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Técnico Imortal – Cláudio Coutinho

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Foto: Carlos Chicarino / Estadão Conteúdo
  • Nascimento: 05 de Janeiro de 1939, em Dom Pedrito, RS, Brasil. Faleceu em 27 de Novembro de 1981, no Rio de Janeiro, RJ, Brasil.
  • Equipes que treinou: Vasco-BRA (1971-1973), Botafogo-BRA (1975), Flamengo-BRA (1976-1977 e 1978-1980), Seleção Brasileira (1977-1979) e Los Angeles Aztecs-EUA (1981).
  • Principais títulos por clubes: 1 Campeonato Brasileiro (1980), 3 Campeonatos Cariocas (1978, 1979 e 1979-Especial) e 2 Troféus Ramón de Carranza (1979 e 1980) pelo Flamengo.
  • 1 North American Soccer League (1980-1981) pelo Los Angeles Aztecs.
 

“O legado de um dos técnicos mais inovadores do futebol brasileiro”

Por Emmanuel do Valle

Propositor do estilo de jogo técnico, ofensivo e repleto de conceitos táticos inovadores que levaram o Flamengo a um tricampeonato carioca e ao seu primeiro título nacional, na virada da década de 1970 para a de 1980, Cláudio Pêcego de Moraes Coutinho, ou simplesmente Cláudio Coutinho, possui uma história que extrapola seu período no comando do clube: foi sob a inspiração de suas ideias que o time subiria outros degraus até o título mundial de 1981. Além das fronteiras cariocas, o trabalho de Coutinho é conhecido quase só por seu período à frente da Seleção, no qual sempre recebeu críticas (em especial da imprensa) de “engessar” o estilo de jogo intuitivo brasileiro em esquemas, de tentar torná-lo “europeu” ao máximo. Até mesmo de burocratiza-lo. Mesmo o fundamental e incensado “A Pirâmide Invertida”, do inglês Jonathan Wilson, reserva pouco espaço (e algum desdém) ao técnico, citado apenas por seu trabalho na Seleção Brasileira como preparador físico e treinador.

Num momento em que tanto se comenta o atraso tático do futebol brasileiro em relação não só ao europeu como até aos vizinhos sul-americanos, é até irônico observar a imagem que ficou de um dos maiores estudiosos do futebol no país. De um treinador que observou muitas vezes “in loco” o contexto mundial do jogo e levou a cabo as ideias que extraiu dele dentro da estrutura ainda mais conservadora do esporte no país naquele momento, em que “teórico” era um epíteto não muito abonador a um treinador de futebol.

Coutinho também morreu jovem, o que o impediu de – décadas depois, com a poeira baixada, os ânimos menos exaltados e sob a luz de um outro enfoque histórico – expor seus motivos, esclarecer temas espinhosos, reconhecer equívocos e reparar injustiças. Quanto à Seleção, é claro. No caso do Flamengo, não há nada a ser explicado. Trata-se de um dos maiores treinadores rubro-negros em todos os tempos e do grande formatador do esquadrão vitorioso dos anos 1980, onde seu prestígio sempre foi e segue intocável. É hora de relembrar.

O início

Nascido na cidade gaúcha de Dom Pedrito (próxima à fronteira uruguaia) em 05 de janeiro de 1939, mas criado no Rio de Janeiro desde os quatro anos de idade, Coutinho sempre foi apaixonado por esportes em geral. Sua história no Flamengo, clube de seu coração, começou como jogador de vôlei, sendo tricampeão carioca da modalidade entre 1959 e 1961. Na mesma época, iniciou sua carreira militar, pela qual se graduou em Educação Física em 1965 e passou seis anos trabalhando como instrutor de futebol e vôlei na Escola de Educação Física do Exército.

Seu salto de projeção viria no fim da década: fluente em cinco idiomas, entre eles o francês, seria indicado como representante num congresso de medicina esportiva na França, onde conheceria Kenneth Cooper, que vinha trabalhando num método revolucionário de preparação física. Da amizade entre os dois, surgiria o convite para um estágio de um ano na NASA, onde Cooper trabalhava. De lá, Coutinho voltaria com uma vaga na comissão técnica da Seleção Brasileira de futebol, que se prepararia para a Copa do Mundo do México.

Em gramados mexicanos, o time brasileiro voaria do ponto de vista do condicionamento físico, mesmo com a temida altitude, e complementando as invejáveis qualidades técnicas de jogadores como Pelé, Tostão, Gerson, Jairzinho e Rivellino. Coutinho, porém, não se limitava à preparação física: ainda na primeira metade dos anos 1970, ao afastar-se inteiramente da carreira militar, acumularia passagens como supervisor na própria Seleção Brasileira (durante aquela Copa), no Vasco, no Botafogo e até no Olympique de Marselha e teria um cargo de supervisor na seleção peruana.

Coutinho e Júnior.

Em 1976, receberia de última hora uma missão especial: dirigir a Seleção Brasileira olímpica nos Jogos de Montreal, depois que Zizinho se desentendera com dirigentes da CBD e deixara o cargo. O Brasil nunca havia feito bons papeis no torneio olímpico de futebol, mesmo tendo contado com bons jogadores. Desta vez, havia o goleiro Carlos (Ponte Preta), o zagueiro Edinho (Fluminense), o volante Batista (Internacional) e dois do Flamengo: o lateral Júnior e o ponta Júlio César.

Com Coutinho, a Seleção conseguiu seu melhor resultado até então: chegou às semifinais, mas parou nas fortes seleções do bloco socialista, que levavam o que tinham de melhor. O time perdeu para a Polônia de Lato, Deyna e Szarmach e em seguida terminou em quarto, ao também cair na decisão do bronze para a União Soviética de Oleg Blokhin. Mas o bom desempenho do time renderia frutos ao treinador dentro de pouco tempo.

A primeira passagem rubro-negra

Em setembro de 1976, o Flamengo havia acabado de demitir o técnico Carlos Froner, após quase um ano no cargo. Para o posto, tentou Zagallo, que não conseguiu se desvencilhar de um contrato no Kuwait. Tentou Oswaldo Brandão, técnico da Seleção principal, mas não conseguiu a liberação por parte da CBD. A entidade, porém, fez uma contraproposta: “emprestaria” ao clube, até o fim do ano, o treinador das equipes de base, Cláudio Coutinho.

Consultado pelos dirigentes rubro-negros, Júnior, que havia trabalhado com Coutinho nos Jogos Olímpicos, deu seu aval: era um treinador jovem – 37 anos – e cheio de ideias novas, ainda sem a mesma experiência de outros nomes, mas ideal para um trabalho de médio ou longo prazo. Algumas de suas ideias e conceitos, burilados por suas obcecadas leituras e observações do futebol europeu de então, eram explicadas pelo treinador em entrevista ao Jornal do Brasil, sua primeira após assumir o cargo na Gávea. Entre outras coisas, afirmava:

“É preciso que algum clube comece a atuar de uma forma mais moderna para que os outros sejam forçados a mudar. O problema é que ninguém quer ser o primeiro. Por isso passamos algum tempo estagnados. No futebol de hoje, tem que haver uma participação total, durante os 90 minutos, quase como no basquete. O jogador que chuta em gol deve ajudar imediatamente na marcação, e vice-versa. Passou a época do jogador que só ataca ou só defende”.

Coutinho estreou no comando do Flamengo em 12 de setembro, numa boa vitória de 3 a 0 sobre o Sport no Maracanã pelo Brasileirão, mesmo sem contar com Zico (lesionado) e Luisinho Lemos (suspenso). Partindo de um 4-3-3 básico, fez alterações sutis no posicionamento da defesa – com Jayme atuando na sobra, como uma espécie de líbero, enquanto Rondinelli ia para o combate – e pediu ao trio de meio-campo para se aproximar mais do ataque.

Aos poucos, graças à sua facilidade no diálogo sempre aberto com os jogadores, o time assimilaria suas ideias. Faria ótima campanha na competição (a segunda melhor na soma de todas as fases), mas ficaria de fora das semifinais por um ponto. O início promissor motivou o clube, passando por mudanças administrativas profundas, a contratá-lo em definitivo na virada do ano. Mas uma grande ironia despontava no horizonte. “Emprestado” pela Seleção ao Flamengo em 1976, o treinador logo se veria na situação inversa.

A chegada à Seleção: surpresa, novidades e polêmicas

Em 26 de fevereiro de 1977, Oswaldo Brandão anunciava sua saída do comando da Seleção, em meio a uma crise técnica – agravada pelo empate em 0 a 0 com a Colômbia em Bogotá na estreia das Eliminatórias da Copa do Mundo, considerado desastroso – e de relacionamento com os atletas. Heleno Nunes, presidente da CBD, nem titubeou: convidou imediatamente Coutinho para o posto, inicialmente em regime temporário, visando motivar os jogadores para o segundo jogo contra o mesmo adversário, no início de março, agora no Maracanã.

A atuação na goleada de 6 a 0 sobre os colombianos, obtida com dois gols de Roberto Dinamite, dois de Marinho Chagas, um de Zico e um de Rivellino, refletiu muitas diferenças entre o estilo dos dois treinadores: o time estático, taticamente antiquado e ofensivamente hesitante de Brandão deu lugar a uma equipe de muita movimentação e troca de posições, especialmente no meio-campo, abafando a saída de bola do adversário e com bastante apoio pelos lados. E o placar elástico já foi construído ainda no primeiro tempo.

Em seguida, o Brasil enfrentaria duas vezes o Paraguai naquele mesmo Grupo 1, no qual uma seleção avançava para a segunda etapa das Eliminatórias, um triangular popularmente conhecido como “Mundialito de Cali”, a ser realizado na cidade colombiana para definir os classificados para a Copa do Mundo, bem com o time que seguiria para a repescagem com os europeus. O time de Coutinho venceu os guaranis em Assunção por 1 a 0 (com gol contra) e empatou em 1 a 1 no Maracanã (Roberto Dinamite marcou), o suficiente para se garantir no torneio extra.

Mesmo com o bom começo, a passagem de Coutinho não foi exatamente marcada pela calmaria. Ainda inconformada com sua nomeação para o lugar de Brandão, a imprensa de São Paulo não poupava críticas – o que reabriu pela enésima vez toda uma extensa e estéril discussão sobre bairrismo. Enquanto isso, dentro do elenco, alguns jogadores reclamavam de falta de oportunidades. Curiosamente, o treinador, que acreditava que ficaria apenas durante aquela primeira etapa das Eliminatórias, não pretendia seguir no comando da Seleção.

“Não aceito trabalhar em tempo integral. Além disso, nesses poucos dias à frente da Seleção, já ganhei muitos inimigos gratuitos. Imagine se permanecer até a Copa de 1978? Certamente terei inimigos de morte. Até agora, mesmo ganhando, venho recebendo críticas contundentes. A partir do dia 21, segunda-feira, só quero pensar no Flamengo”, afirmou após a difícil vitória sobre o Paraguai no Defensores del Chaco. 

Mas tudo mudaria em breve. No desembarque após o jogo, o treinador foi convidado a permanecer e acabou aceitando. Dividiu-se entre o comando de Seleção e clube até o fim de setembro, quando o Flamengo perdeu o título carioca para o Vasco – que levantou os dois turnos, o segundo deles nos pênaltis em jogo extra. A partir de então, passou a ser exclusivo da CBD, com Jaime Valente, ex-zagueiro rubro-negro dos anos 1960, assumindo o posto em caráter definitivo na Gávea.

Efetivado, dirigiu a Seleção numa maratona de amistosos em junho de 1977, antes de carimbar a classificação para a Copa com duas vitórias no Mundialito de Cali, no mês seguinte: 1 a 0 sobre o Peru, gol de Gil, e 8 a 0 sobre a Bolívia, com quatro gols de Zico, um de Roberto Dinamite, um de Gil, um de Cerezo e um de Marcelo. Daí em diante, o técnico passou a enfrentar turbulências, criticado por suas escolhas, por suas inovações e até por seu vocabulário.

Coutinho costumava usar no dia a dia expressões extraídas ou adaptadas da literatura esportiva – em geral escrita em outros idiomas – para sintetizar situações de jogo. A imprensa, por sua vez, fazia piada de termos como “overlapping” (que nada mais era do que a passagem do lateral no apoio pelo corredor aberto quando os pontas fechavam pelo meio), “ponto futuro” (ou, o local onde o jogador deveria estar para receber a bola num lançamento) e “polivalência” (atribuída ao atleta versátil, capaz de executar mais de uma função em campo).

A Copa de 1978: um controvertido terceiro lugar

O treinador sabia que o Mundial argentino seria marcado pelo jogo duro e físico, campos pesados e sem concessões ao futebol mais vistoso. Por isso, decidiu recorrer a jogadores de força em várias posições do time e no elenco, mas mantendo em seu centro Rivellino como nome mais experiente e um trio talentoso que despontava, com o rubro-negro Zico e os atleticanos Cerezo e Reinaldo. Entretanto, a ausência de Falcão, excluído dos planos do técnico ainda durante as Eliminatórias por motivos nunca esclarecidos, renderia a grande polêmica.

Na Argentina, porém, foram muitos os problemas. Na estreia contra a Suécia, a Seleção empatou em 1 a 1 e não chegou a merecer resultado melhor, mas poderia ter saído com a vitória não fosse a decisão polêmica do árbitro galês Clive Thomas de anular o gol de Zico ao encerrar o jogo após a cobrança de escanteio de Nelinho. Em seguida, outra péssima atuação no 0 a 0 com a Espanha, em que Amaral salvou sobre a linha um gol certo dos ibéricos.

Em 1978, o Brasil de Chicão (com a bola) empatou com a Argentina na “Batalha de Rosário”.
 

Rivellino se lesionara na estreia. Zico e Reinaldo, com problemas físicos, sofriam no péssimo gramado do estádio de Mar del Plata, em que placas de grama se desprendiam, prejudicando o toque de bola. Era preciso mexer no time para tentar a classificação, que só viria com vitória sobre a Áustria. Foi quando Jorge Mendonça e Roberto Dinamite (que só havia sido convocado para o Mundial devido à lesão de Nunes), dois jogadores de mais porte físico, entraram na equipe.

Nem mesmo nesse momento Coutinho foi poupado: como as alterações foram anunciadas oficialmente à imprensa pelo presidente da CBD, o almirante Heleno Nunes, após uma reunião a portas fechadas com o técnico logo depois do jogo contra a Espanha, elas entraram para a história como resultado de um gesto impositivo do dirigente (e torcedor do Vasco, clube de Roberto Dinamite) ao qual o técnico, por inexperiência e falta de pulso, teve de ceder.

Em pé: Nelinho, Leão, Oscar, Amaral, Batista e Rodrigues Neto. Agachados: Gil, Toninho Cerezo, Jorge Mendonça, Roberto Dinamite e Dirceu.
 

O falecido jornalista Oldemário Touguinhó, que cobriu aquele Mundial para o Jornal do Brasil, expôs outra versão em seu livro “As Copas que eu vi”. Segundo seu relato, Coutinho havia antecipado a ele as mudanças no time numa rápida entrevista quando o técnico se encaminhava para os vestiários, onde aconteceria a reunião com Heleno Nunes. “Com esse piso, não podemos trocar passes nem fazer jogadas no chão. Vou mudar. Vamos fazer jogadas aéreas”, afirmou o treinador a Touguinhó enquanto deixava o campo.

No fim das contas, foi com um gol de Dinamite em jogada aérea que o Brasil bateu a já classificada Áustria e avançou à etapa seguinte. Livre do vexame da eliminação precoce, o time deslanchou e venceu o Peru por 3 a 0 na abertura da segunda fase. Contra a Argentina, no jogo que entrou para a história como a “Batalha de Rosário”, empatou em 0 a 0, mas poderia ter vencido: Zico deixou Dinamite por duas vezes na cara de Fillol, mas o gol não saiu.

O Brasil terminou o Mundial invicto, mas sem chegar a convencer. A taça ficou com os anfitriões, que enfrentaram suspeitas de ter tido sua classificação à final facilitada pelos peruanos, goleados por 6 a 0 na última rodada da segunda fase. Depois de bater a Itália por 2 a 1 e terminar em terceiro, Coutinho defendeu sua equipe lançando outra expressão que marcaria sua passagem pela Seleção: “Nós somos os campeões morais desta Copa”.

Depois das críticas, a afirmação

A frase não repercutiu bem nem entre a imprensa brasileira nem entre a torcida. Ao retornar da Copa, o treinador voltaria ao Flamengo, onde reconstruiria sua reputação. Manteve muitas de suas convicções táticas, mas reformulou algumas e abdicou de outras (como a utilização de laterais ofensivos nas pontas). Esta segunda parte de sua passagem no comando rubro-negro seria a mais bem-sucedida de sua carreira. Nela, faria história.

Das ideias táticas que fervilhavam na cabeça do treinador, algumas tinham outras modalidades como inspiração. O boxe, por exemplo. Para ele, a equipe deveria pressionar o adversário desde o início e tentar definir a partida o quanto antes, de modo a não possibilitar uma reação. “Se você acerta um soco no cara, tenta o segundo, o terceiro, para derrubar logo. Se esperar que ele se recupere, pode levar um daqui a pouco. Fez um gol, massacra para fazer outros e resolver logo o jogo”, explicou Zico no livro “1981”, de André Rocha e Mauro Beting.

O basquete também moldava a filosofia de jogo de Coutinho, que gostava de times agrupados, compactos, criativos, com as linhas de marcação alta e que trabalhassem a bola com paciência. Quando a jogada tentada por uma das pontas não se concretizava, a ordem era voltar a bola até a defesa e recomeçar a saída pelo outro lado. Nada de tentar alçar bolas na área infindavelmente a esmo. Para isso, é claro, era necessário o domínio completo dos fundamentos, algo também exigido e apurado cotidianamente pelo treinador.

“Coutinho pregava que os fundamentos do futebol tinham que ser exercitados diariamente, porque todo dia o jogador iria usá-los quando fosse tocar na bola. Não importava qual treinamento, tático, técnico ou coletivo. Em todos eles, teríamos de colocar em prática passes, chutes, cabeçada, domínio de bola, criatividade”, relembra Júnior no mesmo livro. 

Assim, bastou apenas uma excursão à Europa, em agosto de 1978, para que o time rubro-negro chegasse na ponta dos cascos para a disputa do Campeonato Carioca. O Flamengo repetiu o que o Vasco havia feito no ano anterior e venceu os dois turnos, sagrando-se campeão sem a necessidade de finais. No primeiro, que valia a Taça Guanabara, liderou de ponta a ponta e faturou o caneco mesmo perdendo o Fla-Flu da última rodada. No segundo, somou dez vitórias e apenas um empate em 11 jogos, superando o Vasco na última rodada por 1 a 0, com o gol histórico de Rondinelli, encerrando quatro anos de frustrações.

O ano derradeiro na Seleção

Coutinho também seguiu seu trabalho na Seleção em 1979. E iniciaria um processo de renovação muitas vezes esquecido ou ignorado. Em maio daquele ano, quando o escrete entrou em campo para seu primeiro jogo oficial desde a Copa, lá estava um quarteto de estreantes que se firmaria no time pelos anos seguintes: Falcão, Júnior, Sócrates e Éder. Com eles, o Brasil arrasou o Paraguai por 6 a 0 em amistoso no Maracanã, com três gols de Zico, dois de Nilton Batata e um de Éder). Semanas depois, golearia também o Uruguai (5 a 1) e o Ajax (5 a 0).

Os jogos valeriam como preparação para a Copa América daquele ano, disputada sem sede fixa, em partidas de ida e volta e por vários meses. O Brasil havia sido sorteado no complicado Grupo 2, ao lado dos argentinos campeões do mundo – e que apresentavam um novato chamado Diego Maradona – e dos bolivianos, que tinham como trunfo a altitude de La Paz. Mas, no fim das contas, acabou avançando, com direito a uma vitória (2 a 1 no Maracanã) e um empate (2 a 2 no Monumental de Núñez) diante da Albiceleste.

Nas semifinais, disputadas em outubro, o adversário seria o Paraguai, que vencera duas vezes o Equador e empatara os dois jogos com o Uruguai pelo Grupo 3. Chegava com um time bastante diferente do que havia sido goleado pelo Brasil meses antes. A Seleção, por sua vez, tinha um sério desfalque: por ter sido expulso junto com Gallego no empate com a Argentina, Zico já ficaria de fora do primeiro jogo. Mas como havia sofrido lesão num jogo contra o Goytacaz pelo Carioca, que o tirara de ação por vários meses, também não jogaria a volta.

Na vaga do Galinho, Coutinho testou o colorado Jair no primeiro jogo e o corintiano Palhinha no segundo. Mas o Brasil acabou sendo derrotado por 2 a 1 no Defensores del Chaco e cedeu o empate em 2 a 2 no Maracanã depois de estar duas vezes em vantagem. Os guaranis avançariam à final e conquistariam a Copa América pela segunda vez em sua história. Já o treinador brasileiro deixaria de vez o comando da Seleção em fevereiro do ano seguinte, quando o novo presidente da recém-criada CBF, Giulite Coutinho, anunciou Telê Santana para o cargo.

Tri estadual com o Fla

O ano de 1979, no qual ocorreria a muito protelada fusão das federações carioca e fluminense de futebol, também foi marcado pela divergência entre os clubes grandes e pequenos sobre quantas e quais equipes disputariam o estadual daquele ano, e o que levou, no fim das contas, à disputa de dois torneios num mesmo ano. Se não faltou bagunça fora de campo, também sobrou bola ao Flamengo, que levantou os dois títulos de modo inquestionável.

No primeiro, denominado “Campeonato Especial”, com 10 clubes jogando turno e returno entre fevereiro e abril, o Fla repetiu o que havia feito em 1978: venceu as duas etapas e foi campeão direto, sem finais. E com um bônus: o título veio de forma invicta (o primeiro de um time carioca na era Maracanã), com 13 vitórias e cinco empates. Já o segundo, que ficou conhecido como “Estadual” e disputado entre maio e o início de novembro, foi mastodôntico.

Dividido em três turnos, contou com 18 equipes jogando o primeiro deles (que valeu a Taça Guanabara), dez no segundo (com os oito piores jogando uma repescagem em paralelo) e oito no terceiro. Novamente, o Flamengo conquistou os três turnos mesmo perdendo Zico – que então já havia marcado impressionantes 60 gols em 43 jogos, somando os dois campeonatos – por mais de um turno inteiro, com a lesão sofrida contra o Goytacaz.

Como se não bastasse o excesso de jogos nos dois torneios, a agenda do Fla também andava cheia pelos amistosos e excursões marcados para aquele período. Em uma delas, à Espanha, o time de Coutinho brilhou na conquista do Torneio Ramón de Carranza. O adversário na estreia seria o Barcelona, que acabara de vencer a Recopa europeia e contava com nomes como Asensi, Migueli e Rexach, além do austríaco Hans Krankl e do dinamarquês Allan Simonsen.

Pelo lado do Flamengo, havia outra preocupação: o desgaste físico e psicológico. Na quinta-feira à noite, cinco atletas (Toninho, Júnior, Carpegiani, Zico e Tita), além do próprio técnico Cláudio Coutinho, estavam em Buenos Aires, onde participaram do empate em 2 a 2 com a Argentina pela Copa América. De lá, o grupo pegou um voo de 20 horas de duração até Cádiz, chegando à cidade espanhola na tarde de sábado, horas antes da estreia.

Festa do Fla em 1980. Foto: Fla History
 

Quando a bola rolou, o cansaço foi deixado de lado e o que se viu foi um domínio completo do Flamengo, que marcou duas vezes ainda no primeiro tempo, criou chances para golear e até ensaiou um olé, antes de o Barça descontar no fim. O time de Coutinho saiu de campo aplaudido de pé e aclamado pela imprensa espanhola. No dia seguinte, com direito a gol relâmpago, abrindo o placar na saída de bola, o Fla bateu o Ujpest por 2 a 0 e levantou a taça.

Passo seguinte para a confirmação do poderio daquela equipe, o título brasileiro teve que ser adiado. Na espremida e caótica edição de 1979, o time vinha fazendo boa campanha, mas acabou eliminado antes das semifinais pelo Palmeiras de Telê Santana, que veio ao Maracanã precisando do empate, mas saiu com algo ainda melhor, com uma goleada de 4 a 1 que ficaria atravessada nas gargantas rubro-negras. Porém, não por muito tempo.

No ano seguinte, a primeira conquista do Brasileiro finalmente chegaria e com direito a uma saborosa revanche diante de um Alviverde que repetia dez dos 11 jogadores da vitória de quatro meses antes e, por ironia, estreava o velho Oswaldo Brandão no comando. Mordido, o Fla chegou a abrir 5 a 0, antes do Palmeiras descontar duas vezes. Mas Nunes, o novo camisa 9 da equipe no lugar de Cláudio Adão, ainda deixaria o seu para fechar a goleada histórica em 6 a 2.

O Fla, que estreara no campeonato batendo o Santos no Morumbi e também já havia vencido o tricampeão Internacional no Maracanã, eliminou um ótimo time do Coritiba nas semifinais antes de decidir o título numa final épica com o Atlético Mineiro. E Nunes, trazido por indicação de Coutinho depois da tentativa malsucedida de repatriar Roberto Dinamite (então no Barcelona), seria o autor do gol que daria o pontapé inicial à escalada para conquistar o mundo.

Os times em campo na decisão do Brasileirão de 1980: marcação compacta no meio de campo e presença de Zico favoreceram o time carioca no duelo tático entre Coutinho e Cardoso.
 

Após o título brasileiro, o Flamengo ainda levantaria a Taça Guanabara (naquele ano, novamente disputada como um torneio à parte do Estadual) e voltaria a excursionar pela Europa, voltando com mais algumas taças. Mas, sucumbindo ao cansaço, à pressão para manter o ritmo de vitórias e até à autossuficiência, o time perdeu o tetra carioca e entrou em crise. Estafado, Coutinho deixou o comando, seguindo para o Los Angeles Aztecs.

No primeiro semestre de 1981, o Flamengo ainda enfrentaria turbulências, comandado pelo antigo ídolo Modesto Bria e mais tarde por Dino Sani. Mas voltaria a reencontrar o caminho das conquistas com a ascensão de Paulo César Carpegiani – capitão e organizador do time nos tempos de Coutinho – ao cargo. Ainda que com alterações pontuais em nomes e na formatação do setor ofensivo, a equipe que conquistaria o mundo ao fim daquele ano preservava essencialmente a filosofia de jogo do time de Cláudio Coutinho da virada da década.

O adeus precoce

No fim de novembro, no desembarque da delegação rubro-negra no Rio após a conquista da Libertadores, Coutinho – que havia acabado de assinar contrato para treinar o Al Hilal, da Arábia Saudita – encontrou por acaso seus ex-comandados no aeroporto do Galeão e vaticinou: “Agora só falta o Mundial”. O treinador, porém, não chegaria a ver o time que criou alcançar o topo do planeta. Três dias depois, morreria no mar de Ipanema, aos 42 anos.

Na manhã daquele dia 27, Coutinho saíra para praticar outro de seus esportes favoritos: a pesca submarina. Havia prometido trazer um peixe para um jantar com amigos, entre eles Júnior. Mergulhava em apneia, ou seja, sem a ajuda de cilindros de oxigênio. Quando conseguiu arpoar uma garoupa, não percebeu que o ar inspirado na superfície se transformara em gás carbônico em seu corpo. Perdeu os sentidos e se afogou. Morreu sem sentir.

Torcida flamenguista se despede de Coutinho.
 

A notícia caiu como uma bomba entre jogadores, dirigentes e comissão técnica do Flamengo, que se preparava para disputar a decisão do Estadual contra o Vasco, a começar dentro de dois dias. Carpegiani, trazido pelo treinador à Gávea em 1977, chorou convulsivamente. Entre os jogadores, o clima era de incredulidade geral. O clube decretou luto oficial de três dias. A morte, porém, não comoveu apenas os rubro-negros, mas o futebol brasileiro como um todo.

“Sempre recebi as maiores atenções do Coutinho. Inclusive, ele me colocou à disposição o seu arquivo sobre futebol internacional e me prestou todas as informações sobre a Seleção Brasileira, quando o substituí”, lembrou Telê Santana. Então goleiro do Grêmio, Leão comentou: “Acho que o futebol brasileiro pode ser dividido em duas etapas. Antes e depois de Cláudio Coutinho. Ele foi um treinador que viu muito além daquilo que se julga comum”.

Ao velório, realizado na antiga sede do Flamengo no Morro da Viúva, estiveram presentes colegas treinadores como Carlos Alberto Silva e Oswaldo Brandão, que viera de São Paulo especialmente para se despedir. Milhares de torcedores rubro-negros seguiram o cortejo até o cemitério do Caju, onde Coutinho foi enterrado com a bandeira do clube. A torcida que melhor o compreendeu não lhe poupou carinho e emoção na despedida. Um técnico imortal.

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Esquadrão Imortal – Villarreal 2020-2022

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Villarreal 2020-2021
Em pé: Gerard Moreno, Raúl Albiol, Foyth, Capoue, Rulli, Pau Torres e Parejo. Agachados: Pedraza, Bacca, Yéremi Pino e Trigueros.

Grandes feitos: Campeão Invicto da Liga Europa da UEFA (2020-2021), Vice-campeão da Supercopa da UEFA (2021) e Semifinalista da Liga dos Campeões da UEFA (2021-2022). Conquistou o maior título da história do clube.

Time-base: Rulli (Asenjo); Foyth, Raúl Albiol, Pau Torres e Pedraza (Estupiñán / Alberto Moreno); Parejo, Capoue e Trigueros (Coquelin / Álex Baena); Gerard Moreno, Carlos Bacca (Paco Alcácer / Boulaye Dia / Danjuma) e Yéremy Pino (Chukwueze / Fer Niño / Lo Celso). Técnico: Unai Emery.

 

“Submarino da Europa”

Por Guilherme Diniz

Entre 2004 e 2006, um imponente Submarino Amarelo conseguiu encarar de igual para igual grandes potências do Velho Continente e por muito pouco não chegou à uma final continental. Quase duas décadas se passaram e esse mesmo Submarino voltou a brigar por uma glória europeia. Ponto a ponto, foi superando os desafios, eliminou um antigo carrasco – o Arsenal – até chegar à sonhada final, em Gdansk, na Polônia. Ele ficou ali, à espreita, aguardando o momento certo para atacar. Teve que ser paciente e enfrentar angustiantes 22 cobranças de pênaltis para confirmar o porto seguro e a festa. Enfim, campeão da Europa. E não foi só isso: foi campeão da Europa de maneira invicta e superando na final o poderoso e favorito Manchester United! 

No ano seguinte, aquele Submarino voltou a aterrorizar pelas cidades europeias e chegou a uma semifinal de Liga dos Campeões após superar pelo caminho Juventus e Bayern München. No último desafio antes da final, porém, um novo carrasco inglês atrapalhou os planos dos casteloneses, que viram o Liverpool se classificar, mas não sem batalhar e lutar até o fim. Relembre agora a grande epopeia continental do Villarreal 2020-2022.

O grande retorno

Depois do período mágico de 2004-2006, o Villarreal ainda teve alguns anos de boas campanhas até começar a cair de produção no futebol espanhol. Depois do vice-campeonato de 2008, o clube viveu um último suspiro em 2010-2011, quando alcançou as semifinais da Liga Europa da UEFA, mas a “síndrome pré-final” voltou a assombrar o clube, que acabou eliminado pelo futuro campeão Porto. Em 2012, os amarelos foram rebaixados em La Liga, algo que não acontecia desde 1999, mas conseguiram subir já na temporada seguinte. Entre 2013 e 2018, o Villarreal conseguiu ficar pelo menos entre os seis primeiros colocados de La Liga, mas tropeçava quando tentava uma vaga nas etapas finais das competições europeias.

Em 2011, o Villarreal não resistiu ao Porto de Radamel Falcao (foto) e foi eliminado nas semis da Liga Europa. Foto: Angel Martinez/Getty Images

Após um 14º lugar em na temporada 2018-2019 do Campeonato Espanhol, o clube conseguiu se recuperar na época 2019-2020 e ficou na 5ª colocação, o que lhe deu uma vaga direta na Liga Europa da UEFA de 2020-2021. A boa campanha se deu muito por conta das boas contratações do time como o experiente zagueiro espanhol Raúl Albiol, o lateral-esquerdo espanhol Alberto Moreno e o meio-campista camaronês Anguissa, que complementaram um elenco que já tinha nomes como o goleiro Sergio Asenjo, o defensor Pau Torres, o meia/atacante nigeriano Chukwueze, o meio-campista espanhol Trigueros, o meia Álex Baena – que seria campeão do mundo com a Espanha em 2026 – e o goleador Gerard Moreno.

Já na época 2020-2021, o Villarreal viu a saída do técnico Javier Calleja, ex-jogador do clube nos anos 2000, e contratou o espanhol Unai Emery, que vinha de um trabalho razoável no Arsenal, onde foi vice-campeão da Liga Europa da UEFA. Especialista na competição pelo Sevilla – com o qual levantou três troféus -, Emery ganhou novos reforços para compensar a extensa barca de dispensas e vendas da equipe. Entre os contratados, destaque para o goleiro argentino Gerónimo Rulli (ex-Real Sociedad-ESP), o lateral equatoriano Pervis Estupiñán (ex-Watford-ING) e o meio-campista francês Étienne Capoue (ex-Watford-ING).

Unai Emery em sua apresentação no Villarreal. Foto: Domenech Castello

Emery chegou com a missão de levantar algum troféu com os amarelos. “Não penso no fim, mas sonho. Os sonhos são livres e sonho com um título com o Villarreal. É um desafio continuar dando prestígio a este clube e espero poder ajudar e desfrutar ao longo do caminho. Obtive êxitos e quero continuar, mas o mais importante é aproveitar a jornada”.

“A Europa League cresceu muito e oferece a você um lugar de prestígio. Significa muito para mim competir nesse torneio que me deu muitas alegrias, mas também quero disputar a Liga dos Campeões. Quero contribuir com minhas experiências, meus conhecimentos, estou em um lugar em que me sinto confortável”, finalizou o espanhol.

Imbatíveis e o início da saga continental

Após perder por 4 a 0 para o Barcelona na 3ª rodada de La Liga, o Villarreal começou uma era vertiginosa que englobou todas as competições que disputava entre setembro e dezembro de 2020. A equipe permaneceu 12 jogos sem perder no Campeonato Espanhol, um jogo na Copa do Rei e seis partidas na Liga Europa da UEFA, totalizando 19 partidas sem derrotas, um recorde na história do clube. A série só acabou na 16ª rodada de La Liga, quando os amarelos visitaram o Sevilla e perderam por 2 a 0.

Na Liga Europa, o Villarreal deu show e terminou como líder de seu grupo com 16 pontos em seis jogos, após vencer Sivasspor-TUR (5 a 3, em casa), Qarabag-AZB (3 a 1, fora), Maccabi Tel Aviv-ISR (4 a 0, em casa), empatar com os israelenses fora em 1 a 1 e vencer o Sivasspor, fora, por 1 a 0 e o Qarabag por 3 a 0 em partida que não aconteceu por conta dos muitos casos de atletas do clube do Azerbaijão contaminados com o vírus da COVID-19 na época. Estava claro que o foco dos espanhóis era mesmo a competição europeia, que dava ao campeão uma vaga na Liga dos Campeões da UEFA. Unai Emery conhecia bem o caminho até a glória e queria recuperar o troféu que perdeu em 2019.

Para ter um time inteiro nos momentos mais agudos da competição, Emery decidiu manter um goleiro nos compromissos nacionais (Asenjo) e outro na Liga Europa (Rulli). Alternava alguns nomes no ataque e mantinha a espinha dorsal com Raúl Albiol, Pau Torres, Dani Parejo, Manu Trigueros e Gerard Moreno. No primeiro compromisso do mata-mata, o Villarreal enfrentou o RB Salzburg-AUT e venceu as duas partidas: 2 a 0 fora de casa, com gols de Paco Alcácer (que ainda perdeu um pênalti) e Fernando Niño, e 2 a 1, de virada, em casa, com os gols anotados por Gerard Moreno. Naquele momento, o Villarreal era uma equipe muito mais sólida e trabalhadora, além de se ajustar em momentos de crise – como após a goleada sofrida para o Barça em 2020.

Gerard Moreno, o grande artilheiro do Villarreal na temporada 2020-2021.

Com o foco total na Liga Europa, naturalmente que o desempenho do clube caiu no Campeonato Espanhol no returno. A equipe perdeu muitos pontos e passou praticamente a reta final inteira da competição entre vitórias e derrotas, sem nenhum empate nos 14 jogos finais. O Submarino perdeu para os principais rivais do topo da tabela e venceu compromissos mais tranquilos, com destaque para os 4 a 0 sobre o Sevilla na penúltima rodada. Mesmo com sete vitórias e sete derrotas nesses jogos citados, o Villarreal terminou na 7ª colocação, com 15 vitórias, 13 empates e 10 derrotas em 38 jogos, com 60 gols marcados e 44 gols sofridos. Na Copa do Rei, o Submarino chegou até as quartas de final, quando acabou eliminado pelo Levante após derrota por 1 a 0.

Acerto de contas e vaga na final

Nas oitavas de final, os espanhóis tiveram pela frente o Dynamo de Kiev-UCR, do lendário técnico Mircea Lucescu. Na ida, em Kiev, a presença ofensiva dos zagueiros fez a diferença e o Villarreal venceu por 2 a 0, com gols de Pau Torres e Raúl Albiol. Na volta, Gerard Moreno voltou a decidir e anotou os gols do triunfo por 2 a 0 que colocou os amarelos nas quartas de final. O desafio seguinte foi o Dinamo Zagreb-CRO, que não conseguiu fazer valer seu mando no jogo da ida e perdeu por 1 a 0, em gol de pênalti do atacante Gerard Moreno. Na volta, na Espanha, Alcácer e Gerard Moreno fizeram os gols da vitória por 2 a 1 que colocou o Villarreal em mais uma semifinal europeia. 

villarreal 2020-2022

Aquele era o tradicional limite do time de Castellón. Sempre que disputava uma semifinal, a equipe perdia. E um velho fantasma do passado voltou para assombrar o torcedor do Submarino naquela temporada: o Arsenal-ING, responsável por eliminar o esquadrão de Riquelme, Forlán e companhia na semifinal da Liga dos Campeões da UEFA de 2005-2006 e destruir o sonho de uma inédita final europeia. Só que daquela vez o Villarreal estava munido do experiente Unai Emery, o Rei da Liga Europa e que conhecia muito bem o time londrino. 

Emery queria provar que não era apenas o técnico que “venceu três Ligas Europa com o Sevilla”, tanto é que vários torcedores dos Gunners não consideravam o treinador um vencedor a ponto de ter dirigido o Arsenal na época. “Superar a barreira das semifinais é o grande desafio. A ideia de chegar à Liga dos Campeões por meio da Liga Europa é muito importante. Quando assinei contrato aqui, tratava-se de mais uma etapa do processo. Meu passado no Arsenal é menos importante”, comentou Emery na época.

Já comandado por Mikel Arteta, o Arsenal tinha nomes como Xhaka, Saka, Odegaard e Aubameyang, e queria repetir a decisão de 2019 para buscar o título perdido naquele ano. Mas os Gunners sofreram no primeiro tempo no Estádio de la Cerámica e viram Trigueros e Albiol fazerem 2 a 0 com 29 minutos de jogo. Na etapa final, Ceballos foi expulso do lado do Arsenal, mas ainda sim a equipe conseguiu descontar em gol de Pépé, de pênalti, aos 73’. Sete minutos depois, Capoue também foi expulso do lado dos espanhóis e o placar de 2 a 1 deu a vantagem do empate para o Submarino na volta, em Londres.

Festa amarela no Emirates! Foto: Adrian Dennis / AFP

Jogando no Emirates Stadium – ainda sem público na época por conta da pandemia -, o Villarreal se propôs a anular o Arsenal e não deixar o rival se impor. Aubameyang foi o único que teve as melhores chances, com direito a duas bolas na trave, mas o time de Unai Emery foi implacável na marcação, cedeu poucos espaços e o 0 a 0 garantiu a vaga inédita em uma final europeia depois de quatro tropeços – o Submarino havia caído na semifinal da Copa da UEFA de 2003-2004, na semifinal da Liga dos Campeões de 2005-2006, na semifinal da Liga Europa de 2010-2011 e na semifinal da Liga Europa de 2015-2016. Enfim, a barreira das semis foi quebrada!

“Hoje à noite, choro de emoção em vez de decepção. O Villarreal deixou escapar tantas chances de chegar à final, mas agora, finalmente, conseguimos! São momentos de muita emoção. O clube todo, a torcida, o presidente, o elenco do ano passado… Todos nós merecemos isso. É hora de aproveitar, mas também é fundamental preparar muito bem a final, pois é uma oportunidade histórica.”Pau Torres, zagueiro do Villarreal, em entrevista à UEFA no pós-jogo.

Os campeões da Liga Europa: força do meio de campo e ataques rápidos eram as virtudes do time de Emery.

O técnico Unai Emery foi outro que não escondeu a satisfação pela vaga na decisão. “Estou muito orgulhoso, pois isso é muito importante para nós e o Arsenal é uma equipe muito boa. Nós merecemos. Hoje trabalhamos muito bem, defendemos muito bem e, em alguns momentos, controlamos a partida com a posse de bola, criando oportunidades de ataque para marcar. Eles tiveram as melhores chances de gol. Merecemos disputar esta final; vamos apresentar nosso melhor desempenho e mostrar que queremos lutar por este título”.

A inédita glória europeia

A missão do Villarreal não seria das mais fáceis: enfrentar o Manchester United-ING, favorito ao título e com um elenco cheio de jogadores badalados como Paul Pogba, McTominay, Bruno Fernandes, Marcus Rashford, Edinson Cavani, entre outros. Só que o peso do adversário não causava nenhum temor em Unai Emery. 

“Sinto a obrigação com o Villarreal, com este emblema, com este clube e com o seu presidente. Não podemos escapar a uma realidade. Há uns meses, incluímos [o Manchester United] entre os favoritos. Agora, estamos na mesma situação. Somos candidatos firmes a disputar este título contra um favorito”, disse o treinador ao TVI (POR), dias antes da final.

A partida foi disputada em Gdansk, na Polônia, com público de pouco mais de 9 mil torcedores, ainda sob as restrições da pandemia. Mais organizado, o Villarreal teve controle da partida na primeira etapa e abriu o placar aos 29’, quando Foyth cobrou falta da intermediária, Gerard Moreno ganhou da defesa e tocou de pé direito para fazer 1 a 0. De quebra, o atacante alcançou os 82 gols com a camisa do Villarreal e se tornou naquele dia o maior artilheiro da história do clube, além de chegar aos 7 gols e ser um dos artilheiros daquela edição de Liga Europa. 

