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Bahia x Internacional: os jogos na Libertadores de 1989

bahia inter libertadores 1989 home

Por Guilherme Diniz

Após 36 anos, o Bahia volta a disputar uma Copa Libertadores neste ano de 2025. E, curiosamente, o tricolor terá pela frente na fase de grupos o Internacional, mesmo adversário da equipe lá na última participação baiana, em 1989, quando ambos foram à competição como campeão (Bahia) e vice (Inter) do Brasileirão de 1988. Confira a seguir como foram aqueles duelos!

Fase de grupos

1988 bahia home

Bahia e Inter eram dois dos principais clubes do Brasil naquele final de anos 1980 e comprovaram isso ao decidirem o Campeonato Brasileiro de 1988. O tricolor foi a grande surpresa daquela edição e conseguiu o título ao derrotar o Colorado após triunfar em Salvador por 2 a 1 e empatar em 0 a 0 no Beira-Rio. Foi o segundo título nacional do Bahia em sua história e a consagração do esquadrão de Ronaldo, Tarantini, João Marcelo, Paulo Rodrigues, Gil, Bobô, Zé Carlos e Charles, comandados pelo técnico Evaristo de Macedo. Do lado do Inter, ficou a enorme decepção com o vice após superar o rival Grêmio no “Gre-Nal do Século” da semifinal e impedir um troféu de peso a grandes nomes daquele time como Taffarel, Luís Carlos Winck, Aguirregaray, Nílson e Maurício, treinados pelo técnico Abel Braga.

As finais foram disputadas no começo de 1989 e, acredite, apenas dois dias após o Bahia levantar o troféu do Brasileirão, ambos já entraram em campo pela Libertadores (!), que na época tinha sua fase de grupos composta por duas duplas de dois países em cada grupo. Com isso, no Grupo 2, Bahia e Inter eram os representantes do Brasil e tinham a companhia do Unión Atlético Táchira (atual Deportivo Táchira) e do Sport Marítimo, ambos da Venezuela. Favoritos, os brasileiros deveriam se classificar sem sustos, mas o Inter sofreu demais para conseguir uma das três vagas disponíveis. E, no duelo contra o Bahia, no Beira-Rio, em 21 de fevereiro de 1989 (apenas dois dias após a decisão do Brasileirão!), o tricolor provou que era o melhor time do país ao virar o jogo pra cima do Colorado. 

bahia inter anos 80
Ze Carlos Bahia Edison Vara Agencia RBS
Zé Carlos comemora. Foto: Edison Vara / Agência RBS
 

O uruguaio Diego Aguirre abriu o placar para o Inter aos 7’ do primeiro tempo, mas Gil aproveitou um rebote na entrada da área gaúcha para bater de primeira e fazer um golaço, aos 24’. Seis minutos depois, falta cobrada na área e Zé Carlos testou para virar o placar e decretar o triunfo baiano: 2 a 1. Os brasileiros voltaram a se enfrentar em 14 de março, na Fonte Nova, e Charles, após linda troca de passes no ataque, fez o gol do triunfo por 1 a 0 que selou a vaga do Bahia na segunda fase. Do lado do Inter, a equipe só garantiu sua vaga na rodada final e terminou com apenas 5 pontos em seis jogos (duas vitórias, um empate e três derrotas), na terceira colocação, enquanto o Bahia avançou como líder do grupo, com 10 pontos conquistados após quatro triunfos e dois empates (na época, os triunfos valiam dois pontos). 

Fichas dos jogos da Fase de Grupos (todas as fichas são do site https://www.coloradosanonimos.com.br/):

Internacional 1×2 Bahia

Data: 21/02/1989

Local: Beira-Rio – Porto Alegre (RS)

Público: 13.765 pagantes.

Renda: NCz$ 19.960,50

Juiz: Arnaldo Cézar Coelho, auxiliado por Luís Carlos Félix e Ulisses Tavares da Silva.

Cartões: Ado, Norberto, Diego Aguirre (I); Newmar (B).

Gols: Diego Aguirre 7’/1 (I); Gil 24’/1 (B); Zé Carlos 30’/1 (B).

INTERNACIONAL: Taffarel; Luís Carlos Winck, Aguirregaray, Nenê e Casemiro; Norberto (Marcelo Vita), Ado e Luís Carlos Martins; Hêider, Diego Aguirre e Edu Lima. Técnico: Abel Braga.

