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Craque Imortal – Rincón

 

Nascimento: 14 de agosto de 1966, em Buenaventura, Colômbia. Faleceu em 13 de abril de 2022, em Cali, Colômbia.

Posições: Volante, Meia e Atacante

Clubes: Atlético Buenaventura-COL (1985-1986), Independiente Santa Fe-COL (1986-1989), América de Cali-COL (1990-1993), Palmeiras-BRA (1994 e 1996), Napoli-ITA (1994-1995), Real Madrid-ESP (1995-1996), Corinthians-BRA (1997-2000 e 2004), Santos-BRA (2000-2001) e Cruzeiro-BRA (2001).

Principais títulos por clubes: 1 Copa Colômbia (1989) pelo Independiente Santa Fe.

2 Campeonatos Colombianos (1990 e 1992) pelo América de Cali.

1 Campeonato Paulista (1994) pelo Palmeiras.

1 Mundial de Clubes da FIFA (2000), 2 Campeonatos Brasileiros (1998 e 1999) e 1 Campeonato Paulista (1999) pelo Corinthians.

Principais títulos individuais:

Eleito para o Time do Ano da América do Sul pelo jornal El País: 1993 e 1999

Bola de Prata da revista Placar: 1999

3º Melhor Jogador Sul-Americano do Ano: 1993

Eleito para o Time dos Sonhos do Corinthians do Imortais: 2021

 

“El Coloso de Buenaventura”

Por Guilherme Diniz

 

Se você montar uma seleção dos sonhos da Colômbia, ele estará nela. Se você montar um time dos sonhos do Corinthians, ele estará nele. Se você listar os mais talentosos meio-campistas da América do Sul nos anos 1990, ele estará presente. E nada disso foi à toa. Com quase 1,90m de altura, ele impunha medo nos adversários pela presença física, mas também pela extrema qualidade. Fruto da geração de ouro do futebol colombiano que revelou ele, Valderrama, Asprilla e Córdoba, Freddy Eusébio Gustavo Rincón Valencia, ou simplesmente Rincón, foi um dos maiores jogadores da história do futebol sul-americano. Seguro, eficiente e com muita elegância com a bola nos pés, Rincón foi o meio-campista moderno, daqueles que podia jogar na armação de jogadas, pela esquerda, pela direita, centralizado e também mais recuado, desarmando, protegendo a defesa e iniciando contra-ataques.

Presente em três Copas do Mundo, Rincón marcou o gol que classificou a Colômbia para uma etapa de oitavas de final de uma Copa pela primeira vez (em 1990), marcou dois dos cinco gols no lendário 5 a 0 sobre a Argentina, em 1993, foi o primeiro futebolista colombiano a vestir a camisa do Real Madrid e foi ídolo do América de Cali e do Corinthians – pelo qual venceu dois Brasileiros e o primeiro Mundial de Clubes organizado pela FIFA. É hora de relembrar a carreira do craque que ficou conhecido como El Coloso de Buenaventura.

 

Um garoto de futuro

Rincón nasceu em Buenaventura, mais importante porto da Colômbia – responsável por mais de 50% do comércio marítimo do país -, localizado no Valle del Cauca, oeste colombiano. Com 14 anos, Rincón começou a jogar nas categorias de base do principal time de sua cidade, o Atlético Buenaventura, e foi se destacando pelo futebol técnico, pela altura, porte físico e grande vitalidade. Não demorou muito para o jovem ser integrado aos profissionais e virar uma das estrelas do time atuando mais avançado, quase como um atacante. Já em 1986, o Independiente Santa Fe viu o potencial daquele garoto de quase 20 anos e decidiu contratar Rincón, que jogou um tempo nas equipes inferiores até ser integrado ao elenco principal graças ao técnico Jorge Luis Pinto, muito importante para o amadurecimento de Rincón como jogador e que ajudou o atleta a ganhar mais confiança e aperfeiçoar seu passe e sua presença no ataque.

