Por Guilherme Diniz
A Copa do Mundo da FIFA é o evento esportivo mais assistido do mundo e, como tal, produziu alguns momentos verdadeiramente inesquecíveis ao longo das décadas. Em um torneio que viu os maiores jogadores de todos os tempos, quais marcaram mais gols? Aqui estão os 10 maiores artilheiros da Copa do Mundo de todos os tempos.
Sumário
10º Jürgen Klinsmann (Alemanha)
11 gols em 17 jogos

Durante décadas os atacantes da Alemanha foram tachados de “durões”, rompedores e simples fazedores de gols, sem a habilidade de jogadores latinos. Porém, essa mesma Alemanha passou a mudar seu histórico não só com o já citado Rummenigge, mas também com um craque que não marcava apenas gols, mas que driblava, construía jogadas, tabelava e assinava pinturas eternas. Jürgen Klinsmann encantou o planeta por anos com um futebol bonito de se ver. O atacante pegava os goleiros desprevenidos, era um oportunista nato, inteligente e tinha um chute certeiro com a perna direita.

Campeão do mundo em 1990 e da Europa em 1996 (esta como capitão) pela seleção, o craque fez o caminho inverso ao de muitos jogadores colecionando mais títulos de expressão por seu país do que por clubes, além de ter anotado gols em todas as competições que jogou com a camisa da Alemanha, da Eurocopa de 1988 até a Copa do Mundo de 1998. Klinsmann é o 4º maior artilheiro da história da seleção (empatado com Rudi Völler) com 47 gols em 108 jogos disputados. Ele disputou três Copas (1990, 1994 e 1998) e marcou gols em todas elas, alcançando a marca de 11 gols em 17 jogos em Mundiais. Leia mais sobre ele clicando aqui!
9º Sándor Kocsis (Hungria)
11 gols em 5 jogos

Poucos conseguiram superá-lo quando o assunto era cabeçada. Muito menos em impulsão e precisão na hora de acertar uma bola pelos ares. Não bastasse o talento aéreo, ele chutava com os dois pés, tinha amplo domínio de bola, elegância de sobra e uma explosão formidável. Nos anos 1950 e 1960, Sándor Kocsis esbanjou talento e genialidade por todos os clubes por onde passou e se consagrou como o melhor cabeceador de todos os tempos. Sua fama foi tão absoluta que ele ficou mais conhecido como o “Cabeça de Ouro”.

Com 75 gols em 68 jogos pela Seleção da Hungria, Kocsis superou inúmeros atacantes e se tornou, também, um dos maiores goleadores por países do planeta – e um dos pouquíssimos a ter mais gols do que número de jogos vestindo a camisa de sua seleção. Artilheiro da Copa do Mundo de 1954, com 11 gols marcados em apenas cinco jogos, Kocsis é até hoje o artilheiro com maior média de gols em um só torneio na história da competição. Leia mais sobre ele clicando aqui!
8º Pelé (Brasil)
12 gols em 14 jogos

A história do futebol se confunde com a de Pelé. E a história da Copa do Mundo possui um lastro como nenhum outro com o Rei. Houve uma época em que Pelé acreditava ser azarado em Copas, por ter se machucado tanto em 1962 quanto em 1966. Mas o que ele fez em 1958 e 1970 ninguém fez. Na Suécia, com apenas 17 anos, marcou seis gols, sendo um deles antológico, com direito a chapéu no zagueiro e finalização de primeira no gol. E, em 1970, foi a majestade em estado puro no México. Marcou quatro gols – um deles na final – e deixou na memória os quase-gols inesquecíveis contra a Tchecoslováquia – de meio de campo -, contra a Inglaterra, na cabeçada mortal que originou a defesa do século de Gordon Banks, e o corta-luz contra o Uruguai, quando usou o corpo para driblar Mazurkiewicz e só não marcou porque um cotoco de grama levantado pelo zagueiro desviou a trajetória da bola.

Pelé imortalizou a camisa 10 como manto de craque e reinventou o futebol com uma genialidade jamais vista na história do esporte. Para entendê-lo, só vendo seus vídeos, suas obras, seus gols. E ele soube como poucos esbanjar seu talento no maior dos palcos. Copa do Mundo sem Pelé seria um torneio comum. Com Pelé, virou o maior torneio de todos. Leia mais sobre ele clicando aqui!
7º Just Fontaine (França)
13 gols em 6 jogos

Ficamos de 1970 até 2002 sem ver alguém anotar 10 gols em uma Copa. Vimos uma vez um jogador marcar 11 gols em uma Copa. E apenas uma vez vimos um jogador marcar absurdos 13 gols em uma Copa. Foi em 1958, quando Just Fontaine se tornou o maior artilheiro de uma única edição de Copa do Mundo, além de ser um dos poucos a romper a barreira dos 10 gols em qualquer Mundial. Uma verdadeira máquina de gols em sua época, Fontaine escreveu seu nome na história pela façanha na Copa de 1958, mas também por sua média formidável em clubes. Parável apenas com faltas e muito habilidoso, Justô é considerado um dos grandes atacantes do futebol mundial em todos os tempos, e que teve que superar até mesmo uma guerra para se consolidar como uma das grandes figuras da história do esporte.