BAHIA: Ronaldo; Tarantini, João Marcelo, Newmar e Edinho; Paulo Rodrigues, Gil e Bobô (Osmar); Zé Carlos, Charles (Sandro) e Marquinhos. Técnico: Evaristo de Macedo.

Bahia 1×0 Internacional

Data: 14/03/1989

Local: Fonte Nova – Salvador (BA)

Público: 17.087

Renda: NCz$ 39.922,50

Juiz: Luís Carlos Félix, auxiliado por Carlos Martins e José Roberto Wright.

Cartões: Luís Carlos Winck, Nórton, Norberto (I); Paulo Róbson e Newmar (B).

Expulsão: Nílson (I).

Gol: Charles 12’/2 (B).

BAHIA: Ronaldo; Tarantini (Edinho), João Marcelo, Newmar e Paulo Róbson; Paulo Rodrigues, Gil e Zé Carlos; Osmar, Charles e Marquinhos. Técnico: José Carlos Queiroz.

INTERNACIONAL: Taffarel; Luís Carlos Winck, Nórton, Nenê (Dacroce) e Casemiro; Norberto, Luís Fernando Flores e Luís Carlos Martins; Leomir (Hêider), Nílson e Ado. Técnico: Abel Braga.

Mata-mata: a revanche Colorada

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Nas oitavas de final, o Bahia, agora treinador por Renê Simões, enfrentou o Universitario-PER e conseguiu a classificação após empatar com os peruanos fora de casa em 1 a 1 e vencer a volta, na Bahia, por 2 a 1. O Inter enfrentou o Peñarol-URU, campeão da América em 1987, mas já em franco declínio, e goleou em Porto Alegre por 6 a 2, levando uma enorme vantagem para Montevidéu, onde também venceu – 2 a 1 – e garantiu a vaga nas quartas de final.

No caminho por um lugar nas semis, tricolores e colorados se reencontraram nas quartas de final e o Bahia entrou como favorito, principalmente pelos triunfos da fase de grupos e da boa fase do elenco. Mas a sorte começou a virar a favor do Internacional. Na ida, em Porto Alegre, Diego Aguirre, em cabeçada letal aos 39’ do primeiro tempo, fez 1 a 0 e selou a vitória gaúcha diante de 60 mil pessoas no Beira-Rio. Enfim, os colorados venciam os tricolores! E levaram a vantagem do empate para a Fonte Nova. 

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Aguirre marcou o gol da vitória colorada no duelo da ida. Foto: Antônio Vargas / Agência RBS
 

O Bahia era muito forte jogando em casa, mas no dia 26 de abril, uma chuva torrencial desabou sobre o estádio e transformou o gramado em uma verdadeira piscina. A prática de um bom futebol era praticamente impossível e o presidente do Bahia na época, Paulo Maracajá, tentou adiar a partida, mas seu pedido foi rejeitado pela Conmebol. O árbitro daquele jogo, Arnaldo Cézar Coelho, ainda deu aval para o jogo ser realizado ao dizer na época que “na Argentina se joga em gramados bem piores”.

“Eu me lembro muito bem desse jogo. Lamentável! Eu fui com ele [Arnaldo Cézar Coelho] fazer o teste. A bola não rolava. E eu dizia: ‘Arnaldo, não pode ter jogo. Impossível’. E ele dizia: ‘não posso, não tenho ordem da Conmebol’. E óbvio, o empate era deles. Só que o nosso time já tinha provado antes que era muito melhor”, recordou o técnico Renê Simões ao Portal Massa!, em julho de 2023. 

O técnico tricolor até pediu para o presidente Maracajá fazer alguma coisa para adiar o jogo, como desligar luzes ou causar um curto circuito, mas não foi atendido. “Foi um crime ter aquele jogo. Não podia ter de jeito nenhum. Uma situação horrorosa”, protestou Simões. João Marcelo, defensor do Bahia na época, também comentou ao mesmo Portal Massa!.

“Houve uma pressão muito grande por parte do Internacional, porque tinha um time mais pesado. Enquanto o Bahia tinha um time mais leve. Tinham a vantagem do placar mínimo, mas estavam emocionalmente abalados pela sequência de derrotas para nós”.

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Ao invés de futebol, “polo aquático” na Fonte Nova!
 