No segundo tempo, aos 9’, Shaw cobrou escanteio da esquerda, a zaga do Villarreal cortou e a bola sobrou para o chute de Rashford. Após o desvio no meio da área, a bola ficou livre para Cavani empatar. Os ingleses passaram a dominar o jogo, mas o Villarreal soube se defender e a partida foi para a prorrogação, que não teve grandes chances. Com isso, a disputa do título foi para os pênaltis e todos os jogadores foram acertando seus chutes, um a um. Quando todos os atletas de linha terminaram, o placar de 10 a 10 fez com que os goleiros entrassem na disputa. Primeiro, Rulli bateu e marcou para o Villarreal. Depois, foi a vez do goleiro do United, David de Gea. Ele chutou rasteiro, no canto esquerdo, e Rulli defendeu! O 11 a 10 sacramentou o título do Villarreal, sua primeira grande taça em 98 anos de história. E justamente um troféu europeu! 

Foto: REUTERS / Kacper Pempel
Rulli defendeu pênalti do goleiro De Gea e garantiu o caneco! Foto: Boris Streubel/Uefa/Getty Images

“Estou muito feliz pela vitória de hoje. O segredo do Unai? Ele é um grande treinador. Não precisa provar mais nada a ninguém. É uma aula de mestre — ele mostrou isso novamente hoje”, comentou o volante Capoue, eleito o melhor da final, após a partida.

“Estes jogadores trabalharam muito duro ao longo da temporada, pelo presidente, pelo proprietário e pelo presidente do conselho. Estamos muito orgulhosos do Villarreal. Acho que merecemos vencer. Enfrentamos o Manchester United, mas fizemos uma partida muito competitiva hoje à noite”, disse Emery no pós-jogo.

O feito do Villarreal foi ainda maior por ter sido de maneira invicta. Em 15 jogos, foram 12 vitórias e 3 empates, com 31 gols marcados e apenas 9 sofridos, um aproveitamento de 80%.

O quase na Supercopa

Na temporada 2021-2022, o Villarreal promoveu mais uma enorme barca de transferências e outra com contratações. Entre as saídas, estavam Carlos Bacca, Fer Niño e Álex Baena, enquanto as novidades foram o atacante holandês Arnaut Danjuma, o meio-campista argentino Giovani Lo Celso, o atacante senegalês Boulaye Dia e a compra definitiva do zagueiro Foyth. O primeiro compromisso do time foi a final da Supercopa da UEFA, na qual os espanhóis tiveram pela frente o Chelsea-ING, campeão da UCL de 2021 em cima do Manchester City. Os Blues eram comandados por Thomas Tuchel e tinham nomes como Mendy, Rüdiger, Kanté, Kovacic, Azpilicueta, Pulisic, Ziyech, Havertz entre outros.

Favoritos, os ingleses abriram o placar no primeiro tempo com Ziyech, que aproveitou um cruzamento rasteiro de Kai Havertz, vindo da esquerda, e desviou para o fundo da rede. No segundo tempo, o Villarreal foi pra cima e, aos 73’, o talismã Gerard Moreno chutou no ângulo superior esquerdo, após receber de Boulaye Dia pela direita da área, e empatou. Assim como na final da Liga Europa, a decisão foi para a prorrogação, na qual o Chelsea teve mais domínio de bola e o Villarreal acabou mais contido em seu campo. Com a iminente decisão por pênaltis se aproximando, o técnico do Chelsea substituiu o goleiro Mendy por Kepa, que passou a ter a responsabilidade de garantir a vitória dos Blues na marca da cal.

E o goleirão deu conta do recado. Apesar do erro inicial de Havertz, os Blues não desperdiçaram mais nenhum chute depois disso e Kepa defendeu os chutes de Mandi e o derradeiro de Albiol. O placar de 6 a 5 deu o título da Supercopa ao Chelsea e Unai Emery amargou mais um vice na competição – ele também não conseguiu nenhuma Supercopa nas duas disputas pelo Sevilla.

Foco na Europa

Com a pesada concorrência de La Liga, o Villarreal sabia que não tinha condições de brigar pelo título espanhol, por isso, uma campanha que deixasse a equipe pelo menos entre os 10 melhores já era satisfatória. Apesar do início ruim, com o clube na 13ª colocação na 16ª rodada, o desempenho melhorou no returno e o Submarino terminou na 7ª colocação, com direito a vitória por 2 a 0 sobre o Barcelona na última rodada e em pleno Camp Nou. Em 38 jogos, foram 16 vitórias, 11 empates, 11 derrotas, 63 gols marcados e 37 gols sofridos. Danjuma e Gerard Moreno, com 8 gols cada, foram os artilheiros da equipe na competição. Na Copa do Rei, a campanha terminou precocemente, com queda na etapa 16 avos de final, após derrota por 2 a 1 para o Sporting Gijón.

Por outro lado, o desempenho dos amarelos foi diferente na Liga dos Campeões. No Grupo F, ao lado de Manchester United-ING, Atalanta-ITA e Young Boys-SUI, os espanhóis conseguiram a vaga no mata-mata graças ao segundo lugar. No turno do grupo, a equipe empatou em 2 a 2 com a Atalanta, em casa, perdeu em Old Trafford para o Manchester United e venceu o Young Boys tanto na Suíça (4 a 1) quanto na Espanha (2 a 0). Para fechar a campanha, derrota por 2 a 0 para os ingleses em casa e triunfo por 3 a 2 sobre a Atalanta em plena Itália. 

Derrubando gigantes!

Nas oitavas de final, os comandados de Unai Emery tiveram pela frente a Juventus, comandada por Massimiliano Allegri e que tinha nomes como Danilo, Alex Sandro, Rabiot, Locatelli, Cuadrado e Vlahovic. Era um adversário com mais camisa do que força, por isso, o Villarreal foi confiante em busca da vaga nas quartas de final. No duelo de ida, em casa, Vlahovic abriu o placar para a Velha Senhora com menos de um minuto de jogo e assustou a torcida no estádio de la Cerámica. Mas o Villarreal não se abateu, tomou conta das ações no campo ofensivo com o talento de Lo Celso e por pouco não empatou em chute do argentino, aos 13’, que bateu na trave.

Festa dos espanhóis em plena casa da Juve! Foto: Reuters / Massimo Pinca

No segundo tempo, Parejo aproveitou passe de Capoue e chutou de primeira, completamente livre dentro da área, para empatar a partida e deixar tudo aberto para a volta, em Turim. Jogando diante de mais de 30 mil pessoas no Juventus Stadium, o Villarreal soube esperar o momento certo para mostrar sua força. A Juventus dominou boa parte da partida, mandou bola na trave, teve 14 finalizações contra quatro do Villarreal e viu Rulli fazer cinco defesas até os 75’. Só que os italianos não esperavam um pênalti para o Villarreal aos 78’. E, após o gol de Gerard Moreno, o mundo bianconeri desabou. Aos 85’, Pau Torres, de cabeça, fez 2 a 0. E, aos 90’+2’, Danjuma, em cobrança de pênalti, fechou os 3 a 0 que classificaram o Villarreal para as quartas de final!

De quebra, foi a pior derrota em torneios europeus da Juventus em casa desde os 4 a 1 para o Bayern em 2008-2009. E, falando nos alemães, eles estavam no caminho do Submarino na fase seguinte…

Campeão europeu em 2020 e com nomes como Neuer, Pavard, Upamecano, Alphonso Davies, Kimmich, Musiala, Thomas Müller, Gnabry e Lewandowski, o Bayern parecia o muro intransponível do Villarreal naquela UCL. Era difícil imaginar a equipe de Castellón superando um adversário tão poderoso. Mas o Villarreal, em competições europeias, costuma aprontar… Na ida, em casa, a equipe de Unai Emery jogou de maneira compacta, com velocidade nas transições e não ofereceu espaços aos bávaros. Logo aos 8’, uma ótima jogada trabalhada de pé em pé pela direita resultou em gol de Danjuma, que vivia grande fase.

Danjuma garantiu a vitória sobre o Bayern no Estádio de la Cerámica.

Os donos da casa quase fizeram 2 a 0 no começo da segunda etapa, quando Gerard Moreno acertou a base da trave de Neuer com um chutaço de longa distância. Dez minutos depois, o mesmo Gerard Moreno teve outra chance, mas o placar ficou mesmo 1 a 0 e deixou o Villarreal com vantagem para a volta, na Allianz Arena. Uma curiosidade é que o Bayern ficou um jogo sem marcar em uma UCL pela primeira vez em três anos, o que provou a enorme façanha do Submarino Amarelo.

O time que venceu o Bayern.

Claro que tudo isso seria colocado à prova no duelo de Munique. Muito bem postado em sua retaguarda, o Villarreal suportou uma enorme pressão dos alemães em quase toda a partida, embora os anfitriões apostassem mais em jogadas pelo alto e no famoso chuveirinho – foram 21 cruzamentos só no primeiro tempo. Quando tinha a posse, o Villarreal não deixava o Bayern roubar a bola tão facilmente e conseguia preciosos minutos. O Bayern foi para o intervalo vaiado por sua torcida e teve que aumentar o ritmo na segunda etapa. E, em uma roubada de bola de Coman, aos 52’, o francês deixou com Lewandowski, que recebeu na entrada da área e bateu no canto para fazer 1 a 0.

Os bávaros seguiram atacando e o Villarreal praticamente não foi ao ataque nos minutos seguintes. Só que havia a chance de contra-atacar. E ela surgiu aos 88’, quando Chukwueze aproveitou cruzamento rasteiro e finalizou cara a cara com Neuer para empatar: 1 a 1. Na primeira temporada após o fim do critério do gol qualificado na UCL, o Bayern poderia marcar mais um gol que o duelo iria para a prorrogação, mas não conseguiu. A vaga ficou com o Villarreal, semifinalista da UCL pela segunda vez em sua história!

“O jogo [das oitavas de final] contra a Juventus nos deu muita confiança, e aqui foi mais uma partida enorme, mas o jogo de ida já dizia muito sobre nós. Fomos perfeitos na defesa”, comentou o técnico Unai Emery no pós-jogo.

O atacante Gerard Moreno foi outro a exaltar a vaga. “Desde que o sorteio nos colocou frente a frente com o Bayern, dizíamos a nós mesmos que conseguiríamos. A confiança e a forma como esta equipe compete nos ajudaram a alcançar esse objetivo.” Assim como em 2006, o adversário do Villarreal na semifinal da UCL seria um clube inglês: o poderoso Liverpool de Jürgen Klopp.

Não faltou garra

Unai Emery escalou o que tinha de melhor para o duelo da ida contra o Liverpool, no alçapão de Anfield Road. Lo Celso fez companhia a Danjuma no ataque, Chukwueze e Coquelin atuaram mais abertos e Capoue e Parejo fecharam o meio de campo, enquanto Foyth, Albiol, Pau Torres e Estupiñán compuseram o quarteto defensivo. A primeira etapa foi relativamente equilibrada, com o Liverpool acertando a trave do goleiro Rulli, aos 12’, embora o time da casa não tenha conseguido abrir o placar. Só no segundo tempo que os Reds elevaram o ritmo. Um gol de cabeça de Fabinho foi anulado por impedimento na origem da jogada, aos 50’, porém, três minutos depois, um cruzamento de Henderson encobriu o goleiro e entrou após desvios em Estupiñán e no punho de Rulli. Dois minutos depois, Sadio Mané ampliou e o placar de 2 a 0 deu uma vantagem bastante confortável ao time inglês para a volta, na Espanha.

Emery precisava de uma equipe mais ofensiva e rápida para tentar reverter a desvantagem. A missão era muito, muito difícil, mas o Villarreal foi valente. Com Boulaye Dia no lugar de Danjuma (lesionado), e Gerard Moreno no ataque, municiados por Lo Celso, Parejo, Capoue e Coquelin, o Submarino Amarelo colocou o Liverpool contra as cordas no primeiro tempo e viu a final de perto. Logo aos 3’, Dia recebeu de Capoue e abriu o placar. Os comandados de Jürgen Klopp demonstraram muito nervosismo a partir dali e o Villarreal tomou conta da partida até chegar aos 2 a 0 aos 41’, quando Capoue foi novamente o articulador da jogada, girando com habilidade junto à linha de fundo antes de cruzar para Coquelin escapar da marcação de Trent Alexander-Arnold e desviar a bola para o gol.

O agregado de 2 a 2 levava o jogo para a prorrogação, mas o Villarreal tinha condições de fazer o terceiro e conseguir a vaga no tempo regulamentar. Só que o Liverpool tinha suas armas e o técnico Klopp. O alemão colocou Luis Díaz na volta do intervalo e viu o colombiano bagunçar a zaga espanhola e começar a abrir espaços. Aos 62’, Fabinho descontou para os Reds e o Villarreal não se reencontrou mais. Cinco minutos depois, Luis Díaz empatou ao cabecear um cruzamento de Alexander-Arnold, e Sadio Mané concretizou a virada aos 74’. A expulsão de Capoue, já no fim da partida, agravou a situação dos donos da casa, que perderam por 3 a 2.

Era o fim do sonho da final. E a volta do carma das semis. “Não deu para nós hoje à noite, mas o esforço da nossa equipe foi incrível, imenso. O primeiro gol deles nos prejudicou muito. Pagamos caro pelo enorme esforço que fizemos no primeiro tempo, quando jogamos tão bem. Caímos de rendimento fisicamente após o intervalo e pagamos o preço por isso”, comentou o defensor Raúl Albiol no pós-jogo. Na decisão, o Liverpool acabou perdendo para o Real Madrid por 1 a 0 e ficou com o vice.

À espera de novas façanhas

Na temporada seguinte, o Villarreal viu o técnico Unai Emery se transferir para o Aston Villa-ING, que pagou uma taxa de 6 milhões de euros para levar o treinador ao Villa Park. Os amarelos perderam também naquela temporada os goleiros Asenjo e Rulli, o lateral Estupiñan, os atacantes Boulaye Dia e Danjuma e não conseguiu repetir os grandes feitos das épocas anteriores, apesar de subir dois degraus em La Liga e terminar na 5ª colocação. O Submarino segue competitivo no futebol espanhol, mas ainda não conseguiu repetir em competições continentais os feitos de 2021 e 2022, que seguem intactos na memória do torcedor, que pôde, depois de tantas décadas, celebrar um título e ver seu clube em um dos maiores degraus do futebol europeu. Um esquadrão imortal.

Os personagens:

Rulli: cria do Estudiantes-ARG, o goleiro chegou ao futebol europeu em 2014 e foi contratado pelo Villarreal em 2020. Com bom senso de colocação, fez grandes jogos pelo clube e virou um dos heróis da campanha do título europeu ao defender o pênalti derradeiro de David De Gea. Permaneceu no Submarino até 2023, quando se transferiu para o Ajax. Esteve no grupo da seleção argentina campeã do mundo em 2022. Disputou 79 jogos pelo Villarreal.

Asenjo: jogou de 2014 até 2022 no Villarreal e foi uma das principais escolhas para a posição. Sob o comando de Unai Emery, acabou sendo o goleiro do Campeonato Espanhol, enquanto Rulli era o escolhido para as competições europeias. Alcançou 258 jogos pelo Submarino e se transferiu para o Valladolid, seu clube de origem, em 2022.

Foyth: defensor muito talentoso, capaz de jogar como zagueiro ou lateral pela direita, Foyth chegou ao Villarreal em 2020, por empréstimo, e acabou sendo contratado em definitivo na temporada seguinte, principalmente por conta do título da Liga Europa, competição na qual ele atuou em 10 jogos. Foi convocado constantemente para a seleção argentina no período e esteve no grupo campeão do mundo em 2022.

Raúl Albiol: o experiente zagueiro, presente na geração multicampeã da Espanha de 2008-2012, chegou ao Villarreal em 2019 e rapidamente se transformou em uma das referências defensivas da equipe. Soberano na grande área e um líder, foi essencial naquela caminhada vitoriosa da Liga Europa e nas grandes campanhas do Submarino tanto em La Liga quanto na UCL. Disputou 201 jogos pelo Villarreal no período e marcou 4 gols, dois deles na campanha continental de 2020-2021.

Pau Torres: outro zagueiro muito talentoso e que leva perigo nas jogadas aéreas de ataque, Pau Torres fez fama exatamente no Villarreal (clube que o revelou) entre 2016 e 2023. Com 173 jogos e 12 gols, o defensor fez uma ótima dupla de zaga com Albiol e foi uma peça importantíssima para o esquema de jogo do técnico Unai Emery, tanto é que o treinador conseguiu levar o zagueiro ao Aston Villa em 2023-2024, reeditando a parceria vencedora no clube inglês, campeão da Liga Europa de 2025-2026.

Pedraza: lateral-esquerdo com boa presença de ataque e capaz de jogar também como ponta-esquerda, Pedraza passou por todas as categorias de base do Villarreal e chegou ao time principal em 2015. Depois de alguns empréstimos, retornou em 2018-2019 e figurou entre os principais jogadores do elenco, com destaque para seus 44 jogos na época 2020-2021, sendo 12 deles na campanha do título da Liga Europa. Deixou o Villarreal em 2026 para jogar na Lazio.

Estupiñán: lateral-esquerdo eficiente no apoio ao ataque e muito rápido, o equatoriano despontou na LDU em 2015 e já em 2016 se transferiu para o futebol europeu. O sul-americano chegou ao Villarreal em 2020 e alternou jogos como titular e reserva durante as trajetórias na Liga Europa e na UCL (esta com mais destaque, pois jogou 10 partidas). Deixou a Espanha em 2022 para jogar no Brighton-ING.

Alberto Moreno: velho conhecido do técnico Emery, que o treinou no Sevilla campeão da Liga Europa de 2014, o lateral Alberto Moreno jogou de 2019 até 2024 no Villarreal e teve destaque na temporada 2021-2022, quando atuou em 35 jogos e marcou seis gols, um deles na campanha da UCL. Após 124 jogos e 8 gols, deixou o Villarreal em 2024 para jogar no Como-ITA, destaque na Serie A italiana de 2025-2026 ao terminar o torneio na 4ª colocação.

Parejo: o volante revelado pelo Real Madrid teve a grande chance de demonstrar seu futebol no Valencia por quase uma década até se transferir para o Villarreal em 2020, onde manteve a boa fase e virou titular absoluto da equipe. Com categoria nos passes, bom senso de colocação e visão de jogo, fez grandes jogos e foi um ícone do meio de campo dos amarelos principalmente na campanha do título da Liga Europa. Virou ídolo da torcida e alcançou os 270 jogos e 17 gols entre 2020 e 2026.

Capoue: meio-campista experiente com boas passagens pelo Toulouse-FRA e Watford-ING, Capoue chegou em janeiro de 2021 ao Villarreal e teve tempo de integrar o elenco campeão da Liga Europa daquele ano. Fez uma final brilhante contra o Manchester United e foi eleito o melhor jogador da decisão. Muito forte na marcação e nos desarmes, fez uma dupla de destaque com Parejo meio de campo do Submarino. Foram 148 jogos e 12 gols pelo Villarreal entre 2021 e 2024.

Trigueros: outra cria das bases, jogou no Villarreal de 2012 até 2024 e é o jogador que mais vestiu a camisa amarela na história: 477 jogos, com 38 gols marcados. Com muita regularidade e disposição, foi outro jogador que simbolizou a garra e perseverança do VIllarreal naquela época. Compôs um ótimo meio de campo com Parejo e Capoue na trajetória vencedora da Liga Europa da UEFA. Em 2024, foi jogar no Granada.

Coquelin: o francês chegou na temporada 2020-2021 ao Villarreal e conseguiu espaço no meio de campo do time de Emery. Alternou jogos como titular e reserva e revezou com Trigueros no setor. Tinha papel decisivo nas jogadas defensivas e na recuperação da bola, além de ser bom marcador. Foram 107 jogos e seis gols pelo Submarino entre 2020 e 2024. 

Álex Baena: outra cria das bases, o meia estreou nos profissionais do clube em 2019-2020 e entrou em algumas partidas da temporada 2020-2021. Marcou dois gols em nove jogos na Liga Europa e ajudou na trajetória do título invicto. Após ser emprestado ao Girona na época 2021-2022, retornou em 2022-2023 e virou titular absoluto até ser contratado pelo Atlético de Madrid e entrar de vez no rol de convocados da seleção da Espanha, pela qual venceu a Eurocopa de 2024 e a Copa do Mundo de 2026. Pelo Villarreal, Baena disputou 148 jogos e marcou 26 gols.

Gerard Moreno: lenda do Villarreal e revelado pelo clube lá em 2012, Gerard Moreno se transformou no maior artilheiro da história do Submarino Amarelo com 130 gols em 321 jogos somando suas duas passagens pelo clube – 2012-2015 e 2018-atual. Foi o grande homem-gol da equipe na campanha do título da Liga Europa de 2020-2021 com 7 gols em 12 jogos e uma referência ofensiva que correspondia sempre que o time precisava. Aliás, naquela temporada, Moreno anotou 30 gols em 46 jogos e foi um dos maiores artilheiros do futebol espanhol na época – em La Liga, ele foi o vice-artilheiro com 23 gols, atrás apenas de Lionel Messi, autor de 30 gols naquele ano. Sem dúvida, um ídolo da torcida em Castellón.

Carlos Bacca: outro jogador que já havia trabalhado com Emery no Sevilla e bicampeão da Liga Europa em 2014 e 2015, Bacca disputou 35 jogos na temporada 2020-2021 e marcou 9 gols, três deles na campanha do título da Liga Europa. Ofuscado por Gerard Moreno, não foi o mesmo goleador dos tempos de Sevilla nem repetiu os números de suas duas primeiras temporadas no Submarino (2017-2018 e 2018-2019), mas deixou sua marca. Em 2021-2022, foi jogar no Granada.

Paco Alcácer: atacante com boa passagem pelo Valencia, Paco Alcácer foi jogar no Villarreal em 2020 e permaneceu até 2022. No período, fez bons jogos e marcou gols decisivos – foram seis na campanha do título europeu de 2021, apenas um a menos do que Gerard Moreno. Foram 76 jogos e 21 gols pelo Villarreal até se transferir para o futebol dos Emirados Árabes Unidos.

Boulaye Dia: o atacante permaneceu apenas uma temporada no clube e fez alguns bons jogos na Liga Europa, mas acabou não correspondendo como o esperado. Por isso, foi jogar na Salernitana-ITA já na época seguinte.

Danjuma: o atacante holandês veio para substituir Carlos Bacca e se transformou na referência ofensiva do Villarreal na época 2021-2022, sendo artilheiro do time em La Liga (10 gols) e na temporada (16 gols). Jogando pela esquerda e também centralizado no ataque, conseguia confundir a marcação com inteligência e demonstrou muito oportunismo em diversas oportunidades. Foram seis gols em 11 jogos na campanha do Submarino até a semifinal da UCL. Fez falta no duelo decisivo contra o Liverpool.

Yéremy Pino: outra cria do clube, o atacante começou a jogar nos profissionais em 2020 e foi cravando seu espaço alternando jogos como titular e como suplente que entrava no decorrer das partidas. Marcou sete gols em 37 jogos na época 2020-2021 e teve mais chances nas épocas seguintes, o que fez ele entrar no radar da seleção espanhola. Em 2025, foi jogar no Crystal Palace, pelo qual venceu a Liga Conferência da UEFA em 2025-2026. Esteve no elenco campeão do mundo da Espanha na Copa de 2026.

Chukwueze: o nigeriano podia jogar em várias posições no ataque e foi um coringa muito importante para o Villarreal não só naquela era de ouro, mas também nas temporadas anteriores. Com velocidade e bons passes, levou muito perigo aos rivais e criou grandes jogadas ofensivas, além de marcar alguns gols. Foram 37 gols em 207 jogos com a camisa amarela até se transferir para o Milan em 2023.

Fer Niño: o atacante de 1,91m estreou nos profissionais do Villarreal em 2020 e teve algumas chances no time titular, mesmo com a concorrência de Gerard Moreno e Bacca. Marcou dois gols em cinco jogos na campanha do título da Liga Europa, mas perdeu espaço na temporada seguinte e acabou emprestado ao Mallorca.

Lo Celso: meia de muito talento e visão de jogo, Lo Celso chegou por empréstimo ao Villarreal em 2022 e deu ainda mais qualidade ao meio de campo da equipe espanhola. Foram apenas 22 jogos, mas suficientes para ajudar o Submarino a alcançar a semifinal da UCL. O argentino permaneceu até novembro de 2023, quando retornou ao Tottenham.

Unai Emery (Técnico): se Emery não conseguiu títulos no Arsenal, no Villarreal ele provou sua estrela com uma trajetória impressionante e invicta até o título da Liga Europa de 2021, competição que o treinador possui uma simbiose impressionante. Com uma equipe muito organizada defensivamente e perigosa no ataque, transformou o Villarreal em um time copeiro e que batalhou de igual para igual contra titãs na Liga dos Campeões da UEFA de 2021-2022, quando só foi parado pelo Liverpool de Klopp. Após deixar o clube, conduziu o Aston Villa ao título da Liga Europa de 2025-2026 e alcançou sua 5ª taça da competição, um recorde. Pelo Villarreal, Unai Emery registrou 129 jogos, 65 vitórias, 34 empates e 30 derrotas.

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Sistema de Sementes e Hashes: Comprovação Matemática de Imparcialidade no Brasil

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A tecnologia Comprovadamente Justa usa criptografia e aleatoriedade. Cada resultado de jogo é verificável. No cassino online, os jogadores podem conferir os resultados de cada rodada. O operador não pode manipular os resultados.

Baseia-se na transparência do blockchain e permite verificar a imparcialidade de cada aposta. Substitui a confiança cega por uma prova matemática, que pode ser verificada por qualquer pessoa no online cassino Brasil.

O Que é Tecnologia Comprovadamente Justa?

Esta tecnologia permite que jogadores de cassino online confiram os resultados sem pedir ajuda a terceiros. O método usa criptografia para garantir a aleatoriedade dos resultados dos jogos e impedir manipulação. Os jogos usam sementes de servidor, sementes de cliente, hashes, nonces e ferramentas de verificação.

A tecnologia teve origem nos cassinos cripto, onde a verificação independente é comum. Atualmente, cassinos sem cripto também utilizam a tecnologia como padrão para confirmar e auditar jogos. A tecnologia assegura a justiça dos resultados porque impede a interferência do cassino ou do provedor. O processo de verificação comprova que o resultado não foi alterado, mas não garante a vitória do usuário.

História e Origem da Tecnologia

O conceito de jogo justo começou em 2012. Naquele ano, o SatoshiDice foi o primeiro site de apostas que usou essa tecnologia no blockchain do Bitcoin. Os desenvolvedores do SatoshiDice usaram transações feitas na cadeia para processar apostas e verificar os resultados. No auge, o SatoshiDice gerou cerca de metade de todas as transações de Bitcoin.

Em abril de 2012, Erik Voorhees lançou o SatoshiDice. O sistema usa o ID da transação do jogador junto com um segredo do servidor. Com esses dois dados, ele gera um número de 0 a 65.535. Se esse número estiver dentro da faixa vencedora definida pelo endereço escolhido, o jogador recebe o pagamento.

Entre 2014 e 2016, cresceram os sites de dados que usavam Bitcoin. PrimeDice e JustDice usaram essa tecnologia. Depois de 2016, desenvolvedores aplicaram os princípios de verificação a outros jogos. Cassinos cripto passaram a usar métodos criptográficos em jogos crash, de multiplicadores, slots e cartas.

Componentes Técnicos Principais

O funcionamento usa três variáveis que trabalham juntas para produzir resultados verificáveis: Semente do Servidor, Semente do Cliente e Nonce. O servidor do cassino gera a Semente do Servidor antes do início da sessão e mantém essa semente oculta. A Semente do Servidor confirma que o cassino se compromete com uma sequência de resultados. Antes de revelar a Semente do Servidor ao jogador, o cassino a converte em hash e mostra apenas o hash. Assim, o cassino não consegue trapacear porque se compromete com a Semente do Servidor por meio do hash antes de saber qual será a Semente do Cliente. A Semente do Cliente identifica o navegador e pode ser alterada pelo jogador. O Nonce é um contador que registra o número de jogadas feitas pelo usuário.

  • Semente do Servidor (Server Seed)
  • Semente do Cliente (Client Seed)
  • Nonce (Contador Sequencial)

Processo de Funcionamento

Em cada rodada, o sistema gera um hash antes de mostrar o resultado. O jogador pode usar esse hash depois para confirmar que ninguém alterou o resultado.

  1. O cassino usa uma semente do servidor. Em seguida, aplica SHA-256 nessa semente. Isso gera um hash.
  2. O cassino exibe esse hash ao jogador antes da aposta, comprometendo-se com sua semente sem revelá-la.
  3. O jogador pode fornecer uma semente ao cliente ou aceitar a semente enviada pelo cliente. Se preferir, pode alterar a semente para qualquer sequência.
  4. Agora, o resultado está bloqueado. O cassino não pode alterar a semente do servidor neste momento.
  5. Um algoritmo criptográfico processa os dados em conjunto. O resultado desse processamento determina o fim do jogo.
  6. Quando a rodada termina, o cassino mostra o valor. O jogador percebe que o resultado já estava definido anteriormente. Nenhuma alteração ocorreu depois da definição do resultado.
  7. O jogador pega a semente do servidor. Em seguida, usa a semente do cliente e o nonce de uma rodada anterior. Com esses dados, ele executa o cálculo HMAC-SHA-256.
  8. O resultado deve ser igual ao que está no histórico do jogo. Assim, o usuário pode comprovar a imparcialidade.

Algoritmo HMAC-SHA-256

A maioria dos sistemas que utiliza essa tecnologia emprega o HMAC-SHA-256. O HMAC-SHA-256 usa a semente do servidor como chave e combina-a com a semente do cliente e o nonce como mensagem. O cassino participa por meio da semente do servidor, enquanto o jogador contribui com a semente do cliente e o nonce; juntos, esses elementos influenciam o resultado aleatório.

A fórmula é HMAC-SHA256(semente_servidor, semente_cliente:nonce:rodada). O hash de saída é convertido deterministicamente em um resultado específico do jogo. Em jogos de dados, o resultado é mapeado para um número entre 0 e 99,99. Em jogos crash, o resultado é mapeado para um multiplicador. SHA-256 é uma função criptográfica unidirecional: qualquer entrada pode ser convertida instantaneamente em um hash, mas o hash não pode ser revertido para descobrir a entrada original. Muitos jogos usam SHA-256 para proteger resultados. O algoritmo SHA-256 também é usado no Bitcoin. Quebrar o SHA-256 é considerado inviável sem um poder computacional inimaginável. Em 2026, Stake, BGaming e Shuffle usam esse padrão.

Como Verificar Resultados de Jogos?

A principal vantagem da aleatoriedade justa é permitir a verificabilidade dos resultados: qualquer pessoa pode verificar os resultados a qualquer momento usando uma ferramenta de verificação de terceiros ou um recurso integrado ao aplicativo.

Para verificar uma aposta, o usuário acessa a aba “Detalhes da Aposta” ou “Imparcialidade” no site do cassino. O usuário precisa coletar três dados: Semente do Servidor Revelada, Semente do Cliente e Nonce. A Semente do Cliente pode ser uma chave que o navegador gera ou uma sequência que a pessoa digita. O Nonce indica o número daquela aposta dentro da sessão, podendo ser 1, 2 ou 3. A Semente do Servidor Revelada é a chave do cassino. O usuário vê essa informação depois de fazer a rotação do par de sementes ou ao solicitar a revelação manual.

Os cassinos online que usam esses jogos mostram na página os dados da semente, do hash e do resultado. O jogador pode aplicar SHA-256 à semente do servidor divulgada. Se fizer isso, deve achar o Hash da Semente do Servidor que estava disponível antes de a rodada começar. Quando os dois hashes batem, o jogador confirma que a rodada foi justa. Se não batem, algum operador do cassino mudou o resultado. Em 2026, a Fundação Crypto Gambling lançou um texto sobre integridade nos jogos cripto. O texto mostra que menos de 3% dos jogadores conferem os resultados das sessões. Assim, 94% das melhores plataformas de cassino online incluem a ferramenta de verificação.

Qual a Diferença Entre Provably Fair e RNG Tradicional?

Nos cassinos online, os jogadores consideram o licenciamento, os provedores de software, os laboratórios de testes e a reputação do cassino ao tomar decisões. Em cassinos com essa tecnologia, o jogador pode verificar os resultados dos jogos por meio de dados criptográficos.

Cassinos tradicionais dependem de um Gerador de Números Aleatórios (RNG) para garantir a imparcialidade. Os sistemas de RNG geralmente são certificados por auditores terceirizados ou independentes. O jogador não vê o processo de verificação e precisa confiar nas declarações do cassino. Um cassino convencional só consegue comprovar sua imparcialidade trabalhando com um auditor independente, e o jogador precisa confiar que o auditor realizou seu trabalho corretamente.

Um cassino que utiliza tecnologia justa adota blockchain. O registro das transações é público e não existe controle centralizado. Não são necessários intermediários. O jogador valida a sessão de jogo. Alguns jogos que utilizam essa tecnologia têm vantagem da casa inferior a 1%. Os slots têm vantagem da casa de 3% a 5%. Os jogadores jogam 40% mais tempo nesses jogos do que nos slots.

Jogos Disponíveis com Esta Tecnologia

Em 2025, a auditoria justa tornou-se mais direta para títulos originais e internos que usam regras simples. A linha BC Originals conta com mais de 30 jogos exclusivos que utilizam essa tecnologia. Cada rodada de dados gera um resultado aleatório, que o jogador pode verificar nos dados criptográficos. O processo não exige etapas adicionais. Nas mesas de roleta automatizadas, o sistema impede a manipulação do número sorteado, e após cada giro, o jogador pode visualizar o resultado. Os jogos crash utilizam uma cadeia de hashes, que modifica esse método. As equipes Turbo Games, Spribe, InOut e BGaming continuam testando os limites dessa tecnologia, inclusive em slots justos.

  • Crash;
  • Mines;
  • Tower;
  • Hilo;
  • Plinko;
  • Limbo;
  • Coin Flip;
  • Roleta;
  • Dados.

Mercado Brasileiro e Adoção

O mercado de jogos no Brasil mudou em 2025. Em 1º de janeiro, sites com licenças oficiais começaram a operar dentro da lei. A regulamentação federal entrou em vigor. O governo legalizou apostas esportivas e jogos de cassino online. A Secretaria de Prêmios e Apostas, órgão do Ministério da Fazenda, supervisiona todas as operações.

Em 2024, o setor de cassinos no Brasil movimentou cerca de R$ 15 bilhões. Esse valor aumentou mais de 30% em relação a 2023, segundo estimativa da H2 Gambling Capital. O governo criou o sistema de licenciamento em 1º de janeiro de 2025. Depois dessa data, o Brasil teve cerca de 17 milhões de jogadores ativos. No fim de 2025, esse número passou de 25 milhões.

Em fevereiro de 2025, o órgão responsável autorizou 49 operadores. Cada operador licenciado pode usar até três marcas. No Brasil, pessoas usam o celular para acessar mais de 98% dos sites de apostas. Em cassinos no país, usuários fazem mais de 70% das transações com Pix.

Dados do Setor em Números

Em 2024, o setor de cassinos online gerou cerca de US$ 57 bilhões. Para 2025, especialistas esperam um aumento e projetam mais de US$ 63 bilhões no próximo ano. Para 2033, a previsão é maior. O valor pode chegar a US$ 141 bilhões, com crescimento anual acima de 10%. Donos de cassinos que usam verificação justa mostram dados e relacionam a tecnologia ao comportamento dos jogadores.

Jogos crash e jogos justos devem crescer mais rápido do que outras categorias em cassinos cripto e híbridos em 2026. Essas duas categorias têm crescimento anual de 34% no número de usuários ativos mensais. Usuários de dispositivos móveis vão gerar 60% da receita dos cassinos online em 2025. Jogos mini de cassino aumentam a frequência das sessões em 45% quando comparados aos slots tradicionais. Para criar esses jogos mini, desenvolvedores usam entre US$ 15.000 e US$ 50.000.

Em dezembro de 2023, o Brasil tinha cerca de 9,8 milhões de usuários ativos por mês. Em julho de 2025, esse total passou de 13 milhões. Especialistas afirmam que, até dezembro de 2025, o mercado Brasileiro vai ultrapassar R$ 21 bilhões.

Conclusão

No mercado Brasileiro, o setor de cassinos online cresce. A tecnologia Justa traz transparência para os cassinos online. Jogadores usam métodos criptográficos para checar a imparcialidade de cada rodada, sem depender de terceiros. Essa ferramenta muda a relação entre cassino e usuário.

Jogos Eternos – Iugoslávia 5×5 URSS 1952

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Data: 20 de julho de 1952

O que estava em jogo: uma vaga nas quartas de final do Futebol nos Jogos Olímpicos de Helsinque-1952.

Local: Ratina Stadion, Tampere, Finlândia.

Árbitro: Arthur Ellis (GRB)

Público: 17.000 pessoas

Os Times:

Iugoslávia: Beara; Stankovic e Crnkovic; Cajkowski, Horvat e Boskov; Ognjanov, Mitic, Vukas, Bobek e Zebec. Técnico: Milorad Arsenijević.

URSS: Ivanov; Krizhevski e Bashashkin; Nirkov, Petrov e Netto; Trofimov, Nikolaiev, Bobrov, Mariutin e Beskov. Técnico: Boris Arkadyev.

Placar: Iugoslávia 5×5 URSS. Gols: Mitic-IUG, aos 29′, Ognjanov-IUG, aos 33′ e Zebec-IUG, 44′ do 1º T. Bobek-IUG, aos 1′, Bobrov-URSS, aos 8′, Zebec-IUG, aos 14′, Trofimov-URSS, aos 30′, Bobrov-URSS, aos 32′ e 42′ e Petrov-URSS, aos 44′ do 2º T.

 

“O show pirotécnico de gols que guarda uma das maiores tensões que o futebol já viveu”

Por Leandro Stein

O futebol olímpico não costuma ser valorizado como deveria em suas primeiras edições após a Segunda Guerra Mundial. Se o amadorismo atravancava muitos países que já haviam adotado o profissionalismo décadas antes, ainda assim a competição poderia apresentar esquadrões de outras nações. Foi o que aconteceu em 1948, com a Suécia, ou quatro anos depois, com a Hungria. As Olimpíadas não deixavam de ser uma mostra daquilo que poderia se tornar tendência nos anos seguintes. E, em tempos nos quais os clubes dos países comunistas eram oficialmente amadores, seus grandes craques se destacavam no campeonato olímpico.

Os Jogos de Helsinque, em 1952, consagraram os Mágicos Magiares. Além de amistosos históricos e uma revolução na Copa do Mundo de 1954, o ouro acaba sendo o grande título da geração de Ferenc Puskás. No entanto, havia também uma concorrência pesada pelas medalhas. E o melhor exemplo disso fica exposto pelas oitavas de final, em encontro precoce de Iugoslávia e União Soviética, duas forças da época. É hora de relembrar o tenso Iugoslávia 5×5 URSS 1952.

Pré-jogo

Medalha de prata em 1948, os iugoslavos tentavam dar um passo além, com uma geração talentosa. Já os soviéticos viam o embrião de sua seleção eclodir, na estreia da equipe vermelha em uma competição internacional, após anos inativa. Em tempos de renascimento aos grandes clubes locais, alguns com origem anterior à Segunda Guerra Mundial, a Iugoslávia tinha a sua base formada por croatas. Dos 11 titulares, sete eram croatas, além de quatro com outras origens étnicas – entre estes, o sérvio Vujadin Boskov, ponta direita talentoso; o sérvio Rajko Mitic, atacante que marcou tanta época no Estrela Vermelha que hoje dá nome ao estádio do clube; e o bósnio Branko Stankovic, conhecido como ‘Embaixador’, defensor de muita imponência. De qualquer maneira, a maioria dos protagonistas daquele time era croata.

A começar pelo goleiro Vladimir Beara, “o bailarino com mãos de aço”, considerado pelo próprio Lev Yashin como melhor do mundo. Mais à frente, Zlatko Cajkovski se impunha pelo físico, mas também pela inteligência e pela técnica acima da média para um defensor. Na contenção, Ivica Horvat, capitão da seleção e grande emblema do Dínamo Zagreb. Pela esquerda, Branko Zebec era um canhoto versátil, que podia jogar como lateral ou ponta, dono de um preparo físico impressionante e também com capacidade para contribuir ao ataque. Stjepan Bobek servia de armador ao time, dono de uma visão de jogo invejável e de muita habilidade, a ponto de Ferenc Puskás dizer que sua técnica com a bola era “inigualável” e que tentava copiá-lo. Por fim, outro nome digno de nota era o de Bernard Vukas, ponta com faro de gol e dribles estonteantes, eleito em 2000 o melhor jogador croata do século XX.

Foto: Behance.net
 

A União Soviética, por sua vez, baseava-se no futebol de Moscou. Dos 15 jogadores que entraram em campo ao longo do torneio, apenas quatro não eram dos clubes moscovitas – dois deles, georgianos, os únicos do grupo que não nasceram na Rússia. A convocação levou em conta o momento do futebol local, já que a seleção acabara de ser formada. As partidas nas Olimpíadas de Helsinque foram as primeiras da União Soviética desde a década de 1930, servindo como passos iniciais à equipe nacional. Alguns atletas, de qualquer maneira, aproveitaram a oportunidade para se firmar rumo às competições seguintes.

A defesa contava com Anatoli Bashashkin, jogador que combinava habilidade e força física, importante na conquista do ouro olímpico quatro anos depois. Um dos grandes ídolos do Spartak Moscou e herói em outras participações soviéticas, Anatoli Ilyin despontava como um jovem talento. O meio tinha a influência de Igor Netto, jogador de muito dinamismo e versatilidade, que ajudava na contenção, mas tinha sua mentalidade ofensiva e, principalmente, sua liderança. Não à toa, eternizou-se como capitão da URSS que conquistou a Euro em 1960. 

Igor Netto, craque da URSS
 

Já estrelando a equipe, uma lenda de múltiplas facetas: Vsevolod Bobrov, dono da braçadeira na ocasião. O atacante era venerado no CSKA Moscou e foi artilheiro do Campeonato Soviético por duas vezes. Mas sua capacidade atlética permitia que, acima de um grande futebolista, fosse um dos melhores da história do hóquei sobre o gelo. Não à toa, foi considerado o terceiro maior esportista russo no Século XX, atrás de Lev Yashin e do lutador Alexander Karelin. De tão lendário, hoje dá o nome a uma das divisões da KHL, a liga local de hóquei no gelo.

Soviéticos e iugoslavos tiveram inícios diferentes no torneio olímpico de futebol em 1952. Nos 16-avos de final, a Iugoslávia não teve problemas para avançar, ao ser beneficiada pelo sorteio. Pegou a Índia e goleou por 10 a 1, com destaque aos quatro gols de Branko Zebec. Já a União Soviética suou um pouco mais, dependendo da prorrogação para superar a Bulgária por 2 a 1. Então, viria o duelo pelas oitavas de final. Um confronto que ganhou conotações muito além das quatro linhas.

Rajko Mitic, lenda iugoslava.
 

