in ,

Esquadrão Imortal – Corinthians 1998-2000

campeao mundial 2000
Corinthians 2000
Em pé: Dida, Kléber, Fábio Luciano, Vampeta, Rincón e Adílson. Agachados: Luizão, Índio, Ricardinho, Marcelinho Carioca e Edílson.
 

Grandes feitos: Bicampeão brasileiro (1998 e 1999), Campeão paulista (1999) e primeiro Campeão do Mundial de Clubes da FIFA (2000).

Time-base: Dida (Nei); Índio, Fábio Luciano, Gamarra (Adílson) e Kléber (Sylvinho); Vampeta, Rincón, Marcelinho e Ricardinho; Luizão (Dinei) e Edílson. Técnicos: Vanderlei Luxemburgo (1998) e Oswaldo de Oliveira (1999 e 2000).

 

“Ôôôôôô, Todo Poderoso Timão…”

 

Por Guilherme Diniz

 

O torcedor corintiano sempre aprendeu a torcer por equipes guerreiras, cheias de raça e com mais transpiração do que técnica. Porém, algo estava estranho no Corinthians de 1998, 1999 e primeiro semestre de 2000. Você ligava a TV às quartas-feiras e aos finais de semana e se deparava com uma equipe que tocava bem a bola, tinha ótima visão de jogo, uma defesa eficiente que sabia sair jogando, e um meio de campo e ataque irresistíveis. Sim, o Corinthians tinha mudado o seu estereótipo e começado a jogar bonito, a encantar seu torcedor e a causar pânico nos adversários. O corintiano ria à toa naquela época com os desfiles de Gamarra, Vampeta, Rincón, Ricardinho, e, sobretudo, Marcelinho, Edílson e Dida. Sofredor? O corintiano não sabia o que era isso naqueles tempos. A frustração ficou apenas na Libertadores. Mas no Brasil (e até no mundo) só deu Timão! É hora de relembrar o mais vistoso e cultuado Corinthians da história desde o lendário esquadrão dos anos 1950.

Metas traçadas

gamarra e1516042109103
Gamarra…
 
marcelinho x grc3aamio ig e1516042093239
…Marcelinho…
 
vampeta
…Vampeta…
 
imagem 56902 original e1516042151581
…E Rincón: algumas das estrelas do Corinthians em 1998.
 

Campeão paulista de 1997, o Corinthians iniciou 1998 com a base do ano anterior e uma equipe que era forte na defesa, com Cris e o paraguaio Gamarra. Na lateral, o jovem Sylvinho era o destaque. No meio, um meio de campo aguerrido e marcador, com Vampeta, Souza e Rincón. No ataque, era bola nos pés de Marcelinho, que municiava Mirandinha e o talismã Dinei, além do atrapalhado Didi. A equipe foi bem no estadual e chegou à final diante do São Paulo. No primeiro jogo, vitória por 2 a 1. Na partida de volta, Raí e França acabaram com o sonho do bi corintiano na vitória tricolor por 3 a 1. Aquela partida serviu de lição para a equipe concertar os erros e começar a preparação para o Campeonato Brasileiro, visto como a principal competição do ano pela equipe, que tinha grandes chances de vencê-la.

 

Líder e classificado

rincc3b3n x santos

O Timão terminou a primeira fase do brasileirão daquele ano na primeira colocação, com 46 pontos em 23 jogos. A equipe ficou um ponto à frente do seu grande rival, o Palmeiras. Classificado, o time teria a vantagem de decidir todos os confrontos do confuso sistema de mata-mata do campeonato em casa. Confuso porque a equipe só conseguiria a classificação em dois jogos se vencesse ambos. Uma vitória para cada lado, não importava o placar, levava a decisão para um terceiro jogo. Coisas do futebol brasileiro…

Nas quartas de final, o Corinthians encarou o Grêmio. No primeiro jogo, em Porto Alegre, vitória corintiana por 1 a 0. Quando todos achavam que a equipe passaria fácil, jogando a volta em casa, surpresa: Grêmio 2 a 0. No terceiro jogo, o Corinthians, de novo em casa, venceu com um magro 1 a 0, gol do “capetinha” Edílson. Vaga nas semifinais, contra o rival Santos.