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Quando o jogo começou, de fato, a partida foi um show de horrores e beneficiou totalmente o Inter. O lance crucial e que mostrou o nível do gramado aconteceu quando Charles driblou Taffarel e empurrou a bola pro gol, mas a redonda parou em cima da linha e não entrou. Taffarel conseguiu se recuperar e pegou a bola. Com a bola parando em várias poças d’água, o placar ficou mesmo em 0 a 0 e o Internacional conseguiu a vaga na semifinal, encerrando o sonho do Bahia na competição continental.

Nas semis, o Inter teve pela frente o forte Olimpia-PAR, do artilheiro Raúl Amarilla. Na ida, no Paraguai, os colorados surpreenderam os alvinegros e venceram por 1 a 0, gol de Luís Fernando, obrigando o time do técnico Luis Cubilla a vencer no Beira-Rio. Mostrando uma frieza impressionante, o Olimpia abriu o placar logo aos 8’, com Mendoza. Três minutos depois, veio o empate do Internacional, mas quem tem Amarilla, tem gol, e ele marcou o seu ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, o Inter empatou de novo e teve um pênalti a seu favor logo em seguida. Nilson, cobrador oficial do Colorado, chutou e Almeida defendeu. Foi um baque para o Inter. E a faísca para o Olimpia.

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Raúl Amarilla, o goleador principal daquele Olimpia imortal.
 

Após o pênalti, o Colorado teve um escanteio a seu favor, a zaga paraguaia tirou e engatilhou um contra-ataque que resultou no terceiro gol, do meia Neffa: 3 a 2. O placar agregado de 3 a 3 decretou a disputa de pênaltis. A esperança paraguaia era Almeida, herói contra o Boca, nas oitavas. Mas o Inter tinha Taffarel, também fortíssimo nesse quesito. Só que aquela disputa foi uma das raras em que o brasileiro não defendeu nenhum tiro. O Olimpia acertou todas as suas cobranças, Almeida defendeu o chute de Leomir e o placar de 5 a 3 classificou os paraguaios para a final. Os alvinegros provaram sua força com um espírito combativo impressionante, típico de Libertadores. E, naquela época, a camisa do Decano e a experiência de seus jogadores pesaram bastante contra o Inter, que ainda não era bicampeão da América. Na final, porém, o Olimpia foi derrotado pelo Atlético Nacional-COL.

Fichas técnicas das quartas de final:

Internacional 1×0 Bahia

Data: 19/04/1989

Local: Beira-Rio – Porto Alegre (RS)

Público: 60.229

Renda: NCz$ 89.083,50

Juiz: José de Assis Aragão, auxiliado por Romualdo Arppi Filho e Ulisses Tavares da Silva.

Cartões: Aguirregaray (I); João Marcelo e Claudir (B).

Gol: Diego Aguirre 39’/1 (I).

INTERNACIONAL: Taffarel; Júlio César (Bonamigo), Nórton, Aguirregaray e Casemiro; Norberto, Luís Fernando Flores e Luís Carlos Martins; Hêider, Diego Aguirre (Marcelo Vita) e Edu Lima. Técnico: Abel Braga.

BAHIA: Ronaldo; Edinho, João Marcelo, Claudir e Paulo Róbson; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Gil; Osmar, Charles e Marcelo (Sandro). Técnico: Renê Simões.

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Bahia 0x0 Internacional

Data: 26/04/1989

Local: Fonte Nova – Salvador (BA)

Público: 44.327

Renda: NCz$ 105.614,00

Juiz: Arnaldo Cézar Coelho, auxiliado por Luís Carlos Félix e José Roberto Wright.

Cartões: Tarantini (B); Luís Carlos Martins, Aguirregaray e Casemiro (I).

Expulsão: Charles (B); Edu Lima (I).

BAHIA: Ronaldo; Tarantini (Marcelo), João Marcelo, Claudir e Paulo Róbson; Paulo Rodrigues, Zé Carlos e Gil; Osmar, Charles e Sandro. Técnico: Renê Simões.

INTERNACIONAL: Taffarel; Norberto, Nórton, Aguirregaray e Casemiro; Bonamigo, Luís Fernando Flores e Luís Carlos Martins; Hêider (Nenê), Nílson (Dacroce) e Edu Lima. Técnico: Abel Braga.

Em busca da Glória Eterna


Neste ano de 2025, Bahia e Internacional voltam a escrever novas histórias em uma Libertadores. Além dos jogos entre si na fase de grupos, a dupla terá pela frente o tricampeão Nacional-URU e o bicampeão Atlético Nacional-COL, adversários cheios de história e que dão ao grupo um grau de dificuldade ainda maior. Será que tricolores e colorados irão avançar como em 1989?

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