Logo em seu primeiro jogo pelo Santa Fe, Rincón anotou dois gols e virou um dos titulares do time que tentava acabar com um jejum de mais de uma década sem títulos no futebol nacional – eram tempos complicados para o Santa Fe, que via o América de Cali dominar as competições e brilhar no cenário colombiano e sul-americano. Até que, em 1989, Rincón ajudou o Santa Fe a vencer o título da Copa Colômbia, com triunfo sobre o Unión Magdalena por 2 a 1 na decisão, com o gol do título anotado por Rincón. Com muita força e crescendo cada vez mais como futebolista, o jovem virou um dos mais requisitados atletas da Colômbia. E, como não poderia deixar de ser, foi alvo do gigante América de Cali, que conseguiu contratar o atleta para a temporada de 1990, ano que seria um marco na carreira de Rincón.

 

A primeira Copa e o início da Generación de Oro

A ida ao América de Cali significou uma mudança marcante na vida de Rincón. Foi com a camisa do Diablo que o craque ganhou ainda mais visibilidade e o espaço que merecia na seleção colombiana, que até 1989 tinha pouca ou quase nenhuma tradição em solo sul-americano e mundial. Mas tudo começou a mudar naquele ano quando o futebol do país venceu pela primeira vez a Copa Libertadores com o Atlético Nacional, uma façanha que chamou a atenção de todos pelo fato de o time alviverde ter em seu elenco somente jogadores de seu país, além de todos eles serem brilhantemente treinados por Francisco Maturana, adepto do futebol ofensivo, organizado e taticamente perfeito.

A Colômbia de 1990. Em pé: Rincón, Perea, Andrés Escobar, Gildardo Gómez, Gabriel Jaime Gómez e Higuita. Agachados: Valderrama, Estrada, Luis Herrera, Leonel Álvarez e Luis Alfonso Fajardo.

 

O desempenho daquele time fez com que a federação colombiana apostasse tudo e mais um pouco exatamente no técnico Maturana e nas principais estrelas daquele esquadrão. Com isso, o treinador ganhou ainda mais poder dentro da equipe (que ele comandava desde 1987) e craques como Higuita, Herrera, Escobar, Perea, Gildardo Gómez, Pérez, Álvarez e Asprilla formariam a espinha dorsal da seleção. Mas não eram apenas os alviverdes os donos da camisa amarela. Freddy Rincón passou a ter seu lugar cativo por ser um craque cheio de talento e polivalente, capaz de jogar como volante, meia e até atacante, posição preferida do técnico Maturana para o então jovem de 23 anos. 

Ainda no meio de campo, um cabeludo inconfundível de nome Carlos Valderrama gastava a bola no futebol francês com a camisa do Montpellier e era a grande estrela do futebol do país à época. Com o reforço dessa dupla, a Colômbia foi com as maiores ambições para a disputa da Copa do Mundo de 1990, na Itália – a equipe conseguiu a vaga depois de ser líder em seu grupo das Eliminatórias e derrotar Israel na repescagem. Rincón começou a vestir a camisa da seleção exatamente em 1990 e participou de nove amistosos entre fevereiro e junho, com dois gols marcados. Atuando como atacante, Rincón fez uma perigosa dupla ao lado de Arnoldo Iguarán, enquanto Alvarez, Redín e Valderrama controlavam as ações no meio de campo.

Na estreia da Copa, contra os Emirados Árabes Unidos, a Colômbia venceu por 2 a 0 e foi com a esperança de se classificar já na partida seguinte. Só que o adversário foi a Iugoslávia, com um timaço na época e vários jogadores do Estrela Vermelha que seria campeão europeu no ano seguinte. Os europeus deram um baile nos colombianos e só não golearam porque a trave e Higuita, que pegou um pênalti, não deixaram. No jogo seguinte, a Colômbia tinha que pelo menos empatar com a Alemanha para avançar de fase. Os germânicos fizeram 1 a 0 perto do final do jogo, com Littbarski, e parecia mesmo que a aventura dos sul-americanos iria acabar por ali. 