Na brilhante campanha francesa naquele Mundial, o craque marcou três gols nos 7 a 3 sobre o Paraguai; dois gols na derrota por 3 a 2 para a Iugoslávia; um gol na vitória por 2 a 1 sobre a Escócia; dois gols nos 4 a 0 sobre a Irlanda do Norte; um gol na derrota por 5 a 2 para o Brasil e quatro gols nos 6 a 3 sobre a Alemanha, na disputa pelo terceiro lugar. Com uma média de 2,17 gols por jogo, o atacante fez o que nenhum outro atacante conseguiu até hoje e segue absoluto como a maior máquina de gols que uma só Copa já viu. Leia mais sobre ele clicando aqui!
6º Harry Kane (Inglaterra)
14 gols em 16 jogos

Um dos mais prolíficos atacantes do futebol atual, o inglês começou a construir sua artilharia em Copas no Mundial de 2018, quando marcou 6 gols, venceu a Chuteira de Ouro e ajudou a Inglaterra a alcançar a 4ª colocação no Mundial da Rússia. Naquela campanha, o camisa 9 anotou dois gols em cima da Tunísia, três gols no Panamá e um gol no duelo contra a Colômbia, nas oitavas de final. Na Copa de 2022, Kane balançou as redes nos 3 a 0 sobre Senegal, nas oitavas de final, e na derrota por 2 a 1 para a França, nas quartas de final. Já em 2026, o atacante marcou dois gols na estreia da Inglaterra no Mundial, quando o English Team fez 4 a 2 na Croácia, e marcou outro gol na vitória por 2 a 0 sobre o Panamá, no último jogo da fase de grupos, tento que fez ele passar Gary Lineker e se tornar o maior artilheiro inglês na história das Copas.
Na fase 16-avos de final, o craque virou um jogo dramático para a Inglaterra diante da República Democrática do Congo e marcou os dois gols do 2 a 1 que colocou o English Team nas oitavas de final. Com isso, ele chegou aos 13 gols e passou de uma só vez o alemão Klinsmann, o húngaro Kocsis e o brasileiro Pelé. Nas oitavas de final, o craque marcou mais um e fechou os 3 a 2 da Inglaterra sobre o México que classificou o English Team. Kane deve subir ainda mais nessa lista ainda neste Mundial!
5º Gerd Müller (Alemanha)
14 gols em 13 jogos

Ele foi um dos mais letais e precisos goleadores da história do futebol, daqueles que dificilmente ficava um jogo sem marcar. Seus chutes eram certeiros, rasteiros, um terror para os goleiros. Com números incríveis e média de quase 1 gol por jogo em toda carreira, o baixinho troncudo foi artilheiro da Copa de 1970 com 10 gols e campeão em 1974, quando anotou quatro gols, entre eles o do título mundial sobre a temida Holanda de Cruyff. Por muitos anos, o atacante ostentou a invejável marca de maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 14 gols, até ser superado por Ronaldo e pelo compatriota Klose décadas depois. Gerd Müller é o 2º maior artilheiro da história da Alemanha com 68 gols em 62 jogos, uma média impressionante de 1,10 gols por jogo! Uma máquina, simples assim! Leia mais sobre ele clicando aqui!
4º Ronaldo (Brasil)
15 gols em 19 jogos

O maior dos palcos viu as mais diferentes facetas e a volta por cima de um dos melhores atacantes de todos os tempos. Tudo começou em 1994, quando um garoto viu do banco a seleção brasileira ser tetracampeã. Quatro anos depois, ele era titular absoluto com a camisa 9 do Brasil e realizou partidas simplesmente inesquecíveis para qualquer amante do futebol. O apogeu do craque coincidiu justamente com uma época vertiginosa do futebol brasileiro. Ele e a amarelinha tinham uma simbiose perfeita. Suas arrancadas, gols e conquistas o transformaram num mito, o verdadeiro Fenômeno. Mas, na final, o peso do mundo em suas costas lhe causou uma convulsão que prejudicou não só ele, mas todo o time, que perdeu o título de maneira trágica para a França.

Nos anos seguintes, Ronaldo sofreu com as lesões e o atacante foi tido como aposentado. Mas ele deu exemplo, conseguiu a volta por cima e voltou como uma fênix para levar o Brasil ao título de 2002, com 8 gols – maior número desde 1970 – sendo dois gols na decisão, a síntese maior do que ele era capaz e de sua volta por cima, com certeza a mais bonita que o futebol já viu. Em 2006, mesmo longe de sua forma ideal, marcou três gols e se tornou o maior artilheiro da história das Copas com 15 gols em 19 jogos, posto perdido apenas em 2014 para o alemão Miroslav Klose. O fato é que Ronaldo foi um dos maiores craques de todos os tempos. Incontestável. Único. Leia mais sobre ele clicando aqui!
3º Miroslav Klose (Alemanha)
16 gols em 24 jogos

O maior artilheiro da história da competição durante muito tempo começou sua trajetória em 2002, quando liderou o ataque da seleção alemã que alcançou a final daquele Mundial ao marcar cinco gols, mostrando muita técnica, senso de posicionamento, agilidade e impulsão. O título, no entanto, ficou com o Brasil. Quatro anos depois, o artilheiro voltou a brilhar e anotou mais cinco gols que fizeram dele o artilheiro e Chuteira de Ouro da Copa, embora a Alemanha tenha terminado na 3ª colocação. Em 2010, Thomas Müller roubou a cena em outra boa campanha germânica, mas Klose não passou em branco e fez mais quatro gols, provando uma simbiose impressionante com a camisa da Nationalelf e com a Copa do Mundo.