LEIA TAMBÉM – Time dos Sonhos do Corinthians

O Santos em 1998 tinha uma equipe razoável, mas que não era nem sombra daquele grande time de 1995. A estrela era o ex-corintiano Viola, artilheiro daquele campeonato, que ajudou o peixe a vencer o jogo de ida por 2 a 1, na Vila Belmiro. Na volta, vitória corintiana por 2 a 0. No terceiro jogo, empate em 1 a 1, que garantiu o Corinthians na final, pelo número de gols marcados. Viola, mesmo marcando o gol santista, foi expulso perto do fim da partida, para alegria da fiel.

 

Final café com leite

Corinthians 1998-2000

A decisão foi entre o Corinthians de Marcelinho, Vampeta, Rincón, Ricardinho, Gamarra e Edílson, e o Cruzeiro, vice-campeão da Copa do Brasil daquele ano, com estrelas como Dida, Marcelo Djian, Valdo, Muller e uma temida dupla de ataque formada por Marcelo Ramos e Fábio Júnior. O primeiro jogo terminou empatado em 2 a 2, com uma recuperação incrível do Corinthians, que terminou perdendo o primeiro tempo por 2 a 0, mas empatou na etapa final com Dinei e Marcelinho. No segundo jogo, novo empate, em 1 a 1. Esse jogo ficou marcado pelas inúmeras chances perdidas pelo atrapalhado atacante (?) Didi, do Corinthians. A decisão ficaria para o terceiro jogo.

 

Brasil alvinegro

corinthians campeao 98
Gamarra ergue a taça: o Timão conquistava o Brasil pela segunda vez.
 

O segundo jogo ficou marcado pelo ferrolho que Luxemburgo armou contra os mineiros, que não conseguiram furar a defesa corintiana, comandada com maestria por Gamarra, um dos maiores zagueiros da época, estrela da Copa do Mundo de 1998 ao não cometer uma falta sequer. O Timão perdeu inúmeras chances no primeiro tempo, mas no segundo conseguiu encaixar seu jogo e fez 2 a 0, com Edílson e Marcelinho, conquistando, depois de 8 anos, o Campeonato Brasileiro. Festa alvinegra em São Paulo e no Brasil. O Timão estava de volta. Mas agora, poderoso.

 

A tentativa da América

hqdefault 1

Como campeão nacional, o Corinthians conseguiu o direito de disputar a Libertadores de 1999. Mas, quis o destino que o Palmeiras estivesse na mesma competição, e no mesmo grupo que o Timão, juntamente com Cerro Porteño e Olímpia, ambos do Paraguai. O primeiro embate foi justamente entre Corinthians e Palmeiras, com vitória alviverde por 1 a 0. Em seguida, o Corinthians lavou a alma e aplicou uma sonora goleada pra cima do Cerro: 8 a 2. Embalado, o Timão venceu o Palmeiras por 2 a 1 e o Olímpia por 2 a 1, na casa do adversário, e por 4 a 0, no Pacaembu. A equipe perderia para o Cerro no Paraguai por 3 a 0, mas terminou na liderança do grupo e garantiu a classificação para as oitavas de final.

 

Passeio nas oitavas e clássicos eletrizantes

aef73355 d953 4c76 859f f31cc7155fe3

A equipe enfrentou os bolivianos do Jorge Wilstermann e arrancou um empate no jogo de ida: 1 a 1. Na volta, a equipe passeou e venceu por 5 a 2, garantindo um lugar nas quartas de final. Mas… Nas quartas, era hora de enfrentar o grande rival novamente: o Palmeiras. Alviverdes e alvinegros fizeram embates de tirar o fôlego nas quartas de final. O Palmeiras, com uma equipe mais experiente, levava ligeira vantagem, e mostrou isso na partida de ida, vencida por 2 a 0. O Corinthians precisava vencer o jogo de volta por pelo menos dois gols para levar a decisão para a prorrogação. E conseguiu. Porém, as equipes duelariam nas penalidades, onde brilhou a estrela do goleiro palmeirense Marcos, que defendeu a cobrança de Vampeta e contou com o travessão no chute de Dinei. O Palmeiras seria o campeão, e o Corinthians teria que voltar as suas atenções para o território nacional.

 

Revanche no paulista

edilson
Edílson acerta a perna de Paulo Nunes no polêmico clássico de 1999 pelo Campeonato Paulista: nervos à flor da pele.
 