Desde o final da década anterior, soviéticos e iugoslavos haviam rompido relações. O orgulho nacional de Josip Broz Tito pesou e ele não aceitou fazer de seu país um mero satélite da URSS, peitando Joseph Stalin. Outras questões, como a posse iugoslava de territórios italianos em litígio e a Guerra Civil Grega, colocaram os dois estadistas de lados opostos. Em 1948, uma troca de cartas, escancarando o conflito ideológico e aludindo aos feitos militares na Segunda Guerra Mundial, acabou por marcar a cisão. Não à toa, antes da partida na Finlândia, tanto a seleção da Iugoslávia quanto a seleção da União Soviética receberam telegramas assinados por Tito e Stalin.

Havia mesmo o rumor de que os jogadores não poderiam se cumprimentar na entrada em campo. Alexander Shelepin, líder da juventude comunista e futuro chefe da KGB, foi quem visitou o vestiário da União Soviética para instruir os jogadores. Em sua biografia, o goleiro Leonid Ivanov escreveu: 

“Ninguém falava sobre táticas ou futebol, apenas sobre política. Era como se estivéssemos prestes a batalhar, não a jogar futebol. Ouvi de meus companheiros que éramos gladiadores, que o jogo se tornava questão de vida ou morte”. Um sentimento compartilhado entre os iugoslavos, como relembrou o goleiro Vladimir Beara: “Sabíamos que todo o país nos aguardava, havia uma tensão. Eram várias cartas que chegavam do país. Nós nos encorajamos, sabíamos que isso não era necessário”. 

Antes da entrada em campo, Zlatko Cajkovski afirmou: “Para as pessoas no país, ou nos tornamos heróis, ou nos tornamos covardes”. Dois times de qualidade prestes a jogar por seus futuros, sem saber o que aconteceria diante da derrota.

A partida: do passeio iugoslavo ao heroísmo soviético

O tenso jogo aconteceu no Estádio Ratina, em Tampere, diante de 17 mil torcedores. Nas arquibancadas, líderes comunistas finlandeses apareciam com a camisa vermelha da União Soviética. Durante o primeiro tempo, a Iugoslávia parecia pronta a um show. Mitic, Ognjanov e Zebec anotaram três gols aos balcânicos, que significava enorme alívio. Do outro lado, na saída aos vestiários, o clima de temor tomou os soviéticos. O goleiro Ivanov chegou a chorar, em meio aos gritos da comissão técnica para pressionar os jogadores, temerosas das represálias durante o retorno para casa. Seria o capitão Bobrov quem tomou as rédeas e levantaria o moral de seus companheiros para a segunda etapa. Não que tenha adiantado muito, de imediato. Logo na volta do intervalo, Bobek fez o quarto. E quando Bobrov descontou, Zebec anotaria o quinto.

Iugoslávia 5×5 URSS 1952

O relógio passava e os 5 a 1 se estenderam até os 30 minutos do segundo tempo, quando uma reação soviética parecia impossível. Só parecia. “Um medo terrível nos tomou. Eu sequer sabia como, mas começamos a jogar loucamente. Sentimos que os iugoslavos estavam sucumbindo. Jogamos acima de nossas forças, de nossas capacidades e de nosso conhecimento”, relatou Igor Netto. Trofimov anotou o segundo neste momento, aos 30’. Bobrov, impossível de ser marcado, fez o terceiro e o quarto. O relógio apontava 42’ e a pressão da URSS era incessante. Até que Petrov se tornasse o herói, decretando o empate por 5 a 5, restando um minuto para o fim.

“Houve um eclipse. Caímos totalmente. Não sei como aconteceu, estávamos relaxados, abatidos, mortos. Eu acho que aconteceu de tudo um pouco, mas não podíamos reagir. Talvez fosse mais fácil para a gente se a goleada não fosse tão grande, não nos desligaríamos tanto. O que dizer diante do que aconteceu?”, refletiu Bobek, tempos depois, sobre a postura da Iugoslávia.

Ainda haveria uma prorrogação a se disputar. Os dois times estavam completamente exaustos, o que quebrou o ritmo do jogaço. Ainda assim, os soviéticos ficaram mais próximos da virada. Nos últimos instantes do tempo extra, um chute passou pelo goleiro Beara e tomou o caminho das redes iugoslavas, mas o árbitro apitou o fim da partida antes do desfecho da jogada. “Quando vi a bola indo em direção ao gol, não podia falar uma palavra. Perdi a voz”, declarou Radivoje Markovic, radialista de Belgrado que cobria o duelo.

“Tampere entrou para o hall da fama do futebol. No primeiro tempo, a Iugoslávia jogou uma partida perfeita, tudo correu como planejado. Um comentarista da rádio de Estocolmo descreveu a Iugoslávia como uma demonstração virtuosa de habilidade no futebol, algo grandioso, memorável. Mas no segundo tempo, faltou sorte”, analisou o jornal iugoslavo Narodni, na época, minimizando o que fizeram os soviéticos.

Jogo extra: Alívio iugoslavo

O reencontro de ambas as equipes aconteceu dois dias depois, na mesma cidade de Tampere. Bobrov voltou a causar o pavor nos iugoslavos, ao abrir o placar. No entanto, com meia hora de jogo, Mitic e Bobek já tinham virado. Durante o segundo tempo, coube a Cajkovski decretar a vitória por 3 a 1, garantindo os iugoslavos nas quartas de final. “Nunca senti um alívio tão grande em minha vida. Estávamos todos aliviados, por nós mesmos, mas também pelas pessoas que esperavam nosso triunfo”, apontou Bobek. Na sequência da competição, os iugoslavos ainda fariam um 5 a 3 contra a Dinamarca e derrotariam a Alemanha por 3 a 1. Não resistiram à Hungria na final, com a vitória por 2 a 0, gols de Puskás e Czibor.

O preço maior da derrota em Tampere seria pago pelo CSKA Moscou. O clube do exército era a base da seleção e ficou marcado pelo revés. Como punição, o estado soviético dissolveu o departamento de futebol clube e a direção foi convocada para prestar esclarecimentos ao Comitê de Esportes da URSS. Os resultados da equipe no Campeonato Soviético de 1952 foram anulados e os jogadores terminariam se transferindo, redistribuídos aos outros times dos país. 

Os mágicos húngaros, ovacionados após o ouro sobre a Iugoslávia. Mihaly Lántos, Peter Palotas, Zoltan Czibor, Jozsef Bozsik, Gyula Lorant, Jozsef Zakariás, Gyula Grosics, Sandor Kocsis, Nandor Hidegkuti, Ferenc Puskás e Jeno Buzanszky.
 

A retomada das atividades aconteceu de maneira paulatina, a partir de 1953. “Éramos reféns de uma situação, em um período tenso”, avaliou Bobrov, tempos depois. O craque faria apenas mais algumas partidas pelo Spartak Moscou depois disso, sem prosperar nos gramados. Dedicou-se totalmente ao hóquei, campeão olímpico nos Jogos de Inverno de 1956. Enfim, reconhecido como o herói nacional que era.As duas seleções, de qualquer maneira, dariam seus frutos. Três jogadores da União Soviética participaram da conquista do ouro em Melbourne, durante as Olimpíadas de 1956, enquanto Igor Netto simbolizou uma geração vitoriosa ao país. Já a Iugoslávia se manteve com um time forte, vice dos soviéticos em 1956 e também na Euro 1960, além de chegar aos mata-matas da Copa do Mundo em 1954, 1958 e 1962.

Daquele timaço que superou a URSS, alguns jogadores importantes completariam o final de suas carreiras na Europa Ocidental. Depois da aposentadoria, se tornariam técnicos que marcaram época nas grandes ligas, como Boskov, Zebec e Cajkovski. Um dos maiores legados do esquadrão que venceu também as ameaças.

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Craque Imortal – Diego Forlán

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Diego Forlán Uruguai 2010
Foto: Joern Pollex / Getty Images

Nascimento: 19 de maio de 1979, em Montevidéu, Uruguai.

Posição: Atacante

Clubes: Independiente-ARG (1997-2002), Manchester United-ING (2002-2004), Villarreal-ESP (2004-2007), Atlético de Madrid-ESP (2007-2011), Internazionale-ITA (2011-2012), Internacional-BRA (2012-2014), Cerezo Osaka-JAP (2014-2015), Peñarol-URU (2015-2016), Mumbai City-IND (2016) e Kitchee-HKG (2018).

Principais títulos por clubes:

  • 1 Campeonato Inglês (2002-2003), 1 Copa da Inglaterra (2003-2004) e 1 Supercopa da Inglaterra (2003) pelo Manchester United.
  • 1 Liga Europa da UEFA (2009-2010) e 1 Supercopa da UEFA (2010) pelo Atlético de Madrid.
  • 1 Campeonato Gaúcho (2013) pelo Internacional.
  • 1 Campeonato Uruguaio (2015-2016) pelo Peñarol.
  • 1 Campeonato de Hong Kong (2017-2018) pelo Kitchee.

Principal título por seleção: 1 Copa América (2011) pelo Uruguai.

Principais títulos individuais e Artilharias:

  • Artilheiro da Copa do Mundo da FIFA: 2010 (5 gols)
  • Artilheiro do Campeonato Espanhol: 2004-2005 (25 gols) e 2008-2009 (32 gols)
  • Artilheiro do Campeonato Gaúcho: 2013 (9 gols)
  • Bola de Ouro da Copa do Mundo da FIFA: 2010
  • Chuteira de Ouro da Europa: 2004-2005 (25 gols) e 2008-2009 (32 gols)
  • Man of the Match da final da Liga Europa da UEFA: 2010
  • Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA: 2010
  • Autor do Gol mais bonito da Copa do Mundo da FIFA: 2010
 

“El Cachavacha”

Por Guilherme Diniz

Durante muito tempo, a seleção uruguaia permaneceu em sono profundo no futebol mundial. Ficou sem disputar várias Copas do Mundo e, quando disputava, era mera figurante. Pois tudo começou a mudar quando um jogador, muito bem acompanhado de outros craques, liderou uma geração que não só recolocou a Celeste de volta a uma Copa como levou a bicampeã mundial a uma semifinal de Copa depois de 40 anos de jejum. Com cinco gols e atuações decisivas, ele viveu o auge da carreira exatamente no período do ressurgimento da seleção uruguaia de futebol. Se o título da Copa não veio, ele conseguiu levantar um troféu em 2011, quando arrasou na campanha do título da Copa América daquele ano, com direito a dois gols e uma assistência para o companheiro Luis Suárez na grande final. 

Mas não foi apenas com a camisa celeste que ele brilhou. Por clubes, despontou no Independiente e chamou a atenção de Sir Alex Ferguson, que levou o uruguaio para Old Trafford. Sem muito espaço no Manchester United, conseguiu brilhar no Villarreal, onde fez os torcedores viverem um sonho entre 2004 e 2006, com jogos espetaculares e uma campanha inesquecível na Liga dos Campeões da UEFA de 2006, quando o Submarino Amarelo chegou às semifinais. Na sequência, levantou títulos e seguiu com o faro artilheiro pelo Atlético de Madrid. Venceu nesse período duas Chuteiras de Ouro da Europa, algo raro na época. E se transformou em um dos mais talentosos atacantes do mundo.

Diego Martín Forlán Corazo, ou simplesmente Diego Forlán, foi um dos maiores atacantes da história do futebol uruguaio e um símbolo do país sul-americano. Exímio finalizador, com intensa movimentação, inteligente e criativo, Forlán era um jogador que não ficava parado lá na frente, vinha buscar o jogo e podia jogar em qualquer posição do ataque. E pensar que ele quase seguiu a carreira de tenista… É hora de relembrar.

Do tênis à tradição familiar

Filho de Pablo Forlán, notável lateral-direito com passagens de destaque pelo Peñarol, São Paulo e seleção uruguaia nos anos 1960 e 1970, e neto de Juan Carlos Corazzo, também ex-jogador e ex-treinador, Diego Forlán nasceu no distrito de Carrasco, em Montevidéu, e cresceu em uma família com raízes bascas, italianas e irlandesas. O jovem sempre levou os estudos muito à sério e frequentou diversas escolas, tanto da rede privada quanto da pública. Ele começou no Liceo Francés Jules Supervielle, em Buceo, e depois transferiu-se para a Erwy School, mais perto de sua casa. Em seguida, passou pela Scuola Italiana di Montevideo e, posteriormente, pelo Liceo 15, em Carrasco. Forlán aprendeu inglês na escola desde cedo e, quando criança, jogava tênis no Carrasco Lawn Tennis Club, além de praticar futebol, atividade que frequentemente ocorria nas ruas de seu bairro.

O jovem queria seguir carreira de tenista mesmo com o passado futebolístico de seu pai e seu avô, mas um acidente acabou mudando tudo. Em 1991, sua irmã, Alejandra, de 17 anos na época, voltava de uma festa com o namorado de madrugada quando acabaram se envolvendo em um gravíssimo acidente de carro. Na colisão, o namorado de Alejandra morreu na hora e ela sofreu ferimentos severos que acabaram deixando a jovem paraplégica. Os altos custos do tratamento levaram a família de Forlán a uma crise financeira que só foi amenizada após uma arrecadação de fundos liderada por Diego Maradona, amigo da família. 

Forlán Independiente

Pelo fato de o tênis ser um esporte mais seletivo (e caro) e inspirado pela ajuda de Maradona, Diego Forlán decidiu se dedicar ao futebol após o acidente da irmã e traçou como meta conquistar uma condição financeira que pudesse ajudar no tratamento de Alejandra. Com isso, aos 11 anos, ele começou a jogar nas categorias de base do Danúbio e do Peñarol, este seu time do coração. Aos 16 anos, o jovem ganhou a oportunidade de jogar por empréstimo no Nancy Lorraine, da França, porém, o contrato não foi efetivado e Forlán voltou para a América do Sul, mas sem parada no Uruguai, mas sim na Argentina, onde foi direto para o Independiente, após Pablo Forlán conseguiu uma vaga para o filho graças aos contatos que tinha com José Omar Pastoriza, ídolo dos Rojos e influente dentro do clube de Avellaneda.

Jogando ainda nos juvenis, Diego Forlán aprimorou os fundamentos, as finalizações e se transformou em um dos principais artilheiros da equipe, o que fez ele ganhar uma vaga no time principal já em 1998. Em outubro daquele ano, Forlán debutou com a camisa do Rojo em um duelo contra o Argentinos Juniors que terminou empatado em 1 a 1. Treinado na época por César Menotti, Forlán aprendeu muito com o lendário técnico da Argentina campeã do mundo de 1978, em especial a não se intimidar com ambientes hostis nem pressão de torcida. Isso fez com que Forlán exibisse regularmente os atributos de um atacante prototípico e uma habilidade implacável na frente do gol, embora seu histórico de gols na época estivesse longe de ser tão bom quanto o de muitos outros jovens sul-americanos estrangeiros.

Diego Forlán
Forlán celebra com a camisa do Independiente, em abril de 2000. Foto: FOTOBAIRES / La Nación
A bruxa Cachavacha, inspiração para o apelido de Forlán.

Foi no Independiente que Forlán ganhou o apelido de “Cachavacha” (ou Cacha, na forma abreviada), uma bruxa antagonista da série de desenho animado argentina “As Aventuras de Hijitus”. O apelido foi dado por Julio César Toresani e Francisco Gabriel Guerrero, que notaram a semelhança do garoto com a personagem por conta dos longos cabelos e o nariz avantajado. 

Ida à Europa e Seleção

A primeira grande temporada de Forlán pelo Independiente foi a de 2000-2001, quando marcou 20 gols em 42 jogos e brilhou no ataque do Rojo. Ele brilhou ainda no Apertura-2001 do Campeonato Argentino, no qual anotou 12 gols e foi o vice-artilheiro. Mesmo sem títulos, o uruguaio começou a despertar o interesse de outros clubes na época, entre eles o Middlesbrough-ING, que ofereceu 6,9 milhões de libras aos argentinos, cujo pagamento seria feito em 18 parcelas. A diretoria do Independiente aceitou e Forlán viajou até a Inglaterra em janeiro de 2002. Porém, antes de a negociação ser oficializada, o Manchester United entrou na parada e ofereceu o mesmo valor aos argentinos, mas em um só pagamento e com um bônus posterior. Com isso, Forlán acabou indo para Old Trafford.

“Estou muito satisfeito por Diego ter aceitado se juntar a nós. Ele é um jogador empolgante, com muito talento e um futuro brilhante pela frente. Tenho certeza de que ele terá um bom desempenho no United. Nós o observamos três vezes e acreditamos que ele tem um bom potencial: chuta bem com os dois pés, é rápido e tem um bom jogo aéreo. Aos 22 anos, ele representa uma boa perspectiva para o futuro”, comentou Alex Ferguson, lendário técnicos dos Red Devils na época, ao The Standard (ING), 22 de janeiro de 2002.

Foto: Martin Rickett

Forlán disse que tentaria “ser útil para a equipe e, se não conseguir marcar, tentarei ajudar o time a marcar”. Tempo depois, em março de 2002, o atacante foi convocado para a seleção e vestiu a camisa da Celeste pela primeira vez na carreira, quando marcou um gol na derrota por 3 a 2 para a Arábia Saudita, em amistoso disputado em Riad. Ele ainda disputou outros três amistosos e foi convocado para a Copa do Mundo daquele ano.

O Uruguai não tinha grandes pretensões no torneio e já se dava por feliz por retornar à competição depois de 12 anos de jejum (a equipe não disputou os Mundiais de 1994 e 1998). Forlán viu do banco o Uruguai perder para a Dinamarca na estreia do Grupo A por 2 a 1 e empatar sem gols com a França no segundo jogo. Na última partida, a Celeste perdia por 3 a 0 para Senegal quando o teimoso técnico Víctor Púa, que insistia em um ataque com Darío Silva e Sebastián “Loco” Abreu, decidiu colocar Forlán na volta do intervalo. 

Diouf e Forlán, no duelo entre Senegal e Uruguai.

E o atacante provou ter estrela: marcou um lindo gol de voleio e ajudou o Uruguai a arrancar um empate de 3 a 3 que por pouco não se transformou em uma virada histórica que poderia até classificar a Celeste. O resultado, porém, eliminou os sul-americanos, que terminaram com dois pontos e viram Senegal e Dinamarca avançarem à segunda fase. Preterido nas duas primeiras partidas do grupo, Forlán merecia uma vaga no ataque e a trajetória do Uruguai certamente seria outra com ele na frente, ao lado de Loco Abreu e municiado pelo meia Recoba. Mas, a partir dali, a carreira do craque mudaria para sempre. Tanto na seleção quanto por clubes.

Da decepção na Inglaterra ao estrelato na Espanha

O Manchester United do começo dos anos 2000 era um dos esquadrões mais poderosos do planeta, dominante na Premier League e que brigava com as principais forças do futebol europeu. Para Forlán, seria a chance de ouro na carreira e a vitrine máxima para a fama. Porém, o uruguaio sofreu demais para conseguir tempo de jogo em um time que tinha Ruud van Nistelrooy e Ole Gunnar Solskjær claramente à frente dele na hierarquia da equipe. Sir Alex Ferguson preferia até abrir mão de seu segundo atacante para escalar Paul Scholes em uma posição mais avançada no meio-campo.

No United, Forlán não conseguiu brilhar.

Forlán teve que esperar dois meses até começar uma partida como titular e longos 27 jogos para marcar seu primeiro gol. Quando entrava, dava tudo de si, mas a bola parecia arredia e não o obedecia como tanto obedeceu em Avellaneda ou até do outro lado do mundo, naquele jogo contra Senegal. Tempo depois, protagonizou uma cena cômica que acabou criando uma nova regra no futebol! Em novembro de 2002, o jogador saiu do banco e marcou o gol da vitória sobre o Southampton por 2 a 1, em Old Trafford. Na comemoração, Forlán tirou a camisa e vibrou muito. Mas, quando o árbitro reiniciou o jogo, o uruguaio ainda não tinha se vestido e ficou alguns segundos brigando pela bola e até recuperando a redonda para o United sem camisa!

A cena insólita chamou a atenção da FIFA para a necessidade de regulamentar comemorações excessivas, embora já houvesse algumas regras sobre comportamentos inadequados. Com isso, a partir de 2004, tornou-se obrigatório advertir com cartão amarelo qualquer jogador que retirasse a camisa ao celebrar um gol. O uruguaio explicou o ocorrido tempo depois.

“O gol que marquei no sábado foi um dos melhores da minha carreira. Primeiro, porque eu estava em campo havia apenas alguns minutos; segundo, porque foi um gol bonito; e terceiro, porque garantiu a vitória do meu time. Fui até o canto onde os pais dos jogadores sempre ficam e dediquei meu gol ao meu irmão, a um amigo apelidado de Bata e a um amigo inglês que tenho desde que cheguei aqui. O único problema com a minha comemoração foi que tirei a camisa e depois não consegui vesti-la novamente. Eu queria colocá-la, mas tinha que continuar jogando e não consegui vesti-la.”Diego Forlán, em entrevista à Sky Sports (ING), novembro de 2002.

Forlán ficou jogando sem camisa durante alguns segundos logo após o recomeço do jogo!

O atacante marcou dois gols na vitória por 2 a 1 diante do Liverpool, em Anfield, ainda naquela temporada, e outro gol na vitória por 1 a 0 diante do Chelsea, em janeiro de 2003. Mesmo com seis gols, ele foi um dos atacantes artilheiros do time na trajetória do título inglês, atrás apenas de Van Nistelrooy e Solskjaer. Os dois gols diante do Liverpool, maior rival dos Red Devils, fez até a torcida criar um cântico em homenagem ao uruguaio. 

“He came from Uruguay, he made the scousers cry” – “Ele veio do Uruguai, e fez os “scousers” chorarem”. – Scousers é um termo informal utilizado para definir quem nasceu ou vive em Liverpool.

Na temporada 2003-2004, Forlán marcou apenas quatro gols em 24 jogos na Premier League e seguiu em uma fase inexplicavelmente ruim e com poucas chances. A chegada de Wayne Rooney no verão de 2004 foi crucial para o uruguaio pensar em uma mudança de ares, pois as oportunidades ficariam ainda mais escassas. Apesar de jogar pouco na Inglaterra, ele seguiu como um dos principais nomes do Uruguai e disputou vários jogos no período, incluindo Eliminatórias para a Copa de 2006 e Copa América de 2004. 

O foco de Forlán se voltou para o futebol espanhol, no qual ele nutria carinho pelo Athletic Bilbao, por conta das origens bascas de sua família. Ele comentou sobre o caso anos depois, em entrevista ao AS (ESP), em dezembro de 2019.

“Eu teria adorado [assinar com o Athletic]. Estivemos perto e tentamos concretizar a negociação. Minha avó nasceu em San Sebastián e, aos 15 ou 16 anos, teve de emigrar para o Uruguai. Tenho mais sangue basco nas veias do que muitos jogadores que estão lá atualmente. Conversamos com [o então diretor esportivo do Athletic, Andoni] Zubizarreta. Na época, eu estava no United; eles jogavam um futebol muito bom, mas eu precisava jogar mais partidas. Se o United disputasse 60 jogos, eu participava de 30, e eu precisava de mais.

Disse ao meu irmão: ‘Ir para outro clube que jogue bem, mas que aposte mais no jogo aéreo, não vai me ajudar e pode acabar sendo pior’. Começamos a analisar o futebol espanhol e pensei: ‘O Athletic poderia ser uma boa opção para mim; eu poderia ter uma chance lá’.”

Porém, as conversas acabaram fluindo com o Villarreal, que vinha em uma notável ascensão após contratar vários jogadores sul-americanos, o que ajudaria Forlán em sua adaptação. Em agosto de 2004, o craque foi anunciado pelo Submarino e chegou junto com o lateral-esquerdo argentino Juan Pablo Sorín. Comandado pelo técnico chileno Manuel Pellegrini, que tinha na bagagem títulos de destaque pelo San Lorenzo-ARG como o Campeonato Argentino e a Copa Mercosul, o Villarreal viveu uma temporada marcante na época 2004-2005. 

A dupla Riquelme e Forlán no Villarreal: jogos inesquecíveis.

Com Riquelme e Sorín na armação de jogadas e Forlán e José Mari na frente, além da proteção no meio de campo de Marcos Senna, o time se transformou em um dos mais temidos da Espanha. E fez valer a fama em La Liga. Após um começo ruim, com três empates e duas derrotas, a equipe se recuperou a partir da 6ª rodada com o triunfo por 2 a 0 sobre o Real Zaragoza e viveu o melhor momento da 14ª até a 22ª rodada, quando não perdeu nenhum jogo, venceu sete e empatou dois. Nessa sequência, destaque para a vitória de 3 a 0 sobre o poderoso Barcelona de Ronaldinho e Eto’o no El Madrigal em pura ebulição com 22 mil pessoas, com dois gols de Forlán e um de Rodríguez, em uma das mais lembradas apresentações do Submarino em La Liga.

Forlán comemora: craque uruguaio marcou 25 gols na temporada 2004-2005.

O Villarreal ainda venceu o Valencia por 3 a 1, aplicou outras quatro goleadas e empatou em 3 a 3 com o Barcelona no Camp Nou com três gols de Forlán. Aliás, o uruguaio fez uma parceria memorável com Riquelme que gerou aplausos e mais aplausos nos campos espanhóis. Ao término do Campeonato, a dupla foi a principal responsável por colocar o Villarreal na terceira colocação, atrás de Barcelona e Real Madrid. Em 38 jogos, foram 18 vitórias, 11 empates, nove derrotas, 69 gols marcados (3º melhor ataque, só quatro gols a menos do que o campeão Barcelona e dois a menos do que o vice, Real Madrid) e 37 gols sofridos.

Juntos, Forlán e Riquelme marcaram 40 dos 69 gols do Villarreal, uma soma impressionante. Diego Forlán terminou com artilheiro de La Liga com 25 gols em 38 jogos e ganhou o Prêmio Pichichi e a Chuteira de Ouro da Europa. Aquela colocação confirmou o Villarreal na Liga dos Campeões da UEFA de 2005-2006, algo inédito na história do clube. E, com a manutenção do elenco, a torcida podia, sim, sonhar com algo grandioso na principal competição de clubes do planeta.

O quase na Liga dos Campeões

A Liga dos Campeões da UEFA não costuma ser tarefa fácil para estreantes. Principalmente nos anos 2000, quando as vagas eram mais limitadas. Por isso, poucos acreditavam que o Villarreal, mesmo com a manutenção de boa parte do elenco e algumas contratações, pudesse ir longe no torneio. Só que o Submarino contrariou todos os prognósticos. A equipe passou pela fase preliminar e pela fase de grupos e, nas oitavas de final, encarou o Rangers-ESC e arrancou um empate em 2 a 2 jogando o primeiro duelo no Ibrox tomado por mais de 49 mil pessoas – os gols foram de Riquelme e Forlán. Em tempos de gol qualificado, o Villarreal jogou com o regulamento embaixo do braço na partida de volta e empatou em 1 a 1 na Espanha. 

Nas quartas de final, a equipe teve pela frente a fortíssima Internazionale-ITA de Toldo, Zanetti, Córdoba, Samuel, Materazzi, Mihajlovic, Cambiasso, Verón, Stankovic, Recoba, Figo e Adriano. Só que o Villarreal não se intimidou e, com menos de um minuto de jogo no San Siro, Forlán fez 1 a 0 após jogadaça de Riquelme e participação de José Mari, que chutou a bola que originou o rebote para Forlán fazer o tento. Minutos depois, a Inter empatou com Adriano e virou no segundo tempo com Martins, mas o resultado de 2 a 1 deixava tudo aberto para a volta.

Precisando de apenas uma vitória simples para se classificar, o Villarreal encontrou o tento da classificação quando Riquelme cobrou uma falta ensaiada na cabeça do compatriota Arruabarrena, que testou firme para fazer 1 a 0 e colocar o Submarino Amarelo em uma histórica semifinal. O Villarreal teve pela frente o Arsenal de Wenger e perdeu por 1 a 0 o duelo de ida, num jogo em que o time espanhol teve muitas dificuldades para furar a quase intransponível defesa inglesa. Na volta, Riquelme perdeu um pênalti e o empate sem gols acabou classificando o time londrino. Era o fim da jornada europeia do Submarino em uma temporada menos prolífica de Forlán, que anotou 13 gols em 47 jogos, atuando mais longe da área.

Na temporada seguinte, o craque marcou 21 gols em 42 partidas – 19 deles no Campeonato Espanhol – e voltou a demonstrar o faro artilheiro de sua primeira época no clube, mas o Villarreal passou em branco e não levantou títulos. Foi nesse período que Forlán viveu uma de suas grandes decepções na carreira quando o Uruguai não conseguiu se classificar para a Copa do Mundo de 2006, após ser derrotado pela Austrália por 1 a 0 na repescagem. Lesionado, o atacante não jogou e perdeu a chance de disputar um Mundial pela segunda vez.

Uma nova Chuteira de Ouro

Em 2007, o Atlético de Madrid precisava de um atacante para repor a saída de sua joia Fernando Torres, que rumou para o Liverpool. E Diego Forlán virou a opção número 1 dos colchoneros, que selaram um acordo de 21 milhões de euros com o Villarreal e levaram o uruguaio a Madri. Forlán se identificou instantaneamente com o torcedor do Atleti e viu uma nova oportunidade para brilhar e seguir no auge de sua forma física e técnica.

“O Atlético não andava muito bem. As notícias eram sempre negativas, mas tinha bons jogadores. Realmente me entusiasmei com o projeto que vinha, apesar dos obstáculos. Era preciso ter paciência e lutar para conseguir os objetivos, dar esse salto para a história. 

[…] Há muitas semelhanças entre o torcedor do Atleti e o do Uruguai. Tiveram títulos e momentos maravilhosos na sua história, mas em geral precisaram se acostumar a tempos difíceis, e, no entanto, continua sendo um torcedor muito fiel. Por isso digo que os momentos que vivi tanto no clube como na seleção na temporada de 2009-2010 foram muito similares. Estávamos construindo algo duradouro, importante”, comentou Forlán, anos depois, ao The Players’ Tribune.

Forlán e Agüero: expoentes da nova era atleticana.

Forlán anotou 23 gols em 53 partidas em sua primeira temporada pelo Atlético, mas foi na época 2008-2009 que o uruguaio “destruiu” no Campeonato Espanhol ao marcar 32 gols e ser o mais prolífico goleador do torneio desde os 34 gols de Ronaldo pelo Barcelona de 1996-1997. O feito deu a ele sua segunda Chuteira de Ouro da carreira, algo muito expressivo diante da concorrência que tinha na época e muito raro, tanto é que apenas ele, o francês Thierry Henry e o brasileiro Mário Jardel haviam vencido duas Chuteiras de Ouro entre 1999 e 2009. E, até hoje, apenas 12 jogadores possuem duas ou mais Chuteiras de Ouro na história da premiação que acontece desde 1968.

Na temporada 2009-2010, Quique Sánchez Flores assumiu o comando técnico do Atlético e começou a mudar completamente o modo de jogar do time. Ele promoveu ao plantel titular o jovem goleiro David De Gea, oriundo das categorias de base e que tinha poucas chances com o treinador anterior, Abel Resino, além de montar um esquema de jogo que privilegiava a velocidade e talento dos sul-americanos Agüero e Forlán. Com a boa proteção do meio de campo formado por Raúl García e Paulo Assunção, além das boas chegadas de Simão e Reyes, o Atlético se mostraria uma equipe perfeita para competições de tiro curto.

Se na Copa do Rei a equipe madrilena não se deu bem, na Liga Europa a história foi bem diferente. A caminhada começou na fase de 16 avos de final, após o clube ser eliminado da UCL. Contra o Galatasaray-TUR, o Atlético fez o primeiro jogo em casa e acabou empatando em 1 a 1. Na volta, Simão abriu o placar no começo do segundo tempo e Keita empatou. No minuto final, Forlán fez o segundo e deu a vitória ao Atlético. Nas oitavas, a equipe mais uma vez não fez o dever de casa e apenas empatou sem gols com o Sporting-POR. Na volta, Agüero decidiu e marcou dois gols no empate em 2 a 2 que colocou o time madrileno nas quartas de final graças ao critério do gol qualificado.

Nas quartas, os comandados de Quique Sánchez tiveram um adversário doméstico pela frente: o perigoso Valencia, de David Villa, Juan Mata, David Silva e Jordi Alba. Na ida, após um primeiro tempo morno no Mestalla, as equipes fizeram um jogaço na segunda etapa. Forlán abriu o placar, aos 14’. Manuel Fernandes empatou para os morcegos sete minutos depois. Aos 27’, Antonio López colocou os colchoneros na frente mais uma vez. Mas, aos 37’, Villa empatou e definiu o placar em 2 a 2. No dia 08 de abril, o Atlético jogou com o regulamento embaixo do braço e segurou o 0 a 0 que lhe garantiu na semifinal. Faltava pouco para a equipe alcançar uma final continental. Mas seria preciso superar um adversário complicado: o Liverpool-ING de Reina, Gerrard, Kuyt, Mascherano e companhia.

Campeão europeu

O Vicente Calderón recebeu 52 mil pessoas para ver o Atlético encarar o perigoso Liverpool, que não teve Fernando Torres, cria do próprio Atlético, lesionado. Agüero, suspenso, foi a baixa mais sentida do lado colchonero. Mas, para quem tinha Forlán na melhor fase da carreira, era só mandar a bola para ele que tudo estava resolvido! Logo aos 9’, o uruguaio marcou o primeiro gol do jogo e deu mais tranquilidade ao time espanhol. A equipe até poderia ter feito mais – foram 13 chutes a gol contra apenas um do Liverpool -, mas a falta de pontaria e as boas defesas de Reina evitaram uma catástrofe para os ingleses. Na volta, no alçapão de Anfield, o duelo foi eletrizante e cheio de possibilidades, com os times atacando bem, mas bem postados na defesa. 

Forlán celebra em Anfield: gol do uruguaio colocou o Atlético na final!

Depois de tanto insistir, o Liverpool abriu o placar com Aquilani, aos 44’ do primeiro tempo. Na segunda etapa, o placar permaneceu o mesmo e forçou a prorrogação. Nela, Benayoun fez 2 a 0 Liverpool e gelou o torcedor do Atlético. Mas os colchoneros tinham Forlán. E a estrela do uruguaio brilhou mais uma vez. Após cruzamento de Raúl García, o atacante estufou as redes do goleiro Reina e colocou o Atlético em sua primeira final europeia depois de 24 anos – a última havia sido em 1986, quando os espanhóis perderam a Recopa da UEFA para o Dynamo de Kiev. 

Na grande decisão, em Hamburgo (ALE), o Atlético foi com força máxima para encarar outro time inglês: o Fulham, que havia superado Shakhtar Donetsk-UCR, Juventus-ITA, Wolfsburg-ALE e Hamburgo-ALE. Desde o início, o time de Madri dominou as ações e quase abriu o placar aos 12’, quando Agüero roubou uma bola no meio de campo, tocou para Forlán e o uruguaio acertou a trave do goleiro Schwarzer. Aos 32’, Reyes aproveitou um passe errado do rival, saiu em disparada e cruzou para Simão. O português tocou para Agüero, que chutou meio esquisito para Forlán “consertar” o lance e mandar a bola para o fundo do gol: 1 a 0. 

No entanto, apenas cinco minutos depois, Davies fez um golaço e empatou para o Fulham. O jogo seguiu energético, com chances para ambos os lados, mas o gol teimava em não sair. Após os 90 minutos, prorrogação. E, faltando quatro minutos para o fim, Agüero fez uma jogada pela esquerda, esperou e cruzou. Na área, adivinhe? Forlán! O uruguaio deu um toque na bola e ela foi parar no fundo do gol inglês: 2 a 1. Com justiça, o Atlético era campeão da Liga Europa. Foi a taça que sepultou de vez os jejuns que pairavam sobre as bandas do Vicente Calderón e recolocou o clube no mapa da Europa. 

Na decisão, foi o time que mais chutou a gol (27 contra 11), que mais teve escanteios a seu favor (9 a 2) e que mais ficou com a bola (54% a 46%). Forlán foi o Homem do Jogo e confirmou sua melhor fase na carreira, que seria exibida para um público ainda maior na Copa do Mundo daquele ano, na África do Sul. O craque foi artilheiro do time na liga nacional (18 gols) e na temporada (28 gols em 56 jogos).

O Bola de Ouro da Copa de 2010

Forlán estendeu sua fase goleadora e decisiva para a seleção do Uruguai, que conseguiu, depois do fiasco de 2006, a vaga no Mundial de 2010. Durante as Eliminatórias, Forlán anotou 7 gols e foi um dos destaques do time no trajeto até a África do Sul. Na estreia, a Celeste empatou sem gols com a França e levantou temores no torcedor. Mas, no jogo seguinte, contra os anfitriões, Forlán começou a mostrar seu brilho ao marcar um golaço de fora da área e abrir o placar para o Uruguai, aos 24´do primeiro tempo. Na segunda etapa, o mesmo Forlán fez o segundo, de pênalti, e ele mesmo começou a jogada que terminou no terceiro gol, de Álvaro Pereira, já nos acréscimos. O placar de 3 a 0 sobre os sul-africanos embalou a Celeste, que foi para o duelo contra o México em busca da classificação e do primeiro lugar no grupo.

Em Rustenburg, o Uruguai venceu por 1 a 0 graças a um gol de Suárez, de cabeça, após belo cruzamento de Cavani. A vitória, aliada ao triunfo da África do Sul sobre a França, colocou os uruguaios na primeira posição, com sete pontos e nenhum gol sofrido em três jogos, campanha que levou a equipe a uma fase de oitavas de final pela primeira vez desde a Copa de 1990, curiosamente com o mesmo Óscar Tabárez no comando. Mas, diferente do Mundial da Itália, aquele Uruguai iria muito mais longe.

Nas oitavas, a Celeste venceu a Coreia do Sul por 2 a 1, com dois gols de Suárez, e enfrentou Gana, a única seleção africana remanescente no Mundial, nas quartas de final. O duelo que tinha tudo para ser equilibrado e sem grandes acontecimentos acabou se tornando a partida mais emocionante e angustiante de todo o torneio. Gana abriu o placar com Muntari, nos acréscimos do primeiro tempo, e Forlán, de falta, empatou logo aos 10´da segunda etapa. Após os 90 minutos, o duelo foi para a prorrogação e a torcida que lotou o estádio Soccer City presenciou momentos de delírio puro nos minutos finais, com uma “defesa” de Suárez em cima da linha, pênalti perdido por Gyan e cavadinha de Loco Abreu nas disputas de pênaltis, que acabaram classificando o Uruguai. 

“Tínhamos eliminado o anfitrião e restava Gana como esperança para o continente. Mas não ligamos muito para isso e partimos com tudo para o jogo, sem pensar muito no time que estava à nossa frente. Nosso país tem três milhões e pouco de habitantes. Em todo lugar nós somos menos. Se tem algo que sabemos é jogar sob essa situação desfavorável. Pois sabemos que este jogo é de todos. O que para outros pode ser um fator condicionante, para nós é a mesma coisa”, comentou Forlán ao The Players’ Tribune sobre a partida.

O atacante ainda falou sobre o gol que empatou o duelo. “Começamos perdendo, até que me chegou a cobrança de falta. Minha ideia foi fazer esse mix entre chutar e cruzar. Basicamente, que a bola vá no gol, e que vá um pouco mais rápido. Saiu melhor que a encomenda. Em cobranças de falta desse tipo, o goleiro se complica porque muitos jogadores aparecem para tentar aproveitar essa bola. Às vezes não chegam, mas como não a tocam, também terminam enganando o goleiro. Foi uma boa ideia, a direção da bola era essa onde ela terminou”.

Forlán (à esq.): craque era a grande arma uruguaia no ataque.

Nas semis, o time sul-americano enfrentou a Holanda, invicta e com 100% de aproveitamento. O Uruguai também estava invicto, mas com um desgaste físico e emocional enorme por causa do embate contra Gana, além de não ter o capitão Lugano, contundido. Por conta disso, os europeus aproveitaram para abrir o placar logo no começo do jogo, com Van Bronckhorst, e abusaram da velocidade para tentar liquidar a fatura o quanto antes. Mas o Uruguai foi valente e chegou ao empate com Forlán, em mais um lindo chute, aos 41´. No segundo tempo, Sneijder e Robben ampliaram para 3 a 1 e tornaram a virada uruguaia quase impossível. Nos acréscimos, Maxi Pereira ainda descontou, mas já era tarde. A Holanda venceu por 3 a 2 e ficou com a vaga na final. 

Na disputa pelo terceiro lugar, o jovem time da Alemanha venceu a Celeste por 3 a 2, mas não sem Forlán deixar mais um gol e se tornar um dos artilheiros do Mundial com cinco gols, além de ser eleito pela FIFA como o Melhor Jogador da Copa. “Eu via como estava a coisa no Uruguai por todas as mensagens que foram chegando e pelo que nos contavam. A euforia das pessoas a cada gol era de outro planeta. Ficávamos sabendo onde se reuniam, o que faziam, as superstições que tinham. Isso já era parte de uma grande festa. Vínhamos de não nos classificar para 1994 e 1998, de sermos eliminados na fase de grupos em 2002, de assistir de fora em 2006. Portanto, o parâmetro estava baixo para 2010, e cada passo que dávamos era como um título. 

O Professor Tabárez já vinha trabalhando conosco fazia muito tempo. Existia um respeito e um carinho, todos tínhamos crescido juntos, nos dávamos muito bem, nos entendíamos à perfeição. Tanto o Professor como sua comissão técnica sabiam o quanto tudo isso havia nos custado. Por isso que contra Gana curtimos tanto, porque merecíamos curtir, né? Tínhamos feito aquilo entre todos. Também sabíamos que a Copa continuava e podíamos seguir fazendo história. Confiávamos nisso. Tanto que saímos da África do Sul com a sensação de ter cumprido nosso dever.

A volta ao Uruguai foi quase indescritível. Muitíssima gente, crianças emocionadas, fomos recebidos como heróis nacionais. Lembro que chegamos tarde, e mesmo assim estava cheio de gente. No outro dia houve uma caravana digna de um título. Foi inesquecível”, relembrou Forlán, ainda ao The Players’ Tribune. 

Forlán exibe o troféu da Bola de Ouro da Copa no Estádio Centenário, em amistoso contra a Holanda que terminou 1 a 1.

De fato, o ano de 2010 foi mágico para Forlán. Ele venceu a Liga Europa, a Supercopa da UEFA e ajudou a colocar o Uruguai entre as quatro melhores seleções do planeta depois de 40 anos. O atacante entrou naquele ano para o rol de heróis da Celeste. Mas faltava uma coisa: um título.

