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O jogador que rejeitou duas convocações para a Copa do Mundo

 

Ídolo da Portuguesa, do Palmeiras e da Fiorentina, Julinho Botelho é um dos grandes jogadores já produzidos pelo futebol brasileiro. Ao longo de sua carreira, o ponta-direita protagonizou histórias dignas de serem recordadas por anos e anos – como o dia em que transformou a vaia de mais de 100 mil pessoas em aplausos, no Maracanã, ou as duas vezes em que se recusou a disputar uma Copa do Mundo. Ele era um ponta veloz e de dribles curtos, e nos faz recordar uma época incrível do futebol brasileiro. Será que voltaremos a ver tantos craques reunidos em uma única geração? Se você gosta de previsões esportivas, aproveite o Betano código promocional para fazer suas apostas.

Após um início meteórico no Juventus da Mooca, Julinho chamou a atenção da Portuguesa, para onde se transferiu em 1951. Na Lusa, ele começou a se destacar como um dos principais jogadores do país, e disputou a Copa de 1954 como titular – e saiu-se muito bem. Mesmo no jogo em que a seleção foi eliminada, nas quartas de final contra a fortíssima Hungria, o ponta-direita deixou sua marca e anotou um golaço. Após receber a bola na entrada da grande área, Julinho Botelho bateu de três dedos e não deu a menor chance de defesa para o goleiro Gyula Grosics.

No ano seguinte, o craque acabou se transferindo para a Fiorentina (ITA), e foi neste contexto em que ele se recusou a disputar uma Copa do Mundo pela primeira vez. Como atuava na Itália, Julinho não achou justo defender a seleção brasileira no Mundial de 1958 – eram outros tempos. Ele acreditava que os jogadores que estavam no Brasil é que deveriam representar o país. Menos mal que havia um certo Garrincha para ocupar a posição…

Quatro anos depois, na Copa de 1962, Julinho já estava no Palmeiras, onde também foi ídolo, mas novamente recusou uma convocação para o maior torneio de futebol do planeta. Ele havia participado de toda a preparação para o Mundial, mas às vésperas da competição sofreu uma distensão muscular. Mesmo assim, seus companheiros queriam que ele fosse convocado, no mínimo para fazer parte do grupo, devido ao seu comportamento exemplar. No entanto, o craque, mais uma vez, achou que a convocação não seria correta e abriu mão dessa oportunidade para que outro atleta, em melhores condições, pudesse disputar o Mundial do Chile. Este era Julinho Botelho, um dos grandes craques da história do futebol brasileiro. Entre suas histórias mais famosas, está o episódio em que sofreu, possivelmente, a maior vaia do futebol mundial. Confira a seguir.

 

Transformando vaias em aplausos

Julinho (de cara fechada), Didi, Henrique, Pelé e Canhoteiro: a linha de frente do Brasil no duelo histórico contra a Inglaterra.

 

De volta ao Brasil naquele final de anos 1950, Julinho seria uma das principais estrelas do grande time que o Palmeiras iria montar na época, um esquadrão que iria ganhar o singelo apelido de “Academia de Futebol”. Mas, antes de começar a brilhar com o manto alviverde, Julinho foi convocado para disputar sua primeira partida pela Seleção Brasileira, em maio de 1959, cinco anos após a fatídica “Batalha de Berna” de 1954. O confronto seria contra a Inglaterra, no Maracanã, em amistoso festivo do time canarinho que havia vencido a Copa do Mundo no ano anterior. Vicente Feola não chamou o titular absoluto, Garrincha, por motivos até hoje incertos (uns dizem que o Mané estava fora de forma, outros que ele abandonou a concentração e chegou atrasado e ainda que se apresentou no dia do jogo ligeiramente alcoolizado…). Na expectativa de ver o artista da camisa 7 com o manto verde e amarelo pela primeira vez após o título mundial, a torcida carioca teve uma reação instantânea e nada amistosa no momento da locução dos jogadores brasileiros que iriam entrar em campo: “Gylmar, Djalma Santos, Bellini, Orlando Peçanha, Nilton Santos, Dino Sani, Didi, Julinho…”.

Assim que o narrador disse o nome de Julinho, as mais de 130 mil vozes começaram a gritar e a vaiar como jamais o Maracanã havia presenciado. O barulho ecoava pelas paredes, pelo ar, pelo gramado e entrava como facas afiadas nos ouvidos de Julinho à beira do túnel de acesso ao campo. Ao invés de ficar desnorteado, tonto, com medo e pedir para não jogar, ele manteve a calma e disse ao colega Nilton Santos que iria jogar bem, mas muito bem. Dois minutos após as vaias, o narrador completou a escalação do Brasil (“…Henrique, Pelé e Canhoteiro”.) e os atletas entraram no colossal Maracanã.

O destaque da Manchete Esportiva após o jogo: só deu Julinho!

 

Concentrado e com cara fechada, Julinho telegrafou os ingleses e todo o campo para iniciar a partida de sua carreira, o jogo de sua vida. Com apenas três minutos, Canhoteiro deixou com Henrique, este tocou para Julinho e o craque fuzilou o goleiro inglês para abrir o placar: 1 a 0. Na comemoração, raiva liberada e gritos de gol. Aos 29´, foi dele o passe para Henrique fazer o segundo gol do Brasil. Com a vitória mais do que consolidada, o time da casa continuou no ataque e Julinho foi pura arte a cada toque na bola e a cada drible humilhante em todo e qualquer jogador que aparecesse em sua frente. Nas arquibancadas, aqueles que vaiaram, sorriam. Aqueles que gritaram, sentiam na boca o amargor da culpa, da atitude sem pensar. 

Quando o juiz apitou o final do jogo, o público do Maracanã se levantou e aplaudiu a atuação exuberante de Julinho. O maior estádio do mundo na época ainda colaborou com sua acústica e aumentou o som das batidas de palmas, dos “parabéns”, do “valeu”, do “show de bola”, ”. Eram os dois minutos de palmas para compensar os dois minutos de vaias. Estava escrita a lenda. No mesmo dia em que recebeu as maiores vaias da história do Maracanã, Julinho também recebia as maiores ovações possíveis para um só homem. No dia seguinte, o craque ganhou as páginas de todos os jornais e revistas do país e, dias depois, foi tema de uma belíssima crônica de Nelson Rodrigues. Leia mais clicando aqui.

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