Se o Corinthians não teve sorte na Libertadores, no Paulista a história foi diferente. A equipe goleou o rival por 3 a 0 no jogo de ida da final, e, na decisão, empatou em 2 a 2. Com o titulo ganho, o atacante Edílson provocou o Palmeiras ao fazer embaixadinhas na lateral do campo. Foi a deixa para o início de uma batalha campal entre os jogadores, inflamando de vez a torcida do Corinthians, que comemorou o título e viu o rival ficar mais um ano na fila do estadual. Título assegurado, hora de lutar pelo bi brasileiro.

 

Soberano novamente

rincc3b3n corinthians
Rincón, um dos grandes nomes do Corinthians naquela época. Foto: AFP PHOTO/Marie HIPPENMEYER
 

Com uma equipe bem melhor que em 1998, a começar pelo ótimo goleiro Dida, pela dupla de ataque afiada, Luizão e Edílson, e o já consagrado meio de campo com Vampeta, Rincón, Ricardinho e Marcelinho, o Corinthians mais uma vez dominou a fase de classificação do brasileiro, e terminou na primeira posição, com 44 pontos em 21 jogos, além de ter o melhor ataque, com 49 gols. Com isso, novamente teria a vantagem de decidir em casa os jogos do mata-mata.

Nas quartas de final, o Corinthians enfrentou o surpreendente Guarani. No primeiro jogo, empate em 0 a 0. No jogo de volta, vitória por 2 a 0 do Corinthians. No terceiro jogo, empate em 1 a 1, que garantiu o Timão nas semifinais.

 

Confronto histórico

pipoqueiros futebol 6g
Ninguém imaginava que Dida fosse defender mais um pênalti de Raí. Mas ele defendeu…
 

Mais uma vez o Corinthians encarava um adversário regional, mas que seria um páreo duríssimo: o São Paulo, de Raí, Edmílson e Rogério Ceni. O primeiro jogo foi recheado de emoção. Nenê abriu o placar para o Corinthians. Raí empatou. Ricardinho colocou o Timão novamente em vantagem, mas Edmílson deixou tudo igual no final do primeiro tempo. No segundo, Marcelinho, de pênalti, deu a vitória ao Corinthians. Porém, aquele jogo ficaria marcado por uma das maiores atuações de um goleiro na história. Dida conseguiu a proeza de defender dois pênaltis consecutivos do ídolo maior do São Paulo, Raí. No confronto seguinte, o Corinthians venceu novamente, dessa vez por 2 a 1, e conseguiu ir para a final. Mas a vitória era o de menos. As defesas de Dida ficaram mais marcadas que as vitórias e até mesmo que a classificação. No final do campeonato, o goleiro levaria uma das três notas 10 da Revista Placar na década de 90. Leia mais clicando aqui.

 

A Decisão rumo ao Bi

vampeta 1314159366

A final foi contra o ótimo time do Atlético-MG, de Velloso, Claudio Caçapa, Belletti, Robert, Marques e o goleador nato Guilherme, que quase igualou o recorde de Edmundo como maior artilheiro da história do campeonato à época. Guilherme marcou 28 gols. Edmundo, em 1997, anotou 29. Diante de um adversário que vinha sapecando gols e mais gols nos últimos jogos (foram 14 em apenas cinco jogos) o Corinthians sabia que a atuação de sua defesa seria essencial na busca pelo título, e o ataque não poderia falhar.

No primeiro jogo, no Mineirão com mais de 78 mil pessoas, Guilherme só não fez chover na defesa do Timão, e marcou os três gols da vitória do Galo por 3 a 2. Os gols da equipe paulista foram de Vampeta e Luizão. O jogo serviu como alerta para que a equipe encontrasse um meio de parar o atacante do time mineiro no jogo (ou jogos) seguinte. Dito e feito. No segundo jogo, no Morumbi, outro matador mostrou suas garras: Luizão. Ele marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 e levou a decisão para a terceira partida. O ponto negativo ficou por conta do cartão vermelho do atacante, que desfalcou a equipe justo no jogo final.