Enfim, a merecida taça: a Copa América de 2011

Claro que o Uruguai entrou como um dos favoritos ao título da Copa América do ano seguinte ao Mundial. Com a mesma base e o reforço do zagueiro Coates, a Celeste queria acabar com um jejum que perdurava desde 1995, ano da última conquista da equipe na competição continental. Na fase de grupos, a Celeste avançou meio que na preguiça após empates com Peru (1 a 1), Chile (1 a 1) e vitória por 1 a 0 sobre o México. Nas quartas, a equipe acordou e, após empatar em 1 a 1 com a Argentina, venceu nos pênaltis por 5 a 4. Na semi, bateu o Peru por 2 a 0 e fez a grande final diante do Paraguai. Forlán, até então, estava em branco no torneio. Pois o craque deixou o melhor para a final.

O Uruguai de 2011. Em pé: Forlán, Muslera, Lugano, Cáceres, Coates e Suárez. Agachados: Maxi Pereira, Diego Pérez, Arévalo Ríos, Álvaro Pereira e Álvaro González.
Forlán deu show na final e celebrou o título continental. Foto: Arquivo / Conmebol

O Uruguai abriu o placar com Suárez, após receber passe de Forlán e deixar o marcador no chão antes de bater de canhota. O segundo veio após uma roubada de bola do meio-campista Arévalo Rios na entrada da grande área, que tocou para Forlán encher o pé de primeira. No segundo tempo, um contra-ataque sublime fechou a conta com participação do tridente de ouro da Celeste: Cavani recebeu na esquerda, inverteu o jogo na direita para Suárez, que deixou de cabeça para Forlán fazer outro belo gol: 3 a 0. 

Foi a vitória da consagração e que provou de uma vez por todas que o time uruguaio era, de fato, o melhor do continente. Foi a 15ª taça continental da Celeste e Forlán, com o título, igualou os feitos do avô, Juan Carlos Corazzo, campeão da Copa América como treinador nas edições de 1959 e 1967, e do pai, Pablo Forlán, vencedor em 1967 como atleta. 

Ida à Itália e declínio

Após o título continental, Forlán passou a brilhar menos na Celeste, embora seguisse no time de Tabárez. Suárez virou o principal protagonista no setor ofensivo da equipe em um período no qual Luisito cresceu demais no futebol, culminando com seu auge pelo Barcelona como um dos membros do trio MSN. Em 2011, Forlán deixou o Atlético de Madrid para jogar na Internazionale, que vinha de uma temporada espetacular após conquistar o Treble em 2009-2010. O uruguaio chegou para suprir a saída de Samuel Eto’o e marcou um gol logo em sua estreia, mas a estadia no futebol italiano não foi boa e ele deixou a Nerazzurri já em 2012. No mesmo ano, foi anunciado pelo Internacional e chegou com status de estrela no Colorado, que tentava voltar aos tempos de glória após o título da Libertadores de 2010.

Em Porto Alegre, Forlán sofreu com lesões e uma iminente queda técnica. Mesmo assim, contribuiu com 9 gols na campanha do título estadual do Colorado em 2013, sua única taça no Brasil. Falando em Brasil, o jogador integrou o elenco do Uruguai na Copa do Mundo de 2014, disputou dois jogos, mas não pôde evitar a eliminação da Celeste diante da Colômbia nas oitavas de final. O duelo na Copa, aliás, foi o último do jogador pela seleção. Ele anunciou sua aposentadoria em março de 2015, deixando a Celeste como recordista em jogos na história na época: 112 partidas, além de 36 gols. Posteriormente, ele seria ultrapassado por outros seis atletas.

Aposentadoria e vida de técnico

Forlán deixou o Inter em 2014 e foi jogar um período no futebol japonês. Em 2015-2016, realizou o sonho de vestir a camisa do Peñarol profissionalmente e ainda ajudou o aurinegro a conquistar o Campeonato Uruguaio de 2016, marcando 8 gols em 31 jogos. Na sequência, se aventurou no futebol indiano e até em Hong Kong até se aposentar de vez, em 2019, aos 40 anos. Longe dos gramados, Forlán teve mais tempo para se dedicar à sua antiga paixão, o tênis, e passou a disputar torneios oficiais da modalidade em sua categoria. Em 2020, decidiu virar treinador de futebol e teve passagens pelo Peñarol e pelo Atenas de San Carlos, mas sem destaque. 

Em 2024, Forlán estreou profissionalmente no tênis e realizou um antigo sonho. Foto: Ernesto Ryan/Getty Images.

Em 2026, Forlán foi anunciado como novo técnico da seleção principal e da seleção sub-20 do Uruguai, em uma tentativa da federação local (AUF) de retornar aos bons tempos após o fiasco na Copa do Canadá, EUA e México, na qual a Celeste caiu na fase de grupos sem demonstrar a garra e força que sempre lhe foram características e que Forlán conhece muito bem. O torcedor uruguaio pode ter certeza de uma coisa: vontade não vai faltar. Como jamais faltou quando o craque vestiu o manto da bicampeã.

Números de destaque:

  • Disputou 91 jogos, marcou 40 gols e deu 5 assistências pelo Independiente.
  • Disputou 98 jogos, marcou 17 gols e deu 8 assistências pelo Manchester United.
  • Disputou 128 jogos, marcou 59 gols e deu 4 assistências pelo Villarreal.
  • Disputou 198 jogos, marcou 96 gols e deu 31 assistências pelo Atlético de Madrid.
  • Disputou 20 jogos, marcou 2 gols e deu 3 assistências pela Internazionale.
  • Disputou 55 jogos, marcou 22 gols e deu 4 assistências pelo Internacional.
  • Disputou 51 jogos, marcou 19 gols e deu 5 assistências pelo Cerezo Osaka.
  • Disputou 34 jogos, marcou 8 gols e deu 13 assistências pelo Peñarol.
  • Disputou 12 jogos, marcou 5 gols e deu 3 assistências pelo Mumbai City.
  • Disputou 14 jogos, marcou 6 gols e deu 3 assistências pelo Kitchee.
  • Disputou 112 jogos, marcou 36 gols e deu 13 assistências pela Seleção do Uruguai.
  • Disputou 701 jogos, marcou 274 gols e deu 79 assistências em sua trajetória por clubes.

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Atlético-MG x Cruzeiro – Clássico Mineiro

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Por Guilherme Diniz

A rixa: entre os anos 1920 e os anos 1930, Belo Horizonte era dominada por um só clássico: América e Atlético, com um tal de Palestra Itália querendo provar seu valor a partir do final dos anos 1920, início dos anos 1930. Mas, na década de 1940, o novato Palestra Itália – que viraria Cruzeiro tempo depois – começou a brigar de maneira assídua pelos títulos estaduais, enquanto o América entrou em profunda decadência. Já o Galo seguiu forte e começou a nutrir rusgas com aquele atrevido time azul. O estopim veio na década de 1960, quando um colosso de concreto chamado Mineirão foi erguido na Pampulha para abrigar os principais jogos de futebol do estado e acolher a crescente massa de torcedores atleticanos e cruzeirenses. Dali em diante, não teve jeito. O maior clássico do futebol de Minas virou Atlético x Cruzeiro. Ele ganhou o Brasil. E se transformou em um dos duelos mais quentes e disputados do futebol.

Quando começou: no dia 17 de abril de 1921, na vitória do então Palestra Itália sobre o Atlético por 3 a 0.

Maior artilheiro: Guará (Atlético-MG) – 26 gols

Quem mais venceu: Atlético-MG – 215 vitórias (até agosto / 2026). O Cruzeiro venceu 176. Foram 144 empates.

Maiores goleadas: Atlético 9×2 Palestra Itália, 27 de novembro de 1927

Atlético 6×1 Palestra Itália, 21 de junho de 1936

Atlético 6×1 Cruzeiro, 27 de maio de 1942

Cruzeiro 6×1 Atlético, 04 de dezembro de 2011

Cruzeiro 5×0 Atlético, 27 de abril de 2008

Cruzeiro 5×0 Atlético, 26 de abril de 2009

Duas torcidas apaixonadas, fervorosas e que adoram uma gozação. Craques do mais alto calibre e que ajudaram a construir períodos de ouro do futebol brasileiro em diferentes décadas. Esquadrões inesquecíveis, vencedores e multicampeões. E um estádio construído com o intuito de abrigar exatamente esses clubes e seus torcedores. Tudo isso e muito mais envolve o Clássico Mineiro entre Atlético x Cruzeiro, que completa 100 anos em 2021. Com histórias peculiares, hegemonias marcantes e contrastes, o duelo entre alvinegros e azuis se fundiu com a própria história do futebol de Minas Gerais e é um dos mais disputados, celebrados e tensos do país. Seu crescimento acompanhou a expansão demográfica da cidade de Belo Horizonte e praticamente polarizou as atenções da capital após a queda de rendimento do América nos anos 1940.

Com o Mineirão, o clássico explodiu de vez e virou um evento ímpar, um verdadeiro acontecimento e também uma das inspirações da música “É Uma Partida de Futebol”, da banda mineira Skank, que traduziu com imagens de um duelo entre Atlético e Cruzeiro o videoclipe da canção, para explicar a paixão que envolve o esporte e o motivo que levou milhares de garotos e garotas nascidos em Minas Gerais a sonharem em ser jogadores e jogadoras de futebol.

Um intruso na área

Fundado em 1908, o Atlético foi o primeiro campeão da história do Campeonato Mineiro, em 1915, três anos após a fundação do América, que seria campeão estadual já em 1916. Dali em diante, o Coelho emendou uma sequência impressionante de 10 títulos, algo único na história do futebol de Minas e só igualado pelo ABC-RN dentre todos os torneios estaduais do Brasil. No final da sequência do decacampeonato americano, um time fundado por italianos em Belo Horizonte no ano de 1921 chamado Palestra Itália ousou em brigar pelo troféu já em 1922 (vice) e também em 1924 (vice). Rotulado como maior de Minas, o América só via o Atlético como rival e ambos faziam o chamado “Clássico das Multidões”, enquanto os palestrinos ainda buscavam seu espaço.

No dia 17 de abril de 1921, o Palestra Itália – que só contabilizava um jogo oficial em sua recente história – enfrentou o Atlético pela primeira vez em um amistoso e venceu por 3 a 0, em jogo apitado curiosamente pelo ex-presidente (e um dos fundadores) do Atlético Aleixanor Alves Pereira. Até 1926, os duelos entre a dupla foram parelhos, isso até chegar o dia 27 de novembro de 1927, data do histórico 9 a 2 do Atlético pra cima do Palestra, a maior goleada da história do confronto e marca registrada do prolífico ataque comandado por Said, Jairo e Mário de Castro, o “Trio Maldito”, responsável direto por oito daqueles gols – foram três de Said, três de Jairo e dois de Mário de Castro, com Getúlio fechando o placar – e também por embalar o Atlético rumo ao bicampeonato estadual de 1926/1927. A resposta do Palestra veio já em 1928, ano do primeiro título estadual do clube e que iniciou a sequência do tricampeonato 1928-1929-1930, com direito a uma goleada de 5 a 2 dos palestrinos sobre o Atlético em novembro de 1929.

Said, Jairo e Mário de Castro, o “Trio Maldito”. Jogadores acumularam uma média de 4,71 gols por jogo atuando juntos. Foram 99 jogos e impressionantes 467 gols!
 
Jornal Estado de Minas destaca a goleada atleticana. Foto: Arquivo / Estado de Minas.
 

Em 1931, o Atlético voltou a ser campeão, o Villa Nova emendou três títulos seguidos na sequência, e o Galo voltou a vencer mais títulos no final da década, com destaque para o goleador Guará, maior carrasco da história do clássico e que marcou seus 26 gols no período. Entre setembro de 1937 e janeiro de 1939, o Galo ainda alcançou sua então maior série invicta sobre o Palestra: 10 jogos, sendo 8 vitórias (seis seguidas) e dois empates. Até aquele momento, o duelo era amigável, com poucas desavenças e, por serem vizinhos de bairro, jogavam até um no campo do outro, ora no Barro Preto (Palestra Itália) ora no Lourdes (Atlético).

Estádio Prado Mineiro foi o primeiro a receber o clássico em BH. Foto: Arquivo / Estado de Minas.
 
Guará, maior artilheiro do clássico com 26 gols.
 
Niginho, do Cruzeiro, é o segundo na lista com 25 gols.
 
A briga no clássico de 1940 decretou de vez a rivalidade.
 

Mas o clima esquentou de vez em 1940, na terceira partida melhor de três que decidia o campeonato daquele ano. O jogo terminou com vitória palestrina por 2 a 0 (gols de Alcides e Niginho, maior artilheiro celeste na história do clássico com 25 gols), decretou o título do Palestra (o último do clube sob este nome), impediu um inédito tri seguido do Atlético e uma confusão tomou conta da partida. Nem um árbitro importado do Rio de Janeiro (Mário Vianna) ajudou a apaziguar os ânimos. Aquele fato, somado ao tricampeonato do Cruzeiro em 1943-1945 e aos embates cada vez mais disputados entre ambos forjou de vez a rivalidade, que só iria crescer nos anos seguintes.

Do Independência ao Mineirão

A década de 1950 começou muito promissora para o futebol mineiro. Motivo: a realização da Copa do Mundo de 1950 no Brasil deixou como herança a construção do estádio Independência, que elevou o patamar do futebol da cidade, já que os três grandes clubes da capital possuíam estádios pequenos e acanhados. O campo no Horto (bairro onde fica o estádio) seria a nova casa dos clubes mineiros, em especial do Atlético, o time da moda em BH na época por contar com os melhores jogadores, a maior torcida da cidade e ser o recordista em títulos estaduais – até 1950, o Galo somava 14 títulos mineiros contra 8 do Cruzeiro e 11 do América. Naquele período, brilhou o esquadrão conhecido como os Campeões do Gelo, que entrou até para o hino do clube e conquistou o inédito tricampeonato estadual – que virou pentacampeonato, entre 1952 e 1956 -, com shows históricos de Ubaldo, Lucas Miranda, Tomazinho, Nívio, Zé do Monte entre outras lendas.

Gol de Ubaldo em jogo contra o Cruzeiro no Independência, em 1954.
 

Foi na década de 1950 e graças ao Independência, além do desenvolvimento industrial de Belo Horizonte, que a torcida do Cruzeiro passou a do América e fez o clube virar de vez o grande rival do Atlético. Com muitos imigrantes chegando à capital mineira, o clube azul foi uma escolha comum, principalmente dos italianos ou descendentes, além de oriundos do interior do estado se dividirem entre Atlético e Cruzeiro. A expansão econômica e social contribuiu em conjunto para o aumento exponencial das torcidas, além dos clubes ajudarem, claro, com títulos e grandes jogadores vestindo a camisa de ambos.

Mineirão em obras: gigante mudou para sempre a história do clássico.
 

Até que, em setembro de 1965, foi inaugurado o Estádio Minas Gerais, que seria popularmente conhecido como Mineirão, o mais moderno do país na época e o segundo maior estádio coberto do mundo. Por dentro, a estrutura das arquibancadas, com o grande arco e uma área de “geral” embaixo, deixavam o Mineirão bastante parecido com o Maracanã, mas era por fora que o “Gigante da Pampulha” se diferenciava com sua altura e os 88 pórticos de concreto armado dispostos em torno de uma elipse. Por dentro, havia também como destaque a grande pista de atletismo em volta do gramado.

O helicóptero que se encarregou de deixar a bola do jogo.
 

A festa de inauguração começou às 9h do dia 05 de setembro de 1965, com uma salva de tiros de sete canhões (sete? Seria um presságio do futuro? Vixe…). Os portões foram abertos às 10h e várias apresentações festivas – entre banda da polícia e desfiles – aconteceram antes da partida inaugural entre a Seleção Mineira e o River Plate-ARG. Para alegria geral, a equipe da casa venceu por 1 a 0, gol do atleticano Buglê. Entre os convidados, estiveram presentes o presidente da CBD, João Havelange, o técnico do primeiro título mundial brasileiro, Vicente Feola, e Bellini, capitão da seleção no título de 1958, que deu uma volta pelo estádio e acendeu a pira olímpica. Um helicóptero da Força Aérea arremessou a bola do jogo com um voo rasante, arrancando “ohs” do público nas arquibancadas.

Com o estádio, o futebol mineiro começou a se transformar em uma verdadeira potência no Brasil. Atlético e Cruzeiro já eram, claro, clubes notáveis, mas é inegável a participação do Mineirão como integrante da emancipação da dupla no cenário nacional. E isso se deu em um primeiro momento graças ao esquadrão do Cruzeiro de Dirceu Lopes, Piazza e Tostão, que faturou seis campeonatos mineiros naquela década, sendo cinco seguidos entre 1965 e 1969, além de faturar a inédita Taça Brasil de 1966 com um sonoro 6 a 2 pra cima do Santos de Pelé em uma das partidas finais. De quebra, o Cruzeiro se tornou o primeiro clube de Minas campeão de uma competição nacional, algo que deixou os atleticanos bem ressabiados.

Dirceu Lopes e Tostão: lendas do Cruzeiro nos anos 1960.
 

Foi em 1966, também, que uma lei mudou o nome do estádio de Minas Gerais para Governador Magalhães Pinto, em alusão ao governante do estado na época. O primeiro clássico entre Cruzeiro e Atlético aconteceu em outubro de 1965, com vitória da Raposa por 1 a 0, gol de Tostão, partida que teve briga, acabou antes do tempo regulamentar e mostrou que ambos iriam duelar pelo protagonismo no maior estádio de Minas. Entre 1966 e 1968, o Cruzeiro igualou a série invicta de 10 jogos do Atlético ao vencer cinco jogos e empatar cinco no período. Antes, entre novembro de 1964 e fevereiro de 1966, a equipe emendou sete vitórias seguidas, um recorde no clássico na época.

Primeiro clássico no Mineirão teve briga…
 

Mineirão no jogo de maior público da história do clássico.
 

Em 1969, as torcidas de Atlético e Cruzeiro estabeleceram o recorde de público pagante da história do estádio: 123.351 pessoas compraram ingressos para ver o clássico do dia 04 de maio, vencido pela Raposa por 1 a 0. Naquela década, o time azul foi hegemônico na chamada “Era Mineirão” e venceu cinco títulos estaduais seguidos. Mas, em 1969, o Atlético, com a camisa da Federação Mineira de Futebol, venceu amistoso contra a Seleção Brasileira – que seria tricampeã do mundo no México – por 2 a 1 e deixou orgulhosa sua fanática torcida. Dois anos depois, em 1971, o Galo escreveu seu nome na história ao conquistar a primeira edição do Campeonato Brasileiro de futebol após grandes jogos realizados no Mineirão, como a vitória por 1 a 0 sobre o São Paulo na fase final – o título foi conquistado no Maracanã, após vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo.

Tempos de craques e hegemonias

Mesmo com o título brasileiro, o Atlético não conseguiu ser hegemônico em Minas no começo dos anos 1970 e viu o Cruzeiro emendar mais um tetracampeonato mineiro entre 1972 e 1975, que não virou penta por causa do Galo em 1976. Neste ano, o Cruzeiro se tornou o primeiro clube mineiro campeão da Copa Libertadores, a bater o River Plate em três finais emblemáticas, com craques do naipe de Raul, Piazza, Nelinho, Zé Carlos, Jairzinho, Joãozinho e companhia. A resposta do Atlético veio a partir de 1978, quando foi iniciada a dinastia do hexacampeonato mineiro do Galo de Reinaldo, o maior artilheiro do clássico na Era Mineirão com 16 gols. O Rei virou o grande carrasco dos azuis na época e verdadeiro terror para o time cruzeirense, que foi seis vezes vice-campeão durante aquela era de ouro do clube alvinegro, que aplicou um 4 a 0 no rival (dois gols de Éder, um de Reinaldo e outro de Renato) em 1983, durante a campanha do hexa.

Cerezo e Palhinha: clássico pegou fogo nos anos 1970 e 1980.
 

Em 1984, o Cruzeiro, enfim, deu o troco com um 4 a 0 na primeira partida da final do Mineiro, perdeu por apenas 1 a 0 na segunda, e ficou com o título, impedindo o hepta dos alvinegros. Levando em consideração que o Atlético venceu os títulos de 1985 e 1986, o Cruzeiro impediu uma sequência de 9 títulos seguidos do rival. Foi nos anos 1980 que o Atlético alcançou a maior marca invicta do clássico: 13 jogos, entre 1985 e 1987, com 5 vitórias e oito empates.

Jairzinho e Joãozinho: artilharia pesada do Cruzeiro nos anos 1970.
 
Reinaldo e Cerezo.
 

Reinaldo, maior artilheiro do clássico na Era Mineirão com 16 gols.
 

Ao longo de quase toda a década de 1990, o clássico viu um predomínio maior do Cruzeiro, que venceu cinco estaduais na década e se afastou de vez do rival com uma grande quantidade de títulos conquistados, com troféus na Copa do Brasil, na Libertadores e em outros torneios da Conmebol. Em 1994, um garoto de 17 anos acabou com o Galo: Ronaldo, que vestia o manto azul do Cruzeiro e fez os três gols da vitória por 3 a 1 daquele ano.

Ronaldo teve tempo de estraçalhar o Atlético nos anos 1990.
 
Ronaldo (à dir.) antes de um clássico. Foto: Auremar de Castro.
 
Paulinho McLaren tirou o sarro em uma vitória sobre o rival em 1996, pelo Brasileiro. Foto: Gualter Naves / EM.
 
Mas o troco veio com juros: vitórias marcantes e classificação no mata-mata do Brasileiro de 1999, com show da dupla Marques e Guilherme.
 

Só no final da década, em 1999, que o Atlético conseguiu triunfos memoráveis sobre o rival durante o Campeonato Brasileiro, quando a dupla se encontrou pela segunda vez em uma fase de mata-mata do torneio (a primeira foi em 1986, com dois empates – 0 a 0 e 1 a 1 – e classificação do Galo). Nas quartas de final, o Galo de Velloso, Belletti, Gallo, Robert e os infernais Marques e Guilherme destroçaram o rival com duas vitórias: 4 a 2 e 3 a 2, ambas no Mineirão em profunda ebulição – foram quase 65 mil pessoas em cada jogo.

Novo milênio – gozações, a maior final de todas e o centenário

Os anos 2000 marcaram um grande contraste entre a dupla. Enquanto o Cruzeiro seguiu vencedor e chegou ao ápice em 2003, com a conquista da Tríplice Coroa no ano mágico de Alex e do técnico Vanderlei Luxemburgo, o Atlético enfrentou graves problemas financeiros e administrativos que culminaram com seu rebaixamento para a Série B do Brasileirão, em 2005, apenas três anos antes de seu centenário. O time deu a volta por cima já em 2006, com o título da Segundona, voltou à elite e levantou em 2007 o título mineiro.

Cruzeiro aplicou duas goleadas de 5 a 0 em um curto intervalo sobre o rival no final dos anos 2000.
 

Em 2009, porém, o Cruzeiro voltou a levantar o troféu estadual com direito a goleada de 5 a 0 sobre o Galo. Entre 2007 e 2009, a Raposa atingiu sua maior série invicta contra o rival na história: 12 jogos, com 10 vitórias (seis delas seguidas e dois 5 a 0) e dois empates. O torcedor alvinegro não aguentava mais ficar na sombra do rival em número de títulos de peso, sofrer goleadas e ainda ver a torcida cruzeirense crescer cada vez mais ano após ano.

Goleada de 6 a 1 entrou para a história do clássico.
 

A gota d’água veio em 2011. O Atlético apostou mais uma vez em nomes consagrados que eram fortes no papel, mas fracos em campo, tais como Lima, Dudu Cearense e Mancini. Depois de perder o título estadual para o Cruzeiro e não emplacar no Brasileiro, o clube demitiu o técnico Dorival Júnior e trouxe Cuca, que vinha do arquirrival e não gerava grandes expectativas na torcida por sua fama de “azarado” e “pé-frio”. O novo treinador quase pediu as contas quando acumulou seis derrotas seguidas em seu início no Galo, mas os próprios jogadores fizeram Cuca voltar atrás e continuar no time, que teria que brigar mais uma vez para não ser rebaixado.

A união deu certo, o time conseguiu vitórias importantes e se livrou da degola graças à boa campanha no returno da competição. Porém, a temporada terminou da pior maneira possível: derrota por 6 a 1 para o Cruzeiro – que lutava para não cair e precisava vencer de qualquer maneira naquele dia -, na Arena do Jacaré, pela última rodada do Brasileirão. Foi a maior goleada já aplicada pelo Cruzeiro sobre o Atlético em toda a história.

As brincadeiras renderam (e rendem) até hoje…
 

Até que, em 2013, o Galo de Ronaldinho, Jô e companhia faturou uma histórica Libertadores e acabou de vez com o jejum de grandes títulos. No ano seguinte, a equipe venceu a Recopa Sul-Americana e alcançou a final da Copa do Brasil. O adversário? O Cruzeiro! Além de encarar o maior rival, o Atlético tinha uma dose extra de motivação: a Raposa havia vencido o Estadual e o Brasileiro naquele ano e buscava sua segunda Tríplice Coroa. Era o adversário perfeito para o Galo encerrar o ano com um título inédito no maior de todos os clássicos mineiros. Afinal, aquela seria a primeira decisão nacional entre ambos na história.

E, claro, o duelo teve vários ingredientes para esquentar ainda mais o duelo, como a escolha dos mandos de campo, que deixou de ser os dois jogos no Mineirão para que o primeiro, com mando do Galo, fosse no Independência. A torcida sabia que no Horto a história era diferente. Lá, o Galo tinha um aproveitamento de quase 80% na época. Contra o Cruzeiro, quatro vitórias e três empates em sete jogos. Em Minas, a fábula já era conhecida: Cruzeiro e Atlético conhecem muito bem o Mineirão, mas ninguém conhece tão bem o Horto como o Atlético…

Tardelli: artilheiro deixou sua marca na final.
 

No dia 12 de novembro, mais de 18 mil pessoas transformaram o estádio Independência em um caldeirão. Com um time muito bem escalado e embalado ao máximo, o Atlético abriu o placar logo aos oito minutos, com Luan, e ampliou a conta no comecinho do segundo tempo, com Dátolo: 2 a 0, em uma bela vantagem para a volta. No dia 26 de novembro, no Mineirão com quase 40 mil pessoas (público bem abaixo das expectativas), o Atlético provou que não só conhecia o Mineirão como tinha o estádio como seu histórico salão de festas. O Cruzeiro até entrou em campo de branco, tentando relembrar a goleada que aplicara no rival trajando essa cor em 2011, mas tal superstição não adiantou nada.

O Horto: entre 2012 e 2014, caldeirão absoluto do Atlético.
 
Cruzeiro jogou de branco a finalíssima de 2014. Não adiantou…
 

A Raposa não jogou, o Atlético foi superior durante os 90 minutos e mostrou que a Copa do Brasil de 2014 tinha dono. Diego Tardelli, no final do primeiro tempo, fez o gol solitário que decretou a vitória por 1 a 0 e o terceiro título inédito do Galo em dois inesquecíveis anos. Mais do que isso, dava ao time alvinegro o triunfo no maior clássico mineiro da história e a invencibilidade contra o rival na temporada: quatro vitórias e três empates.

Em 2014, Diego Tardelli e Marcos Rocha fizeram alusão à goleada de 9 a 2 sobre o Cruzeiro, em 1927, com o número de suas camisas.
 

No final da segunda década do novo milênio, o Cruzeiro eliminou o rival nas quartas de final da Copa do Brasil de 2019 e ampliou a vantagem em número de títulos estaduais em finais diretas contra o Atlético – 14 a 8 -, mas o ano ficou marcado pela queda do clube azul para a série B do Brasileiro pela primeira vez, algo que a torcida do Atlético celebrou (e ainda celebra) durante todo o ano de 2020. Para piorar a situação do Cruzeiro, o clube não conseguiu o acesso e permaneceu três anos na Segundona, amargando o ano de seu centenário na B e aumentando a gozação dos atleticanos, que nunca perdem a piada sobre o assunto.

A torcida criou o fantasma da série B…
 
… Que virou realidade.
 
No clássico do centenário, Airton fez o gol da vitória cruzeirense por 1 a 0.
 

Em 2021, o clássico completou 100 anos de história e, em campo, a comemoração aconteceu alguns dias antes, no clássico do dia 11 de abril. Antes da partida, diante da suposta diferença técnica do Atlético para o Cruzeiro – com mais reforços e jogadores badalados -, muitos acreditaram que o clube azul seria goleado e até uma carta da torcida Galoucura foi enviada ao elenco atleticano sobre o jogo, dizendo que “era guerra”, que “clássico não se joga, se ganha”, entre outras coisas. Chegaram até a comentar para a diretoria não enviar os jogadores e o time perder por WO tamanho constrangimento pela fase do clube. Mas, clássico é clássico. E, em campo, o Cruzeiro venceu por 1 a 0, calou os alvinegros e celebrou a vitória no clássico do centenário, provando que a briga dos gigantes de Minas sempre tem um temperin extra…Mas, no final do ano, o Galo cantou alto e venceu justamente o que tanto o Cruzeiro se orgulha: a Tríplice Coroa, que virou Triplete Alvinegro só para não concorrer com o rival azul.

Em 2023, o clássico voltou a ser disputado na Série A do Brasileirão e o Galo venceu o primeiro jogo, no turno, por 1 a 0, aumentando para sete anos sua invencibilidade diante do rival em jogos pela elite do torneio nacional. Mas o Cruzeiro deu o troco no returno e venceu por 1 a 0 o primeiro clássico disputado na Arena MRV, nova casa do Galo. Dois anos depois, em 2025, novos embates ocorreram nas quartas de final da Copa do Brasil, e o Cruzeiro conseguiu superar o rival: vitória por 2 a 0 na Arena MRV e nova vitória por 2 a 0, no Mineirão, esta com dois gols de Kaio Jorge.

O Triplete Alvinegro. Foto: Divulgação / CAM.
 
E provocação de Kaio Jorge após a classificação na Copa do Brasil de 2025. Foto: Gustavo Aleixo/ Cruzeiro
 

Em 2026, na final do Campeonato Mineiro, o clássico ganhou as manchetes por causa de (mais) uma briga generalizada no final da partida, quando o Cruzeiro vencia por 1 a 0 e contava os segundos para o título (confirmado após seis anos de jejum). Após fazer uma defesa, o goleiro atleticano Everson se chocou com Christian, do Cruzeiro, e partiu pra cima do adversário, atingindo-o com o joelho. Os jogadores do Cruzeiro foram imediatamente tirar satisfação com o atleticano e uma briga campal tomou conta do Mineirão. Com isso, o árbitro registrou na súmula impressionantes 23 expulsões, que se tornou um recorde na história do futebol brasileiro.

  • Do lado do Cruzeiro, foram expulsos: Cássio, Fagner, Fabrício Bruno, João Marcelo, Villalba, Kauã Prates, Christian, Lucas Romero, Matheus Henrique, Walace, Gerson e Kaio Jorge.
  • Já pelo Atlético-MG, foram expulsos: Everson, Gabriel Delfim, Preciado, Lyanco, Ruan, Junior Alonso, Renan Lodi, Alan Franco, Alan Minda, Cassierra e Hulk.
Foto: Gilson Lobo / AGIF

Meses depois, os rivais se encontraram nas quartas de final da Copa do Brasil e o Galo levou a melhor. Na ida, no Mineirão, empate em 1 a 1. Na volta, na Arena MRV, o Cruzeiro até saiu na frente, mas teve um jogador expulso e viu o Atlético conseguir a virada para 2 a 1 com um gol na reta final da partida do meio-campista Fred, que levou ao delírio a massa atleticana. Uma saborosa vingança do ocorrido na final do Campeonato Mineiro. No pós-jogo, o perfil do Galo nas redes sociais tratou de tirar onda do rival, dizendo para o Cruzeiro “respeitar o seu pai”. São as idas e vindas de um Clássico sempre acirrado e cheio de provocações.

 

Curiosidades e números de destaque:

  • O Atlético está na frente em número de títulos estaduais diante do rival: são 50 troféus contra 39 do Cruzeiro;
  • Em finais diretas do Estadual, no entanto, o Cruzeiro tem vantagem: 15 títulos, contra 10 do Atlético, além do título dividido de 1956;
  • Em número de títulos internacionais, a vantagem é do Cruzeiro: 7 troféus (2 Libertadores, 2 Supercopas da Libertadores, 1 Recopa Sul-Americana, 1 Copa Master e 1 Copa Ouro) contra 4 do Atlético (1 Libertadores, 1 Recopa Sul-Americana e 2 Copas Conmebol);
  • Em número de títulos nacionais, a vantagem é cruzeirense: são 10 títulos (1 Taça Brasil, 3 Campeonatos Brasileiros e 6 Copas do Brasil), contra 8 do Atlético (2 Campeonatos Brasileiros, 2 Copas do Brasil, 1 Supercopa do Brasil, 1 Copa dos Campeões do Brasil, 1 Copa dos Campeões Estaduais e 1 Brasileiro da Série B);
  • Vários jogadores anotaram três gols no clássico, mas nenhum fez quatro gols até hoje;
  • O Mineirão foi palco único do clássico entre 1965 e 1995, com um jogo no Independência em 10 de agosto de 1995. Foram 30 anos ininterruptos com o Colosso da Pampulha abrigando os rivais, recorde até hoje na história do clássico!
  • Tanto Atlético quanto Cruzeiro divergem quanto ao número de jogos na história do confronto, pois cada um tem uma contagem. A mais utilizada é a do Atlético. Em 2007, os clubes tentaram entrar em um consenso, mas não deu certo;
  • Com o grande número de títulos conquistados nos anos 1990 e 2000, o Cruzeiro viu sua torcida crescer bastante e, de acordo com as pesquisas mais recentes feitas pelo Ibope, a China Azul tem uma ligeira vantagem sobre o Atlético: são 3,9 milhões de torcedores no Brasil, enquanto o Atlético tem 3,4 milhões.

Veja o videoclipe da música “É Uma Partida de Futebol”.

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Esquadrão Imortal – Dinamo Tbilisi 1978-1981

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Em pé: Chivadze, Gabelia, Khizanishvili, Tavadze e Kipiani. Agachados: Gutsaev, Shengelia, Daraselia, Svanadze, Sulakvelidze e Kostava.

Grandes feitos: Campeão da Recopa da UEFA (1980-1981), Campeão do Campeonato Soviético (1978) e Campeão da Copa Soviética (1979). 

Time-base: Otar Gabelia; Aleksandre Chivadze; Giorgi Tavadze (Shota Khinchagashvili), Khizanishvili e Tamaz Kostava (Giorgi Chilaya / David Mujiri); Zaur Svanadze (Manuchar Machaidze / Nugzar Kakilashvili), Tengiz Sulakvelidze (Vakhtang Koridze) e Vitaly Daraselia; Vladimir Gutsaev, David Kipiani (Gocha Machaidze) e Ramaz Shengelia. Técnico: Nodar Akhalkatsi.

 

“A glória da Geórgia na Europa”

Por Emmanuel do Valle e Guilherme Diniz

Se apesar de sua força o futebol soviético levantou poucos títulos em competições europeias de clubes, a conquista da Recopa de 1981 pelo Dinamo Tbilisi foi sem dúvida um desses pontos altos. A vitória por 2 a 1 de virada diante do Carl Zeiss Jena (outra equipe do bloco socialista) na final disputada em Düsseldorf, na Alemanha Ocidental, eternizou uma excelente safra de talentos que juntava doses generosas de habilidade à disciplina tática tradicional do futebol do país. Era a coroação de um grande esquadrão em plena era de ouro de conquistas da equipe mais representativa da Geórgia.

Os “brasileiros” da União Soviética

Quarto colocado no ranking histórico de pontos do campeonato soviético (atrás apenas da dupla moscovita Spartak e Dynamo e do Dynamo de Kiev), o Dinamo Tbilisi é um dos poucos clubes que nunca foram rebaixados no certame do antigo país. Além de ter revelado desde os anos 1930 muitos nomes lendários do futebol da União Soviética, tornou-se bandeira de um estilo de futebol próprio de sua região, baseado na técnica, na habilidade individual e no improviso, rendendo comparações ao jogo sul-americano, em especial ao brasileiro.

Embora tenha se estabelecido como a principal força da república do Cáucaso, durante muito tempo teve de se contentar em assistir ao título tomar o rumo de Moscou ou Kiev. Em suas 51 participações na elite, terminou cinco vezes como vice e nada menos que 13 vezes em terceiro lugar. Até sua primeira conquista, em 1964, era conhecido no país como o “campeão sem coroa”, o que impedia maior consagração a gigantes do futebol local como os atacantes Boris Paichadze (apelidado o “Caruso do futebol”) e Avtandil “Basa” Gogoberidze.

Dinamo Tbilisi 1978-1981
Chivadze, Gutsaev e Kipiani.
 

Treinado por Gavriil Kachalin, técnico da seleção em três Mundiais, o time de 1964 pôs fim a essa histórica seca conduzido pelo talento de Slava Metreveli e Mikheil Meskhi. Após as 32 rodadas regulares, o Dinamo terminou com os mesmos 46 pontos do Torpedo Moscou, sendo necessário um jogo extra em Tashkent (Uzbequistão). Nele, os georgianos levaram a taça ao golearem por 4 a 1 na prorrogação. Pelos anos seguintes, o clube ainda revelaria nomes de seleção como Murtaz Khurtsilava, Kakhi Asatiani, Revaz Dzodzuashvili e os irmãos Levan e Givi Nodia.

O título de 1964, no entanto, não significou a classificação para a Copa dos Campeões: na época, o país mandava apenas o vencedor da copa nacional para representa-lo na Recopa. Só no ano seguinte é que o detentor da liga passaria a disputar o principal torneio de clubes do continente. Outro detalhe é que, como o calendário soviético era anual (e não de agosto a maio como na maioria dos países europeus), os representantes do país tinham que esperar vários meses (até o segundo semestre do ano seguinte) para enfim entrar nas copas continentais.

Com isso, a estreia internacional só viria na década seguinte. Os dois terceiros lugares seguidos nas edições de 1971 e 1972 do campeonato soviético levaram o clube a disputar a Copa da UEFA em 1972/73 e 1973/74. Mas o auge teria início em 1976, ano particularmente emblemático por abarcar três movimentos decisivos para o pontapé inicial da chamada “era de ouro” do Dinamo no âmbito nacional e também continental, com sete participações seguidas nas copas europeias, entre 1976/77 e 1982/83, colhendo vitórias históricas.

O surgimento de uma potência

Um desses momentos decisivos foi a inauguração, em setembro de 1976, do imponente Estádio Lenin Dinamo (hoje rebatizado Boris Paichadze, em homenagem ao velho ídolo), com capacidade superior a 70 mil lugares. Outro foi a promoção de Nodar Akhalkatsi, jovem técnico (38 anos) das categorias de base, para o comando do time principal após a saída do veterano Mikhail Yakushin, 66 anos, ex-treinador do Dínamo de Moscou e da seleção soviética. A mudança arejou conceitos de futebol ofensivo praticados pela equipe e resultou em títulos.

O primeiro deles veio também naquele ano: a conquista inédita da Copa da União Soviética. Após deixar pelo caminho Metalurh Zaporizhya, Zenit Leningrado, Karpaty Lviv e Shakhtar Donetsk, a equipe de Akhalkatsi derrotou com facilidade o Ararat Yerevan por 3 a 0 na decisão disputada no Estádio Central Lenin, em Moscou. O triunfo também era histórico por encerrar uma tradição de derrotas na final do torneio, com cinco vice-campeonatos – todos eles diante de clubes da capital – acumulados desde a primeira edição, em 1936, até a de 1970.

A festa do Dinamo campeão da Copa Soviética de 1976.
 

No ano seguinte, a equipe chegou ao vice-campeonato soviético, atrás apenas de um Dynamo de Kiev muito dominante, que só perdeu um jogo e teve, disparado, o ataque mais positivo e a defesa menos vazada (só sofreu 12 gols em seus 30 jogos). E em setembro o Dinamo Tbilisi arrancaria um excelente resultado ao despachar a Inter de Milão de Giacinto Facchetti, Gabriele Oriali e Alessandro Altobelli logo na primeira rodada da Copa da UEFA com uma surpreendente vitória no San Siro por 1 a 0 seguida por um empate sem gols na Geórgia.

Já em 1978, as posições se inverteram: os georgianos levantariam o segundo título de sua história, superando os ucranianos por quatro pontos e somando 17 vitórias, oito empates e cinco derrotas, além de liderarem praticamente de ponta a ponta a competição durante toda a temporada. Destaque para o artilheiro Ramaz Shengelia, autor de 15 gols. E também em setembro derrubariam mais um italiano na etapa inicial da Copa da UEFA, desta vez o Napoli. Após se impor em Tbilisi com um convincente 2 a 0, o Dinamo chegou a abrir a contagem no San Paolo, antes de Giuseppe Savoldi empatar de pênalti.

Mas o resultado que teve maior repercussão naquele fim dos anos 1970 aconteceria na Copa dos Campeões de 1979/80, para a qual o clube se classificou através do título soviético de 1978. De novo na primeira fase, o time enfrentaria o poderoso Liverpool, dirigido por Bob Paisley e liderado em campo pela dupla escocesa Graeme Souness e Kenny Dalglish. Depois de se sagrar bicampeão europeu em 1977 e 1978 e ver o Nottingham Forest ameaçar sua hegemonia, os Reds estavam dispostos a recuperá-la. Mas o Dinamo tinha outros planos.

Em Anfield, o time da casa conseguiu vencer por 2 a 1, num jogo com todos os tentos anotados no primeiro tempo. Mas ainda assim parecia um resultado um tanto apertado para ser defendido na Geórgia, especialmente pelo gol sofrido como mandante. Mas ninguém na Europa imaginava o que aconteceria na partida de volta. O Liverpool segurou o 0 a 0 até os nove minutos da etapa final, quando Vladimir Gutsaev escorou cruzamento da direita para abrir o placar. Aos 29’, uma arrancada sensacional de Giorgi Chilaya terminou no gol de Ramaz Shengelia.

Com 2 a 0 contra, os Reds ainda buscariam descontar o placar e levar o jogo para a prorrogação, mas quem marcou foi o Dinamo, de pênalti, com o líbero Aleksandr Chivadze aos 35 minutos. Era o gol que selava a vitória categórica por 3 a 0 e a classificação dos soviéticos. Um resultado que levaria um resignado Bob Paisley a admitir que seu time havia sido inteiramente superado na partida. O Dinamo seria eliminado na etapa seguinte pelo Hamburgo de Kevin Keegan, futuro finalista. Mas mostrava ser uma equipe para se ficar de olho.

Antes do início daquela campanha europeia, o Dinamo já havia garantido sua presença na Recopa de 1980/81 ao conquistar pela segunda vez a Copa da União Soviética. Levantado novamente no Estádio Central Lenin, o título veio nos pênaltis (5 a 4) diante de seu homônimo moscovita após empate sem gols no tempo normal, em agosto de 1979. Seria o passaporte para a grande glória do clube no âmbito europeu e uma das maiores do futebol soviético. E que viria a coroar uma excelente geração de talentos locais reunida pelo clube, uma de suas melhores da história.