Em 2014, o atacante marcou mais dois gols – um deles no 7 a 1 sobre o Brasil, na semifinal – e se tornou o maior artilheiro da história das Copas na época, título emblemático que veio justamente no ano em que ele venceu, enfim, sua primeira Copa da carreira após tantos anos de decepções. Além de ser um dos principais artilheiros das Copas, Klose é ainda o maior artilheiro da seleção alemã com 71 gols em 137 jogos. Sem dúvida, a história recente dos Mundiais se confunde com a própria história de Miroslav Klose. Leia mais sobre ele clicando aqui!
2º Lionel Messi (Argentina)
21 gols em 32 jogos

Por muito tempo, Messi não era sinônimo de Copa do Mundo. Mas a atuação magistral do craque no Mundial do Catar foi determinante para ele virar o jogo e entrar para o seleto rol de imortais das Copas. Com 7 gols e três assistências, foi vice-artilheiro e conduziu a Argentina ao título mundial, levantando, como capitão, o troféu que faltava em sua vasta galeria. De quebra, se tornou o jogador com mais jogos em Mundiais – 26 partidas – e único a marcar gols em todas as etapas da fase final (a partir das oitavas). Em 2026, o craque começou arrebentando: três gols nos 3 a 0 da Argentina sobre a Argélia, o que fez o camisa 10 se igualar a Klose e ser um dos maiores artilheiros da história das Copas.

No duelo seguinte, contra a Áustria, o craque poderia superar Klose com um gol de pênalti, mas chutou pra fora. Só que Messi não desiste. E, minutos depois, recebeu na entrada da área e, de primeira e com sua perna esquerda, mandou pro fundo do gol e chegou ao histórico gol de número 17. Enfim, liderança conquistada! Na etapa complementar, o camisa 10 ainda fez mais um e chegou aos 18 gols. Na última partida da fase de grupos, o craque fez um gol de falta nos 3 a 1 da Argentina sobre a Jordânia e alcançou os 19 gols. Na fase de 16 avos de final, o craque fez o primeiro da Argentina diante de Cabo Verde e alcançou as duas dezenas de gols em Mundiais. Na sequência, apesar de perder um pênalti, marcou outro gol – um golaço – e foi um dos destaques na virada épica da Argentina sobre o Egito por 3 a 2. Simplesmente imortal!
1º Kylian Mbappé (França)
22 gols em 22 jogos

Depois de estourar na Copa do Mundo de 2018, quando foi um dos destaques da França campeã mundial, o craque simplesmente destruiu na Copa do Catar. Na primeira fase, marcou três gols. Nas oitavas, mais dois. E, na grande final, foi o primeiro jogador desde o inglês Geoff Hurst a anotar três gols em uma decisão, além de ser o primeiro desde Ronaldo, em 2002, a alcançar 8 gols em uma Copa. Por incrível que pareça, nem os três gols na final foram suficientes para ajudar a França a levar o título, que ficou com a Argentina.
Mesmo assim, Mbappé se tornou o maior artilheiro da história das Copas já no Mundial de 2026, no Canadá, EUA e México. Tudo começou com os dois gols que o craque anotou na estreia da França, garantindo o placar de 3 a 1 sobre Senegal. Com isso, o atacante alcançou os 14 gols em 15 jogos e passou de uma só vez Pelé, Messi e Fontaine! Na partida seguinte, o craque anotou mais dois gols nos 3 a 0 sobre o Iraque e chegou aos 16 gols, superando o brasileiro Ronaldo e se igualando ao alemão Klose. A vice-liderança isolada da lista foi conquistada no duelo de 16-avos de final, contra a Suécia, no qual Mbappé marcou mais dois gols e chegou aos 18 gols em 18 jogos. Nas oitavas, contra o Paraguai, o tortuga fez mais um e garantiu o 1 a 0. Nas quartas, perdeu um pênalti, mas se redimiu, fez outro, deu passe para o segundo e foi o protagonista nos 2 a 0 da França sobre Marrocos.
Depois de passar em branco na semifinal e não impedir a derrota para a Espanha por 2 a 0, o craque voltou com tudo na disputa do 3º lugar e marcou dois gols no duelo eletrizante contra a Inglaterra (6 a 4 para os ingleses), o que fez ele alcançar os 22 gols em 22 jogos, manter a média de um gol por jogo e ainda chegar aos 10 gols na Copa de 2026, mesmo número de Gerd Müller no Mundial de 1970 e que não era alcançado desde então. Simplesmente incrível!
Confira também nosso especial com os 10 Maiores Atacantes da história das Copas!

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