 

Duas vezes Timão

corinthians1999

A finalíssima, disputada três dias antes do natal, foi debaixo de chuva e num gramado castigado. Em um terreno tão perigoso, o Corinthians preferiu não se arriscar, e levou o jogo na manha, mantendo o 0 a 0 e conquistando o bicampeonato nacional seguido, algo que não acontecia desde 94, quando o eterno rival Palmeiras venceu o brasileirão em 93/94. Era a consagração de Dida, Índio, Kléber, Vampeta, Rincón, Ricardinho, Marcelinho, Edílson e Luizão, e a revelação do calmo Oswaldo de Oliveira como um bom técnico. Mas não haveria muito tempo para comemorar. O Timão teria um compromisso muito especial a partir do dia 5 de janeiro de 2000: o primeiro Mundial de Clubes da FIFA.

marcelinhocarioca corinthians 2000 ae 95
Marcelinho, xodó eterno da Fiel.
 

O primeiro Mundial da FIFA

 

1999.06.15 new

As cidades de São Paulo e Rio de Janeiro foram palco do primeiro torneio interclubes organizado pela FIFA, a federação que organiza o futebol no planeta. Embora o torneio tenha sido organizado um pouco às pressas, e com a ausência de equipes como o Palmeiras, campeão da América de 1999, e o Jubilo Iwata-JAP, campeão asiático de 1999, o torneio contou com equipes formidáveis como o Manchester United, então campeão de tudo na Europa e campeão mundial de 1999, e o Real Madrid, campeão mundial de 1998. O torneio teve também a participação dos campeões da CONCACAF (Necaxa-MEX) e da África (Raja Casablanca-MAR), do campeão da Supercopa da Ásia de 1998 (Al Nassr), do campeão da Oceania (South Melbourne-AUS), do campeão da América de 1998 (Vasco-BRA) e do campeão nacional do país sede (Corinthians-BRA). Mesmo com as polêmicas, o torneio representou um marco por mostrar que a FIFA, enfim, começava a dar importância aos clubes e não somente às seleções. E foi o primeiro torneio a contar com equipes de todos os continentes do mundo, num mundial com a faceta pura de “mundial” mesmo. As equipes foram dividias em dois grupos, e os primeiros de cada um se enfrentariam na decisão.

 

A chance de ouro do Timão

f 329962
O “rolinho” de Edílson em Karembeu: histórico para a Fiel.
 

O Corinthians viu no torneio a sua grande chance de ser campeão mundial pela primeira vez, jogando em casa, em uma competição inédita. A equipe caiu no grupo A, junto com Real Madrid, Al Nassr e Raja Casablanca. A estreia foi contra a equipe marroquina, e deu Timão: 2 a 0, com gols de Luizão e Fábio Luciano. O jogo seguinte seria o mais aguardado: contra o Real Madrid, de Anelka, Roberto Carlos, Casillas, Raúl, Redondo e Hierro. O Corinthians, empolgado pela sua torcida, não se intimidou e partiu pra cima dos merengues. Porém, foram eles que abriram o placar, com Anelka.

Mas aí brilhou a estrela do capetinha Edílson. Ele virou o jogo, com direito a um golaço em que meteu a bola entre as pernas do grandalhão francês Karembeu. O Morumbi explodiu. Mas, pouco tempo depois, Anelka empatou, e a igualdade em 2 a 2 permaneceu até o fim. O Timão precisava vencer o próximo jogo e torcer para que o Real Madrid não vencesse o Raja Casablanca ou que marcasse poucos gols. Os alvinegros fizeram a sua parte e venceram os árabes do Al Nassr por 2 a 0. O Real também venceu, mas por 3 a 2. Os gols sofridos foram cruciais para a classificação da equipe brasileira, que ficou com um gol de saldo a mais que os espanhóis. Passaporte para a final, no Maracanã, contra o embalado Vasco, que vencera os três jogos, inclusive contra o Manchester United…

CORINTHIANS 2000 TATICA NOVA
O Corinthians de 2000…
 
O Corinthians de 2000: 10 entre 10 corintianos sabem essa escalação na ponta da língua.
… 10 entre 10 corintianos sabem essa escalação na ponta da língua!
 

