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Os 10 Maiores Artilheiros da Copa do Mundo

 

Por Guilherme Diniz

 

A Copa do Mundo da FIFA é o evento esportivo mais assistido do mundo e, como tal, produziu alguns momentos verdadeiramente inesquecíveis e nos deu muito o que falar ao longo das décadas. Mas e as estatísticas? Em um torneio que viu alguns jogadores realmente grandes enfeitarem o campo, quais marcaram mais gols? Aqui estão os 10 maiores artilheiros da Copa do Mundo de todos os tempos.

 

10º Gabriel Batistuta (Argentina)

10 gols em 12 jogos

El Batigol foi ídolo por onde passou e uma referência da seleção argentina nos anos 1990. Matador nato, disputou as Copas de 1994, 1998 e 2002 e se transformou no maior artilheiro da Argentina em Copas com 10 gols, sendo quatro em 1994, cinco em 1998 e um em 2002. Batistuta é ainda dono de vários recordes ainda inalcançados na seleção: maior número de gols em torneios internacionais (38 gols), maior número de gols em Copas das Confederações (quatro gols), maior número de gols em uma só Copa América (seis gols, em 1991), maior número de gols na era moderna da Copa América (13 gols) e único argentino a anotar dois hat-tricks em Copas (1994 e 1998). Com um senso de colocação formidável e inteligentíssimo, ele em campo era sinônimo de gol.

 

9º Gary Lineker (Inglaterra)

10 gols em 12 jogos

 

Imagine jogar por mais de uma década profissionalmente e não levar nenhum cartão amarelo ou vermelho. Imagine também ter um talento fora de série, marcar gols em profusão, esbanjar técnica em diversos campos do planeta, marcar 10 gols em duas Copas do Mundo e mesmo assim jamais vencer os títulos que merecia ou que sonhava. Pois é. Isso tudo aconteceu com Gary Lineker, um dos maiores atacantes da história do futebol inglês e mundial e um dos principais protagonistas de tempos complicados para a Seleção Inglesa no cenário internacional. Discreto, sereno e praticante do jogo limpo, Lineker era o oposto da maioria de seus concorrentes e se destacava pelos gols decisivos, pelas arrancadas fulminantes, pelo instinto predatório dentro da área, pela ótima média de gols, pelo posicionamento impecável e por um característico e virtuoso domínio de bola. Ídolo do Leicester City e do Tottenham, o inglês foi artilheiro da famosa “Copa de Maradona”, a de 1986, com 6 gols.

 

8º Helmut Rahn (Alemanha)

10 gols em 10 jogos

Ao lado de Fritz Walter, era o outro craque maior da Alemanha na Copa de 1954. Foi o grande herói na final contra a Hungria, quando marcou o gol de empate e o gol da vitória por 3 a 2 no Milagre de Berna. Disputou 40 jogos pela seleção e marcou 21 gols. Tinha um grande espírito de liderança e um canhão na perna esquerda. Em Copas, Rahn marcou 10 gols em 10 jogos, sendo 4 gols em 1954 e 6 gols em 1958, com média de exato um gol por jogo.

 

7º Jürgen Klinsmann (Alemanha)

11 gols em 17 jogos

 

Durante décadas os atacantes da Alemanha foram tachados de “durões”, rompedores e simples fazedores de gols, sem a habilidade de jogadores latinos. Porém, essa mesma Alemanha passou a mudar seu histórico não só com o já citado Rummenigge, mas também com um craque que não marcava apenas gols, mas que driblava, construía jogadas, tabelava e assinava pinturas eternas. Jürgen Klinsmann encantou o planeta por anos com um futebol bonito de se ver. O atacante pegava os goleiros desprevenidos, era um oportunista nato, inteligente e tinha um chute certeiro com a perna direita. 

 

Campeão do mundo em 1990 e da Europa em 1996 (esta como capitão) pela seleção, o craque fez o caminho inverso ao de muitos jogadores colecionando mais títulos de expressão por seu país do que por clubes, além de ter anotado gols em todas as competições que jogou com a camisa da Alemanha, da Eurocopa de 1988 até a Copa do Mundo de 1998. Klinsmann é o 4º maior artilheiro da história da seleção (empatado com Rudi Völler) com 47 gols em 108 jogos disputados. Ele disputou três Copas (1990, 1994 e 1998) e marcou gols em todas elas, alcançando a marca de 11 gols em 17 jogos em Mundiais.