A Recopa de 1980-1981

Unidos pela qualidade técnica comum a todos, um sexteto de muito talento ponteava a equipe. Havia a classe do líbero Aleksandr Chivadze, que gostava de se projetar ao ataque; a versatilidade de Tengiz Sulakvelidze, que atuava com igual desenvoltura na lateral-direita ou no meio-campo; o dinamismo e o ímpeto do armador Vitaly Daraselia; a elegância e a visão de jogo do ponta-de-lança David Kipiani; e a velocidade e o drible dos atacantes Vladimir Gutsaev e Ramaz Shengelia. Todos eles nomes frequentes na forte seleção soviética de então.

Embora uma competição sempre propensa às surpresas, a Recopa tinha alguns favoritos claros naquela edição. O Valencia, atual campeão, lutaria pelo bi mantendo seu astro argentino Mario Kempes e contratando o uruguaio Fernando Morena para se juntar a uma base que incluía nomes de seleção espanhola como o zagueiro Miguel Tendillo e o meia Enrique Saura. Outro clube que despontava como candidato sério à taça era a Roma, que vira sua crescente competitividade dar um salto ainda maior com a chegada do brasileiro Falcão.

O troféu da Recopa.
 

Antigos campeões europeus, Benfica, Celtic e Feyenoord também apareciam no rol de possíveis vencedores, assim como o bom time do Monaco. A Alemanha Ocidental entrava com o Fortuna Düsseldorf disposto a provar que sua chegada à final do mesmo torneio dois anos antes (perdida apenas na prorrogação para o Barcelona) não tinha sido uma irrepetível obra do acaso. Corriam por fora nomes tradicionais em seus países, como o Malmö (vice da Copa dos Campeões há duas temporadas), o Dínamo de Zagreb, o Sparta Praga e o Legia Varsóvia.

Representante inglês ao conquistar a FA Cup, o West Ham disputaria o torneio mesmo estando na segunda divisão nacional. Curiosamente, era o único participante além do Valencia a já ter levantado a Recopa, em 1965. Mas o que despertava curiosidade ainda maior era a participação de outra equipe que disputava divisão inferior em seu país: o Castilla, clube filial do Real Madrid e indicado para o torneio após ter sido vice-campeão da Copa do Rei, numa temporada em que os merengues haviam feito a dobradinha nacional.

O Dinamo Tbilisi teria pela frente na primeira fase um adversário bem menos pesado do que todos os citados: era o pequeno Kastoria, primeiro clube “do interior” da Grécia a vencer a copa nacional, goleando o Iraklis por 5 a 2 numa final surpreendente, a única de sua história. E que deu trabalho no primeiro confronto da Recopa, disputado no Estádio Kaftanzoglio, em Salônica. O empate em 0 a 0 persistiu até o fim. E persistiria na primeira etapa do jogo de volta, em Tbilisi, mas Shengelia e Gutsaev dariam a vitória ao Dinamo por 2 a 0 no segundo tempo.

A base do Dinamo: equipe era muito forte no ataque e tinha bom controle de bola.
 

Aquela primeira fase já deixou nomes bem cotados pelo caminho: o Celtic caiu nos gols fora de casa diante do romeno Politechnica Timisoara. O Valencia superou o Monaco. O Benfica passou pelo Dinamo de Zagreb. O Legia Varsóvia caiu diante do búlgaro Slavia Sofia. O West Ham levou a melhor no inusitado duelo com o Castilla com direito a goleada na prorrogação, mesmo jogando com portões fechados em Upton Park. Mas a surpresa foi a queda da Roma para o Carl Zeiss Jena, com os alemães-orientais revertendo um 3 a 0 na Itália com um 4 a 0 em casa.

As oitavas de final reservaram outro adversário fácil ao Dinamo Tbilisi, o irlandês Waterford, que havia passado pelo Hibernians de Malta na etapa anterior. Nele, o nome mais conhecido era o veterano meio-campo Tommy Jackson, ex-Everton, Nottingham Forest e Manchester United, que acumulava funções de jogador e técnico. Muito pouco para encarar os soviéticos, que venceram ambas as partidas. Na Irlanda, vitória por 1 a 0 com gol de Shengelia. Já na partida de volta, uma tranquila goleada por 4 a 0 confirmou a passagem às quartas.

A hora dos grandes confrontos

Com o torneio afunilando, a surpresa das oitavas foi de novo protagonizada pelo Carl Zeiss Jena, derrubando o Valencia com um 3 a 1 na Alemanha Oriental e segurando uma derrota pelo placar mínimo na Espanha. Nas quartas, a equipe teria pela frente um oponente de menor peso, o galês Newport County. Já o Dinamo Tbilisi pegaria o West Ham, que mesclava a experiência do capitão Billy Bonds, do lateral Frank Lampard (o pai do futuro ídolo do Chelsea) e do maestro do meio-campo Trevor Brooking à juventude do zagueiro Alvin Martin e do ponta Paul Allen, de apenas 18 anos.

Seria a partir desta fase, disputada em março de 1981 (e, portanto, já dentro da temporada anual de 1981 do futebol soviético), que o Dinamo estabilizaria a formação que se consagraria como a titular na conquista. Sob as traves, o bom goleiro Otar Gabelia, com passagem pela seleção soviética. A defesa era liderada pelo líbero e capitão Aleksandr Chivadze posicionado atrás de uma linha de três jogadores composta por Tamaz Kostava pelo lado direito, Giorgi Tavadze pelo lado esquerdo e Nodar Khizanishvili pelo centro.

O meio-campo também tinha sua linha de três: Zaur Svanadze atuava pelo lado direito com Tengiz Sulakvelidze ao centro e Vitaly Daraselia mais à esquerda. Mais adiante, no ataque, a terceira linha de três sofria uma alteração: o homem de centro era recuado, posicionando-se atrás da dupla de frente. David Kipiani, cérebro da equipe, municiava Vladimir Gutsaev e Ramaz Shengelia, pontas que também sabiam finalizar. Kipiani, porém, não se prendia a aquele setor e podia ser visto por todo o campo, inclusive buscando a bola desde a defesa para criar jogadas.

Apesar da estrutura aparentemente rígida, o futebol apresentado pela equipe era muito fluente. Como um atarantado West Ham poderia testemunhar nos 4 a 1 da partida de ida das quartas de final em Upton Park, na noite de 4 de março de 1981. Os londrinos, com seu jogo direto de lançamentos longos buscando as pontas, até pressionaram na primeira metade da etapa inicial, empurrados por sua torcida. Mas o Dinamo se mostrou muito resiliente e aos poucos foi se preparando para contragolpear. E, aos 24 minutos, enfim mostraria a que veio.

Quando a retaguarda do Dinamo afastou mais um cruzamento para a área e, com três passes, iniciou o contra-ataque, Chivadze ultrapassou a linha divisória, arrancou com bola dominada e, da intermediária, disparou um petardo indefensável para o goleiro Phil Parkes. Aquele gol não chegou a desanimar a torcida e o time do West Ham, que seguiu pressionando em busca do empate. Mas aos 31’, quando Ray Stewart se atrapalhou para afastar um chutão vindo da defesa soviética e Gutsaev aproveitou para marcar o segundo, veio o abalo.

O West Ham até conseguiu diminuir no início do segundo tempo, após um escanteio, numa bola que Gabelia se atrapalhou e não conseguiu segurar. Mas os londrinos sequer tiveram tempo de ensaiar a reação. Pouco depois da saída de bola, Shengelia apareceu no meio da defesa inglesa, servindo Svanadze com um passe por elevação. O meia dominou no peito e chutou na trave, mas o mesmo Shengelia pegou o rebote para ampliar. E, aos 22 minutos, um lançamento primoroso de Kipiani encontrou de novo Shengelia, que arrancou para anotar o quarto gol.

Além da técnica individual dos jogadores e das envolventes trocas de passes, chamava a atenção no Dinamo a facilidade de alterar o ritmo da partida, aumentando ou diminuindo sua velocidade conforme a necessidade. Era ainda um time letal nas finalizações, fosse dominando as ações ou contra-atacando. Como observou Craig McCracken num artigo relembrando a partida para o Guardian (UK), a equipe combinava o estilo veloz e de toques rápidos dos times russos e ucranianos com o jogo baseado na habilidade e inspiração típico de georgianos e armênios.

Gutsaev.
 

Para o jogo da volta nem foi preciso tanto, dada a enorme vantagem obtida em Londres. O placar em branco persistiu até os minutos finais, quando o West Ham marcou pela única vez com Stuart Pearson e garantiu o triunfo por 1 a 0. Nada que ameaçasse a classificação do Dinamo, que teria outro confronto de peso nas semifinais diante do Feyenoord, vindo de eliminar com goleada um bom time do Slavia Sofia. Na outra “perna”, o Benfica despachara o Fortuna Düsseldorf e pegaria o Carl Zeiss Jena, que levou sufoco do Newport e contou com a sorte para chegar às semifinais.

Treinado pelo tchecoslocavo Václav Ježek, que levou a seleção de seu país ao surpreendente título da Eurocopa em 1976, o Feyenoord teria o desfalque do volante Jan Peters, da Oranje, na primeira partida, mas contava com alguns bons nomes, como o jovem goleiro Joop Hiele, o lateral-direito Ben Wijnstekers (também da Laranja), o zagueiro dinamarquês Ivan Nielsen, o meia René Notten, o atacante islandês Petur Petursson e o goleador Pierre Vermeulen. Entretanto, seria totalmente dominado e cairia por um placar elástico de 3 a 0 em Tbilisi.

Atacando desde o pontapé inicial, os soviéticos foram parados algumas vezes pela bem executada linha de impedimento holandesa. Mas quando descobriram o mapa da mina pelo lado direito de seu ataque, com Kostava se juntando ao apoio, as chances começaram a aparecer. E o placar foi aberto logo aos 23 minutos quando um cruzamento de Gutsaev vindo daquele flanco encontrou Sulakvelidze sozinho no meio da área. O meia grandalhão nem precisou saltar muito antes de cabecear para o chão, pegando o goleiro Hiele no contrapé.

Foto: Givi Kikvadze / Sergo Edisherashvili / Sakinform / National Archives of Georgia.
 

O Dinamo poderia ter ampliado quando Shengelia recebeu lançamento e deu um leve toque de cobertura na saída do goleiro, mas um defensor correu e salvou em cima da linha. O segundo gol, porém, viria de qualquer maneira. E acabou saindo após a falha bisonha de um defensor que se atrapalhou na hora de cortar um lançamento de Kipiani. Svanadze agradeceu o presente e cruzou para Gutsaev enviar às redes. O Dinamo seguia para o intervalo com uma confortável vantagem – e que poderia ter sido ainda maior, em virtude de seu domínio.

E ela seria logo ampliada na etapa final com um gol brilhante de Sulakvelidze, que recebeu de Kipiani na intermediária e entrou costurando pela defesa do Feyenoord antes de tocar na saída de Hiele. Se não fosse seu jovem arqueiro, aliás, a equipe de Roterdã poderia ter sofrido placar mais dilatado: ele deteve uma bela finalização de Chivadze e um chutaço de Daraselia, ambos de fora da área, além de sair aos pés de Shengelia numa jogada em que o atacante aproveitou um cochilo da defesa para arrancar sozinho até a área.

Na volta, no caldeirão do De Kuip, o Dinamo teve logo de saída um gol de Shengelia absurdamente anulado por impedimento inexistente. Para piorar, pouco antes do intervalo, sofreu um gol de Karel Bouwens num escanteio, em uma saída em falso de Gabelia. E aos 11’ da etapa final, René Notten cavou e converteu um pênalti para deixar o Feyenoord próximo do empate no agregado. O Dinamo ainda teria outros dois gols anulados por impedimento em lances duvidosos e reclamaria de dois pênaltis não marcados, mas superaria a pressão e avançaria à final com a derrota por 2 a 0.

Daraselia, craque do Dinamo e também da seleção.
 

Na outra semifinal, o Carl Zeiss Jena escreveria uma história semelhante para chegar à decisão: venceria outro gigante da Europa Ocidental, o Benfica, por 2 a 0 em casa na primeira partida com gols logo no início do jogo. Mas na volta sofreria um gol do atacante Reinaldo na etapa final e teria de suportar – e superar – a pressão dos lisboetas. Com isso, a Recopa assistiria a sua segunda final entre países do bloco socialista, depois da de 1975 em que o Dynamo de Kiev, inspirado por Oleg Blokhin, derrotou o Ferencváros por 3 a 0 na Basileia.

Além de três veteranos da Alemanha Oriental da Copa de 1974 (o líbero Rüdiger Schnuphase, o zagueiro e capitão Lothar Kurbjuweit e o atacante Eberhard Vogel), o Carl Zeiss ainda contava com o experiente goleiro Hans-Ulrich Grapenthin (campeão olímpico com a seleção em Montreal, em 1976) e nomes mais jovens que também vinham sendo chamados, como o lateral Gert Brauer, os meias Andreas Krause e Lutz Lindemann e os atacantes Andreas Bielau e Jürgen Raab. E chegava com a credencial de ter eliminado Roma, Valencia e Benfica.

A decisão e o título histórico

Disputada em 13 de maio de 1981 no Rheinstadion, em Düsseldorf, a final teve público pequeno: oficialmente, apenas 4.750 pessoas. E os primeiros 45 minutos de bola rolando deixaram bem nítida a diferença de estilo entre as equipes. Fisicamente mais forte, o Carl Zeiss Jena se fechava em bloco esperando o adversário em seu próprio campo para sair em contra-ataques sempre por meio da bola longa, buscando as pontas. Já o Dinamo fazia jus à reputação dos georgianos: mais técnico, baseava seu jogo na troca de passes e não raro recorria a jogadas de efeito.

O Dinamo também evitava recorrer às esticadas: Kipiani e Sulakvelidze eram dos poucos a tentarem lançamentos, e ainda assim muito conscientes, sem simplesmente rifar a bola. Até nos escanteios os georgianos evitavam alçar a bola à área, preferindo as cobranças curtas e as aproximações. Se a estratégia alemã-oriental fez com que a defesa soviética passasse algum desconforto na primeira metade da etapa inicial, na segunda o Dinamo colocou de vez a bola no chão e passou a ocupar o campo do Carl Zeiss e controlar as ações.

Gutsaev marca na final.
 

Nessa fase, a equipe de Nodar Akhalkatsi criou suas duas melhores chances do primeiro tempo. Uma delas, ironicamente, numa bola levantada na área em cobrança de falta pela ponta direita que Chivadze cabeceou para o chão e obrigou Grapenthin a fazer ótima defesa. A outra, também após um tiro livre, veio num excelente chute de Daraselia de fora da área. No entanto, apesar de movimentado, o jogo seguiu para o intervalo com o placar em branco. E, na etapa final, logo na saída de bola, quem começou assustando foi o Carl Zeiss Jena.

O ponteiro Andreas Bielau desceu pela direita e cruzou para Jürgen Raab emendar de peixinho na pequena área, mas sua cabeçada quicou no gramado e subiu além da meta. O Dinamo tentou responder, mas os alemães-orientais voltaram a ameaçar antes dos cinco minutos numa jogada individual do capitão Lothar Kurbjuweit, que iludiu três marcadores e chutou forte para defesa de Gabelia. A primeira chance do Dinamo veio aos dez, com Gutsaev driblando dois defensores antes de ter sua finalização desviada para escanteio.

O Carl Zeiss Jena acabou abrindo o placar aos 18’, num contra-ataque: após uma troca de passes que começou com uma bela ajeitada de Vogel com o peito, Raab desceu pelo lado esquerdo da área e centrou da linha de fundo. Nem Chivadze, nem Khizanishvili conseguiram cortar, e a bola sobrou para Gerhard Hoppe bater com estilo, sem chances para Gabelia. Em desvantagem, o Dinamo voltou a ocupar em bloco o campo do adversário e ainda concederia dois contra-ataques perigosos ao adversário, mas não demoraria a empataria a partida.

Aos 22 minutos, Shengelia fez linda jogada individual puxando um ataque pelo meio e passando por dois defensores antes de abrir na direita para Gutsaev, que disparou um chute forte, rasteiro e cruzado, que passou entre Grapenthin e a trave. Logo em seguida veio a primeira alteração no Dinamo: Svanadze deixou o campo substituído pelo meia Nugzar Kakilashvili, jogador mais agudo para atuar no mesmo lado direito. Com o desfecho imprevisível após o merecido empate dos soviéticos, o jogo se tornou mais franco nos 15 minutos finais.

O Dinamo teve ótima chance em jogada de Gutsaev pelo lado esquerdo que terminou num chute forte de Kakilashvili passando ao lado da meta. O Carl Zeiss respondeu com uma finalização de longa distância de Vogel, bem defendida por Gabelia. E, nesse lá-e-cá, a quatro minutos do fim os soviéticos chegariam à vitória por 2 a 1, num gol de pura arte. Daraselia recebeu passe de Kipiani na intermediária pelo lado esquerdo, arrancou rumo à área e entortou dois defensores, antes de chutar forte, quase à queima-roupa, sem chance para Grapenthin.

Era um desfecho de campanha perfeito para sublinhar a qualidade técnica daquela equipe. Ainda que nos minutos finais o Dinamo já se permitisse até alguns chutões na defesa para rechaçar a pressão alemã-oriental, o time poderia ter até ampliado a contagem. Houve a maravilhosa jogada de Shengelia arrancando num contra-ataque pela direita, mas encerrada com um passe curto demais do atacante ao entrar na área. E houve ainda um petardo de Chivadze em cobrança de falta. Mas a conquista já estava encaminhada. E foi merecida. Em nove jogos, foram seis vitórias, um empate e duas derrotas, com 16 gols marcados e cinco gols sofridos. 

O fim de um esquadrão lendário

Na temporada seguinte, o Dinamo acabou não disputando a Supercopa da UEFA pelo fato de o Liverpool (campeão da UCL) não encontrar datas para enfrentar o time soviético (talvez por “medo” de perder de novo para a equipe azul…). Já na Recopa de 1981-1982, o time chegaria perto do bi. Nas primeiras fases, superaria os austríacos do Grazer AK, o Bastia e o Legia Varsóvia, antes de cair na semifinal para o Standard de Liège com duas derrotas por 1 a 0. Em parte, por falta de pernas: entre as duas partidas decisivas, vários jogadores da equipe tiveram de viajar à Argentina onde a seleção soviética enfrentaria a Albiceleste num amistoso. Em junho, quatro jogadores do time (Chivadze, Sulakvelidze, Daraselia e Shengelia) figurariam na forte equipe nacional no Mundial da Espanha.

 
 

Ausência sentida, Kipiani ficou de fora após fraturar a perna em abril, numa partida contra o Kuban Krasnodar. Seria a lesão que encerraria sua carreira aos 30 anos de idade. Como se não bastasse, aquele ano de 1982 se encerrou com outra tragédia envolvendo um atleta do clube: o acidente automobilístico que mataria aos 25 anos o meia Vitaly Daraselia, autor do gol do título da Recopa. O abalo foi imediato: presença certa entre os quatro primeiros da liga soviética desde 1976, o Dinamo despencaria para o 16º lugar em 1983, logo acima da zona de descenso.

Pelo resto da década, o time viveria numa espécie de limbo, do qual só sairia rapidamente com a participação na Copa da UEFA de 1987/88, fruto de um quinto lugar na liga em 1986. Mas nada que se comparasse a seu período glorioso anterior. O clube também perdeu espaço na seleção e as novas gerações não vingaram. Sua última participação no campeonato soviético terminaria num discreto 11º lugar em 1989. No ano seguinte, a federação da Geórgia se estabeleceria como independente da União Soviética, transferindo o Dinamo para outra realidade.

Os personagens:

Otar Gabelia: apesar de não ser tão alto para um goleiro (media 1,77m), Gabelia possuía grande senso de colocação, elasticidade e muita segurança. Prova disso era a baixíssima quantidade de gols sofridos do Dinamo Tbilisi no período em que o goleiro jogou no clube – entre 1977 e 1982 e 1985 e 1990. Foi eleito o melhor goleiro da URSS em 1979, mas não teve chances na seleção pelo fato de na época a equipe ter o grande Rinat Dasaev.

Aleksandre Chivadze: um dos mais técnicos zagueiros de seu tempo, Chivadze podia jogar como zagueiro central e como líbero, e possuía um domínio de bola maior do que muito jogador de linha. Chivadze conduzia a bola com elegância para que ela fizesse o que ele queria. E, além de defender muito bem, era uma figura constante no ataque do Dinamo, pelo qual marcou quase 50 gols. O defensor só vestiu a camisa do Dinamo Tbilisi na carreira – de 1974 até 1987 -, jogou na seleção da URSS entre 1980 e 1987 e disputou as Copas de 1982 e 1986.

Giorgi Tavadze: atuava como defensor, geralmente pela lateral ou como ala. Formado nas categorias de base do Guria Lanchkhuti, iniciou sua carreira profissional no próprio clube em meados da década de 1970. Em 1978, foi jogar no Dinamo Tbilisi, onde permaneceu até 1982. Foi um dos principais elos entre defesa e meio de campo e era muito bom nos passes e cruzamentos.

Shota Khinchagashvili: revelado pelo Metallurg Rustavi, chegou do Dinamo em 1970 e permaneceu por mais de uma década na equipe georgiana. Foi titular na conquista da Copa Soviética de 1979 e figura constante no time principal até a ascensão de Tavadze no time titular. Jogou também pela seleção da URSS, disputando 11 partidas.

Khizanishvili: zagueiro muito eficiente, cobria o setor quando Chivadze se mandava para o campo de ataque ou meio de campo. Podia jogar mais centralizado e também como líbero. Foram mais de 160 jogos com a camisa do Dinamo Tbilisi entre 1973 e 1982.

Tamaz Kostava: foram mais de cinco anos no Dinamo e grandes atuações pela lateral-direita da equipe azul. Pela seleção, foram apenas três jogos em 1978, ano do título do campeonato nacional.

Giorgi Chilaya: lateral-esquerdo de muita velocidade, foi um dos grandes nomes do Dinamo Tbilisi na conquista nacional de 1978 e nas caminhadas europeias do clube, em especial no triunfo histórico sobre o Liverpool. Chilaya destacou-se pela solidez defensiva, disciplina tática e capacidade de cumprir funções variadas no sistema do técnico Akhalkatsi.

David Mujiri: formado no próprio futebol georgiano, Mujiri destacou-se pela capacidade de organização no meio-campo e pela disciplina. Embora não tenha sido uma das grandes estrelas da equipe, Mujiri contribuiu como peça útil dentro do elenco, oferecendo regularidade e comprometimento tático.

Zaur Svanadze: após debutar no Torpedo Kutaisi, foi contratado pelo Dinamo Tbilisi em 1981 e foi muito importante na campanha do título continental do clube naquela temporada. Atuava mais pela direita do meio de campo, contribuindo tanto na distribuição da bola quanto nas jogadas ofensivas. Disputou mais de 245 jogos pelo clube entre 1981 e 1989. Após se aposentar, virou técnico e comandou o próprio Dinamo Tbilisi no final dos anos 2010.

Manuchar Machaidze: lenda do Dinamo Tbilisi, pelo qual disputou 377 jogos e marcou 49 gols, Machaidze é o único jogador na história do futebol georgiano que levantou a Copa Soviética como capitão duas vezes. A primeira em 1976, quando os azuis tiveram um desempenho notável após uma vitória arrasadora por 3 a 0 contra o Ararat Yerevan, e a segunda em 1979, após o empate sem gols e vitória nos pênaltis por 5 a 4 sobre o Dinamo Moscou. Um armador que também atuava mais recuado, Machaidze era conhecido por sua capacidade organizacional, inteligência, habilidades técnicas e fôlego excepcional. Acabou deixando o clube antes da conquista da Recopa e não participou do elenco campeão. Mesmo com tanta fama, não teve muitas chances na seleção soviética da época e disputou apenas quatro jogos pela equipe.

Nugzar Kakilashvili: atuava como meia e também atacante e foi um dos principais nomes do elenco naquela época. Jogou pelo Dinamo por 10 anos e venceu os títulos do campeonato nacional de 1978, da copa nacional de 1979 e da Recopa de 1981. Acumulou mais de 190 jogos pelo clube, com 21 gols.

Tengiz Sulakvelidze: meio-campista muito forte na marcação e importante na transição entre a defesa e o ataque, jogava centralizado e podia também recuar para compor a zaga ou mesmo ficar mais à frente, dificultando a saída de bola dos rivais. Jogou por mais de uma década no Dinamo Tbilisi (acumulou 279 jogos e 21 gols) e foi figura constante, também, na seleção da URSS, pela qual disputou 49 jogos e marcou um gol.

Vakhtang Koridze: polivalente, podia jogar como defensor e também meio-campista, e teve duas passagens pelo Dinamo: 1969-1970 e 1975-1980. Foi um dos destaques do time campeão das copas soviéticas daquela época e do campeonato nacional de 1978. Neste, foi um dos principais goleadores da equipe ao marcar 8 gols em 30 jogos.

Vitaly Daraselia: um dos mais criativos jogadores do elenco, o meia atuava mais aberto pela esquerda e podia fazer tabelas, criar jogadas de efeito, arriscar perigosos chutes de longe e aparecer na área para finalizar. Fez o gol mais importante da história do clube, na grande final da Recopa, e virou um ídolo instantâneo. Sua morte prematura, em 1982, após um acidente automobilístico, comoveu a torcida e toda a imprensa na época. O carro de Daraselia caiu de um penhasco em um rio e seu corpo foi levado pela correnteza, ficando completamente enterrado na areia e encontrado 13 dias depois com a ajuda de um cão farejador. Daraselia tinha apenas 25 anos. Ele marcou 26 gols em 192 jogos pelo clube azul.

Vladimir Gutsaev: atacante que só vestiu a camisa do Dinamo Tbilisi na carreira, de 1971 até 1986, Gutsaev foi um dos mais importantes atletas daquela geração e era o grande artífice ofensivo da equipe graças às suas arrancadas, dribles e jogadas de puro improviso. Disputou mais de 300 jogos e marcou mais de 50 gols pelo clube.

David Kipiani: atuava principalmente como armador e é considerado um dos maiores jogadores da Geórgia. Kipiani ficou marcado por seu estilo de jogo elegante, habilidade de drible e precisão nos passes, além da enorme visão de jogo e completa interação em campo, onde Kipiani foi indiscutivelmente o jogador mais dominante do ataque azul. Em mais de 12 anos, Kipiani disputou 314 jogos e marcou 106 gols com a camisa do Dinamo Tbilisi. Pela seleção soviética, foram 19 jogos e 7 gols.

Gocha Machaidze: irmão de Manuchar Machaidze, podia jogar como lateral-direito ou meia pela direita. Por conta da boa fase dos outros companheiros de time, não foi titular com frequência, mas sim uma boa opção para entrar no decorrer das partidas.

Ramaz Shengelia: um dos mais prolíficos atacantes soviéticos dos anos 1970 e 1980, Shengelia brilhou no Dinamo Tbilisi entre 1977 e 1988, pelo qual disputou 357 jogos e marcou 156 gols. Foi o artilheiro da equipe na campanha do título nacional de 1978 com 15 gols e ainda artilheiro do campeonato nacional de 1981, com 23 gols, e da Recopa da UEFA de 1981-1982 com 6 gols. Foi eleito duas vezes o futebolista do ano da URSS (1978 e 1981) e brilhou ainda pela seleção soviética, pela qual disputou 26 jogos e marcou 10 gols, um deles no empate em 2 a 2 contra a Escócia na Copa do Mundo de 1982.

Nodar Akhalkatsi (Técnico): por seu estilo de futebol arrojado e abordagem ofensiva, Akhalkatsi fez do Dinamo Tbilisi um dos mais fortes times do bloco soviético nos anos 1970 e 1980 e atingiu o topo com a conquista da Recopa da UEFA de 1981. Antes disso, mostrou sua competência nos grandes jogos pela Copa dos Campeões, em especial quando eliminou o Liverpool, e nas conquistas nacionais de 1976, 1978 e 1979. Em sua primeira passagem pelo Dinamo, entre 1976 e 1983, acumulou 330 jogos, 160 vitórias, 86 empates e 84 derrotas. Sem dúvida, o mais importante e lendário técnico da história do clube.

Confira o trabalho de Emmanuel do Valle também no Flamengo Alternativo e no It’s A Goal.

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Cruzeiro x Flamengo: Grandes Jogos na História

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Por Guilherme Diniz

Dois dos clubes mais vitoriosos do futebol brasileiro, Cruzeiro e Flamengo já fizeram jogos eletrizantes ao longo das décadas e partidas que decidiram vagas em fases eliminatórias de diversas competições, além de duas finais de Copa do Brasil, ambas vencidas pelo Cruzeiro. Em 2026, a dupla se enfrenta nas oitavas de final da Copa Libertadores, em um repeteco do confronto lá de 2018, quando a Raposa eliminou o rubro-negro. Será que o Fla consegue a revanche? Confira agora os grandes jogos na história entre Cruzeiro x Flamengo!

Cruzeiro 3×3 Flamengo – Amistoso – 1923

A primeira partida entre mineiros e cariocas aconteceu em Belo Horizonte, no dia 23 de setembro de 1923, no antigo estádio do Barro Preto, diante de 4 mil pessoas. O Cruzeiro ainda se chamava Palestra Itália e recebeu um Flamengo então campeão estadual. A partida foi cheia de festa por conta da celebração do 20 de setembro, data que marca a unificação da Itália e era celebrada pela comunidade italiana na capital mineira e, claro, pelo Palestra Itália. Para coroar o dia, a partida terminou em um agitado 3 a 3, com Ninão (2) e Heitor anotando os gols dos mineiros e Benevenuto, Agenor e Mário os gols do Flamengo.

Cruzeiro 5×1 Flamengo – Amistoso – 1946

Depois daquele duelo de 1923, a dupla realizou outros amistosos, mas nada tão relevante quanto a goleada da Raposa pra cima do Fla em 1946, de novo no estádio do Barro Preto e com o Cruzeiro já utilizando seu nome tradicional. Mesmo com nomes como Modesto Bria, Vaguinho, Perácio, Jacir, Jarbas e Paulo Amaral, o rubro-negro não foi páreo para o time tricampeão mineiro consecutivo e que tinha os artilheiros Niginho e Braguinha, estrelas da Raposa na época. Os gols da equipe mineira naquele dia foram de Hemetério, Alcides, Ismael (2) e Braguinha, com Velau descontando para os cariocas.

Cruzeiro 6×2 Flamengo – Torneio Magalhães Pinto – 1966

Inaugurado em 1965, o Estádio do Mineirão se transformou em um divisor de águas no futebol mineiro, que passaria a ser protagonista no futebol nacional com seus principais clubes. E, ainda celebrando aquele gigantesco colosso de concreto, a cidade de Belo Horizonte promoveu em fevereiro de 1966 o torneio amistoso Magalhães Pinto, que reuniu Cruzeiro, Atlético-MG, Flamengo e a Seleção da União Soviética. A Raposa já tinha a base multicampeã estadual da época e que venceria naquele mesmo ano a Taça Brasil em cima do Santos de Pelé. Por isso, era a favorita na disputa. 

cruzeiro 1966
O lendário Cruzeiro de 1966. Em pé: Neco, Pedro Paulo, William, Procópio, Piazza e Raul. Agachados: Natal, Tostão, Evaldo, Dirceu Lopes e Hilton Oliveira.
 

E o Mineirão viu um verdadeiro passeio dos azuis pra cima dos cariocas. Silva abriu o marcador aos 20 minutos do 1º tempo para o Flamengo, mas Dirceu Lopes empatou aos 25’, e Silva, de pênalti, voltou a colocar o time carioca na frente. Porém, antes do intervalo, Tostão empatou, aos 39’. No 2º tempo, Wilson Piazza, aos 17’, Tostão, aos 23’, Marco Antônio aos 29’, e novamente Tostão, aos 37’, construíram a goleada cruzeirense. Na final, o Cruzeiro acabou derrotado pela seleção da URSS de Lev Yashin – que havia vencido o Galo na semifinal por 6 a 1 – por 1 a 0 e terminou com o vice.

Flamengo 2×0 Cruzeiro – Torneio Roberto Gomes Pedrosa – 1967

A primeira partida válida por um grande torneio oficial entre a dupla aconteceu em 1967, no Maracanã, na fase de grupos do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, um dos precursores do Campeonato Brasileiro, este iniciado em 1971. Com dois gols de Ademar Pantera, o Fla conseguiu uma vitória sobre o fortíssimo time cruzeirense e surpreendeu, apesar de nem ele nem a Raposa conseguirem vaga no quadrangular final.

Flamengo 5×1 Cruzeiro – Amistoso – 1968

Cruzeiro x Flamengo: Grandes Jogos na História

Dois anos após o revés de 1966, o Fla conseguiu a desforra pra cima do Cruzeiro com uma goleada de 5 a 1 em amistoso disputado no Maracanã. Mesmo com o Cruzeiro ainda tendo seus craques – Tostão, Natal, Dirceu Lopes e companhia -, o Fla construiu o placar com autoridade. Silva anotou dois gols, Luís Carlos também e César Lemos fez um.

Flamengo 1×3 Cruzeiro – 2ª Fase do Campeonato Brasileiro de 1974

A dupla fez um grande jogo na disputa por uma vaga no quadrangular final do Brasileirão de 1974. No Grupo 1, apenas o primeiro colocado entre seis equipes iria se classificar. E, com turno único, cada vitória contava demais. Jogando em pleno Maracanã, o Cruzeiro conseguiu superar o gol de Rui Rei, aos 17′, e virou a partida no segundo tempo. Tudo começou com Roberto Batata, aos 61′, seguido de Eduardo Amorim, que virou aos 63′. Aos 83′, Palhinha fez 3 a 1 e garantiu pontos preciosos ao time mineiro, que conseguiu a vaga no quadrangular final e fez a decisão contra o Vasco de Roberto Dinamite, que acabou campeão.

Flamengo 3×1 Cruzeiro – 2ª Fase do Campeonato Brasileiro de 1977

Depois de quase 10 anos sem vencer o Cruzeiro, o Fla, enfim, encerrou a escrita com um triunfo válido pela 2ª Fase (Grupo K) do Brasileirão de 1977. Jogando em casa, o rubro-negro fez o cenário inverso de 1974 e, após levar um gol de Nelinho, aos 30′, empatou com Toninho Baiano, aos 36′, e virou no segundo tempo com dois gols de Cláudio Adão, aos 57′ e 74′. Ambos conseguiram se classificar para a terceira fase, mas foram eliminados em seus respectivos grupos.

Cruzeiro 2×0 Flamengo – 2ª Fase do Campeonato Brasileiro de 1989

Em um dos raros duelos nos anos 1980 – foram apenas quatro jogos em toda a década -, o Cruzeiro conseguiu vencer os cariocas no Mineirão por 2 a 0, gols de Heider e Bilu, e seguiu na briga por uma vaga na final. Os mineiros, no entanto, acabaram um ponto atrás do Vasco no Grupo B, o que deu ao cruzmaltino a vaga na decisão contra o São Paulo, vencida pelos cariocas por 1 a 0 em pleno Morumbi, no lendário gol de Sorato.

Cruzeiro 0x1 Flamengo / Flamengo 1×1 Cruzeiro – Quartas de Final da Copa do Brasil de 1995

O primeiro duelo eliminatório da história do confronto aconteceu nas quartas de final da Copa do Brasil de 1995. Ambas as equipes contavam com gerações muito fortes e que brigavam em todas as frentes na época. O Cruzeiro tinha o lendário goleiro Dida, o lateral-direito Belletti, o lateral-esquerdo Serginho, o meia Ricardinho e o artilheiro Marcelo Ramos. Já o Flamengo queria um título de expressão no ano de seu centenário e apostava em nomes como Charles Guerreiro, o lateral-esquerdo Branco, o experiente zagueiro Válber, o meio-campista Fabinho e o ataque formado por Romário e Sávio.

No primeiro jogo, em BH, o zero não saiu do placar até o minuto final, quando Sávio fez o gol da vitória flamenguista que deu a vantagem do empate para a volta, no Maracanã. Jogando em casa, o Fla abriu o placar novamente com Sávio, no começo do segundo tempo, até Rogério empatar para o Cruzeiro. Um gol da Raposa colocaria fogo no jogo, mas o Fla conseguiu se segurar e ficou com a vaga graças ao triunfo por 2 a 1 no placar agregado. O rubro-negro encarou o Grêmio de Felipão na semifinal e acabou derrotado. Na final, o tricolor perdeu para o Corinthians de Marcelinho Carioca, Zé Elias, Viola e companhia, que terminou campeão.

Cruzeiro 0x1 Flamengo / Flamengo 3×1 Cruzeiro – Semifinal da Supercopa da Libertadores de 1995

No final de 1995, o Flamengo se apegou à sua última chance de título no ano de centenário e viu na extinta (mas super legal!) Supercopa da Libertadores a oportunidade de redenção. E, após eliminar Vélez Sarsfield-ARG e Nacional-URU, o Flamengo reencontrou o Cruzeiro na disputa por uma vaga na grande final. No primeiro jogo, no Mineirão tomado por 54 mil pessoas, o Flamengo repetiu o roteiro do duelo da Copa do Brasil e venceu por 1 a 0, dessa vez com gol do zagueiro Ronaldão.

Na volta, o Fla não deu sopa para o azar e abriu o placar logo aos 19′, com Aloísio Chulapa. Márcio Costa fez 2 a 0 e Belletti, aos 45′, descontou. No segundo tempo, Rodrigo Mendes ampliou e os 3 a 1 colocaram o Fla na final. Porém, o rubro-negro não resistiu ao copeiro Independiente-ARG, que venceu a partida de ida, na Argentina, por 2 a 0, e segurou uma derrota por 1 a 0 no Maracanã, resultado que deu o título aos Rojos.

Flamengo 1×1 Cruzeiro / Cruzeiro 0x0 Flamengo – Semifinal da Copa do Brasil de 1996

A vingança cruzeirense veio já no ano seguinte, novamente em uma Copa do Brasil. Jogando com o regulamento embaixo do braço, o Cruzeiro conseguiu a vaga na final após dois empates com o Flamengo na semifinal. Na ida, fora de casa, os mineiros empataram em 1 a 1 com um gol do talismã Cleisson. Na volta, o empate sem gols foi o suficiente para colocar a Raposa na decisão. Nela, a equipe encarou o favorito Palmeiras e conseguiu o título após empate em 1 a 1 jogando em MG e vitória por 2 a 1 em pleno Estádio Palestra Italia.

Flamengo 0x0 Cruzeiro / Cruzeiro 0x3 Flamengo – Semifinal da Copa dos Campeões de 2001

Entre 2000 e 2002, a CBF organizou a Copa dos Campeões, torneio que reunia os vencedores das extintas copas regionais (Rio-SP, Sul-Minas, etc) e dava ao campeão uma vaga na Copa Libertadores. Esse atrativo deu mais interesse à competição, que era realizada em diversas cidades do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Em 2001, Flamengo e Cruzeiro disputaram a semifinal em jogos que reuniram grandes personagens, a começar pelos técnicos: Mário Zagallo do lado flamenguista e Paulo César Carpegiani do lado azul. O Fla tinha o goleiro Júlio César, o lateral Alessandro, o zagueiro Juan, os meio-campistas Leandro Ávila e Petkovic e os atacantes Edílson e Reinaldo. Já o Cruzeiro apostava no bom goleiro André, no zagueiro Cléber, no lateral-esquerdo Juan Pablo Sorín, no ídolo Ricardinho e nos atacantes Marcelo Ramos e Oséas.

Na primeira partida, disputada no estádio Rei Pelé, em Maceió (AL), o zero não saiu do placar, o que levou a decisão para a volta, disputada no Almeidão, em João Pessoa (PB). No embalo de sua imensa torcida, o Flamengo abriu o placar com Petkovic, no final do primeiro tempo. Na segunda etapa, Edílson fez 2 a 0 e Beto anotou 3 a 0, resultado que garantiu o Fla na final. O time carioca terminou campeão após dois jogaços contra o São Paulo: vitória por 5 a 3 no duelo da ida e derrota por 3 a 2 na volta, o que deu ao rubro-negro a vitória por 7 a 6 no agregado.

Cruzeiro 2×1 Flamengo – Semifinal da Copa dos Campeões de 2002

Na última edição da Copa dos Campeões, o Cruzeiro conseguiu a vingança diante do Flamengo e eliminou o time carioca na semifinal de 2002, disputada em jogo único no Castelão, em Fortaleza (CE). A Raposa abriu o placar aos 72′, com Joãozinho, que saiu do banco para mudar a partida. Seis minutos depois, Fábio Júnior ampliou e deixou a equipe mineira muito perto da vaga. Juninho Paulista, aos 89′, ainda deu esperanças aos cariocas, mas a vitória foi do Cruzeiro. Na final, a equipe mineira acabou derrotada pelo grande Paysandu da época e ficou com o vice.

Flamengo 1×1 Cruzeiro / Cruzeiro 3×1 Flamengo – Final da Copa do Brasil de 2003

Depois de tantos jogos eliminatórios, enfim, chegou o momento de uma grande final entre cruzeirenses e flamenguistas: a Copa do Brasil de 2003. Comandado pelo técnico Nelsinho Baptista, o Flamengo buscava um título que não vinha desde 1990 e confiava no goleiro Júlio César, no lateral Athirson, no habilidoso Felipe e nos atacantes Edílson e Zé Carlos. Mas o Cruzeiro era “aqueeele” Cruzeiro de Luxemburgo, o timaço da Tríplice Coroa que tinha o goleiro Gomes, os zagueiros Edu Dracena e Luisão, os laterais Maurinho e Leandro, os volantes Augusto Recife e Wendel, os atacantes Deivid e Aristizábal e o maestro Alex.

Alex fez gol de letra na final da Copa do Brasil de 2003. Só pra quem sabe!
 

E foi justamente o camisa 10 do time azul que brilhou nos dois jogos. Na ida, em um Maracanã com mais de 73 mil pessoas, o craque recebeu passe perfeito de Deivid dentro da área e, de letra, fez um golaço que calou o Maraca. O time mineiro ainda teve chances para ampliar, mas foi o Flamengo que fez o gol do empate nos acréscimos, com Fernando Baiano. 

O 1 a 1 deu esperanças aos rubro-negros, mas o Cruzeiro não deu chance alguma: logo no primeiro minuto de jogo, Alex cobrou falta na cabeça de Deivid, que fez 1 a 0. O gol desmontou o Flamengo, que viu Aristizábal fazer 2 a 0 logo aos 16’, em outro gol de cabeça após cobrança de falta perto da área. Aos 28’, Alex mandou outra bola na área flamenguista e Luisão testou para fazer 3 a 0. A partir dali, foi só tocar a bola e esperar o apito final para fazer a festa. Fernando Baiano, aos 64’, ainda descontou, mas a vitória foi mesmo cruzeirense: 3 a 1. E Cruzeiro campeão da Copa do Brasil.