Só que Rincón tratou de manter viva a campanha colombiana com um dos gols mais gritados da história do país. Em um contra-ataque fantástico orquestrado por Álvarez, Fajardo e Valderrama, El Pibe encontrou um espaço pela direita do campo e tocou para Rincón avançar livre e tocar por baixo da saída do goleiro Illgner e fazer um golaço, o do empate, aos 48’ do segundo tempo, que classificou a Colômbia pela primeira vez na história a uma fase final de Copa. Para Rincón, foi o “maior gol de sua carreira”.

A vibração de Rincón: um país inteiro gritou com ele após aquele gol histórico.

 

“De um jogo como esse, que é histórico, tudo é lembrado. Lembro de tudo e, claro, da tensão, que era muito grande. O significado daquele gol foi enorme porque o país estava carente de uma alegria que nós tínhamos que dar por tudo o que estávamos vivendo. E, felizmente, conseguimos.”

Nas oitavas de final, a Colômbia encarou Camarões, da lenda Roger Milla. E foi ele quem eliminou os colombianos – com uma providencial ajuda de Higuita. Nos 90 minutos, os times não conseguiram sair do zero e a Colômbia mostrou muita displicência em definir a partida. Rincón acabou deixando o campo no segundo tempo e, na prorrogação, logo no primeiro minuto da segunda etapa, Milla despachou Perea e Escobar e tocou por cima do goleiro colombiano, marcando um belo gol para os africanos. Aos 4’, Higuita foi tentar driblar o craque camaronês, mas se esqueceu que ele estava diante do maior jogador da história de Camarões. Resultado? Higuita perdeu a bola, claro, Milla avançou e marcou o segundo gol. Redín ainda descontou para a Colômbia, aos 10´, mas era tarde. Camarões se classificou e a Colômbia voltou para casa mais cedo.

Higuita foi brincar na frente de Milla… Pobre colombiano.

 

De volta ao futebol nacional, Rincón levantou dois títulos do Campeonato Colombiano pelo América de Cali e fez partidas brilhantes nas campanhas dos Diablos na Copa Libertadores. Jogando ao lado de Antony de Ávila, Sergio Angulo e Jorge da Silva, Rincón foi um dos líderes de um novo esquadrão do América e por pouco não ajudou o time a alcançar a final da Liberta em 1992, quando os Diablos eliminaram o rival Atlético Nacional nas quartas com show de Rincón, autor do gol da vitória do América por 1 a 0 no duelo de ida, em plena Medellín, e anotou outro nos 4 a 2 da volta, em Cali.

Na semifinal, porém, o time foi eliminado pelo futuro vice-campeão, o Newell’s Old Boys-ARG de Marcelo Bielsa, que, após dois empates em 1 a 1, venceu nos pênaltis em um angustiante 11 a 10. Em 1993, Rincón ajudou a Colômbia a alcançar a semifinal da Copa América, mas a Argentina estragou o sonho do título com vitória nos pênaltis. Só que aquela derrota seria vingada muito em breve pelo craque e seus companheiros…

 

O show do Monumental

Rincón e Asprilla: dupla jogou o fino da bola naquela noite inesquecível.

 

Logo após a Copa América, a Colômbia começou sua trajetória rumo à Copa do Mundo dos EUA de 1994. Os sul-americanos mostraram muita força de conjunto, futebol técnico e talentoso e foram superando os obstáculos um a um. Após empate sem gols contra o Paraguai em casa, a equipe derrotou o Peru, fora, por 1 a 0 (gol de Rincón), bateu a Argentina em casa por 2 a 1, empatou novamente com o Paraguai, fora, em 1 a 1 (gol de Rincón) e goleou o Peru em casa por 4 a 0 (gols de Valenciano, Rincón, Mendoza e Pérez). Na última rodada, a Colômbia teria pela frente a desesperada Argentina, que precisava da vitória, bem como os colombianos, para se classificar para a Copa do Mundo. Quem perdesse teria que rezar por uma combinação de resultados que levasse para a repescagem.