A invasão ao Maracanã – 24 anos depois

ed

14 de janeiro de 2000. Maracanã, Rio de Janeiro, Brasil. Mais de 73 mil pessoas pintaram o estádio em preto e branco, cores de Vasco e Corinthians, para o confronto mais importante na história entre as duas equipes, e, quiçá, o mais importante na história de ambos os clubes. De um lado, o Vasco, com a base campeã brasileira de 97 e da Libertadores de 98, e estrelas como Hélton, Mauro Galvão, Felipe, Juninho Pernambucano, Ramon, Edmundo e Romário. Uma seleção. Do outro, o bicampeão brasileiro Corinthians, sensação do país há dois anos, com a muralha Dida, os ótimos Índio e Kléber, a zaga segura com Fábio Luciano e Adílson, e meio de campo e ataque fabulosos, com Rincón, Vampeta, Ricardinho, Marcelinho, Luizão e Edílson. Outra seleção, uma equipe que o corintiano conhecia de cor e salteado. Com equipes tão parecidas em qualidades, não se poderia esperar outra coisa: muito equilíbrio, com destaque para os goleiros Hélton e Dida, que pegaram tudo. O 0 a 0 persistiu tanto no tempo normal quanto na prorrogação, e o Maracanã teria que presenciar uma inesquecível disputa de pênaltis.

 

rincon trofeu mundial 620

Rincón começou a disputa e marcou para o Timão. Romário bateu para o Vasco e marcou, com a bola passando rente aos braços de Dida. Fernando Baiano fez o segundo do Corinthians. Alex Oliveira colocou a bola no canto oposto de Dida e empatou. Luizão chutou no mesmo canto de Hélton, mas fez. Gilberto partiu para a próxima do Vasco, chutou, e Dida pegou, de maneira espetacular. O mundo estava mais próximo do Timão! Edu partiu para a próxima e bateu bem. Viola era o próximo batedor do Vasco, e fez. A esperança continuava. Marcelinho era o último do Corinthians. Se ele fizesse, o Timão era campeão. Ele partiu, bateu e… Hélton defendeu!

Fabbinho Corinthians Primeiro Campeao Mundial2

O Vasco ainda tinha em Edmundo a chance de tentar a conquista nas cobranças alternadas. O Animal partiu, bateu e…FORA! Era o Baggio do Corinthians! O Maracanã explodiu de alegria, como em 76, na primeira invasão corintiana: SC Corinthians Paulista, primeiro Campeão Mundial da FIFA. Era o topo para uma equipe que fez os corintianos torcerem por um time que dava show, que tinha técnica, raça, determinação e vontade nas devidas e balanceadas proporções. O mundo era alvinegro como nunca antes havia sido.

Fim de uma era

corinthians palmeiras libertadores 1999

 

Após o título, o Corinthians começou a cair de produção e viver seus últimos momentos de brilhantismo, que culminou com a eliminação traumática nas semifinais da Libertadores, de novo para o rival Palmeiras, de novo nos pênaltis, após Marcelinho perder a cobrança decisiva por “culpa” de Marcos, que defendeu. A fiel vibraria com a derrota alviverde na final, para o Boca Juniors, mas a derrota para o maior rival culminaria com brigas, principalmente da torcida, o que provocou a saída de Edílson e outros. No Brasileiro, o time ficaria na penúltima posição, com apenas quatro vitórias em 24 jogos. Era o fim de uma equipe que dominou o Brasil por dois anos, e ensinou a fiel uma nova maneira de torcer. Um esquadrão imortal.

 

Os personagens:

Dida: os corintianos não sabem até hoje qual foi o melhor goleiro da história do clube, se Gilmar ou se Dida. O gigante goleiro pegou tudo e mais um pouco nos dois anos em que jogou na equipe, e virou ídolo em definitivo após pegar dois pênaltis de Raí na semifinal do Brasileiro de 1999. Suas atuações o levaram para o Milan, onde brilhou muito e conquistou diversos títulos. Pela seleção, enfrentou a concorrência de Marcos, e foi reserva na Copa de 2002. Leia mais sobre ele clicando aqui.

Índio: lateral direito, compensava a pouca técnica com um fôlego privilegiado. Ganhou quase tudo com o Timão de 98 a 2000, e até marcou seus gols.

Gamarra: um dos maiores zagueiros do mundo em 1998 e da história do Corinthians. Era exímio no desarme, fantástico na antecipação e primava pelo jogo limpo. Raramente fazia faltas, e virou lenda ao jogar a Copa de 98 pela seleção do Paraguai e não cometer nenhuma falta. A fiel lamenta que ele tenha ficado pouco tempo. Mas foi o bastante para garantir o brasileirão de 98. Leia mais sobre ele clicando aqui.