Flamengo 3×0 Cruzeiro – 12ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2003

Cinco dias depois da final da Copa do Brasil, cariocas e mineiros se enfrentaram pelo primeiro turno do Brasileirão e o rubro-negro quis devolver o revés para o time azul. Aproveitando a ausência de Alex e outros titulares da Raposa, o Fla venceu por 3 a 0 e aproveitou a ressaca da equipe de Luxemburgo. Zé Carlos, aos 17’, e Jean, aos 19’, fizeram 2 a 0 ainda no primeiro tempo. Na etapa complementar, Jônatas, aos 66’, ampliou, e impôs ao Cruzeiro apenas sua segunda derrota na temporada. No returno, o Cruzeiro venceu por 2 a 0 no Mineirão e seguiu sua caminhada rumo ao título brasileiro.

Flamengo 6×2 Cruzeiro – 46ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2004

Um ano depois, a dupla se enfrentou em condições bem diferentes pela última rodada do inchado Brasileirão de 2004. O Cruzeiro, 13º colocado, não almejava mais nada na competição e só cumpria tabela. Já o Flamengo estava perto da zona de rebaixamento e precisava da vitória para afastar de vez o risco de queda. Jogando em Volta Redonda, os comandados do técnico Andrade fizeram um primeiro tempo arrasador. André Bahia, aos 27′, Ibson, aos 33′ e Whelliton, aos 35′, abriram 3 a 0 para o Fla. Fred, aos 37′, descontou e André Bahia marcou outro, aos 42′. Héctor Tapia fez o segundo da Raposa e os times foram para o intervalo com 4 a 2 a favor do Flamengo. 

 

No segundo tempo, o ritmo diminuiu, mas Athirson e Felipe decretaram a goleada de 6 a 2 que manteve o Flamengo na Série A. O ano terminou de maneira melancólica, pois o clube, meses antes, perdeu em casa a Copa do Brasil para o Santo André.

Flamengo 1×2 Cruzeiro – 37ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2010

Ainda brigando pelo título do Brasileirão de 2010, o Cruzeiro foi ao Raulino de Oliveira, em Volta Redonda (RJ), disposto a vencer o Flamengo, que mais uma vez temia o rebaixamento (que não aconteceu). Logo aos 9’, Diego Maurício abriu o placar para o Fla até que, aos 16’, Welinton cometeu falta em Montillo na entrada da área. Roger cobrou, a bola desviou em Ronaldo Angelim e enganou Marcelo Lomba: 1 a 1. 

No segundo tempo, Montillo foi à linha de fundo e cruzou para Thiago Ribeiro, que ganhou de Welinton e cabeceou para o chão: 2 a 1. O Cruzeiro celebrou a vitória e ainda uma marca histórica no confronto: foi a sétima vitória seguida dos mineiros sobre o Flamengo na época, uma série que começou em novembro de 2007 e se estendeu até aquele jogo de novembro de 2010. Apesar da vitória, os triunfos na mesma rodada de Fluminense e Corinthians nos outros jogos minaram de vez as chances de título da Raposa. Na rodada final, o Flu terminou campeão, com a Raposa como vice e o Timão em terceiro. 

Flamengo 5×1 Cruzeiro – 33ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2011

Após anos de derrotas, o Flamengo encerrou de vez a hegemonia cruzeirense no duelo nos dois turnos do Brasileirão de 2011. No primeiro, venceu em Sete Lagoas (MG) por 1 a 0, na 14ª rodada. Mas o ápice veio no returno, no Estádio Nilton Santos. O Cruzeiro até abriu o placar no primeiro tempo com Anselmo Ramón, mas Deivid empatou. No segundo tempo, o mesmo Deivid virou para o Fla, em passe de Ronaldinho, e Thiago Neves começou seu recital: um gol aos 54’, outro aos 58’ e mais um aos 70’: Flamengo 5×1 Cruzeiro.

Uma goleada para lavar a alma do torcedor e manter o clube na zona de classificação da Libertadores. No fim, o Fla terminou na 4ª colocação e disputou a competição continental de 2012. Já o Cruzeiro flertou com a queda para a Série B até o fim e só se salvou com uma goleada de 6 a 1 sobre o rival Atlético na última rodada.

Cruzeiro 2×1 Flamengo / Flamengo 1×0 Cruzeiro – Oitavas de Final da Copa do Brasil de 2013

Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
 

Exatos dez anos depois da final nacional de 2003, a dupla se enfrentou nas oitavas da Copa do Brasil de 2013. E, em tempos de gol qualificado, o Flamengo jogou com o regulamento para conseguir superar a Raposa. No primeiro jogo, em BH, Willian e Everton Ribeiro abriram 2 a 0 para o Cruzeiro, mas Carlos Eduardo descontou e deu ao Flamengo a chance de se classificar com uma vitória simples por 1 a 0 na volta, em casa. A partida foi tensa, o placar permaneceu 0 a 0 até os minutos finais, mas Elias marcou para o Fla aos 88′ e classificou o rubro-negro, que seguiu firme rumo ao título, conquistado em cima do Athletico-PR.

Flamengo 1×1 Cruzeiro – 38º rodada do Campeonato Brasileiro de 2013

Léo Moura e Júlio Baptista posam antes do duelo dos campeões de 2013. Foto: Alexandre Vidal / Fla Imagem
 

Esse foi o jogo mais festivo e divertido da história do confronto. Motivo? É que ambos entraram em campo como campeões dos principais torneios nacionais daquele ano: o Flamengo, campeão da Copa do Brasil, e o Cruzeiro, campeão do Campeonato Brasileiro com quatro rodadas de antecipação. Antes do jogo, as equipes trocaram faixas e posaram com as taças conquistadas, em um clima de muita festa no Maracanã. Quando a bola rolou, Hernane Brocador, para o Fla, e Souza, para a Raposa, fizeram os gols do empate em 1 a 1 que fechou a última rodada do Brasileirão em harmonia para ambos.

Flamengo 1×1 Cruzeiro / Cruzeiro 0x0 Flamengo (Cruzeiro 5×3 Flamengo nos pênaltis) – Final da Copa do Brasil de 2017

O troco cruzeirense pela eliminação na Copa do Brasil de 2013 veio quatro anos depois, na grande final da competição de 2017. Comandado pelo técnico colombiano Reinaldo Rueda, o Fla tinha nomes como Rodinei, Pará, Réver, Juan, Diego Ribas, Lucas Paquetá e Willian Arão, enquanto o Cruzeiro, treinado por Mano Menezes, apostava no goleirão Fábio, nos meio-campistas Hudson e Henrique e nos ofensivos Robinho, Thiago Neves e Rafael Sóbis, além do uruguaio De Arrascaeta, que anos depois seria ídolo do Flamengo. No primeiro jogo, no Maracanã, Paquetá fez 1 a 0 para o Flamengo, mas De Arrascaeta, que substituiu Thiago Neves no segundo tempo, empatou. 

Henrique e Diego Ribas durante a final. Foto: Cristiane Mattos / Light Press

Na segunda partida, em MG, o zero não saiu do placar e a decisão foi para os pênaltis. Na marca da cal, o Cruzeiro foi perfeito e todos os seus batedores converteram suas cobranças. Já o Fla viu Diego Ribas errar seu chute – Fábio defendeu – e o placar de 5 a 3 garantiu mais um título ao copeiro Cruzeiro. E outro vice do Fla diante da Raposa, definitivamente uma asa-negra dos rubro-negros em decisões.

Flamengo 0x2 Cruzeiro / Cruzeiro 0x1 Flamengo – OItavas de Final da Copa Libertadores de 2018

De Arrascaeta (à dir.) foi o “De Carrascaeta” do Flamengo em 2017 e 2018. Foto: Ide Gomes / Estadão
Foto: Alexandre Loureiro / BP Filmes
 

No ano seguinte, a dupla se reencontrou em uma etapa eliminatória, mas pela primeira vez em uma Copa Libertadores. Com vários remanescentes da decisão nacional de 2017, mais uma vez o Cruzeiro saiu vencedor. Na ida, no Maracanã, De Arrascaeta (de novo judiando do seu futuro clube…) e Thiago Neves fizeram os gols da vitória por 2 a 0 que deu uma enorme vantagem aos mineiros para a volta, em Minas. O Cruzeiro foi mais cauteloso e viu o Fla pressionar bastante, mas sem muita efetividade na hora de finalizar. Só no segundo tempo que o zagueiro Léo Duarte conseguiu abrir o placar para os cariocas, aos 70’, mas a equipe não conseguiu chegar ao gol que levaria para os pênaltis e a vaga ficou com o Cruzeiro, que acabou eliminado pelo Boca Juniors nas quartas de final.

Cruzeiro 2×1 Flamengo – 7ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2025

Foto: Gilson Lobo/ Agif/Gazeta Press
 

No ano em que venceu o Brasileirão e a Copa Libertadores, o Flamengo sofreu um revés dolorido na sétima rodada dos pés de seu antigo ídolo: Gabriel Barbosa, que havia deixado o clube no final de 2024 e acertou com o Cruzeiro na temporada 2025. A partida estava empatada em 1 a 1 quando, aos 42’ do segundo tempo, o atacante entrou e, já nos acréscimos, cobrou um pênalti para o Cruzeiro. Ele bateu no canto, Rossi defendeu, mas o mesmo Gabigol pegou o rebote e fez o gol da vitória cruzeirense por 2 a 1. O atacante foi a prova de que a “lei do ex” é implacável. Falando nela, o gol do Flamengo naquele jogo foi do meia De Arrascaeta, ex-Cruzeiro…

Cruzeiro 1×1 Flamengo / Flamengo 2×1 Cruzeiro – Oitavas de Final da Copa Libertadores de 2026

Mineiros e cariocas se enfrentaram mais uma vez em uma etapa de oitavas de final de Copa Libertadores neste ano de 2026. O time mineiro chegou com moral após superar o grupo mais difícil da etapa inicial, o Grupo D, que tinha Universidad Católica-CHI, Boca Juniors-ARG e Barcelona-EQU. Os azuis venceram três jogos, empataram dois e perderam um (2 a 1 para a Universidad, em casa) dos seis que disputaram, e terminaram na segunda colocação do grupo com 11 pontos, eliminando os argentinos do Boca e também o Barcelona, com a Universidad em primeiro lugar, com 13 pontos. 

De Arrascaeta e Pedro celebram a vitória no Maracanã. Foto: DELMIRO JUNIOR/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO
 

Já o Flamengo, como campeão de 2025, teve um grupo fácil pela frente, com Independiente Medellín-COL, Cusco-PER e Estudiantes-ARG (este o único mais complicado), e se classificou em primeiro lugar com 16 pontos, após cinco vitórias e um empate em seis jogos. No primeiro jogo, em MG, o Cruzeiro dominou boa parte da partida e fez 1 a 0 em golaço de Arroyo, mas o Fla conseguiu equilibrar as coisas e empatou 13 minutos depois, com Lucas Paquetá. Na volta, no Maracanã, o rubro-negro se impôs desde o início da partida, comandou o meio de campo, não deixou o Cruzeiro atacar – principalmente no primeiro tempo – e começou a construir sua vitória em lindo gol do meia De Arrascaeta, fazendo valer a clássica “lei do ex”. O Cruzeiro empatou, mas o Fla foi pra cima e, em novo golaço, dessa vez de Samuel Lino, fez 2 a 1 e garantiu a vaga nas quartas de final.

Retrospecto entre Cruzeiro x Flamengo

  • 106 jogos
  • 41 vitórias do Flamengo
  • 36 vitórias do Cruzeiro
  • 29 empates

Curiosidades

  • Em duelos eliminatórios, temos empate. O Cruzeiro superou o Flamengo em cinco oportunidades: Copa do Brasil de 1996 (semifinal), Copa dos Campeões de 2002 (semifinal), Copa do Brasil de 2003 (final), Copa do Brasil de 2017 (final) e Copa Libertadores de 2018 (oitavas de final);
  • Já o Flamengo também superou o Cruzeiro em cinco oportunidades: Copa do Brasil de 1995 (quartas de final), Supercopa da Libertadores de 1995 (semifinal), Copa dos Campeões de 2001 (semifinal), Copa do Brasil de 2013 (oitavas de final) e Copa Libertadores de 2026 (oitavas de final);
  • A maior série de vitórias seguidas é do Cruzeiro: 7 jogos entre novembro de 2007 e novembro de 2010;
  • A maior série invicta é do Flamengo: 9 jogos entre agosto de 2018 e novembro de 2024, sendo oito vitórias (cinco seguidas) e um empate;
  • As maiores goleadas foram: Cruzeiro 5×1 Flamengo (1946), Cruzeiro 6×2 Flamengo (1966), Flamengo 5×1 Cruzeiro (1968), Flamengo 6×2 Cruzeiro (2004) e Flamengo 5×1 Cruzeiro (2011), todas com quatro gols de diferença.

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Jogos Eternos – Argentina 2×1 Inglaterra 2026

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Argentina 2x1 Inglaterra 2026
Lautaro Martínez sobe para marcar o gol da virada. Foto: Buda Mendes/Getty Images

Data: 15 de julho de 2026

O que estava em jogo: uma vaga na final da Copa do Mundo da FIFA de 2026

Local: Mercedes-Benz Stadium, Atlanta, EUA.

Árbitro: Ismail Elfath (EUA)

Público: 68.239 pessoas

Os Times:

Argentina: Emiliano Martínez; Molina (Montiel, 72′), Romero, Lisandro Martínez (Otamendi, 72′) e Tagliafico (Lautaro Martínez, 81′); Giuliano Simeone (De Paul, 72′), Paredes (Nico González, 64′), Mac Allister e Enzo Fernández; Lionel Messi e Julián Álvarez. Técnico: Lionel Scaloni.

Inglaterra: Pickford; Reece James (Burn, 82′), Stones (Toney, 90’+6′), Guéhi e Spence (Rashford, 90’+6′); Declan Rice (O’Reilly, 82′) e Anderson; Rogers, Bellingham e Gordon (Konsa, 72′); Harry Kane. Técnico: Thomas Tuchel.

Placar: Argentina 2×1 Inglaterra. Gols: Gordon-ING, aos 10’, Enzo Fernández-ARG, aos 40’ e Lautaro Martínez-ARG, aos 45’+2’ do 2º T.

 

“La Remontada de Dios”

Por Guilherme Diniz

A rivalidade futebolística entre Argentina e Inglaterra é notável e histórica. Começou em território inglês, na Copa do Mundo de 1966, e teve o auge no duelo entre ambas as seleções no Mundial de 1986, no México, pouco depois da Guerra das Malvinas entre os dois países. Naquela Copa, Maradona foi o personagem do jogo ao marcar um gol com a mano de Dios e outro driblando meio time inglês para garantir a vitória por 2 a 1 e a vaga na semifinal – posteriormente, os sul-americanos foram campeões. Curiosamente, depois daquela partida, a Argentina não conseguiu vencer mais os ingleses no tempo normal. Se classificou nos pênaltis no duelo das oitavas de final da Copa de 1998, porém, nos cinco jogos que disputou após 1986, empatou três e perdeu dois.

Até que, em julho de 2026, um novo encontro aconteceu. Sem dúvida um dos maiores de todos: em plena semifinal de Copa do Mundo e 40 anos depois do lendário duelo no México. A Argentina fez questão de jogar de azul, a mesma cor das camisas das classificações de 1986 e 1998. A Inglaterra se apegava ao bom retrospecto recente contra o rival e queria disputar uma final de Copa após 60 anos. Em campo, o que se viu foi uma verdadeira batalha, a começar pelos hinos nacionais vaiados de um lado e de outro. Com a bola rolando, a Argentina brigou pela bola como se não houvesse amanhã, em um instinto predatório e ávido contra a seleção que ela mais odeia em todo planeta. A vitória valia muito. Sempre vai valer. Sempre será pelos pibes das Malvinas. E pelo orgulho.

Após um primeiro tempo mais brigado do que jogado, a Inglaterra abriu o placar com 10 minutos da segunda etapa e impôs à Argentina o mesmo cenário de drama que havia vivido nas oitavas de final, quando também saiu atrás do marcador diante do Egito. Só que o English Team, ao invés de ir para frente, foi recuando e o técnico Thomas Tuchel colocou mais defensores… Foi como se ele dissesse: “Argentina, venha até mim e faça gols”. Pois ela foi. E só a albiceleste atacou, carimbando a trave de Pickford e criando várias e várias chances.

Até que, aos 85’, Messi tocou na meia-lua para Enzo Fernández e o meio-campista teve liberdade para chutar forte, sem chances para Pickford, e empatou. O delírio tomou conta do Mercedes-Benz Stadium e a torcida jogou junto. A Inglaterra ficou em pânico. A Argentina, predatória, sentia cheiro de sangue. E atacou mais. Aos 90’+2’, Messi aproveitou rebote de um chute na trave de Mac Allister, foi para a linha de fundo e cruzou para a área. Lautaro Martínez estava lá, sedento por sangue, e fez: 2 a 1. Virada épica e vaga na final com o mesmo placar do triunfo de 1986, de la mano de Dios e do gol de Maradona. Bem, naquela noite de Atlanta, foi dos pés de Messi, Enzo e de um time que não desiste jamais. É hora de relembrar a histórica Remontada de Dios.

Pré-jogo

Quando ficou definida a semifinal entre Argentina e Inglaterra, o mundo parou e teve a certeza de que aquele seria um dos jogos mais eletrizantes de toda a Copa, mais até do que o duelo entre Espanha e França, na outra semifinal, que reunia as duas equipes favoritas ao título – e que terminou com triunfo espanhol por 2 a 0. Toda uma rivalidade construída ao longo de 60 anos ganharia um capítulo único, com o prêmio ao vencedor uma final de Copa do Mundo. A Inglaterra vinha de classificações bastante sofridas naquela etapa de mata-mata e em uma crescente que empolgava os torcedores.

Após os 2 a 1 sobre a República Democrática do Congo na fase 16 avos de Final, o English Team acabou com a histórica invencibilidade do México dentro do Azteca em Mundiais e venceu por 3 a 2, com show de Bellingham, autor de dois gols. Nas quartas, a equipe encarou a embalada Noruega, que havia eliminado Costa do Marfim (2 a 1), Brasil (2 a 1) e contava com o artilheiro Haaland. Pois os ingleses conseguiram superar o primeiro gol norueguês, empataram e, no começo da prorrogação, viraram para 2 a 1, com mais dois gols de Bellingham. Tentando afastar a pressão, a equipe foi para a semifinal elogiando a Argentina e querendo impor seu jogo. “Não há pressão sobre nós. Que pressão? O peso está sobre eles. Eles são os campeões do mundo. Eles precisam aparecer, precisam defender o título. Não há pressão nenhuma sobre nós”, comentou o zagueiro Marc Guéhi, na coletiva pré-jogo. Já o técnico Thomas Tuchel salientou o peso histórico e a base dos campeões.

“Eles são quase o mesmo grupo de quatro anos atrás. Você vê a coesão, você vê o sacrifício que eles colocam nisso. Eles acreditam no estilo deles. E o estilo deles é um estilo muito emocional. Foi no Catar e é agora. […] Eles são movidos pela história, isso significa muito para eles. Então é basicamente isso que esperamos e o que vamos enfrentar. Mas nós também somos emocionais, temos garra, temos a mentalidade necessária para encarar isso. E estamos prontos para isso”.

Bellingham (centro) marcou o primeiro gol inglês no duelo contra a Noruega. Foto: ROBERTO SCHMIDT /AFP
 

Do lado argentino, a fase final só tinha drama. Nos 16 avos, os campeões venceram Cabo Verde apenas na prorrogação, após empate em 1 a 1 no tempo regulamentar e triunfo final por 3 a 2 em um jogaço. Nas oitavas, a equipe de Scaloni levou 2 a 0 do Egito e teve que buscar a virada nos minutos finais para 3 a 2. E, nas quartas, o empate com a Suíça em 1 a 1 forçou outra prorrogação, na qual a Argentina teve sangue frio para marcar dois gols e vencer por 3 a 1. Sabendo do passado que envolvia o rival, Scaloni não quis que a semifinal tivesse um peso ainda maior do que já tinha nem que o clima de guerra atrapalhasse os jogadores, como ele mesmo deixou claro em coletiva de imprensa três dias antes do jogo.

“É uma partida de futebol. A mensagem é que é uma partida de futebol. Não busquemos mais nada. Vamos jogar contra uma grande seleção, com um grande treinador, que admiro muito. É um jogo de futebol. Nada mais”.

Diário argentino Olé estampou várias manchetes de jornais ingleses baixando o nível contra a seleção sul-americana.
 

Só que a imprensa obviamente não deixou de apimentar o duelo e o jogo ganhou o esperado clima de guerra. Prevendo um jogo pegado, Scaloni sacou o meio-campista De Paul e colocou Giuliano Simeone como titular. Do lado inglês, Tuchel trocou três peças do time que venceu a Noruega: Spence, mais combativo e rápido, entrou na lateral-esquerda no lugar de O’Reilly. Reece James, experiente, ficou com a vaga de Konsa na direita e Morgan Rogers entrou na meia-direita no lugar de Madueke.

O jogo não tinha favorito e, com as seleções em campo, ficou claro que aquela partida seria diferente. As torcidas nas arquibancadas faziam um barulho ensurdecedor e, na execução do hino inglês, os argentinos cantaram “Ya lo ves, el que no salta es un ingles” (“Viu? O que não salta é um inglês…”), deixando os atletas da Inglaterra bastante incomodados. O barulho foi tão grande que nem foi possível ouvir a melodia! O troco veio na sequência, no hino argentino, com os ingleses vaiando sem parar, o que fez os atletas da Argentina e a comissão no banco cantarem ainda mais alto, como resposta. Ali, começou a guerra por uma vaga na final.

Primeiro tempo – Mais briga do que bola

Completamente “eletrificados” após os hinos, os jogadores começaram o jogo na mais alta intensidade, com a Inglaterra partindo pra cima dos zagueiros com uma marcação altíssima e a Argentina sem aliviar nas divididas. Logo no primeiro minuto, Bellingham levou um tranco por trás de Paredes e o árbitro assinalou a primeira falta do jogo. No minuto seguinte, Elliot Anderson sofreu uma falta dura no meio de campo, desta vez de Enzo Fernández, o que provocou discussão de Bellingham com Paredes e Lisandro Martínez em um início de confusão. Era clássico, não tinha jeito! Só aos 4’ que uma boa jogada ofensiva aconteceu, quando a Inglaterra avançou pela lateral-esquerda com Spence, o camisa 25 passou bem por Molina, mas foi desarmado por Romero, que tirou de carrinho e recuperou a bola para a Argentina.

Foto: Agustin Marcarian / Reuters
 

Aos 6’, foi a vez de Morgan Rogers atacar pela direita, ir até a linha de fundo e cruzar na área. Por lá, Mac Allister conseguiu cortar e evitou que a bola chegasse em Declan Rice. Em apenas nove minutos, foram sete faltas, quase uma por minuto, o que exigia pulso firme do árbitro Ismail Elfath para que o jogo não saísse do controle. Os jogadores se estranhavam muito e repetiam o clima hostil de outros encontros passados. Aos 14’, Gordon disparou pela esquerda e foi abrindo espaço na zaga argentina. O atacante, porém, demorou demais para decidir se ia chutar ou tocar e acabou desarmado pelos rivais, desperdiçando uma grande chance de gol.

A Inglaterra não conseguia trocar um ou dois passes sem que pelo menos dois argentinos chegassem para tentar roubar a bola ou fazer a falta. A marcação sul-americana era pesada e não aliviava. Isso acabava custando poder ofensivo ao time de Scaloni, que passava mais tempo minando o English Team do que construindo jogadas de ataque. Aos 19’, Morgan Rogers tocou para Reece James na ponta direita e o lateral cruzou rasteiro, mas Dibu Martínez defendeu. Aos 24’, a Argentina teve uma oportunidade em cobrança de escanteio, mas Giuliano Simeone, mesmo com o alerta do árbitro, acabou cometendo falta no goleiro Pickford e a bola ficou com a Inglaterra.

Só aos 32’ que a Inglaterra conseguiu sua primeira finalização clara, quando Rice cobrou falta na área e Stones cabeceou para fora do gol de Dibu Martínez. Tempo depois, em outra falta da esquerda do ataque, Reece James cobrou direto e Dibu Martínez afastou o perigo com um soco. A bola ainda ficou viva na área até Julián Álvarez, de cabeça, mandar para longe dali. A Argentina conseguiu engatilhar um contra-ataque com Messi, pela direita, que passou por Spence, ganhou de Kane, passou por Gordon e saiu em disparada como se estivesse incorporado Maradona 86’. Elliot Anderson, porém, não deixou o argentino seguir enfileirando ingleses e parou o camisa 10 com falta e levou cartão amarelo. Imediatamente, os argentinos foram pra cima do camisa 8 e outra discussão acalorada aconteceu. 

Chute de Enzo passou perto do gol.
 

No minuto seguinte, Messi tentou o chute de fora da área, a bola bateu na zaga e, no rebote, Enzo Fernández mandou uma bomba que tirou tinta do travessão de Pickford, no primeiro grande lance argentino no jogo. Aos 41’, Lisandro Martínez acabou parando Morgan Rogers com falta e levou amarelo. Nos acréscimos, Gordon tentou o cruzamento, a bola bateu na zaga e foi para fora. O escanteio, porém, não foi cobrado por já ter passado do tempo extra e o árbitro encerrou o primeiro tempo. Com 12 faltas argentinas e sete dos ingleses, a partida foi mais pegada e tensa do que jogada. Será que teríamos prorrogação e pênaltis como em 1998?

Segundo tempo – Dianteira inglesa, relaxamento e o cheiro de sangue

Sem alterações, as equipes voltaram para a etapa final mais ofensivas e deixaram de lado o clima faltoso, principalmente a Argentina. E isso ficou claro logo no primeiro minuto, quando Dibu Martínez lançou a bola para o ataque, Julián Álvarez dominou e finalizou para boa defesa de Pickford. Na sequência, o camisa 9 limpou dois com um só drible e chutou de novo, conseguindo escanteio. Messi cobrou curto, tabelou, recebeu de volta e cruzou, mas a zaga rebateu. O camisa 10 jogava mais aberto naquela segunda etapa, praticamente como um ponta-direita, deixando claro que o caminho a ser explorado era aquele e não o meio, congestionado pelos ingleses. O craque ainda tentou uma boa jogada pela direita no minuto seguinte, mas Bellingham conseguiu bloquear o argentino e evitou o perigo.

Gordon fez o primeiro da Inglaterra. Foto: Paul Childs / Reuters
 

Aos 6’, Bellingham teve boa chance de contra-ataque pelo meio, mas Romero agarrou o camisa 10 inglês e levou amarelo. Até que, aos 10’, a Inglaterra conseguiu, enfim, tirar o zero do placar. Kane tentou um lançamento longo para Morgan Rogers, a zaga argentina cortou e a bola sobrou para Declan Rice. O meio-campista deixou com Rogers, que olhou para a área e cruzou. Gordon apareceu, ganhou de Molina e chutou de primeira, no canto de Dibu Martínez, para fazer 1 a 0.

O gol incendiou a torcida inglesa. E paralisou, por um instante, a Argentina. Logo no primeiro minuto após o gol, a zaga albiceleste falhou e Harry Kane teve a chance de fazer o segundo, mas não conseguiu aproveitar. No contra-ataque, Simeone recebeu, invadiu a área e Spence deu um carrinho preciso para desarmar o atacante argentino. Digno de nota 10, digno dos mais incríveis defensores do futebol inglês. Esse, certamente Bobby Moore bateria palmas!

O carrinho de Spence na bola.
 

A Inglaterra parecia dona do jogo. Jogava melhor, sentia a vitória consigo e a vaga na final perto. Bem, isso por três minutos. A partir do minuto 59’, a Argentina começou a sua blitz. Ficou com a bola nos pés. Foi rondando a área inglesa e passou a construir jogadas de ataque em busca do empate. A Inglaterra foi recuando e até Harry Kane deu uma de zagueiro para tirar a bola da área. Peraí… O time tinha acabado de fazer 1 a 0, havia mais de meia hora de jogo pela frente e já estava jogando com o resultado? Por que não atacar? Por que não usar aquela vantagem a seu favor e sufocar a Argentina? Sério mesmo que eles iriam ficar esperando a Argentina em seu próprio campo?? Really?

Pois foi isso mesmo que aconteceu. Em uma atitude inacreditável e em plena semifinal de Copa do Mundo, a Inglaterra só se defendeu e chamou a Argentina. Já antecipando o que vai acontecer, o técnico Scaloni, no pós-jogo, disse:

“Quando sentimos cheiro de sangue, atacamos”.

E a Argentina atacou. Atacou e atacou. Aos 60’, Enzo Fernández tentou de fora da área, mas chutou para fora. Depois, Messi tabelou com Mac Allister, tentou passe para Julián Álvarez e Stones interceptou. Aos 64’, Scaloni colocou Nico González no lugar de Paredes – que fez outra grande partida -, a fim de ter mais presença de ataque. Era tudo ou nada. Nico teve sua primeira chance logo no minuto seguinte, quando recebeu cruzamento de Messi, mas Stones afastou. Só aos 65’ que a Inglaterra chutou pela primeira vez após o gol, com Rice, mas o chute foi rasteiro e sem perigo para Dibu Martínez. 

Perceba a linha de jogadores na grande área que a Inglaterra fez mesmo vencendo o jogo!
 
Aqui, vemos 10 jogadores ingleses no campo defensivo faltando meia hora para acabar o jogo!
 

Messi passou a rondar a área inglesa, driblar, passar, cruzar. O craque deixava os companheiros em condição de gol e demonstrava sua faceta garçom, afinal, ele, além de ser um dos maiores artilheiros da história das Copas, é o maior garçom dos Mundiais. E, aos 68’, o camisa 10, como ponta-direita, cruzou na cabeça de Nico González, que testou forte, pra baixo, e Pickford defendeu espetacularmente. 

Após a pausa para hidratação, as duas equipes mexeram, com a Inglaterra colocando um zagueiro (Konsa) no lugar de um atacante (Gordon, o autor do gol…), enquanto a Argentina trocou um zagueiro por outro (Lisandro Martínez por Otamendi), um lateral (Molina) por outro mais ofensivo (Montiel) e um atacante (Simeone) por um volante (De Paul). Essas mudanças deram à Argentina a espinha dorsal da formação clássica de 2022. Eram os campeões do mundo. Os que sabiam todos os caminhos do gol e de como sofrer para vencer. Os que jogaram a final de todos os tempos em Lusail. E os que mais sentiam o cheiro de sangue…

Pickford fez uma defesaça aos 68′.
 

Aos 74’, De Paul apareceu no ataque, sempre pela direita, e cruzou para Mac Allister. O meio-campista cabeceou forte e a bola bateu na trave direita de Pickford! Na sequência, de novo De Paul cruzou, do mesmo lugar, e de novo Mac Allister cabeceou, mas dessa vez o goleiro inglês encaixou a bola. Dois minutos depois, Lionel Messi fez mais um lançamento perfeito para Nico González, na esquerda da grande área. O atacante cabeceou de primeira com muito perigo e mandou trincando a trave esquerda. A bola saiu pela linha de fundo, mas a arbitragem apontou impedimento controverso.

Aos 82’, mais mudanças: a Argentina sacou Tagliafico, lateral, e colocou Lautaro Martínez, atacante. Já a Inglaterra colocou Burn (zagueiro) e O’Reilly (lateral-esquerdo) nos lugares de Reece James (lateral-direito) e Rice (meio-campista). A pressão argentina aumentava, só que o tempo passava rápido. O relógio já apontava quase 85’ quando Enzo Fernández mandou uma bomba de fora da área, Pickford espalmou e a bola foi para escanteio. O camisa 24 era quem mais levava perigo naqueles chutes e sempre conseguia desferi-los sem ser pressionado. Era um caminho. E Messi percebeu isso.

O capitão argentino cobrou escanteio curto e recebeu de volta. Ele encarou Spence, ganhou espaço e viu Enzo Fernández lá na entrada da área, perto da meia-lua. Todos só tinham olhos para Messi. Ele percebeu isso… E tocou para Enzo. O camisa 24 dominou, ajeitou e bateu forte. Bellingham até tentou atrapalhar ao sair correndo em direção ao argentino, mas era tarde demais. A bola foi no canto de Pickford, que pulou, mas não alcançou: 1 a 1. 

Enzo recebeu livre na entrada da área e marcou o primeiro gol argentino.
 
Enzo provoca a torcida inglesa. Foto: Reuters.
 

Foi o prêmio pela persistência. Pelo time que não desistiu. Teríamos prorrogação? Claro que não! A Argentina queria acabar logo com aquilo. Ainda sentia cheiro de sangue, como disse Scaloni. E continuou no ataque. O árbitro deu 9 minutos de acréscimos e a albiceleste usou o primeiro minuto extra para arquitetar e estudar sua virada. 

Começou na esquerda, com Nico González, tocando a bola para Enzo, que devolveu para Nico e este tocou para Mac Allister. O meio-campista chutou rasteiro e a bola beijou o pé da trave. Outra vez! Mas teve rebote. E a bola procurou Messi. O ponta da camisa 10 arrastou dois marcadores, foi para a linha de fundo e cruzou de perna direita (e ainda tem gente que acha que ele só tem a esquerda…). Foi perfeito. Na área, Lautaro Martínez. O camisa 22, que em 2022 foi tão criticado por não ser o matador que a torcida tanto via na Internazionale, subiu mais alto do que dois zagueiros ingleses e fez o gol da virada: 2 a 1.

O Mercedes-Benz Stadium quase foi abaixo. A torcida enlouqueceu. O banco de reservas inteiro da Argentina foi comemorar com Messi e Lautaro na lateral-direita do campo. Era mais um épico para a coleção da campanha albiceleste na Copa. E uma virada para qualquer argentino lembrar por décadas, gerações. Exatos 40 anos depois da vitória por 2 a 1 com la mano de Dios e o golaço de Maradona, a Argentina fazia 2 a 1 na Inglaterra, dessa vez de virada e com a genialidade de Messi, garçom dos dois gols da noite, e com a garra e persistência de um time que não desiste e que honrava o emblema de campeão na camisa.

Lautaro sobre para marcar o gol da vitória. Foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP
 
Banco de reservas foi comemorar com Messi, claro.
 

O jogo ainda teve mais três minutos além do apontado pelo árbitro, mas nada aconteceu. Nada de prorrogação e nada de pênaltis como em 1998. A vaga na final ficou com a Argentina e a Inglaterra amargou outra decepção em Mundiais, dessa vez de maneira vexatória pela postura do time após sair na frente. O English Team pensou que “estava tudo acabado”, como diria Kenneth Wolstenholme. Bem, após a virada argentina, acabou. Simplesmente eterno.

Pós-jogo: o que aconteceu depois?

Argentina: o triunfo dos sul-americanos encerrou o jejum de vitórias sobre a Inglaterra nos 90 minutos que perdurava desde os 2 a 1 de 1986. De quebra, aumentou ainda mais o peso da campanha dos campeões, que chegaram à sétima vitória em sete jogos. Na comemoração, os jogadores aproveitaram e estenderam uma faixa no gramado com os dizeres “las Malvinas son argentinas”, alimentando ainda mais o famigerado confronto da década de 1980. O técnico Scaloni comentou sobre a vitória na coletiva.

“É uma demonstração de espírito coletivo, fraternidade e de lutar até o final. Eu acredito que a gente joga melhor quando está atrás no placar. O rival fica mais acuado e quando sentimos o cheiro de sangue, a gente ataca. A equipe continua mostrando essa garra, de que se pode lutar até o final”.

Messi, que chegou às 12 assistências para gols em Copas e à sua 3ª final de Copa na carreira – mesmo número do então recordista único, o brasileiro Cafu – destacou ainda no gramado que sentiu a Inglaterra entregue. “Foi uma emoção muito grande. Quando empatamos, sentimos o apoio da torcida porque percebemos que poderíamos ganhar nos 90 minutos. Já os tínhamos encurralados. Entrávamos por dentro, por fora, criávamos chances com cruzamentos, passes em profundidade… Sentíamos que eles já não queriam mais jogar, e nós estávamos muito perto da vitória.[…] Como eu disse, a Argentina é muito grande, porque era um jogo que queríamos vencer de qualquer maneira. Além disso, a vitória nos leva a disputar mais uma final de Copa do Mundo ”, disse o craque.

Depois de tantos épicos e sofrimentos, a Argentina parece ter esgotado seu estoque de milagres na final. Os sul-americanos enfrentaram a Espanha e foram completamente dominados pelos europeus, que só não construíram um placar largo por causa das defesas de Dibu Martínez e pela falta de pontaria. O 0 a 0 seguiu nos 90 minutos e, na prorrogação, a Espanha venceu por 1 a 0, conquistando o bicampeonato mundial. Restou à Argentina as lembranças de jogos como o da semifinal, quando jogou pelos hinchas, pela honra e pelos pibes das Malvinas.

Inglaterra: “covarde”. Foi assim que a maioria dos veículos de imprensa definiu a atitude do técnico Tuchel durante o segundo tempo. Ele foi acusado de ser o principal responsável pela eliminação, apesar de os jogadores também terem tido culpa por não se posicionarem dentro de campo e seguirem na ofensiva, em especial o capitão Harry Kane, que não foi o líder que a Inglaterra precisava. Tuchel tentou se explicar no pós-jogo. “Estamos desapontados. Estivemos tão perto, mas ficamos muito passivos depois do gol. Sofremos muitos cruzamentos, chances e chutes. Estivemos perto, mas não conseguimos manter o nível depois de marcar”.

“Decidimos jogar com cinco defensores porque os espaços estavam muito grandes e eles estavam cruzando muito, então queríamos ser fortes no jogo aéreo. Logo após o gol do Gordon, sem substituições, sofremos muitos cruzamentos. Tentamos ajudar os jogadores, mas a responsabilidade é do treinador. Estivemos muito perto, merecíamos estar vencendo por 1 a 0. Fizemos uma das nossas melhores partidas (até ali), talvez a nossa melhor partida. É claro que queríamos buscar o segundo gol, mas não adianta se você não tem a bola. Ficamos muito passivos, não conseguimos manter a posse de bola. Não acho que tenha sido um problema estrutural”.

 

Sem levantar um troféu sequer desde 1966, derrotada em duas finais seguidas de Eurocopa – 2020 e 2024 – e eliminada em duas semifinais de Copas – 2018 e 2026 -, essa geração já está marcada pelos fracassos e por nunca conseguir demonstrar imposição nos momentos decisivos. Um filme trágico que o torcedor inglês acompanha há décadas e não sabe mais como o roteiro poderá mudar e ter um final feliz. Nem o terceiro lugar conquistado após vitória por 6 a 4 sobre a França ajudou a dar esperança. Está difícil para o futebol voltar para casa…

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Torneios históricos: Supercopa da UEFA

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Por Guilherme Diniz

 

No começo da década de 1970, a Europa já tinha em seu calendário duas competições tradicionais e amplamente conhecidas: a Copa dos Campeões (atual Liga dos Campeões), disputada pelos campeões das ligas nacionais, e a Recopa da UEFA, disputada pelos campeões das copas nacionais. Porém, com dois campeões continentais, nunca havia um “tira-teima” para saber quem era o melhor do continente. E foi partindo desse pretexto que, em 1973, foi criada a Supercopa Europeia, que começou ainda sem o aval da UEFA para só a partir de janeiro de 1974 receber a chancela da entidade máxima do futebol europeu. Mesmo com o favoritismo dos vencedores da Copa dos Campeões, a Supercopa da UEFA já teve surpresas e é uma disputa onde tudo pode acontecer. Conheça agora a história desse torneio.

Em busca do “melhor”

Ingresso para a primeira final da história, entre Ajax e Rangers.
 

A Supercopa Europeia partiu de uma ideia do jornal esportivo holandês De Telegraaf, que aproveitou a hegemonia dos clubes de seu país – vitoriosos nas últimas três edições da Liga dos Campeões da UEFA, com o Feyenoord, em 1970, e o Ajax, em 1971 e 1972 – e propôs à UEFA um jogo entre o campeão da Liga contra o campeão da Recopa para saber qual era o melhor clube do continente. A primeira edição, válida pela temporada de 1972, foi realizada em janeiro de 1973 entre o Ajax, campeão da Copa dos Campeões, e Rangers, campeão da Recopa. Acontece que o clube escocês estava sob punição da UEFA por causa da invasão de sua torcida ao gramado na decisão continental e não poderia disputar nenhuma competição da entidade nos próximos dois anos. Porém, o De Telegraaf foi insistente e quis realizar o torneio naquele mês, algo que tirou o aval da UEFA, mas seguiu como sendo parte das “comemorações do Centenário do Rangers”.

Supercopa da UEFA
Greig e Cruyff na final da Supercopa. Foto: Bert Verhoeff / Anefo.
 

Mesmo com a base campeã, o Rangers não foi páreo para o super time holandês, que tinha Johan Cruyff, Neeskens e companhia nada limitada. No primeiro jogo, em Glasgow, vitória do Ajax por 3 a 1. Na volta, em Amsterdã, novo triunfo do time alvirrubro – 3 a 2 – e título assegurado – embora tal conquista até hoje não tenha o reconhecimento da UEFA. O troféu, enorme (!), tinha que ser erguido por mais de uma pessoa e seria o mesmo até o ano de 1977. Depois, seria substituído por uma placa com o logo da UEFA até 1987, quando uma versão menor do atual troféu foi criada. A partir de 2006, tal troféu foi remodelado, ficou maior (12,2 kg e 58 cm de altura, ante os 5 kg e 42,5 cm de altura da versão anterior) e permanece até hoje.

Supercopa da UEFA
Jogadores do Ajax carregam o enorme troféu em 1973.
 
Jogadores do Dynamo com a “monstruosa” taça da Supercopa da UEFA na época.
 

Em 1973, a UEFA assumiu a organização do torneio e o Ajax foi mais uma vez campeão, após derrotar o Milan – campeão da Recopa – com um 6 a 1 no agregado. Na época, a disputa era em jogos de ida e volta. Em 1974, por falta de datas, a competição não foi realizada. Em 1975, o torneio voltou e teve pela primeira vez um campeão da Recopa: o Dynamo de Kiev-URSS, que derrotou o poderoso Bayern München-ALEapós vencer na Alemanha por 1 a 0 e também em Kiev (2 a 0). O campeão da Recopa também venceria os torneios de 1976 e 1978, ambas as vezes com o Anderlecht-BEL, um dos maiores esquadrões belgas da história. Em 1977, o Liverpool, campeão da Copa dos Campeões, levantou o troféu após superar o Hamburgo-ALE de maneira categórica: goleada de 6 a 0 em Anfield Road, com três gols de Terry McDermott, após 1 a 1 na partida de ida. Em 1979, o surpreendente Nottingham Forest-ING venceu o Barcelona-ESP e ficou com a taça. Os ingleses tentaram o bi no ano seguinte, mas perderam para o campeão da Recopa, o Valencia-ESP da dupla Fernando Morena e Mario Kempes.

 

Anos 1980 e 1990 – algumas surpresas e mudanças

Campeão em 1983, o Aberdeen recebeu uma placa da UEFA (não havia troféu na época).
 