 

6º Sándor Kocsis (Hungria)

11 gols em 5 jogos

 

Poucos conseguiram superá-lo quando o assunto era cabeçada. Muito menos em impulsão e precisão na hora de acertar uma bola pelos ares. Não bastasse o talento aéreo, ele chutava com os dois pés, tinha amplo domínio de bola, elegância de sobra e uma explosão formidável. Nos anos 1950 e 1960, Sándor Kocsis esbanjou talento e genialidade por todos os clubes por onde passou e se consagrou como o melhor cabeceador de todos os tempos. Sua fama foi tão absoluta que ele ficou mais conhecido como o “Cabeça de Ouro”.

Kocsis (o camisa 8) saltando mais alto do que qualquer coreano na estreia húngara na Copa.

 

Com 75 gols em 68 jogos pela Seleção da Hungria, Kocsis superou inúmeros atacantes e se tornou, também, um dos maiores goleadores por países do planeta – e um dos pouquíssimos a ter mais gols do que número de jogos vestindo a camisa de sua seleção. Artilheiro da Copa do Mundo de 1954, com 11 gols marcados em apenas cinco jogos, Kocsis é até hoje o artilheiro com maior média de gols em um só torneio na história da competição.

 

5º Pelé (Brasil)

12 gols em 14 jogos

A história do futebol se confunde com a de Pelé. E a história da Copa do Mundo possui um lastro como nenhum outro com o Rei. Houve uma época em que Pelé acreditava ser azarado em Copas, por ter se machucado tanto em 1962 quanto em 1966. Mas o que ele fez em 1958 e 1970 ninguém fez. Na Suécia, com apenas 17 anos, marcou seis gols, sendo um deles antológico, com direito a chapéu no zagueiro e finalização de primeira no gol. E, em 1970, foi a majestade em estado puro no México. Marcou quatro gols – um deles na final – e deixou na memória os quase-gols inesquecíveis contra a Tchecoslováquia – de meio de campo -, contra a Inglaterra, na cabeçada mortal que originou a defesa do século de Gordon Banks, e o corta-luz contra o Uruguai, quando usou o corpo para driblar Mazurkiewicz e só não marcou porque um cotoco de grama levantado pelo zagueiro desviou a trajetória da bola. 

 

 

Pelé imortalizou a camisa 10 como manto de craque e reinventou o futebol com uma genialidade jamais vista na história do esporte. Para entendê-lo, só vendo seus vídeos, suas obras, seus gols. E ele soube como poucos esbanjar seu talento no maior dos palcos. Copa do Mundo sem Pelé seria um torneio comum. Com Pelé, virou o maior torneio de todos.

 

4º Just Fontaine (França)

13 gols em 6 jogos

 

Desde 2002 que não vemos um jogador marcar mais de 6 gols em uma Copa. Ficamos de 1970 até 2002 sem ver alguém anotar 10 gols em uma Copa. Vimos uma vez um jogador marcar 11 gols em uma Copa. E apenas uma vez vimos um jogador marcar absurdos 13 gols em uma Copa. Foi em 1958, quando Just Fontaine se tornou o maior artilheiro de uma única edição de Copa do Mundo, além de ser um dos poucos a romper a barreira dos 10 gols em qualquer Mundial. Uma verdadeira máquina de gols em sua época, Fontaine escreveu seu nome na história pela façanha na Copa de 1958, mas também por sua média formidável em clubes. Parável apenas com faltas e muito habilidoso, Justô é considerado um dos grandes atacantes do futebol mundial em todos os tempos, e que teve que superar até mesmo uma guerra para se consolidar como uma das grandes figuras da história do esporte.

 

 

Na brilhante campanha francesa naquele Mundial, o craque marcou três gols nos 7 a 3 sobre o Paraguai; dois gols na derrota por 3 a 2 para a Iugoslávia; um gol na vitória por 2 a 1 sobre a Escócia; dois gols nos 4 a 0 sobre a Irlanda do Norte; um gol na derrota por 5 a 2 para o Brasil e quatro gols nos 6 a 3 sobre a Alemanha, na disputa pelo terceiro lugar. Com uma média de 2,17 gols por jogo, o atacante fez o que nenhum outro atacante conseguiu até hoje e segue absoluto como a maior máquina de gols que uma só Copa já viu.