Fábio Luciano: revelação na Ponte Preta, veio para a equipe em 2000, a tempo de disputar o Mundial. Mostrou extrema segurança, além de marcar gols. Alto e com bom preparo físico, jogou no timão até 2003. Disputou apenas dois jogos pela seleção.

Adílson: ídolo no Grêmio, onde foi capitão na conquista da Libertadores de 1995, Adílson não tinha o mesmo vigor dos tempos no sul, mas ajudou com sua experiência o Corinthians a conquistar o Mundial.

Kléber: formado no “terrão” do Timão, voou na lateral esquerda da equipe de 1998 até 2003. Titular absoluto, ganhou muitos títulos e virou ídolo. Na seleção, disputou 14 partidas e esteve presente nos grupos que venceram a Copa das Confederações de 2009, a Copa América de 2007 e o Superclássico das Américas de 2011.

Sylvinho: outro ótimo lateral esquerdo formado no Timão, foi fundamental na conquista do Brasileiro de 98, além de outros títulos, com destaque para a Copa do Brasil de 1995. Jogou 167 partidas pelo Timão. Em 99, foi para a Europa, onde brilhou no Arsenal e Barcelona. Jogou seis partidas pela seleção.

Rincón: impunha medo nos adversários pela presença física, mas também pela extrema qualidade. Fruto da geração de ouro do futebol colombiano que revelou ele, Valderrama, Asprilla e Córdoba, Rincón foi um dos maiores volantes da história do Timão. Seguro, eficiente e com muita elegância, disputou 158 partidas pelo alvinegro e marcou 11 gols. Mesmo com as brigas com as estrelas do time como Marcelinho e Edílson, ambos funcionavam em campo. Teve a honra de levantar a taça do mundial do Timão. Leia mais sobre ele clicando aqui!

Vampeta: a mistura de “vampiro” com “capeta” poderia ser também de eficiência e raça. Marcos André Santos foi um monstro, ao lado de Rincón, no meio de campo daquela equipe. Além das qualidades em campo, era polêmico, e adorava tirar sarro dos rivais, principalmente do São Paulo, cujo apelido bambi foi de sua autoria e é utilizado até hoje pelos corintianos. É um dos maiores ídolos da fiel. Na seleção, esteve no grupo que trouxe o penta do Japão. A cambalhota no palácio do planalto na volta da equipe, em frente ao presidente da república, com a camisa do Corinthians, é uma de suas mais hilárias obras.

Ricardinho: foi o maestro do esquadrão do Corinthians e exemplo de técnica e ótima visão de jogo. Colecionou títulos na equipe e virou um dos mais queridos dos torcedores. Marcou 67 gols em 289 jogos. Outro pentacampeão com a seleção, em 2002.

Marcelinho: xodó da fiel, o pé de anjo era a referência no meio campo e ataque daquele esquadrão. Marcou diversos gols, muitos decisivos, e era mortal na bola parada. Teve a imagem arranhada depois de perder o pênalti derradeiro nas semifinais da Libertadores de 2000. Mesmo assim, está para sempre no coração dos torcedores, tamanha sua identificação com o time. Pela seleção, disputou apenas 3 partidas, marcando 2 gols.

Edílson: o capetinha, que já havia brilhado no rival Palmeiras, foi peça chave no ataque do Timão nas grandes conquistas. Endiabrado, aplicava dribles e mais dribles nos adversários, e sempre ia em busca do gol. Suas jogadas e provocações, principalmente contra Real Madrid e Palmeiras, respectivamente, estão para sempre na memória dos corintianos. Saiu brigado da equipe em 2000, depois da eliminação para o Palmeiras na Libertadores. Outro pentacampeão pelo Brasil.

Luizão: matador, marcou 52 gols em 77 partidas pelo Timão, a maioria em decisões. Era a referência na grande área, e brindava a fiel torcida com muitos gols. Também pentacampeão pelo Brasil em 2002.

Dinei: é o único tricampeão brasileiro pelo Timão. Eterno talismã, era o 12º jogador da equipe, e marcava gols decisivos, além de assistências, sempre que entrava. Jogou na equipe de 90 a 92, e de 98 a 2001.

