçava a trincheira milanesa e brilhou ao longo do Mundial. Durante as cinco primeiras partidas, a Azzurra não sofreu um gol sequer. Foram 517 minutos de invencibilidade, até que Claudio Caniggia vencesse Zenga na semifinal contra a Argentina. O tento forçou o empate por 1 a 1 e, nos pênaltis, a Albiceleste avançou à decisão. A hesitação na hora de sair da pequena área para interceptar o cruzamento colocou o goleiro no papel de vilão e gerou muitas críticas. Apesar disso, seu recorde de 517 minutos permaneceu intacto na história das Copas durante 36 anos, até ser batido pelo espanhol Unai Simón, em 2026.
Bicampeão na Copa da UEFA, outras camisas e aposentadoria

No retorno à Internazionale, Zenga ganharia motivos para comemorar. O clube voltou a conquistar um título importante em 1990/91, faturando a Copa da UEFA, em decisão vencida sobre a Roma. O goleiro também desempenharia um papel fundamental naquela campanha, sofrendo apenas dois gols nos oito jogos a partir das oitavas de final. Aquela taça, entretanto, colocaria um ponto final na passagem de Trapattoni pela Beneamata. E, na temporada seguinte, o “trio alemão” (também com a adição de Jürgen Klinsmann desde 1989/90) seria desfeito após uma campanha modesta na Serie A.
Ao mesmo tempo, Zenga se despediria da seleção italiana. O goleiro manteve sua posição no ciclo posterior à Copa do Mundo, mas a campanha insuficiente nas eliminatórias da Euro 1992 provocou mudanças. Azeglio Vicini deu lugar a Arrigo Sacchi, que iniciaria a preparação ao Mundial de 1994. Zenga ainda se manteve nos primeiros compromissos com o antigo comandante do Milan, mas deixaria de ser chamado a partir do segundo semestre de 1992. Passaria o bastão a Gianluca Pagliuca, um arqueiro mais acostumado às saídas de gol e às movimentações que Sacchi exigia em sua defesa. Zenga esteve em campo 58 vezes pela equipe nacional, um dos goleiros com mais jogos pela Azzurra e atrás apenas de Gianluigi Buffon, Dino Zoff e Donnarumma. Possui ainda a absurda marca de apenas 21 gols sofridos e 40 partidas partidas sem ser vazado.
A partir de 1992/93, a Inter também se renovou de maneira mais intensa. Osvaldo Bagnoli, que havia sido campeão com o Verona, assumiu o comando técnico e a diretoria apostava em uma nova fornada de reforços – que incluía Rubén Sosa, Igor Shalimov, Salvatore Schillaci, Darko Pancev e Matthias Sammer. Os nerazzurri terminaram a Serie A na segunda colocação, a quatro pontos do Milan. Já em 1993/94, mesmo com a adição de Dennis Bergkamp, a Beneamata começou mal o Campeonato Italiano e Bagnoli seria demitido no meio do caminho, diante dos riscos de rebaixamento. Apesar disso, Gianpiero Marini garantiu o 13° lugar e conduziu os interistas a mais um título na Copa da UEFA, faturada em cima do Austria Salzburg na final.

Zenga tinha 34 anos e segurava seu posto na Internazionale, mas sem o mesmo nível impressionante de outrora. As críticas das arquibancadas se tornaram comuns e, após uma chuva de objetos em sua área, o veterano chegaria a deixar o gramado às lágrimas. Aquela seria a sua última temporada em Milão, eternizando uma inesquecível impressão final com sua atuação na decisão da Copa da UEFA. Após o Mundial de 1994, a diretoria da Inter resolveu buscar o novo titular da seleção: veio Pagliuca, em troca que envolveu a cessão de Zenga mais o pagamento de 12 milhões de liras italianas à Sampdoria. Depois de 11 temporadas consecutivas como titular, o camisa 1 se despedia da torcida no San Siro. O veterano disputou 473 jogos pela Beneamata, um recorde do clube entre goleiros, sem ser vazado em 194 deles.
A carreira de Zenga não demoraria a entrar em declínio. O goleiro disputou apenas uma temporada como titular na Sampdoria, mas sem grande desempenho. Acumulando lesões, perderia a posição a Angelo Pagotto na campanha seguinte. Já em 1996/97, disputou a Serie B com a camisa do Padova, antes de se mudar aos Estados Unidos. Zenga aproveitou sua fama para atuar por três temporadas consecutivas na recém-criada MLS, defendendo a meta do New England Revolution. Aposentaria-se aos 39 anos, em 1999, com problemas no joelho.

Naquela época, Zenga já fez a ponte à sua trajetória como treinador. Comandou o Revolution em sua última temporada, antes de rodar a Europa Oriental no início de sua carreira na casamata. O ex-goleiro levou o Steaua Bucareste ao título romeno em 2005, antes de conquistar a dobradinha na Sérvia com o Estrela Vermelha. Também trabalhou em países árabes, até ganhar as primeiras chances na Serie A em 2008, quando salvou o Catania do rebaixamento. O antigo ídolo sempre dirigiu equipes médias e não aproveitou suas melhores chances, como quando esteve à frente da Sampdoria.
O momento mais emocionante de Zenga como técnico na Serie A ocorreu dentro do próprio San Siro, em fevereiro de 2018. À frente do modesto Crotone, o treinador tentava evitar o rebaixamento e arrancou um valioso empate por 1 a 1, que frustrou a Internazionale. E, embora a torcida tenha vaiado a equipe da casa, guardou seu melhor no reencontro com a lenda. O veterano recebeu muitos aplausos dos nerazzurri, além de ouvir gritos de “só há um Walter Zenga”. Também retribuiu, ao dar seus saltinhos quando os interistas passaram a cantar “quem não pula é rossonero”. Não se nega uma história que vem desde a infância e está arraigada dentro do clube, representando algumas das maiores glórias.
Números de destaque:
Disputou 473 jogos pela Internazionale.
Disputou 58 jogos pela Seleção da Itália.

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Zenga também era chamado de homem aranha pela torcida e imprensa e teve na copa de 90 um dos melhores desempenhos de um goleiro na história dos mundiais mas aquele gol do Caniggia na semi olhando hoje ele não precisava ter saído da meta pois foi uma cabeçada fraca e de costas mas saiu atrasado e levou um gol fatal.ja na disputa de pênaltis não teve chance alguma de ajudar o time.517 minutos sem tomar gols essa marca pelo jeito será eterna em copas.desempenho muito regular pela seleção pena que o resto do time não ajudou ele a ser campeão pela Azzurra mas foi dos melhores em sua época .