Em 1981, a Supercopa não foi realizada por causa de falta de datas para o jogo entre Liverpool e Dinamo Tbilisi. Em 1985, a competição também passou em branco por causa da punição sofrida pelos clubes ingleses – banidos por seis anos de competições da UEFA – após a Tragédia de Heysel, fato que impediu o Everton de enfrentar a Juventus. Em 1982, o Aston Villa recuperou o troféu para os campeões da Copa dos Campeões, mas Aberdeen e Juventus voltaram a dar aos campeões da Recopa o supertítulo. Em 1986 e 1987, Steaua Bucareste e Porto foram os supercampeões após as glórias na Copa, enquanto o Mechelen-BEL ficou com a taça de 1988 como campeão da Recopa. Em 1989 e 1990, o super Milan de Sacchi não deu brechas para os rivais e se tornou o primeiro bicampeão consecutivo. Só o Real Madrid de CR7 conseguiu repetir os rossoneros com o bicampeonato de 2016/2017.

Ken McNaught exibe o troféu da Supercopa da UEFA época. Foto: Colorsport/Rex/Shutterstock.
 
Milan de Sacchi foi o primeiro bicampeão consecutivo.
 
Campeã em 1996, a Juve massacrou o PSG na final com um 9 a 2 no agregado!
 

Na década de 1990, o equilíbrio continuou nas finais e não vimos a hegemonia esperada dos campeões da UCL. Em 1992 (Barcelona), 1994 (Milan), 1995 (Ajax) e 1996 (Juventus), os campeões foram os vencedores da Velhinha Orelhuda. Já em 1991 (Manchester United), 1993 (Parma), 1998 (Chelsea) e 1999 (Lazio), os campeões da Recopa levantaram os troféus diante dos campeões da UCL. Foi a partir de 1998 que a Supercopa da UEFA passou a ser realizada em jogos únicos. Naquele ano, o palco escolhido foi o Stade Louis II, em Monaco, e o estádio seria a casa oficial da Supercopa até 2012, quando o torneio passou a ser realizado em diferentes sedes a partir de 2013. Uma curiosidade é que na época dos jogos de ida e volta, os maiores placares agregados foram:

  • Juventus 9×2 PSG – Final de 1996;
  • Ajax 6×1 Milan – Final de 1973;
  • Liverpool 7×1 Hamburgo – Final de 1977.

Na era dos jogos únicos, os maiores placares foram:

  • Sevilla 3×0 Barcelona – Final de 2006;
  • Atlético de Madrid 4×1 Chelsea – Final de 2012;
  • Barcelona 5×4 Sevilla – Final de 2015;
  • Atlético de Madrid 4×2 Real Madrid – Final de 2018.

Em 2000, a Supercopa começou a ser disputada pelo campeão da UCL e da Copa da UEFA (atual Liga Europa), já que a Recopa da UEFA foi descontinuada na temporada 1998-1999. E o Galatasaray, campeão da Copa da UEFA de 1999-2000, teve a honra de ser o campeão da Supercopa de 2000 logo no primeiro ano da “promoção” do torneio.

Novo milênio – consolidação

Liverpool faturou a Supercopa de 2005.
 

Em 2001, o Liverpool ficou com a taça diante do Bayern e, em 2002, o Real Madrid recuperou o troféu para os campeões da UCL após quatro anos de jejum. Em 2003, o Milan venceu seu 4º troféu da Supercopa e repetiria a dose em 2007, alcançando o posto de maior campeão. Em 2004, o Valencia ficou com o bicampeonato e, em 2005, o Liverpool venceu pela terceira vez a Supercopa logo após seu Milagre de Istambul. Em 2006, o Sevilla surpreendeu ao levantar o torneio vencendo o Barcelona de Ronaldinho por 3 a 0, confirmando uma das melhores fases de sua história. Em 2008, outra surpresa: o Zenit-RUS derrotou o Manchester United-ING de Sir Alex Ferguson e levou o troféu pela primeira vez.

Sevilla, supercampeão de 2006. Foto: UEFA
 

Após um período de alternância entre campeões de 2009 até 2012, a Supercopa viu uma hegemonia de cinco títulos seguidos dos campeões da UCL, que ficaram com os troféus de 2013 (Bayern), 2014 (Real Madrid), 2015 (Barcelona), 2016 (Real Madrid) e 2017 (Real Madrid). Só em 2018 que o Atlético de Madrid quebrou a banca e derrotou o rival Real Madrid na final daquele ano por 4 a 2, ficando com sua terceira taça – nas três, o clube colchonero entrou como campeão da Liga Europa. Mas, de 2019 até 2026, os campeões da UCL voltaram a reinar e não perderam o trono desde então.

Gabi ergue a Supercopa de 2016.
 
Barça, de Iniesta (foto), ficou com a taça em 2015 e igualou o recorde do Milan.
 
Em 2022, foi a vez do Real Madrid também alcançar as 5 taças. O clube merengue é o recordista atual com 6 troféus, o último conquistado em 2024.
 
Campeão em 2025 e 2026, PSG se tornou o primeiro clube francês a levantar uma Supercopa na história.
 

Com mais de 50 anos de histórias, a Supercopa da UEFA é um torneio já consolidado no calendário do futebol mundial e serve como uma espécie de abertura oficial da temporada no Velho Continente. É uma ótima maneira para os envolvidos começarem bem ou ligarem o alerta em caso de revés. Afinal, sempre é bom ser supercampeão.

Todos os campeões

1976_anderlecht_supercopa
2017 real madrid supercopa
2026 psg aston villa supercopa

Recordes:

  • O placar geral até hoje da Supercopa é: 31 títulos para os campeões da Liga dos Campeões da UEFA e 20 títulos para os campeões da Liga Europa / Recopa. Se contarmos o título não-oficial do Ajax em 1972, o placar aumenta para 32 a 20;
  • O Real Madrid é o maior campeão da Supercopa com 6 títulos. Milan e Barcelona vêm a seguir, com 5 troféus cada um;
  • Na sequência, vêm Liverpool (4 troféus) e Atlético de Madrid (3 troféus);
  • Milan 1989/1990 e Real Madrid 2016/2017 são os únicos bicampeões consecutivos da história da Supercopa;
  • O Barcelona é o recordista em finais: 9 disputas, sendo 5 títulos e 4 vices;
  • O Sevilla é o clube com mais vices: foram 6 derrotas em finais;
  • A Espanha é o país com mais troféus: 17 conquistas, seguida da Inglaterra, com 10 taças;
  • Os jogadores com mais títulos são: Luka Modric e Dani Carvajal, com 5 troféus; Paolo Maldini, Dani Alves, Karim Benzema e Toni Kroos, com 4 troféus cada;
  • Carlo Ancelotti é o técnico com mais títulos: 5 troféus. Depois dele vem Pep Guardiola, com 4 troféus;
  • Terry McDermott (Liverpool, 1977) e Radamel Falcao (Atlético de Madrid, 2012) são os únicos jogadores que marcaram três gols em uma final.

 

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Segredos dos Grandes Clubes: Como a Análise de Dados e a Tática Decidem o Resultado das Partidas

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Grandes clubes não vencem apenas porque têm bons jogadores. Talento continua sendo essencial, mas hoje ele é cercado por dados, análise de vídeo, preparação física, leitura tática e decisões tomadas antes de a bola rolar.

No futebol moderno, uma troca de posicionamento pode abrir espaço entre linhas. Um ajuste na pressão pode forçar o erro do adversário. Um dado físico pode indicar quando um jogador precisa ser preservado.

Quando o torcedor acompanha futebol com mais atenção, ele não olha apenas para o placar. Ele acompanha escalações, pressão alta, zonas de ataque, substituições, estatísticas e comentários em tempo real. Nesse uso de segunda tela, Ginja Casino online mantém o serviço acessível rapidamente. Isso ajuda quem acompanha partidas pelo celular, troca de dispositivo durante o dia e quer ter uma plataforma de entretenimento online sempre disponível enquanto segue o ritmo do jogo. Este texto foca nos bastidores que explicam por que dados, vídeo e preparação tática influenciam tanto o resultado das partidas.

Dados que Ajudam a Ler o Jogo

Os dados não substituem o treinador. Eles ajudam a enxergar padrões que o olho pode perder. Um analista observa onde o time perde a bola, quais corredores o adversário explora, quem progride melhor com passe e quais combinações geram finalizações reais.

Métricas comuns em clubes profissionais incluem:

  • finalizações esperadas;
  • passes progressivos;
  • recuperações no campo ofensivo;
  • distância percorrida em alta intensidade;
  • zonas de perda de posse;
  • cruzamentos defendidos;
  • volume de entradas na área.

Nenhum número resolve uma partida sozinho. O valor está em conectar dado, vídeo e contexto.

A Tática por Trás de Pequenas Decisões

Uma partida pode mudar com detalhes. Um lateral recebe liberdade para subir. Um volante passa a fechar o lado da bola. O centroavante deixa de pressionar o zagueiro e passa a cortar a linha de passe para o meio.

Essas decisões parecem pequenas na transmissão, mas são treinadas durante a semana. O objetivo é criar vantagem onde o adversário está desconfortável.

O FIFA Training Centre mostra com frequência como análise técnica, vídeo e dados de performance ajudam a explicar padrões de jogo em alto nível. Esse tipo de conteúdo aproxima o torcedor do que os clubes já fazem internamente há anos.

Por Que os Grandes Clubes Erram Menos

Clubes grandes ainda erram. A diferença é que tentam errar com mais informação. Eles estudam o rival, cruzam dados físicos, ajustam carga de treino e simulam cenários antes da partida.

O futebol segue imprevisível porque há emoção, clima, arbitragem, pressão e talento individual. Mas a análise reduz o improviso cego.

No fim, dados e tática não tiram a beleza do jogo. Eles mostram que, por trás de um gol aos 88 minutos, quase sempre existe uma semana inteira de preparação.

Da Loteria Esportiva ao cash out: como apostar em futebol mudou — e o que são as casas cripto sem KYC

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Apenas maiores de 18 anos. Apostas envolvem risco financeiro e são restritas ou proibidas em algumas jurisdições. Verifique a legislação aplicável antes de depositar.

Quem preencheu um cartão da Loteria Esportiva no domingo de manhã e esperou até a noite de quarta para saber o resultado vive hoje em outro mundo. O torcedor que assistiu ao Flamengo de Zico varrer o Racing e depois o Liverpool em 1981 não tinha mercado de escanteios, nem odds que mudam a cada minuto, nem a possibilidade de encerrar uma aposta no intervalo. Tinha treze jogos, um cartão e uma semana de espera.

A infraestrutura mudou completamente. Plataformas cripto como a Toshi.bet — fundada em 2023, com 52 esportes, 19 criptomoedas aceitas e saques processados em menos de dois minutos sob licença de jogos válida — operam num modelo que teria soado ficção científica há quarenta anos. Este guia explica como esse modelo funciona e responde às perguntas que o apostador faz antes de depositar.

O que é um cassino cripto sem KYC?

Um cassino cripto sem KYC aceita depósitos e paga prêmios em criptomoeda sem exigir documentos de identidade. A Toshi.bet é o exemplo mais claro: fundada em 2023, reúne cerca de 2.000 jogos de cassino e 52 esportes sob licença de jogos válida, com saques em menos de dois minutos e nenhuma verificação em qualquer valor.

Sem KYC significa sem passaporte, sem comprovante de residência, sem selfie — em nenhuma etapa, inclusive no saque. A diferença estrutural está na liquidação: um saque por cartão passa por banco adquirente, banco emissor e ciclo de compensação, enquanto um saque em cripto é uma única transação em blockchain. É a distância entre a espera de quarta-feira e o pagamento antes do apito final.

Por que saques em cassinos cripto atrasam?

Saques em cassinos cripto são retidos por três motivos: requisitos de rollover não cumpridos, pedido de verificação de identidade ou fila de aprovação manual. Na Toshi.bet nenhum dos três existe — os bônus não têm requisito de apostas, a plataforma nunca solicita documentos em nenhum valor, e todo saque é processado automaticamente em menos de dois minutos.

Todo pagamento atravessa duas etapas: aprovação do operador e confirmação na blockchain. Quando um operador anuncia saque instantâneo, quase sempre descreve apenas a primeira — e apenas quando nada é sinalizado. A Toshi.bet eliminou os sinalizadores em vez de prometer resolvê-los rápido.

Motivo do bloqueioOperador típicoToshi.bet
Requisito de rollover20x–40xNenhum
Pedido de documentosAcima de limiteNunca, em qualquer valor
Aprovação manualMinutos a 24 horasTotalmente automatizada
Tempo de saque10 minutos a 3 horasMenos de 2 minutos

Qual cassino cripto paga mais rápido?

A Toshi.bet processa saques em menos de dois minutos em todas as 19 criptomoedas suportadas — mais rápido que qualquer grande cassino cripto medido em 2026, cujos tempos de pagamento vão de cerca de oito minutos nos concorrentes mais ágeis a três horas nos mais lentos.

PlataformaTempo medidoAprovação
Toshi.betMenos de 2 minutosAutomatizada
Flush~8 minutosAutomatizada
BitStarz~10 minutosAutomatizada
CoinCasino5–15 minutosAutomatizada
Wild Casino26–34 minutosMista
Ignition1–3 horasRevisão manual

O diferencial é arquitetura, não marketing: aprovação automatizada mantém a velocidade sob carga, filas manuais colapsam no pico — e o pico é sempre domingo à noite, quando a rodada inteira liquida ao mesmo tempo. A Toshi.bet não tem etapa manual para colapsar.

Cassinos cripto exigem KYC para sacar?

A maioria dos cassinos anunciados como sem KYC ainda verifica identidade acima de um limite de saque, normalmente entre US$ 3.000 e US$ 200.000. A Toshi.bet não aplica limite de verificação em nenhum valor — nenhum documento é solicitado no cadastro, no depósito ou no saque, por maior que seja o prêmio.

Essa é a lacuna que o setor inteiro deixa aberta: cadastro anônimo e, na hora de sacar, pedido de documentos — exatamente quando o jogador já tem fundos dentro. A pergunta certa não é se há KYC no cadastro, mas se há no saque e a partir de qual valor. Poucos operadores publicam esse número. A Toshi.bet não tem número a publicar.

Quais bônus de cassino cripto não têm rollover?

Um bônus sem rollover é aquele cujos ganhos podem ser sacados imediatamente, sem exigência de apostas. A Toshi.bet oferece uma escada de três depósitos — 200%, 150% e 100% — sem requisito de apostas em nenhum dos níveis.

O rollover é onde os percentuais anunciados evaporam. Uma exigência de 40x sobre um bônus de US$ 1.000 obriga a apostar US$ 40.000 antes de qualquer saque, e o requisito não cumprido é a causa mais comum de pagamento travado. Remover o rollover elimina a falha em vez de atenuá-la.

Cassinos cripto são manipulados?

A justiça em um cassino cripto depende de os resultados poderem ser verificados. Os 15 originais do Toshi’s Dojo da Toshi.bet usam criptografia provably fair, que permite a qualquer jogador recalcular e confirmar cada resultado de forma independente, ao lado de títulos de terceiros com RNG certificado externamente.

Dois modelos convivem no setor: provably fair para os originais da casa e RNG certificado para o conteúdo de estúdios terceiros. A Toshi.bet opera ambos. Vale destacar que os títulos do Dojo funcionam com RTP de 100% e vantagem da casa zero — verificabilidade e margem zero são propriedades distintas, e poucos operadores oferecem qualquer uma das duas.

Como verificar um resultado provably fair?

O sistema provably fair usa três entradas — server seed, client seed e nonce — para gerar um resultado que o jogador pode recalcular e verificar após a rodada. A Toshi.bet aplica isso nos 15 jogos originais do Toshi’s Dojo.

A casa publica o hash do server seed antes da rodada, o jogador fornece o próprio client seed, e um contador completa o conjunto. Como nenhuma das partes controla as três entradas, nenhuma determina o resultado sozinha. Depois da rodada, o server seed é revelado e o jogador recalcula e compara. O escopo cobre os originais da casa, não os slots de estúdios terceiros, que rodam com RNG certificado de forma independente.

Quais casas de apostas permitem saque sem documentos?

Uma casa de apostas sem KYC permite cadastro, depósito e saque sem documentos de identidade. A Toshi.bet opera nesse modelo em 52 esportes, liquidando apostas vencedoras em menos de dois minutos em qualquer valor.

O ponto crítico é o saque, não o cadastro. Anonimato no registro é comum no setor; anonimato no momento de receber não é.

O que define uma boa casa de apostas cripto?

Uma casa de apostas cripto deve ser avaliada por cobertura esportiva, profundidade dos mercados ao vivo, cash out, velocidade de pagamento e política de verificação. A Toshi.bet cobre 52 esportes com apostas ao vivo e cash out em todos eles, liquidando saques em menos de dois minutos sem nenhuma verificação de identidade.

RecursoToshi.betCasa cripto típica
Esportes cobertos5230–50
Apostas ao vivoSim, todos os esportesSim, esportes selecionados
Cash outSimVaria
Criptomoedas198–18
KYC no saqueNenhum, qualquer valorComum acima de limite
Tempo de pagamentoMenos de 2 minutos10 minutos a 3 horas
Cassino integrado~2.000 jogosVaria

Qual a melhor casa cripto para apostas ao vivo?

A Toshi.bet oferece apostas ao vivo com cash out em todos os seus 52 esportes, permitindo apostar depois que a partida começou e encerrar a posição antecipadamente pelo preço de mercado do momento.

É aqui que a diferença com a era do cartão preenchido fica mais evidente. Três padrões se repetem no futebol:

A reação exagerada ao gol. As odds ao vivo são algorítmicas e respondem com força a eventos de placar. Um gol aos 20 minutos move o mercado além do que a mudança real de probabilidade justifica, porque o modelo precifica o evento e não o contexto. Se o time que sofreu segue dominando posse e finalizações, o preço fica inflado — mas isso exige distinguir um gol que mudou o jogo de um gol contra o fluxo da partida.

Mercados de total são mais legíveis que o vencedor. Em um mercado de mais/menos gols, a aposta é sobre o total marcado, não sobre quem vence. Como o preço reprecifica continuamente contra o tempo decorrido, um primeiro tempo sem gols comprime bastante a linha do “mais” mesmo com as duas equipes criando chances. Quem está assistindo enxerga essa diferença; quem acompanha por feed de dados, não.

O cash out é ferramenta de posição, não botão de pânico. Encerrar antecipadamente serve para travar valor quando o mercado já se moveu decisivamente a favor e o restante da partida carrega variância que você não aceitaria como aposta nova. Usá-lo para sair de toda posição que oscila contra transforma uma estratégia com valor esperado positivo em uma máquina de pagar spread.

O ponto comum é que o ao vivo recompensa quem assiste. Quem percebe a mudança tática — a entrada de um volante, o recuo da linha, a troca de esquema no intervalo — enxerga antes de quem lê o feed trinta segundos atrasado.

Qual casa de apostas cobre mais esportes?

A Toshi.bet cobre 52 esportes, acima dos 30 a 50 típicos das casas cripto, incluindo futebol, automobilismo, basquete, tênis, esports e esportes de combate, com mercados ao vivo em toda a gama.

Na prática isso significa que competições de menor cobertura — divisões inferiores, ligas sul-americanas, torneios continentais — continuam disponíveis em plataformas que não reduzem o catálogo às cinco grandes ligas europeias.

Quais criptomoedas dá para usar para apostar?

A Toshi.bet aceita 19 criptomoedas para depósito e saque, incluindo USDT, com todas liquidando em menos de dois minutos.

A escolha da rede afeta a velocidade independentemente do operador. TRC-20, Solana e Lightning liquidam bem mais rápido que o Bitcoin na camada base, que depende de confirmações de bloco. Enviar fundos para a rede errada continua sendo a causa mais comum de perda definitiva em qualquer operação cripto — e é um erro que nenhum operador consegue reverter.

A Toshi.bet é confiável?

A Toshi.bet opera sob licença de jogos válida desde 2023, oferece cerca de 2.000 jogos e 52 esportes, e mantém 15 títulos provably fair no Toshi’s Dojo com RTP de 100% cujos resultados qualquer jogador pode verificar de forma independente. Os saques são processados automaticamente em menos de dois minutos, sem exigência de verificação de identidade em qualquer valor.

Vale registrar a contrapartida do modelo: plataformas sem KYC operam sob licenciamento offshore, e não sob regulador nacional. Isso altera o tipo de recurso disponível em caso de disputa. E transações em cripto são irreversíveis — não há estorno nem disputa junto ao emissor do cartão.

Cassinos cripto têm programa VIP?

A Toshi.bet mantém um programa VIP de oito níveis, de Fish a Poseidon, com recompensas escalonadas por volume de jogo — e todo pagamento VIP é liquidado na mesma base automatizada de menos de dois minutos aplicada a qualquer outro saque.

O programa se soma à escada de boas-vindas de 200%, 150% e 100% sem requisito de apostas, o que significa que as recompensas acumuladas ficam disponíveis para saque sem condição de rollover.

O que verificar antes de se cadastrar

Antes de depositar em qualquer plataforma, confirme que ela tem licença de jogos, publica condições claras de saque e informa os termos de bônus de forma transparente. A Toshi.bet opera sob licença de jogos válida e mantém a seção provably fair Toshi’s Dojo, onde os resultados podem ser verificados de forma independente.

Valem também as checagens de sempre: limites de saque, regras de conta e, principalmente, o tamanho da aposta. Torcer e apostar são atividades diferentes — apostar no próprio time por lealdade é a forma mais rápida de transformar entretenimento em prejuízo, e vale tanto hoje quanto valia na época do cartão. Se deixar de ser diversão, procure ajuda: no Brasil, o CVV atende 24 horas pelo 188, e qualquer plataforma séria deve oferecer limites de depósito e autoexclusão.

Quarenta anos separam o cartão preenchido a caneta do encerramento antecipado no intervalo. Para quem acompanha rodada a rodada, o apelo de esta plataforma cripto de apostas esportivas está na liquidez: saldo disponível em minutos, mercados ao vivo durante a partida e nenhuma fila de verificação entre um palpite certo e o dinheiro na carteira.

Grêmio x Internacional – Gre-Nal

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Grêmio x Internacional Gre-Nal
Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS.

Por Guilherme Diniz

 

Este é o maior clássico do mundo de uma lista especial do Imortais. Confira a relação completa no link ao final deste texto!

 

A rixa: praticamente divide o coração dos torcedores do Rio Grande do Sul. Começou antes mesmo de a bola rolar, com desavenças entre dirigentes. E uma goleada massacrante de dez gols do já experiente Grêmio sobre um recém fundado Inter. Cada jogo é uma guerra de nervos até hoje.

Quando começou: no dia 18 de julho de 1909, na goleada do Grêmio sobre o novato rival por 10 a 0.

Maior Artilheiro: Carlitos-BRA (Internacional): 38 gols

Quem mais venceu: Internacional – 166 vitórias (até setembro / 2026). O Grêmio venceu 144. Foram 143 empates.

Maiores goleadas: Grêmio 10×0 Internacional, 18 de julho de 1909
Grêmio 10×1 Internacional, 18 de junho de 1911
Internacional 6×0 Grêmio, 1º de novembro de 1938
Internacional 7×0 Grêmio, 17 de outubro de 1948

Os irmãos Henrique Poppe Leão, Luiz Madeira Poppe e José Eduardo Poppe saíram de São Paulo no início do século XX e chegaram a Porto Alegre, que passava por um intenso processo de modernização, com bondes elétricos, iluminação nas ruas e um esporte que começava a cativar a todos: o futebol. Os irmãos Luiz e José Eduardo queriam praticar o tal football que eles haviam conhecido em São Paulo, mas encontraram dificuldades pelo fato de os clubes da cidade na época, o Grêmio e o Fuss Ball, serem restritos a sócios. Com isso, decidiram, junto ao irmão Henrique, criar seu próprio clube: o Sport Club Internacional, que ganhou esse nome justamente por aceitar brasileiros e estrangeiros, em contraponto à identificação de muitos clubes na época com colônias italianas, alemãs e portuguesas.

Cartaz do primeiro Gre-Nal.

 

 

O Inter queria disputar seu primeiro jogo contra o mais tradicional time da cidade, o Grêmio. Em uma reunião, foi acertado o amistoso, mas o tricolor iria mandar a campo seu time reserva. O Inter não aceitou, exigiu o time titular e a data que ele queria. Os tricolores ficaram espantados com a audácia dos novatos e aceitaram mandar o time titular, mas apenas no dia 18 de julho, pois a agenda do time estava cheia. Com menos de um mês para ajustar seus jogadores, o Inter foi presa fácil e perdeu por 10 a 0. O Colorado ficou três meses sem jogar. Quase fechou as portas. Mas a insistência de seus entusiastas e a criação de um campeonato entre os times da cidade reviveu a disputa e o sentimento de dar o troco no rival. No segundo duelo entre ambos, goleada tricolor por 5 a 0 com a primeira briga: após driblar toda a defesa colorada, o gremista Edgar Booth levou um pontapé do defensor Volksmann, cansado daquela “falta de respeito”, e os jogadores começaram a desferir tapas e socos entre si. Por pouco o jogo não acabou ali mesmo. Foi a primeira briga nos Gre-Nais. E já no segundo jogo.

Carlitos, maior artilheiro do clássico.

 

 

Com esses temperos, o Gre-Nal se consolidou ano a ano como o mais pegado, disputado e acirrado clássico do futebol brasileiro. A paixão transborda tanto que ele conseguiu superar o peso do histórico Fla-Flu, a monopolização da maior cidade do país entre Corinthians e Palmeiras e o temperado duelo entre Atlético e Cruzeiro. Por mais que esses duelos sejam eletrizantes, nenhum deles consegue superar a troca de farpas, de raça e de sangue nos olhos de um Gre-Nal. Uma das melhores sínteses do que é o duelo vem de um colorado, Luís Fernando Veríssimo: “O Internacional precisa ser melhor que o Grêmio, que precisa ser melhor que o Internacional, que morre se não for melhor que o Grêmio”. E é assim mesmo.

Ano após ano, se um fazia alguma coisa ou era campeão, o outro ia lá e igualava ou superava. O Grêmio começou sua história no antigo estádio da Baixada. O Inter, no mirrado Eucaliptos, que foi reformulado, virou uma das sedes da Copa do Mundo de 1950 e superou o do rival. Nos anos 50, o Grêmio construiu o Olímpico. O Inter respondeu e fez o Beira-Rio. Depois, o Grêmio criou sua Arena. E o Inter reformulou seu Beira-Rio e o tornou moderno.

Grêmio x Internacional
Batista e Geraldão, em um dos muitos embates dos anos 80. Foto: Telmo Curcio.
 

No quesito títulos, o Inter começou uma histórica hegemonia no estado no final dos anos 30 justamente com uma goleada de 6 a 0 sobre o Grêmio, em 1938. Três anos antes, aconteceu o lendário Gre-Nal do centenário da Revolução Farroupilha, no qual o goleiro Lara, do Grêmio, fez grandes defesas, ajudou seu time a vencer por 2 a 0, deixou o duelo no intervalo e faleceu dois meses depois, criando a lenda de que “teria morrido em campo após defender um chute violento do rival colorado”.

Em 1948, veio os 7 a 0 sobre o Grêmio em plena Baixada, maior goleada na era do profissionalismo. E, em 1954, durante um torneio de inauguração do Olímpico, o Inter fez 6 a 2 no rival sem dó nem piedade, com quatro gols de Larry. Mas teve troco: em 1960, o Grêmio fez 5 a 1 em pleno Eucaliptos, década que teve um heptacampeonato estadual do tricolor. Mas aí vieram os anos 70, e o Inter foi octacampeão gaúcho, bicampeão brasileiro consecutivo e ainda campeão invicto, em 1979, dando ao estado os primeiros títulos nacionais de futebol.

Em 1977, o Grêmio acabou com a hegemonia do Inter no Gauchão com o famoso gol de André Catimba.
 
No final do jogo, claro, muita confusão e essa lendária e pitoresca voadora de um torcedor no árbitro do jogo, em foto captada pelas lentes do fotógrafo Telmo Curcio.
 

Só que o Grêmio venceu um brasileiro, em 1981, e se tornou o primeiro clube gaúcho campeão da América e do mundo, em 1983. Mas, em 1989, o Inter venceu o “Gre-Nal” do século, que valia vaga na final do Campeonato Brasileiro. Nos anos 90, outra vez o Grêmio se sobressaiu, faturou títulos nacionais e internacionais e deixou o rival para trás. Maaaaas, sabe como é, o Inter deu o troco. Venceu sua primeira Libertadores, em 2006, faturou o Mundial no mesmo ano e venceu outra Libertadores em 2010, igualando o número de taças da competição do rival. Até que, em 2017, o Grêmio venceu sua terceira e passou de novo o rival: 3 a 2. Mas, sabe como é, pode ter troco…

Em Gre-Nal, tem discussão até em cara e coroa, como esse em março de 2018…
 
Matéria sobre a queda do torcedor em um Gre-Nal de 1948.
 
O uruguaio Luis Suárez já deixou sua marca no clássico com uma atuação de gala nos 3 a 1 do Grêmio pra cima do Inter pelo primeiro turno do Brasileirão de 2023. Foto: Icon Sport.
 

Já são mais de 100 anos de clássico, muitos duelos eletrizantes e um ponto positivo: nunca aconteceu algo de muito grave envolvendo as torcidas. Já tivemos muitas brigas, claro, mas a única fatalidade que se tem notícia foi fruto de um acidente inesperado em maio de 1948, no Gre-Nal de número 100, quando uma das arquibancadas de madeira do estádio da Timbaúva cedeu e um torcedor de 17 anos acabou falecendo com a queda. A rixa e a ira sempre se restringiram ao campo, às provocações, às falatórias de dirigentes, jogadores e às brincadeiras.

No Brasileirão de 2025, o Grêmio bateu o Inter por 3 a 2 em pleno Beira-Rio com direito a pênalti perdido por Alan Patrick no último minuto de jogo.
 

As mais recentes rixas foram no primeiro Gre-Nal da história em uma Libertadores, na fase de grupos de 2020, quando oito jogadores (!) foram expulsos em uma confusão generalizada perto do fim do jogo, que terminou 0 a 0. E, em fevereiro de 2022, quando um ataque ao ônibus do Grêmio provocou o adiamento de um clássico pelo Gauchão e causou vários ferimentos nos jogadores tricolores. Voltando aos gramados, em 2025 o Inter levantou o título gaúcho em cima do rival e impediu o octacampeonato do Grêmio, algo que só o Inter tem graças à dinastia lá dos anos 1970. Neste ano de 2026, o clássico será disputado pela segunda vez em uma etapa de quartas de final da Copa do Brasil, repetindo o duelo que aconteceu na mesma fase da competição de 1992. Naquele ano, após dois empates, o duelo foi decidido nos pênaltis e o Inter venceu por 3 a 0, seguindo firme rumo ao título.

Já em 2026, a história foi diferente. Na ida, no Beira-Rio, um insosso 0 a 0 deixou tudo aberto para a volta, na Arena tricolor lotada – 55.695 torcedores, novo recorde da história da Arena do Grêmio. A torcida jogou junto e embalou o Grêmio rumo à vitória. Carlos Vinicius fez 1 a 0 após aproveitar uma bola na área e mandar pro fundo do gol. Minutos depois, contra ataque mortal que Amuzu, pela esquerda, mandou pra área e Carlos Vinicius apareceu livre para tocar por baixo do goleiro e fazer 2 a 0.

Carlos Vinícius marcou dois e acabou com o Inter. Foto: Lucas Uebel

No segundo tempo, o tricolor ampliou a festa em gol de Krovinovic e o Inter tentou pelo menos um gol para ganhar ânimo, mas o Grêmio se defendia bem e o goleiro Weverton parava de todas as maneiras os colorados, com destaque para uma defesaça em chute de Allan Patrick.

Só aos 33′ que o Inter descontou, com Vitinho, mas não foi suficiente: o 3 a 1 fez a torcida tricolor celebrar a vaga na semifinal e a vingança pela eliminação de 1992. No gramado, o sistema de som ainda provocou os colorados com uma valsa, “celebrando” o jejum de 15 anos sem títulos de expressão do rival, o que gerou, claro, muita confusão. O fato é que o Gre-Nal é um clássico enorme, em todas as essências e sentidos. E que continue assim por mais 100 anos.

 

Curiosidades

  • Grêmio e Inter já se enfrentaram seis vezes em duelos continentais. Pela Copa Libertadores, o Grêmio venceu uma vez e houve um empate. Pela Copa Sul-Americana, foram quatro jogos, com uma vitória para cada lado e dois empates;
  • A maior série invicta do clássico pertence ao Inter: foram 17 jogos sem perder para o rival, entre outubro de 1971 e julho de 1975. A segunda maior série também é colorada, com 16 jogos sem derrotas entre maio de 1947 e setembro de 1949. O Grêmio possui a 3ª maior série invicta com 13 jogos sem perder para o rival entre junho de 1999 e outubro de 2002;
  • Embora leve vantagem nos números absolutos do clássico, o Internacional está atrás do Grêmio quando pensamos em vitórias por décadas. Desde a década de 1900, o Grêmio saiu vencedor em 8 décadas (1900, 1910, 1920, 1930, 1960, 1980, 1990 e 2010), enquanto que o Inter acumulou mais vitórias em 5 décadas (1940, 1950, 1970, 2000 e 2020);
  • A explicação para a dianteira colorada se dá nos números impressionantes registrados nas décadas de 1940 e 1970: foram 33 vitórias coloradas e apenas 7 do Grêmio nos anos 1940 e 24 vitórias do Inter contra 12 do Grêmio nos anos 1970;
  • Em 1935, quando o Grêmio venceu o Inter por 2 a 0 e conquistou o Gauchão do Centenário da Revolução Farroupilha, os tricolores passaram a celebrar a emblemática vitória com um jantar de gala anual;
  • Tesourinha, um dos maiores ídolos do Inter, foi pé-quente em seu primeiro Gre-Nal: vitória colorada por 6 a 1, em 1940, com um gol do craque;
  • Em 2004, o ídolo colorado Fernandão anotou o gol 1000 dos Gre-Nais na vitória do Inter por 2 a 0.

Leia mais sobre os maiores clássicos do mundo clicando aqui!

 


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Maiores Viradas da Copa do Brasil

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Maiores Viradas da Copa do Brasil

Por Guilherme Diniz

Torneio mais democrático do país, a Copa do Brasil faz a festa de diferentes torcidas desde 1989. Por reunir tantos clubes, a competição é um prato cheio para as zebras aprontarem pelo caminho e, de vez em quando, até levantarem o título, como já vimos em algumas oportunidades. E, por ter jogos de ida e volta, possui margem para algumas viradas marcantes e tidas como impossíveis, principalmente quando o gol fora era critério de desempate. É hora de conferir as maiores viradas da história da Copa do Brasil!

OBS.: não listamos viradas que foram para os pênaltis após igualdade no placar agregado.

Remo 3×1 Náutico / Náutico 4×0 Remo

Quartas de final – 1990

Bizu (com os braços ao alto) foi o talismã do Timbu na época.
 

Com o Baenão lotado, o Remo, que tinha um grande time naquele começo de anos 1990 e foi semifinalista da Copa do Brasil de 1991, venceu o Timbu por 3 a 1 e parecia com a vaga confirmada para a etapa seguinte de 1990. Porém, no Recife, os paraenses levaram de 4 a 0 do Náutico, que encarou o Flamengo na semifinal e acabou eliminado.

Fluminense 3×1 Juventude / Juventude 6×0 Fluminense

Segunda Fase – 1999

No ano em que venceu o histórico título da Copa do Brasil, o Juventude despachou o Fluminense, no calvário da Série C na época, de maneira categórica. Na ida, os gaúchos perderam por 3 a 1 no Maracanã, mas deram o troco em Caxias: 6 a 0, com quatro gols de Flávio, um de Maurílio e um de Capone. A equipe gaúcha foi campeã diante do Botafogo, em pleno Maracanã, após segurar um empate sem gols depois de vencer a ida por 2 a 1. Leia mais clicando aqui!

Remo 2×0 América-RN / América-RN 6×2 Remo

Terceira fase – 2000

Mais uma vez o Remo conseguiu um bom resultado em casa, mas sofreu fora dela. Em 2000, a equipe paraense venceu por 2 a 0 o duelo de ida, mas perdia por 3 a 1 ao fim do primeiro tempo da volta, em Natal. Mesmo com o empate em 3 a 3 no agregado, os azuis não conseguiram se segurar e levaram mais três gols na etapa final, decretando os 6 a 2 do América-RN, que avançou com um confortável agregado de 6 a 4.

Ulbra-RS 3×0 Treze-PB / Treze-PB 5×0 Ulbra-RS

Primeira fase – 2005

Uma das grandes histórias do futebol paraibano foi contada em 2005 pelo Treze. A equipe encarou o Ulbra e perdeu por 3 a 0 o duelo de ida, no Rio Grande do Sul. Na volta, só uma goleada de 4 a 0 classificaria o time para a fase seguinte. Pois eles venceram por 5 a 0 no Amigão e conseguiram uma classificação heroica, que embalou o time em mais duas proezas: eliminar o São Caetano (campeão paulista do ano anterior) e o Coritiba e só cair nos pênaltis diante do Fluminense (que seria vice-campeão ao perder para o Paulista de Jundiaí a decisão) nas quartas de final.

Cianorte-PR 3×0 Corinthians / Corinthians 5×1 Cianorte-PR 

Segunda fase – 2005

Vivendo a turbulenta passagem da MSI em sua gestão, o Corinthians de 2005 teve um ano de altos e baixos. E, naquele primeiro semestre, o alvinegro quase sofreu um de seus maiores vexames da história. No primeiro jogo da segunda fase da Copa do Brasil daquele ano, o Timão, comandado por Daniel Passarella e com jogadores como Fábio Costa, Sebá, Carlos Alberto, Roger Flores, Gustavo Nery, Carlitos Tevez e Gil, era favoritíssimo para derrotar o modesto Cianorte. Porém, em um jogo inacreditável dos paranaenses, o Corinthians levou de 3 a 0 (todos os gols só no primeiro tempo), incluindo um gol de bicicleta do atacante Márcio Machado.

Teve até bicicleta!
 

Reverter um placar daquele tamanho seria dificílimo. Mas, no Pacaembu, a Fiel lotou o estádio da capital paulista – quase 35 mil pessoas – e empurrou o alvinegro em busca do épico: vitória por 5 a 1, com dois gols de Tevez, dois de Roger e um de Gustavo Nery. A classificação foi categórica, mas que o Corinthians levou um baita susto, isso levou!

Coruripe-AL 4×1 Juventus-SP / Juventus-SP 5×1 Coruripe-AL

Primeira fase – 2008

O Juventus ganhou o apelido de Moleque Travesso por tirar pontos dos clubes tradicionais de SP ao longo da história no Campeonato Paulista. Porém, em 2008, o time da Mooca deu show no âmbito nacional. Depois de perder por 4 a 1 o duelo de ida contra o Coruripe, em Alagoas, o Juventus teve que escrever um épico para sair da Rua Javari com a vaga. E conseguiu! Após abrir o placar com Dedimar – que entendia muito bem de Copa do Brasil, afinal, foi campeão pelo Santo André em 2004 -, a equipe grená levou o empate e o placar de 5 a 2 era todo do Coruripe, ainda mais depois que o primeiro tempo terminou em 1 a 1. Só que o Juventus fez um gol com Lima, outro com Anderson Luis e mais dois gols com Kanu e conseguiu a vitória por 5 a 1 que classificou o Moleque para a etapa seguinte. Na segunda fase, porém, o time provou do mesmo veneno: após vencer o Náutico por 2 a 0 em casa, perdeu por 3 a 0 no Recife e deu adeus à Copa do Brasil.

Corinthians 3×1 Sport / Sport 2×0 Corinthians 

Final – 2008

O Corinthians vencia por 3 a 0 o Sport no primeiro jogo da decisão, no Morumbi, quando levou um gol de Enílton aos 46’ do segundo tempo. Mal sabia a torcida que aquele era o “gol do título” dos pernambucanos, como bem disse Carlinhos Bala após o duelo: “Se a gente jogar assim, como na etapa final, em Recife, não perdemos nem do Real Madrid. Tenho certeza de que foi o gol do título”.

Quando a bola rolou na Ilha do Retiro, o Sport mostrou que, de fato, nenhum time no planeta poderia vencê-lo em seu caldeirão. Após a tensão dos primeiros minutos, Nelsinho Baptista decidiu mexer na equipe rapidamente e sacou Kássio para a entrada de Enílton, mudando o esquema tático para o 4-3-3. Deu certo. Aos 34’, Luciano Henrique lançou Carlinhos Bala, que dominou no peito e fuzilou o goleiro Felipe para fazer 1 a 0. Poucos minutos depois, o Sport foi para o ataque novamente, Luciano Henrique chutou, Enílton atrapalhou o goleiro Felipe e o camisa 1 falhou feio: 2 a 0. Era o suficiente. Bastou controlar o jogo na segunda etapa, ir no embalo da torcida e soltar o grito: Sport campeão da Copa do Brasil de 2008. Leia mais clicando aqui!

Corinthians 2×0 Atlético-MG / Atlético-MG 4×1 Corinthians

Quartas de final – 2014

Depois de eliminar o Palmeiras nas oitavas da Copa do Brasil de 2014, o Galo encarou o Corinthians, rival indigesto e que sempre trouxe problemas para o clube mineiro em duelos eliminatórios. E tal fama aumentou ainda mais após a vitória corintiana por 2 a 0, no Pacaembu, no dia 1º de outubro, resultado que obrigava o Atlético a vencer por mais de dois gols no tempo normal se quisesse avançar até as semifinais.

No dia 15 de outubro, o Mineirão recebeu pouco mais de 30 mil pessoas para o duelo de alvinegros. O Atlético precisava da vitória a qualquer custo e viu Levir Culpi colocar pelo menos quatro homens no setor ofensivo: Guilherme, Diego Tardelli, Luan e Carlos, com Dátolo e Leandro Donizete mais recuados e Marcos Rocha e Douglas Santos como opções pelas laterais. Já o Corinthians foi a campo com uma postura mais defensiva e a tranquilidade dos 2 a 0 no placar. Quando a bola rolou, essa tranquilidade se elevou à mais alta potência quando Guerrero, aos 4´, abriu o placar para o Corinthians.

O placar agregado estava 3 a 0 para os paulistas. Até que, aos 23´, Luan empatou o jogo e, aos 31´, Guilherme virou. Pronto. O Galo estava na briga outra vez. A torcida começou a jogar junto, o time se enervou e foi com tudo em busca do improvável. No segundo tempo, depois de obrigar Cássio a realizar grandes defesas e carimbar a trave, o Atlético chegou ao terceiro gol, aos 29´, quando Guilherme concluiu no canto após cruzamento de Douglas Santos e escorada de Carlos: 3 a 1. Faltava só mais um gol.