Vanderlei Luxemburgo (Técnico): conseguiu domar os egos do time em 98 e conquistar mais um brasileiro para o seu currículo. Fez a equipe ter disciplina tática e grande poder de reação. Deixou o time após o brasileiro para assumir a seleção brasileira.

Oswaldo de Oliveira (Técnico): auxiliar de Luxemburgo, assumiu a equipe em 1999 e mostrou serviço. Calmo, dificilmente se irritava. Sua calma fez bem ao time, que voou naquele ano e conquistou o Brasileiro. Semanas depois, veio o Mundial e a consagração. Deixou o Timão em 2000 para brilhar no Vasco que seria campeão brasileiro e da Mercosul.

f9ac481c73775632bc1515bcf731

 

A Libertadores que tanto escapou do Timão só foi conquistada em 2012. Mas a espera valeu a pena: ela foi levantada de maneira invicta! Leia mais clicando aqui!

 

Licença Creative Commons
O trabalho Imortais do Futebol – textos do blog de Imortais do Futebol foi licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição – NãoComercial – SemDerivados 3.0 Não Adaptada.
Com base no trabalho disponível em imortaisdofutebol.com.
Podem estar disponíveis autorizações adicionais ao âmbito desta licença.

Comentários encerrados

11 Comentários

  1. Foi este (1998 à 2000) junto com o time de 1922 à 1930 e o time de 1950 à 1955 o mais forte do SC Corinthians Paulista tecnicamente falando. Este time levantou os títulos Brasileiros de 1998 e 1999, paulista 1999 e Mundial 2000. O time da década de 1920 além de vários craques para seleção paulista e brasileira levantou os títulos estaduais de 1922/23/24 e 1928/29/30 e por fim temos o famoso time da primeira metade da década de 1950 com os títulos paulistas de 1951/52 1954, rio sp 1950, 1953/54, torneio Charles Miller de 1955, pequena taça do Mundo 1953 entre outros.

  2. O Luxemburgo montou uma verdadeira máquina de futebol e o Oswaldo de Oliveira deu sequencia ao trabalho do “pofexô”. O elenco era fantástico! Pena que faltou a conquista da Copa Libertadores. Os deuses do Futebol não quiseram assim.

  3. Cara foi o melhor time do Corinthians que eu vi jogar na minha vida !! Este time era praticamente perfeito !! So não ganhou a liberta por causa pênaltis !! O time do muldial da FIFA 2000 tbm vou te falar que capricho !!

  4. Tenho 46 anos e foi o melhor Time que vi jogar … Melhor até mesmo que o Time de 82/83 com Sócrates e que o Time Campeão da Libertadores e Mundial de 2012… Esse Time de 98/99 era um Verdadeiro Esquadrão !!

  5. Eterno Corinthians … e hoje em dezembro 2016 não temos um treinador digno, não temos atacantes, nem meio de campos muito menus zagueiro … não temos nomes de expressão como tínhamos como Edilson (capetinha), Marcelinho carioca, Ricardinho, Luizão … e outros monstros!!! um time que jogava com um 4-3-3 super a frente com qualidade … hoje com carrille vamos jogar com um 5-4-1 … não desmerecendo o carrille, mas não da nos dias de hoje um esquema tão para trás como carrille gosta de jogar… Vamos ter fé que um dia nosso Corinthians possa ser o verdadeiro TIMÃO…

  6. se pegar esse time do Corinthians pra j ogar contra o time que ganhou a libertadores em 2012, ele iria triturar o time de 2012. na quela época, o futebol era muito mais assira do. hoje tá tudo uma baba.

  7. Nasci em 1997 e não tive a oportunidade de presenciar este time em campo. Mas pelo o que vejo em VTs nota-se que era uma equipe brilhante, dois bons volantes, que sabiam sair pro jogo e marcar, um meio forte com Marcelo e Ricardinho e o ataque com um homem mais leve (Edilson) e um mais pesado e artilheiro (Luizão). Realmente era perfeito, só faltou a Libertadores, mas quem liga né. Obrigado guerreiros por tudo. E Vai Corinthians.

george best 1526186c

Craque Imortal – George Best

mostbet1

Revisão da Mostbet: a atrativa casa de apostas no Brasil