Todos esperavam uma vitória dos anfitriões argentinos. Só que a Colômbia entrou em campo com Córdoba; Herrera, Perea, Mendoza e Pérez; Álvarez, Gómez e Rincón; Valderrama; Asprilla e Valencia. Era um timaço, mas que foi menosprezado desde o início pelo torcedor argentino, que com apenas três minutos de jogo já gritava “olé” a favor de sua seleção. Aquela soberba, as 75 mil vozes contra e a derrota de meses atrás na Copa América mexeram com o brio dos colombianos, que protagonizaram naquele dia um dos maiores bailes da história do futebol mundial.

Depois de a Argentina tentar, sem sucesso, abrir o placar nos primeiros 40 minutos iniciais e a Colômbia perder algumas chances, Valderrama conduziu com maestria a bola no meio de campo aos 41´e tocou na medida para Rincón. O craque avançou com velocidade, driblou Goycochea como um legítimo centroavante e marcou um golaço: 1 a 0. No começo do segundo tempo, Rincón fez um lançamento estupendo na esquerda para o endiabrado Asprilla, que quase fez sentar o zagueiro Borelli e marcou o segundo. Aos 28´, boa jogada de Álvarez pela esquerda, que cruza na área para Rincón ampliar: 3 a 0. Dois minutos depois, bobeada da zaga argentina, Asprilla rouba a bola e toca com estilo, classe e elegância por cobertura. Pintura. E 4 a 0 para a Colômbia. Era um show. E um pesadelo sem tamanho para a Argentina. A torcida que antes gritava “olé” para o time alviceleste agora gritava a cada toque de bola dos colombianos.

A Colômbia da partida histórica – Em pé: Córdoba, Perea, Álvarez, Rincón, Valencia e Mendoza. Agachados: Asprilla, Gómez, Pérez, Herrera e Valderrama.

 

Como retribuição, a Colômbia ainda marcou mais um, aos 39´, em uma jogada estupenda que pode ser a síntese daquele time imortal. Valderrama, capitão e soberano do meio de campo, tocou de três dedos em profundidade para Asprilla. O atacante disparou pela esquerda em velocidade, deu uma parada para despistar seu marcador e viu a chegada de Valencia. Com um toque sublime, leve e preciso, como quem o faz com as mãos, ele deixou o companheiro livre, na cara do goleiro argentino. O trabalho foi tão mínimo que nem um chute foi preciso, mas apenas o biquinho da chuteira na bola: 5 a 0. Estava consolidada a vaga colombiana na Copa. E a maior derrota em casa da Argentina em sua história.

 

Naquele dia, o mundo parou para ver e rever a apoteose de Rincón, Valderrama, Asprilla e Cia. Na volta para casa, os jogadores foram recebidos por uma multidão ensandecida que cortejou por horas seus heróis e fez questão de se lembrar de Higuita, preso na época por envolvimento em um sequestro, e Escobar, que ficou de fora da partida por lesão. Não era nenhum exagero dizer que aquela Colômbia, que passou a temporada inteira de 1993 invicta (19 jogos, 10 vitórias e nove empates), era, sim, favorita ao título da Copa de 1994. Para coroar um ano mágico, Rincón foi eleito para o Time Ideal da América pelo jornal El País e ficou na terceira posição na eleição do Melhor Jogador do Ano nas Américas, atrás do boliviano Etcheverry e do compatriota e campeão Valderrama.

 

Decepção, a primeira ida ao Brasil e estadia europeia

Em 1994, o time era ótimo, mas subiu no salto e se esqueceu de jogar futebol.

 

No ano da Copa, a Colômbia fez diversas partidas pré-Mundial e manteve o grande futebol de 1993, com apenas uma derrota em 13 jogos. Só que a equipe cafetera “subiu no salto alto” e começou sua caminhada na Copa com a mais pura soberba, algo que não condiz com o esporte e sempre destrói as pretensões de quem a pratica. Na estreia, a Romênia de Hagi aplicou 3 a 1 nos colombianos jogando um futebol de toques envolventes e bem parecido com o que a própria Colômbia jogava. No segundo jogo, um desastre total. Derrota para os anfitriões EUA por 2 a 1, com direito a gol contra do zagueiro Escobar. Precocemente, os colombianos estavam eliminados do Mundial. Na última partida, a vitória por 2 a 0 sobre a Suíça serviu como prêmio de consolação para a equipe, que veria o fim de uma era se encerrar ali mesmo.