 

3º Gerd Müller (Alemanha)

14 gols em 13 jogos

Ele foi um dos mais letais e precisos goleadores da história do futebol, daqueles que dificilmente ficava um jogo sem marcar. Seus chutes eram certeiros, rasteiros, um terror para os goleiros. Com números incríveis e média de quase 1 gol por jogo em toda carreira, o baixinho troncudo foi artilheiro da Copa de 1970 com 10 gols e campeão em 1974, quando anotou quatro gols, entre eles o do título mundial sobre a temida Holanda de Cruyff. Por muitos anos, o atacante ostentou a invejável marca de maior artilheiro da história das Copas do Mundo, com 14 gols, até ser superado por Ronaldo e pelo compatriota Klose décadas depois. Gerd Müller é o 2º maior artilheiro da história da Alemanha com 68 gols em 62 jogos, uma média impressionante de 1,10 gols por jogo! Uma máquina, simples assim!

 

2º Ronaldo (Brasil)

15 gols em 19 jogos

 

O maior dos palcos viu as mais diferentes facetas e a volta por cima de um dos melhores atacantes de todos os tempos. Tudo começou em 1994, quando um garoto viu do banco a seleção brasileira ser tetracampeã. Quatro anos depois, ele era titular absoluto com a camisa 9 do Brasil e realizou partidas simplesmente inesquecíveis para qualquer amante do futebol. O apogeu do craque coincidiu justamente com uma época vertiginosa do futebol brasileiro. Ele e a amarelinha tinham uma simbiose perfeita. Suas arrancadas, gols e conquistas o transformaram num mito, o verdadeiro Fenômeno. Mas, na final, o peso do mundo em suas costas lhe causou uma convulsão que prejudicou não só ele, mas todo o time, que perdeu o título de maneira trágica para a França.

 

Nos anos seguintes, Ronaldo sofreu com as lesões e o atacante foi tido como aposentado. Mas ele deu exemplo, conseguiu a volta por cima e voltou como uma fênix para levar o Brasil ao título de 2002, com 8 gols – maior número desde 1970 – sendo dois gols na decisão, a síntese maior do que ele era capaz e de sua volta por cima, com certeza a mais bonita que o futebol já viu. Em 2006, mesmo longe de sua forma ideal, marcou três gols e se tornou o maior artilheiro da história das Copas com 15 gols em 19 jogos, posto perdido apenas em 2014 para o alemão Miroslav Klose. O fato é que Ronaldo foi um dos maiores craques de todos os tempos. Incontestável. Único.

 

1º Miroslav Klose (Alemanha)

16 gols em 24 jogos

O maior artilheiro da história da competição começou sua trajetória em 2002, quando liderou o ataque da seleção alemã que alcançou a final daquele Mundial ao marcar cinco gols, mostrando muita técnica, senso de posicionamento, agilidade e impulsão. O título, no entanto, ficou com o Brasil. Quatro anos depois, o artilheiro voltou a brilhar e anotou mais cinco gols que fizeram dele o artilheiro e Chuteira de Ouro da Copa, embora a Alemanha tenha terminado na 3ª colocação. Em 2010, Thomas Müller roubou a cena em outra boa campanha germânica, mas Klose não passou em branco e fez mais quatro gols, provando uma simbiose impressionante com a camisa da Nationalelf e com a Copa do Mundo.

 

Klose celebra seu gol nº16 em Copas.

 

Em 2014, o atacante marcou mais dois gols – um deles no 7 a 1 sobre o Brasil, na semifinal – e se tornou o maior artilheiro da história das Copas, título emblemático que veio justamente no ano em que ele venceu, enfim, sua primeira Copa da carreira após tantos anos de decepções. Além de ser o principal artilheiro das Copas, Klose é ainda o maior artilheiro da seleção alemã com 71 gols em 137 jogos. Sem dúvida, a história recente dos Mundiais se confunde com a própria história de Miroslav Klose. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Enquanto fazemos a contagem regressiva para o torneio deste ano, vamos tirar um momento para apreciar os jogadores que nos agraciaram com sua presença ao longo dos anos e tornaram esses dias um pouco mais agradáveis. Para esse ano, muitos nomes do Futebol estarão em campo, com as estratégias certas, é possível apostar em alguns times e até mesmo nos atletas de maneira individual – tem que se manter atento a programação, já que esse ano, por ser no Catar – os horários serão bem diferentes para os brasileiros.

 

Confira também nosso especial com os 10 Maiores Atacantes da história das Copas!

 

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