O alento para Rincón foi a conquista do Campeonato Paulista pelo Palmeiras, antes da disputa da Copa, quando o craque surgiu como mais badalado reforço do alviverde e ajudou o time a levantar o bicampeonato. Jogando como meia e às vezes um pouco mais recuado para ajudar na marcação, o craque cresceu ainda mais taticamente sob as mãos do técnico Vanderlei Luxemburgo. Em entrevista ao canal Fox Sports em junho de 2020, o craque comentou sobre seu período no Verdão.

 

“Os tempos de Palmeiras foram muito bons. O Palmeiras de 1994 foi o melhor time que eu joguei no Brasil. Eu me divertia naquele time. A gente brincava de jogar – era possível com aquele elenco”.

 

Após o primeiro semestre e o fiasco na Copa, Rincón foi negociado ao Napoli-ITA como parte de um acordo entre o clube napolitano e o Parma – que também recebia aportes financeiros da Parmalat, a mesma patrocinadora do Palmeiras na época. Em sua chegada, Rincón foi recebido com muita festa e apelidado de “O Corsário Negro” pelo narrador Raffaele Auriemma. No início, Rincón não se encontrou jogando de atacante, mas assim que foi recuado para o meio de campo pelo novo técnico napolitano, Vujadin Boskov, o craque começou a render e fez grandes jogos como maestro das jogadas ofensivas e peça importante na chegada ao gol – foram sete gols marcados em 28 jogos.

 

Ao término da temporada, Rincón conseguiu conquistar o técnico do Real Madrid na época, Jorge Valdano, e fez com que o poderoso clube merengue contratasse o meio-campista. Rincón se tornou o primeiro jogador colombiano da história do Real, porém, o craque não se encontrou no time madrileno e sofreu com ofensas racistas dos torcedores e pressão da diretoria, fatos que minaram sua estadia em Madri.

 

“Não sofri racismo no meu dia a dia, mas dentro da equipe, sim. Era um ambiente pesado, com muitos egos. Coisas da melhor equipe do mundo. A situação estava muito complicada para o Jorge Valdano, tinha uma pressão muito grande. Mas fico muito agradecido, porque me fez crescer como jogador e pessoa”, declarou Rincón à Gol Caracol TV, em abril de 2020.

 

Em 1996, Rincón retornou ao Palmeiras, mas por um breve período e sem brilho. Só em 1997 que o colombiano iria começar uma nova e fantástica era em sua carreira: no “Todo-Poderoso” Timão.

 

Ídolo alvinegro e a coleção de títulos

Rincón, um dos grandes nomes do Corinthians no final dos anos 1990. Foto: AFP PHOTO/Marie HIPPENMEYER

 

Rincón assinou com o Corinthians em 1997 e começou uma nova fase em sua carreira. Comandado inicialmente por Joel Santana, o colombiano passou a atuar ainda mais recuado no meio de campo para distribuir a bola e aproveitar sua experiência e categoria. Mas seria em 1998, com Vanderlei Luxemburgo, que Rincón se transformaria em um dos melhores volantes em ação no futebol brasileiro. Naquele ano, o craque foi um dos destaques do inesquecível meio de campo corintiano que ajudou o alvinegro a faturar o Campeonato Brasileiro. Ao lado de Vampeta, Ricardinho e Marcelinho Carioca, Rincón não só ajudava na marcação como também municiava o ataque com seus passes precisos, arrancadas e lançamentos.

Rincón pelo Corinthians, em 1998. Foto: Acervo/Gazeta Press.

 

Em 1998, o craque ainda disputou sua última Copa do Mundo, mas a Colômbia, com uma geração já envelhecida, caiu na fase de grupos do Mundial da França. ele vestiu a camisa da seleção cafetera até 2001 e seu último jogo foi curiosamente contra a Argentina, no Monumental, o estádio onde ele tanto brilhou no épico 5 a 0 de 1993 – porém, a albiceleste venceu por 3 a 0 e estragou a despedida de Rincón.

Em 1999, após a saída de Gamarra, o craque virou capitão e mais uma vez foi o destaque do time bicampeão brasileiro e também campeão paulista. Rincón tinha respeito do estrelado elenco do Timão naquele final de década e conseguia controlar os nervos e as brigas por ser o capitão, embora tenha enfrentado alguns atritos com os companheiros em alguns momentos.

 

“O time de 1999 já estava consolidado pelo campeonato de 1998. A equipe jogava bola mesmo, e saía (para o ataque) com muita velocidade. O time jogava em conjunto, e aí apareciam alguns destaques como Ricardinho, Vampeta, Marcelinho, Edílson, Dida, Sylvinho e depois Kléber. […] O mata-mata todo foi o momento mais complicado, porque tinham times de muita qualidade. Mas nesses momentos sempre aparecia a maturidade de todos os jogadores experientes”, comentou Rincón à Agência Corinthians, em dezembro de 2019.

 

Em 1999, Rincón venceu ainda a Bola de Prata como melhor meio-campista do Brasileirão e viveu o auge em janeiro de 2000, quando capitaneou o Corinthians na conquista do primeiro Mundial de Clubes organizado pela FIFA. A imagem do capitão erguendo o troféu ficou marcada para sempre na memória do corintiano, que viu o esquadrão montado lá em 1998 alcançar um feito único e marcante na história do clube.

 

“Eles (o Vasco, adversário do Corinthians na final) tinham um timaço: Edmundo, Romário, Juninho Pernambucano, entre outros. Todos davam o Vasco como campeão, o que nos uniu ainda mais. Falei para o grupo que não poderiam nos menosprezar. […] Chegamos à final com cansaço acumulado porque tínhamos jogado partidas muito intensas no Campeonato Brasileiro. Eu estava com uma fibrose e, ainda assim, joguei os 120 minutos, já que um capitão não poderia abandonar o barco”, comentou Rincón à Gazeta Esportiva em dezembro de 2016.

 

Últimas camisas e aposentadoria

Logo após o Mundial, Rincón deixou o Timão e assinou com o Santos, mas não brilhou. Em 2001, jogou brevemente no Cruzeiro e anunciou a aposentadoria. O craque voltou atrás e retornou aos gramados em 2004, para vestir a camisa do Corinthians em mais sete jogos, até pendurar as chuteiras de vez aos 38 anos. Após passar por alguns problemas com a polícia internacional por causa de lavagem de dinheiro e envolvimento com o Cartel de Cali, Rincón chegou a ficar 123 dias preso, em 2007, até ser liberado. Depois do ocorrido, o colombiano ainda tentou uma carreira de técnico e comandou alguns clubes brasileiros como Iraty, São Bento, São José e Flamengo de Guarulhos, além de treinar as categorias de base do Corinthians, em 2009, e trabalhar como assistente de Vanderlei Luxemburgo no Atlético-MG, em 2010. 

Nos anos 2010, o colombiano se dedicou mais à carreira de comentarista esportivo e chegou até a disputar um amistoso com a camisa do América de Cali em 2013, aos 46 anos. Em 11 de abril de 2022, o jogador sofreu um grave acidente de carro em Cali, na Colômbia, o qual lhe causou um traumatismo craniano. Ele passou por uma delicada cirurgia, mas não resistiu e faleceu dois dias depois, aos 55 anos. Rincón deixou para sempre na memória dos amantes do esporte suas virtudes inesquecíveis, seu estilo de cabeça erguida, ávido e forte, um craque que esbanjou talento e categoria nos gramados do mundo por mais de 15 anos como um verdadeiro colosso. Um craque imortal.

 

Números de destaque:

Disputou 127 jogos e marcou 29 gols pelo Independiente Santa Fe.

Disputou 176 jogos e marcou 54 gols pelo América de Cali.

Disputou 76 jogos e marcou 22 gols pelo Palmeiras.

Disputou 158 jogos e marcou 11 gols pelo Corinthians.

Disputou 84 jogos e marcou 17 gols pela seleção da Colômbia.

Disputou 675 jogos e marcou 169 gols na carreira.

 

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