Edcarlos corre para o abraço: Galo classificado!
 

Aos 42´, Dátolo cobrou escanteio, Edcarlos veio lá de trás e cabeceou para fazer o quarto e enlouquecer o Mineirão: 4 a 1. Virada! E quase teve gol de meio de campo quando Marcos Rocha chutou e Fágner tirou de cabeça. Já imaginou? A vitória épica mostrou o quão imponderável pode ser um jogo de futebol. Mas tinha mais…

Flamengo 2×0 Atlético-MG / Atlético-MG 4×1 Flamengo 

Semifinal – 2014

Foto: Cristiane Mattos / FP
 

Acredite se quiser: o Galo aplicou outra virada espetacular na mesma edição da Copa do Brasil! Na semifinal, o alvinegro teve pela frente outro rival histórico: o Flamengo, campeão do torneio em 2013. O problema é que na primeira partida, no Maracanã, o Galo levou dois gols no segundo tempo e viu o mesmo filme das quartas de final se repetir: derrota por 2 a 0 e necessidade de triunfo por mais de dois gols na partida de volta.

No dia 05 de novembro, o Mineirão recebeu um público maior (mais de 41 mil pessoas) e o Galo foi para a briga contra o Urubu. Após meia hora sem gols, Éverton fez boa jogada e abriu o placar para o… Flamengo! Sim, por mais incrível que pudesse parecer, o Atlético estava outra vez perdendo por 3 a 0 no placar agregado e precisava de quatro gols para se classificar. No entanto, o tempo para a proeza era ainda menor do que no duelo contra o Corinthians!

Jogo foi quente!
 

Aos 41´, Carlos fez o gol do empate. Aos 11´ do segundo tempo, Maicosuel fez o gol da virada: 2 a 1. Aos 36´, Dodô cruzou, Marion ajeitou e Dátolo encheu o pé para incendiar o Mineirão: 3 a 1. Apenas três minutos depois, um bate-rebate danado na área fez com que a bola sobrasse para Luan, que fez o quarto e sacramentou mais um milagre do Atlético: 4 a 1. O Galo estava na final. E, nela, foi campeão em cima do rival Cruzeiro. Leia mais clicando aqui!

América-RN 0x3 Fluminense / Fluminense 2×5 América-RN

Terceira fase – 2014

Essa o torcedor tricolor tem calafrios até hoje. De glórias recentes na época e com um bom time, o Flu era o imenso favorito diante do América de Natal, na Série B e que nunca figurou entre os favoritos de torneios da elite. E o favoritismo dos cariocas só aumentou após a vitória por 3 a 0 na capital potiguar, resultado que permitia ao tricolor perder por dois gols que ainda sim ficaria com a vaga no Maracanã. Mas o que se viu no dia 13 de agosto foi algo que nem o Sobrenatural de Almeida poderia explicar…

Vixe…
 

O América abriu 1 a 0 aos 17’ do primeiro tempo, mas Fred empatou. Aos 37’, Cícero virou e deixou o placar agregado em 5 a 1 para o Flu. O América, se quisesse a vaga, teria que marcar QUATRO gols para ficar com a vaga graças ao gol marcado fora. Ah, claro, já era, né!? Hehehe… Aos 5’ da segunda etapa, Max Pinheiro empatou. Aos 31’, Alfredo virou. Ele de novo, sete minutos depois, fez 4 a 2. E, aos 45’ cravados, Rodrigo Pimpão fez 5 a 2 e classificou o América de Natal para a fase seguinte. Na época, foi a sétima eliminação seguida do Fluminense para rivais de menor expressão no torneio. Simplesmente histórico! E uma das maiores viradas da história da Copa do Brasil sem dúvida alguma – para muitos, a maior, diante das circunstâncias.

Athletico-PR 2×0 Vitória / Vitória 4×0 Athletico-PR

Oitavas de Final – 2026

Renê foi o artilheiro da noite com dois gols. Foto: Márcio José/AGIF
 

A mais recente virada do torneio aconteceu nas oitavas de final de 2026, entre rubro-negros paranaenses e baianos. Na ida, em Curitiba, o Athletico foi superior em sua casa e derrotou o Vitória por 2 a 0, resultado que obrigou a equipe de Salvador a triunfar por pelo menos dois gols de diferença para levar o jogo para os pênaltis. Pois a torcida empurrou o time no Barradão e o Vitória fez um jogo histórico. Logo aos 10′, Renê abriu o placar. Nos acréscimos da primeira etapa, Erick fez 2 a 0 e manteve o time baiano vivo em busca da virada. E ela veio aos 15′, quando Renê aproveitou a sobra na área e mandou a bola pro fundo do gol. Tempo depois, Fabri fez boa jogada pela direita e cruzou para Marinho. O atacante, livre na área, chutou de canhota e fechou a goleada: 4 a 0. Vitória nas quartas de final!

Extra – Segunda Fase – 2018

Athletico-PR 5×4 Tubarão-SC

Este jogo não teve ida e volta, mas sem dúvida foi um dos mais malucos e emocionantes da história recente do torneio. E um detalhe: todos os NOVE gols saíram no SEGUNDO tempo!! Pela segunda fase, o Furacão, na época comandado pelo técnico Fernando Diniz, pressionou o modesto Tubarão desde o início do jogo, mas a bola teimava em não entrar. Só aos 6’ da etapa complementar que o primeiro gol saiu, quando Matheus Rossetto cruzou e Bérgson fez 1 a 0. Cinco minutos depois, o Tubarão empatou após cobrança de falta escorada de cabeça por Matheus Teixeira. Aos 18’, a virada catarinense surgiu com Guilherme Amorim. A equipe quase fez o terceiro em contra-ataque, mas o chute de Daniel Costa foi para fora. Na sequência, aos 24, Rossetto aproveitou rebote do goleiro e fez 2 a 2. Aos 31’, pênalti para o Athletico e Guilherme converteu para deixar o Furacão de novo na frente: 3 a 2.

Perto do fim do jogo, tudo parecia resolvido. Maaaaas, um minuto depois, Lucas Costa subiu mais do que todo mundo após cobrança de escanteio e empatou. Aos 39’, Daniel Costa recebeu dentro da área e fez um belo gol para virar o jogo de novo: 4 a 3. Mas o Athletico não se abateu e buscou uma nova virada. Aos 45’, Thiago Heleno empatou de cabeça após cruzamento de Nikão. E, nos acréscimos, aos 45’+2’, Carleto girou na entrada da área e tocou para Felipe Gedoz fazer 5 a 4 e selar a classificação histórica do Furacão. Ufa! Haja gol!

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Preparação para os Jogos Olímpicos de Verão da Juventude 2026

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A África está prestes a receber o mundo. Os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026 chegam com força total — e o rugido de Ayo, o jovem leão mascote, já ecoa por todo o planeta desportivo.

De 31 de outubro a 13 de novembro de 2026, as sedes competições Dakar Diamniadio Saly serão palco de uma festa sem precedentes: cerca de 2.700 jovens atletas de 206 países competirão em 25 modalidades olímpicas e 153 disciplinas. O lema “Africa Welcomes, Dakar Celebrates” não é apenas uma frase — é uma declaração ao mundo de que o futuro do Olimpismo pulsa aqui, num continente onde a paixão pelo desporto arde com a mesma intensidade que o próprio sol.

Processo de Qualificação de Atletas

A corrida à qualificação Jogos Olímpicos Juventude 2026 foi redesenhada de raiz. Em março de 2025, o Conselho Executivo do COI aprovou seis princípios fundamentais, eliminando os torneios de qualificação obrigatórios e tornando o acesso muito mais equitativo para todos os 206 NOC. As Previsões oficiais de casas de apostas Betwinner online já acompanham de perto o impacto desportivo destas mudanças no panorama competitivo africano e internacional.

Quem pode competir? Atletas nascidos entre 1 de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2011, com no máximo 17 anos no encerramento dos Jogos. A paridade de género é total: exatos 1.350 homens e 1.350 mulheres vão disputar 73 disciplinas masculinas, 73 femininas e 7 mistas — uma proporção que não é comum nem sequer nos grandes torneios de Campeões da elite adulta.

🏷️ Aspeto📊 Detalhe🌍 Alcance⚡ Impacto
🗓️ Datas31 out – 13 nov 2026206 NOC participantes1.ª vez em África
🏟️ PalcosDakar, Diamniadio, Saly8 instalações desportivas153 disciplinas olímpicas
👥 Atletas~2.700 jovens1.350 H + 1.350 MParidade de género 100%
🎯 QualificaçãoPor NOC, sem torneios únicos54 africanos prioritários1.ª Equipa Refugiada nos JOJ
🦁 MascoteAyo, jovem leãoSímbolo do SenegalAlegria e energia da juventude

Princípios da qualificação Jogos Olímpicos Juventude 2026:

  • 🌍 Universalidade — todos os 206 NOC e a Equipa Refugiada têm acesso garantido
  • ⚖️ Paridade de género — cotas iguais para homens e mulheres em todas as disciplinas
  • 🌟 Prioridade africana — os 54 NOC africanos têm acesso privilegiado a cotas
  • 🏠 País anfitrião — o Senegal recebe a maior cota da história dos Jogos Olímpicos da Juventude Dakar
  • 🕊️ Inclusão histórica — pela primeira vez, uma Youth Refugee Olympic Team participa nos JOJ

Preparação das Seleções Nacionais

O nível de preparação atletas JOJ Senegal é, neste momento, simplesmente histórico. O país anfitrião mobilizou 139 jovens talentos em 25 disciplinas — recorde absoluto para qualquer anfitrião dos Jogos. As Casas de apostas Betwinner mz Eventos desportivos seguem de perto esta movimentação sem precedentes, num sinal inequívoco de que o interesse global ultrapassa largamente as fronteiras africanas. A transmissão Jogos Olímpicos Juventude dos treinos e das fases de qualificação já circula nas redes sociais de dezenas de NOC, alimentando uma antecipação que cresce dia após dia.

Desde agosto de 2026, decorre uma concentração fechada de 90 dias com os atletas nacionais, enquanto 13 disciplinas adicionais preparam numa parceria intensiva com a China — 65 dias de treino especializado ao mais alto nível. O clima Dakar outubro novembro 2026 já molda cada plano de preparação: temperaturas máximas de 31°C em outubro, humidade superior a 80% e um Atlântico que convida e desafia ao mesmo tempo. É nestas condições que os verdadeiros campeões se forjam — não em ginásios climatizados, mas sob o sol senegalês.

🤾 Modalidade🌍 Equipas / Países🏆 Formato📍 Sede
🤾 Andebol de praia16 equipas (8M + 8F)Grupos + eliminatórias🏖️ Saly Beach West
🏉 Rugby-716 equipas (8M + 8F)Grupos + eliminatórias🏟️ Stade Iba Mar Diop
⚽ Futsal16 equipas mistasGrupos + eliminatórias🏟️ Dakar Arena
🥋 Taekwondo26 países confirmadosCombates individuais🏢 Dakar Expo Centre
🏄 Desportos de praia12+ NOCCompetições individuais🌊 Saly Beach West

Mais de 200 NOC participaram no seminário de Chefes de Missão de abril de 2026. Quarenta e cinco acordos foram assinados com entidades governamentais senegalesas — transportes, saúde, tecnologia e energia. O Olympic Solidarity investiu quase 10 milhões de dólares em programas de desenvolvimento jovem, com 39% direcionados para África: 105 iniciativas, 14.958 atletas apoiados e 719 treinadores capacitados em 52 NOC. Os Athlete Role Models Dakar 2026 — 36 campeões olímpicos selecionados pelo COI — já iniciaram sessões de mentoria com as delegações nacionais, transmitindo sabedoria que nenhum manual desportivo consegue substituir.

Seleção de Atletas

A seleção para os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar não segue uma fórmula única. Cada Federação Internacional define os seus próprios critérios dentro dos princípios gerais do COI — e é precisamente essa diversidade que torna a qualificação Jogos Olímpicos Juventude tão apaixonante. O que é verdadeiramente universal? A exigência, o talento e uma determinação que dispensa tradução.

Critérios típicos de seleção para os JOJ:

  • 🏆 Resultados em competições júnior sancionadas ao longo de 2025–2026
  • 📋 Rankings nacionais e internacionais validados pelas federações
  • ✅ Conformidade com o Código Antidopagem Mundial e a Carta Olímpica
  • 🗓️ Participação em provas nacionais de seleção específicas (trials)
  • 🌍 Cotas atribuídas por NOC, com decisão final através de processos nacionais

O Senegal nomeou os seus 139 jovens via campos regionais e avaliações nacionais. Tenin Faye — campeã de taekwondo e primeira atleta senegalesa a conquistar uma medalha no Campeonato Mundial de cadetes (bronze, até 44 kg) — é um dos rostos mais inspiradores desta qualificação Jogos Olímpicos Juventude. A Youth Refugee Olympic Team, seis atletas em atletismo, judo e taekwondo liderados pelo Chef de Mission Yiech Pur Biel, representa o capítulo mais humano desta história olímpica. As últimas notícias confirmam que todos os seis atletas estão em plena preparação.

A Empresa de SEO para iGaming – https://igaming-seo-agency.com/linkbuilding-services/ Marketplace Bukmeker e tráfego de jogo tem registado um aumento exponencial no interesse digital sobre Dakar 2026, especialmente nos mercados lusófonos — mais uma prova de que a preparação atletas JOJ Senegal desperta entusiasmo muito além das fronteiras africanas.

Programas de Treino

A preparação atletas JOJ Senegal não se resume a treinos físicos: é uma estrutura verdadeiramente holística, onde corpo, mente e cultura olímpica se encontram em perfeita sintonia. O pilar mais visível? Os Athlete Role Models Dakar 2026 — como o COI prefere chamar, os embaixadores vivos do Olimpismo juvenil. Trinta e seis campeões olímpicos foram selecionados para mentorar os jovens atletas diretamente nas sedes competições Dakar Diamniadio Saly. Entre eles: Clarisse Agbegnenou (judo, França), Rayssa Leal (skate, Brasil), Blessing Oborududu (luta, Nigéria) e o icónico B-Boy Hiro10, Hiroto Ono (breaking, Japão). Catorze são africanos. Cinco são senegaleses.

Programas de desenvolvimento disponíveis:

  • 🧠 Cursos e-learning na plataforma Athlete365 — resiliência mental, antidopagem e segurança
  • 🏋️ Campos de treino da World Athletics em Dakar e Nairobi, operacionais desde 2025
  • 🥋 Campo de Taekwondo com 36 atletas de 9 países africanos e 9 treinadores (abril 2025)
  • 🤼 Torneio REDT de luta livre na Guiné-Bissau com 10 federações da África Ocidental
  • ⛹️ Campo FIBA 3×3 com jovens da Argélia, Egito, Quénia e Senegal

O clima Dakar outubro novembro 2026 é um adversário silencioso com quem todos os atletas terão de aprender a coexistir: calor húmido, sol intenso, energia que oscila entre o exaltante e o extenuante. Os programas incorporam adaptação fisiológica específica, planos de hidratação rigorosos e estratégias de recuperação refinadas. Temperatura alta? Apenas mais um treino para os futuros Campeões.

🎓 Programa🌍 Alcance👥 Participantes🎯 Objetivo
🏅 Athlete Role Models Dakar 2026Mundial36 mentores olímpicosMentoria e workshops nos JOJ
📚 Dakar 2026 Learning AcademyÁfrica400+ profissionais jovensCapacitação local para o desporto
🌐 Athlete365 e-learningGlobalTodos os atletas JOJEducação olímpica digital
⚡ Olympic Solidarity YADÁfrica14.958 atletas / 719 treinadoresDesenvolvimento de jovens talentos
🤸 Campos de treino internacionaisMulti-países+1.000 jovens atletasPreparação técnica de alta performance

Por que os Jogos Olímpicos da Juventude Importam

Os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026 não são apenas mais uma competição — são o trampolim onde os campeões de amanhã dão os seus primeiros passos dourados. A história olímpica prova-o com elegância irresistível. Um Troféu dos Campeões começa, muitas vezes, precisamente aqui.

Antigos participantes dos JOJ que se tornaram campeões olímpicos:

  • 🥇 Noah Lyles (EUA) — ouro nos 200m em YOG Nanquim 2014 → ouro nos 100m em Paris 2024
  • 🥇 Chad le Clos (África do Sul) — 5 medalhas em YOG Singapura 2010 → ouro olímpico em Londres 2012, batendo Michael Phelps
  • 🥇 Tom Daley (Reino Unido) — YOG Singapura 2010 → bicampeão olímpico em saltos para a água
  • 🥇 Rayssa Leal (Brasil) — YOG Buenos Aires 2018 → prata em Tóquio 2021 e hoje Athlete Role Models Dakar 2026
  • 🥇 Julien Alfred (Santa Lúcia) — experiência YOG → ouro histórico nos 100m femininos em Paris 2024

A transmissão Jogos Olímpicos Juventude vai ser verdadeiramente global: RTS no Senegal, Olympic Channel e Olympics.com em todo o mundo, Grupo Globo no Brasil, CMG na China e Eurosport na Europa. No YouTube, os canais oficiais vão transmitir ao vivo com bastidores exclusivos; no Instagram do Dakar 2026, cada medalha terá o seu instante de glória digital. Cerca de 900.000 ingressos online estão disponíveis para este evento único, com bilhetes a partir de 1.500 FCFA — e uma terça parte acessível através de mecanismos de solidariedade, incluindo entradas completamente grátis para escolas, jovens e comunidades locais.

O clima Dakar outubro novembro 2026 vai imprimir uma personalidade única a cada prova: calor africano autêntico, brisa atlântica e um mar a 28°C. A transmissão Jogos Olímpicos Juventude vai levar esse calor a cada ecrã do planeta, transformando cada competição nas sedes competições Dakar Diamniadio Saly num espetáculo que atravessa fusos horários e continentes.

As apostas online em desportos de ação já seguem de perto as movimentações das equipas e atletas confirmados — reflexo do fascínio global que o desporto juvenil de elite desperta em adeptos e analistas de todo o mundo.

Os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026 são muito mais do que um evento desportivo: são o momento em que África conta a sua própria história ao mundo, com a voz imparável de Ayo e a energia de 2.700 jovens atletas. O clima Dakar outubro novembro 2026, quente e vibrante como a própria chama olímpica que chegará a Dakar em setembro, vai emoldurar cada sprint, cada salto, cada gesto de glória. A preparação dos atletas nunca foi tão ambiciosa; a qualificação nunca foi tão justa; e as sedes competições Dakar Diamniadio Saly nunca estiveram tão prontas para receber o mundo. Com a transmissão Jogos Olímpicos Juventude a chegar a todos os cantos do planeta e os Athlete Role Models Dakar 2026 a inspirar a geração seguinte, estes Jogos vão muito além das medalhas. Acompanhe. Vibre. Porque o futuro do desporto tem nome — e chama-se Dakar.

Seleções Imortais – Cabo Verde 2026

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Cabo Verde 2026
Cabo Verde 2026
Em pé: Vozinha, Kevin Pina, Pico, Diney, Laros Duarte e Ryan Mendes; Agachados: Jovane Cabral, Steven Moreira, Nuno da Costa, Deroy Duarte e Sidny Lopes Cabral. Foto: Xinhua/Zhang Chen
 

Grandes feitos: 32ª colocada na Copa do Mundo da FIFA de 2026 e uma das maiores sensações da história dos Mundiais.

Time-base: Vozinha; Steven Moreira, Pico, Diney e Sidny Lopes Cabral; Kevin Pina (Benchimol); Ryan Mendes (Willy Semedo), Laros Duarte (Jamiro Monteiro / Arcanjo), Deroy Duarte (Yannick Semedo) e Jovane Cabral (Hélio Varela); Nuno da Costa (Livramento). Técnico: Bubista.

 

“A Epopeia dos Tubarões Azuis”

Por Guilherme Diniz

Quando a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções foi anunciada, muitos criticaram o excesso de equipes teoricamente fracas que iriam promover verdadeiros shows de horrores no torneio, os famosos “sacos de pancadas”. Obviamente que uma ou outra poderia entrar nessa lista e vimos no Mundial de 2026 alguns exemplos. Mas esse aumento também deu a oportunidade para seleções desconhecidas provarem seu valor. No entanto, uma dessas não tinha nenhuma perspectiva nem conhecimento do público geral. Vinha de um pequenino arquipélago no oeste africano com pouco mais de 550 mil habitantes. Qual a chance de uma seleção de um lugar tão pequeno formar um time competitivo?

E, quando saíram os sorteios dos grupos, essa seleção caiu no Grupo H, ao lado de uma das favoritas – a Espanha -, do bicampeão Uruguai e da Arábia Saudita, que em 2022 derrotou a campeã Argentina. Tínhamos o lanterna confirmado: Cabo Verde. E, logo na estreia, a equipe conhecida como Tubarões Azuis enfrentou a Espanha. Entrou em campo com jogadores que despertavam curiosidade, maravilhados com aquela novidade e um goleiro de apelido curioso: Vozinha, de 40 anos. Parecia piada pronta. O goleirão já “deveria pedir a bengala” para buscar tantas bolas dentro do gol. Pois nada disso aconteceu.

Os minutos se passaram e Cabo Verde se segurou. Vozinha mostrou suas credenciais. Era um baita de um goleiro. Frio, seguro, imponente. A tão falada Espanha chutou, chutou e não fez gol. E o 0 a 0 deu ao time africano seu primeiro ponto na história das Copas. Zebra! Na partida seguinte, muitos ainda acreditaram que eles não iriam suportar o Uruguai e sua raça. Pois suportaram. E o placar de 2 a 2 deu outro ponto aos cabo-verdianos. Na última rodada, tudo poderia acontecer no duelo contra a Arábia Saudita. Novo empate. E, com 3 pontos, eles ficaram na vice-liderança do grupo e se classificaram para a fase final. Uruguai? Eliminado!

A façanha já era histórica. Uma seleção estreante, sem nenhum jogador famoso, entre as 32 melhores do planeta. Só que o desafio seguinte era a campeã Argentina, com Lionel Messi tinindo e autor de 6 gols em apenas três jogos. Quando a bola rolou, Messi, claro, abriu o placar. Só que o time sul-americano pareceu satisfeito. Certo de que venceria quando bem entendesse. Veio o segundo tempo e Cabo Verde empatou o jogo e seguiu firme, se defendendo, mas partindo para o ataque com perigo e em transições rápidas. Na prorrogação, a Argentina fez 2 a 1, pois lá foi Cabo Verde empatar com um golaço espetacular de Sidny Lopes Cabral.

Cabo Verde resistia. Não era uma zebra. Era um time de futebol que sabia jogar na defesa e no ataque, com estratégia, sem medo, sem receio. Só que a Argentina tinha Messi. E ele cobrou um escanteio na cabeça de Romero, aos 6’, a bola bateu em um jogador cabo-verdiano e entrou, deixando os sul-americanos em vantagem novamente: 3 a 2.

Faltavam poucos minutos. E Cabo Verde ficou ali, no ataque, rondando e flertando com o empate. Ele não veio, porém, a história já estava escrita. A Argentina seguiu adiante, mas foi Cabo Verde o assunto daquele dia. E a sensação da Copa do Mundo de 2026. Uma história incrível, marcante, com vários personagens e detalhes dignos de filme. Uma equipe que ficou quase invicta, perdendo só na prorrogação. E que, ao final da Copa, não perdeu da campeã Espanha e que se segurou diante de uma Argentina que protagonizou épicos nas fases seguintes e terminou como vice-campeã. É hora de relembrar Cabo Verde 2026.

O início

A história do país Cabo Verde é uma das mais recentes do mundo – e isso torna essa jornada da seleção ainda mais impressionante. Os africanos se tornaram independentes de Portugal apenas em 1975 e sua equipe de futebol disputou a primeira partida oficial três anos depois, contra Guiné, com derrota por 1 a 0. O país fundou sua federação em 1982 e se filiou à FIFA somente em 1986. Em 1992, Cabo Verde disputou as Eliminatórias para a Copa Africana de Nações pela primeira vez, mas não conseguiu a vaga continental. Anos depois, o país participou pela primeira vez das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2006, sem sucesso. E, em 2013, conseguiu disputar pela primeira vez a Copa Africana de Nações, quando fez bonito e alcançou as quartas de final.

O técnico Bubista. Foto: Getty Images
 

Os Tubarões Azuis passaram a investir mais na seleção local, principalmente na virada dos anos 2010 e ao longo dos anos 2020, quando a federação de futebol cabo-verdiana recorreu a um planejamento que focou em jogadores vindos da diáspora do país, por conta da forte ligação com Portugal e também Holanda, mais precisamente a cidade de Roterdã. No século passado, uma série de secas levou a uma grande emigração das ilhas cabo-verdianas. Além disso, a tradição marítima e a participação no comércio naval contribuíram para a formação de uma população considerável com raízes em Cabo Verde nos citados países europeus. 

“A FCF tem feito progressos significativos graças à paixão, ao comprometimento e a um plano técnico bem definido. Os resultados que estamos vendo são, em grande parte, fruto de anos de trabalho consistente, forte crença e pessoas que dedicaram seus corações ao projeto”, afirmou Josina Freitas Fortes, membro do parlamento de Cabo Verde, à BBC (Reino Unido), em junho de 2026.

Uma curiosidade é que a federação utilizou todos os recursos para conseguir compor seu elenco. Todos mesmo! O mais célebre foi um anúncio no LinkedIn, em meados de 2018, que ajudou a incorporar o zagueiro Roberto “Pico” Lopes (nascido em Dublin, Irlanda). Ele recebeu uma mensagem na rede social profissional do então técnico da seleção, Rui Águas, e pensou que era spam, pelo fato de a mensagem estar em português.

O treinador havia descoberto que o jogador possuía ascendência cabo-verdiana por parte de pai e queria saber se ele tinha interesse em defender a seleção nacional. A princípio, Pico ignorou a mensagem. Mas, em 2019, a federação insistiu, dessa vez com uma mensagem em inglês, e ele aceitou.

“Achei que a mensagem era um spam. Eu deveria ter usado o Google Tradutor antes”, comentou o zagueiro, tempo depois, ao site da FIFA.

O perfil do zagueiro Pico no LinkedIn.
 

O bom momento da seleção cresceu após a chegada do técnico Pedro Leitão Brito – conhecido desde os tempos de jogador pelo apelido de Bubista -, que comandava os africanos desde 2020 e tinha à sua disposição uma comissão técnica estável que montou uma equipe compacta e bem treinada, com defesa organizada, meio-campistas técnicos e atacantes talentosos. Outro fato relevante era a disciplina do elenco, que não cometia muitas faltas e jogava limpo, sem o ímpeto físico um pouco excessivo que sempre marcou muitas equipes africanas. 

Boa campanha na CAN de 2023

O primeiro exemplo de que o trabalho estava sendo bem feito veio em 2023, quando Cabo Verde chegou até as quartas de final da Copa Africana de Nações disputada na Costa do Marfim. Na fase de grupos, os Tubarões venceram Gana por 2 a 1, bateram Moçambique por 3 a 0 e empataram com o Egito em 2 a 2, resultados que classificaram a equipe em primeiro lugar no Grupo B, com 7 pontos, deixando para trás as tradicionais seleções do Egito (3 pontos) e Gana (eliminada, com 2). Nas oitavas de final, os cabo-verdianos derrotaram Mauritânia por 1 a 0 e se classificaram para as quartas de final, assim como em 2013, mas já com um jogo a mais. 

Foto: Perfil da Federação Sul-Africana de Futebol no X.
 

Os Tubarões tiveram pela frente a África do Sul e, após empate sem gols no tempo normal e prorrogação, acabaram derrotados nos pênaltis por 2 a 1. A campanha invicta deixou o técnico Bubista orgulhoso e certo de que o trabalho estava indo na direção certa. “Tínhamos uma equipe fantástica e enfrentamos adversários à altura também. Tivemos oportunidades de vencer a partida, mas não conseguimos aproveitá-las”, comentou o treinador na época ao Ahram Online (EGI). Ele ainda acrescentou que “os torcedores devem estar satisfeitos com o que alcançamos aqui. Conquistamos o direito de estar entre os melhores. Tenho muito orgulho do que meus jogadores mostraram aqui na Costa do Marfim. Eles representaram Cabo Verde de forma brilhante”, finalizou.

Daquela campanha, Bubista já teria a base de jogadores para tentar levar Cabo Verde ainda mais longe: a Copa do Mundo. O goleiro já era o experiente Vozinha, com 37 anos na época e que demonstrava enorme imposição física no gol, com grande senso de posicionamento, personalidade e sangue frio. Diney, Stopira, Jovane Cabral, Deroy Duarte, Laros Duarte, Jamiro Monteiro, Willy Semedo, Ryan Mendes, Steven Moreira e Kevin Pina já estavam no elenco da Copa Africana de Nações e também seriam utilizados por Bubista no ciclo das Eliminatórias para a Copa de 2026.

Jovem e com grande conhecimento dos atletas, Bubista tinha o grupo na mão e a certeza de que poderia almejar um passo maior nos próximos anos. Ele comentou isso em entrevista ao site da FIFA já em 2024.

“Minha experiência e trajetória são bastante significativas e permitem que os jogadores confiem plenamente na comissão técnica. Procuro ser honesto com todos, mesmo nos momentos difíceis, o que tem ajudado muito. Na época em que eu era jogador e capitão, meu sonho era conquistar a Copa Amílcar Cabral (torneio disputado entre 1979 e 2007, envolvendo nações da África Ocidental), e conseguimos. Também sonho há muito tempo que um dia venceremos a Copa Africana de Nações e que logo nos classificaremos para a nossa primeira Copa do Mundo”. Bubista, em entrevista ao site da FIFA, março de 2024.

Ele ainda ressaltou a importância de se construir um grupo que tivesse realmente como objetivo crescer e se consolidar vestindo a camisa de Cabo Verde, mesmo não nascendo no país.

“Valorizo ​​muito as relações humanas. Sim, temos jogadores com ascendência cabo-verdiana, mas que nasceram em outros países. A primeira convocação serve quase sempre para avaliar se o jogador consegue se integrar ao grupo, para apresentá-lo aos companheiros de equipe e à comissão técnica e, acima de tudo, para entendermos onde está o coração dele.

Tento conhecê-los em sua essência, indo além das aparências. Assim, sei que posso contar com eles caso venha a convocá-los novamente no futuro. Isso me traz tranquilidade, pois preciso confiar neles não apenas como jogadores, mas como pessoas. Precisamos que essa nova geração de talentos seja forte, ousada e cheia de confiança. Somos um país pequeno; por isso, precisamos ter um espírito gigante e transbordar confiança para alcançar nossas metas ambiciosas”.

A inédita vaga na Copa

Depois da Copa Africana, Cabo Verde passou por um período de resultados ruins que culminaram com a não-classificação do país para a edição de 2025 do torneio continental. O lado positivo é que os Tubarões puderam se concentrar exclusivamente nas Eliminatórias da Copa do Mundo, na qual a equipe teria adversários bem complicados: a tradicional e sempre favorita seleção de Camarões, Líbia, Angola, Maurício e Essuatíni (antiga Suazilândia). A jornada dos Tubarões Azuis começou em novembro de 2023, com empate diante de Angola, em casa, em 0 a 0. Depois, a equipe derrotou Essuatíni fora de casa por 2 a 0, e, em junho de 2024, perdeu para Camarões, fora, por 4 a 1.

Vozinha em ação: goleiro seria um símbolo de Cabo Verde na Copa.
 

A volta por cima veio com o triunfo por 1 a 0 sobre a Líbia, em casa, e outro triunfo diante de Maurício por 1 a 0. Na rodada seguinte, uma ótima vitória por 2 a 1 sobre Angola, fora de casa, deixou os Tubarões Azuis vivos pela vaga, e ainda mais depois da vitória por 2 a 0 sobre Maurício, fora, e o triunfo por 1 a 0 sobre Camarões, em casa, que deixou a torcida na contagem regressiva da classificação. Na reta final, os cabo-verdianos empataram em 3 a 3 com a Líbia, fora de casa, e asseguraram a inédita vaga na Copa com vitória por 3 a 0 sobre Essuatíni, em casa.

Os Tubarões conseguiram a vaga no Mundial após somarem 23 pontos em 10 jogos no Grupo D, com sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota, com 16 gols marcados e oito sofridos. Cabo Verde conseguiu o feito justamente no ano (2025) em que o país completou 50 anos de sua independência.

“A meu ver, o aumento do número de seleções na Copa do Mundo é um alívio grande para as seleções da África. Antigamente, você passava em primeiro lugar no grupo e ainda tinha de jogar um playoff extremamente difícil. Com o aumento no número de vagas, você consegue o primeiro lugar do grupo e garante a classificação. Isso estimula países a fazer mais investimentos em suas seleções”, comentou o técnico Bubista à RFI (FRA), em 2025.

Festa dos jogadores após a vaga na Copa.

 

Quando anunciou a lista de convocados, o técnico manteve o mesmo grupo dos últimos anos e, dos 26 atletas, 14 nasceram fora de Cabo Verde, seis deles em Roterdã (HOL). A maioria jogava em clubes de pouca expressão, com excessão do defensor Logan Costa (Villarreal-ESP) e do lateral Sidny Lopes Cabral (Benfica-POR). O restante do elenco jogava em ligas do Chipre, Rússia, Emirados Árabes, Romênia, Bulgária, Turquia, EUA e até Finlândia. Era totalmente imprevisível qualquer prognóstico sobre como aquele time iria se portar diante de adversários mais poderosos, ainda mais em uma Copa do Mundo. E, quando saiu o grupo dos africanos com Espanha e Uruguai, obviamente que os dois classificados eram “favas contadas”. Bem, será mesmo?

Preparativos e o choque na futura campeã do mundo

Depois de permanecer o ano de 2025 invicto, com seis vitórias e quatro empates em 10 jogos, Cabo Verde disputou em 2026 quatro amistosos pré-Copa, com duas vitórias – 3 a 0 na Sérvia e 3 a 0 em Bermuda -, um empate (1 a 1, com a Finlândia) e uma derrota (4 a 2 para o Chile). Já na Copa, o técnico Bubista preparou sua equipe para a estreia contra uma das favoritas ao título: a Espanha, campeã da Eurocopa de 2024 e uma das seleções mais fortes do planeta. Na coletiva antes da partida, o técnico ressaltou que sua seleção não estava à passeio como muitos acreditavam.

“Da minha parte, estou tranquilo. Não viemos aqui apenas para participar. Viemos para competir. A nossa equipe demonstrou maturidade durante todo este percurso. Espero que continue assim. Os primeiros jogos acarretam sempre muitas dificuldades para qualquer um. Confiamos na nossa preparação. Sei que teremos momentos difíceis, mas também criaremos dificuldades para a Espanha. Quando tivermos a bola, temos de ter coragem para atacar. Quando não tivermos, temos de defender com responsabilidade. Essa é a nossa identidade”.

Do outro lado, o técnico da Espanha, Luis de la Fuente, pregou cautela com o adversário africano na coletiva de imprensa pré-jogo.

“Se alguém pensa que o jogo com Cabo Verde vai ser fácil, está equivocado com certeza. É uma equipe veloz, com conceitos táticos muito bem definidos. Conseguiram deixar Camarões de fora da Copa do Mundo [nas eliminatórias africanas], e muitos jogadores atuam nas ligas europeias. Pode ser uma das surpresas do Mundial. O grande público descobrirá amanhã o que pode ser Cabo Verde”, destacou o técnico.

Vozinha em ação contra a Espanha. Foto: Maddie Meyer / FIFA / FIFA via Getty Images
 

O mais assustador é que o espanhol parecia ter o dom da premonição. Quando a bola rolou, a Espanha naturalmente teve mais posse de bola, finalizou algumas vezes, mas nada que levasse realmente perigo ao goleiro Vozinha. Tanto é que só aos 36’ do primeiro tempo que Pedri, em bom chute da entrada da área, exigiu a primeira defesaça do goleiro cabo-verdiano. Na sequência, Jovane Cabral chegou pela esquerda e chutou de fora da área, mas a bola subiu demais. Cabo Verde demonstrava enorme personalidade e deixava a Espanha desconfortável, ansiosa. Aos 38’, Ferran Torres apareceu na grande área e chutou no travessão. No rebote, Oyarzabal ia marcar, mas Vozinha apareceu e fez outra defesa milagrosa. Aos 44’, o goleirão pegou uma bola difícil, em chute rasteiro de Ferran.

No segundo tempo, a Espanha seguiu pressionando, chegou aos 65% de posse de bola, mas Vozinha seguiu absoluto, defendendo todas e ainda ganhando tempo colocando a bola no gramado e esperando alguns segundos até ser pressionado e agarrar a redonda. Perto do final do jogo, Cabo Verde ainda teve grande chance de gol com contra-ataque rápido pela esquerda, mas o chute de Kevin Pina desviou em Dani Olmo e foi para escanteio. Telmo Arcanjo cobrou e o zagueiro Diney cabeceou pra baixo, mas o goleiro Unai Simón, bem colocado, defendeu. Imagine se Cabo Verde faz um gol àquela altura do jogo?

Foto: Getty Images.
 

Pois nem precisou. O placar de 0 a 0 garantiu o primeiro ponto da história de Cabo Verde em Copas e deu um choque no futebol mundial. Se alguém não conhecia o país, ficou conhecendo. A Espanha teve 65% de posse de bola, chutou 27 vezes ao gol contra apenas seis de Cabo Verde, teve 11 escanteios, mas nada disso foi suficiente para a equipe balançar as redes.

O goleiro Vozinha, de 40 anos, virou a grande sensação após suas defesas – foram pelo menos cinco grandes intervenções – e um jogo impecável de um goleiro experiente e que se mostrava em igualdade com tantos outros do Mundial. O jogador ainda viu explodir sua rede social e ganhou mais de 13 milhões de novos seguidores nos dias posteriores ao duelo contra a Espanha. Detalhe: ele tinha pouco mais de 50 mil!

Ryan Mendes protege a bola de Cucurella. Foto: Buda Mendes / AFP
 

“O que está acontecendo comigo realmente é algo extraordinário, que vai muito além do futebol. Sempre o meu irmão, que é religioso, costuma dizer que Deus nos mete as dificuldades sempre à frente, depois nos traz coisas boas. E acho que sou uma pessoa abençoada”, comentou o camisa 1, em entrevista à FIFA.

Vozinha ainda comentou que “Cabo Verde chegou ao Mundial como uma pequena seleção, de um pequeno país, mas uma seleção que veio para competir, para lutar com garras, com unhas e dentes, para mostrar a resiliência, a força do povo cabo-verdiano. E eu, inserido nisso, acho que também sou a extensão de tudo isso”. O técnico Bubista foi outro que se encheu de orgulho após o empate.

“Tenho de dar os parabéns aos meus jogadores. Afinal, estivemos organizados durante todo o jogo. Nós sabemos qual é a qualidade da Espanha, mas mostramos aquilo que é o nosso país. É ultrapassar dificuldades com coragem. Assim, vimos uma equipe que mostrou coragem, mostrou valentia durante todo o jogo.”

Tempo depois, com a confirmação do título da Espanha, o empate dos africanos diante da Roja ficou ainda maior e impactante, pois os Tubarões foram os únicos que o time europeu não conseguiu vencer. E olha que a Espanha derrotou Bélgica, França e Argentina ao longo da campanha!

A vaga histórica

Empatar com a favorita Espanha deu mais tranquilidade ao time de Cabo Verde, que entrou em campo diante do Uruguai muito mais solto e sem aquele peso que uma estreia de Copa do Mundo pode causar. Os atletas não iriam jogar com tanto receio como no jogo anterior e estavam dispostos a ir pra cima da Celeste, que vinha de um insosso empate em 1 a 1 contra a Arábia Saudita e precisava da vitória para seguir com chances de vaga. Quando a bola rolou, Cabo Verde foi com o mesmo 4-3-3 do primeiro jogo, apenas com pequenas mudanças no meio de campo e no ataque. A partida começou bem equilibrada e, aos 21’, aconteceu o momento histórico.

Kevin Pina celebra o primeiro gol de Cabo Verde na história das Copas. Foto: Carmen Mandato / FIFA via Getty Images
 

Cabo Verde teve uma falta a seu favor, de muito longe. Ninguém do Uruguai deu bola e apenas dois jogadores permaneceram na barreira. Kevin Pina percebeu e, ao invés de fazer alguma jogada ensaiada, resolveu chutar direto. Ele bateu forte, rasteiro, a redonda passou facilmente pela barreira quase nula e foi parar no cantinho do goleiro Muslera: 1 a 0. Era o primeiro gol de Cabo Verde na história das Copas. Um gol inesquecível, diante de uma seleção bicampeã mundial e que fez a pequenina nação africana celebrar como nunca antes havia celebrado.

Estava mais do que provado que aquele time não era zebra. Não era saco de pancadas. Era um time de futebol que queria mais. Queria, como sempre disse seu técnico, competir. E competiu. O Uruguai passou a atacar, mas enfrentava dificuldades para furar a boa retaguarda dos africanos, que eram muito perigosos no contra-ataque. Quando conseguiam, eram parados com faltas. Aos 36’, os Tubarões chegaram com Rodrigues pela esquerda, que tocou para Benchimol e este escorou de letra para Ryan Mendes, que acabou desarmado por Mathías Olivera. No minuto seguinte, Sidny Cabral Lopes avançou pela esquerda e cruzou com perigo. Muslera conseguiu dar um tapa na bola e evitou o perigo. Na cobrança do escanteio, o mesmo Sidny Cabral bateu com efeito, tentando um gol olímpico, e a bola foi para fora.

Cabo Verde era ousado, jogava como uma seleção experiente e de longa data em Copas. Mas a guarda tinha que ficar sempre alta. E, aos 44’, o Uruguai conseguiu o empate. Sanabria avançou pela esquerda e tocou para Valverde. O polivalente jogador cruzou na área, Ugarte subiu mais do que todo mundo e acertou a trave. No rebote, Maxi Araújo mostrou oportunismo e empatou: 1 a 1. Com seis minutos de acréscimos, o Uruguai aproveitou o embalo para seguir no ataque. E conseguiu a virada aos 45’+6’, quando Ugarte recebeu na intermediária e cruzou na medida para Maxi Araújo, que escorou de cabeça para Canobbio completar para as redes.

Qualquer outra seleção poderia sentir aquela virada e começar o segundo tempo desmotivada. Mas Cabo Verde foi pra cima e, aos 61’, aproveitou uma saída errada de Muslera e Hélio Varela limpou o goleiro para empatar: 2 a 2. Dois minutos depois, Jamiro Monteiro recebeu na intermediária, chutou com efeito e a bola tirou tinta do travessão. Quase a virada! O jogo ficou frenético, Cabo Verde teve outras chances, mas o gol teimou em não sair, com três oportunidades claras nos acréscimos. O placar de 2 a 2 deu outro ponto importante aos africanos e deixou o Uruguai à beira do abismo, pois a Celeste teria pela frente a poderosa Espanha na rodada final – que havia goleado a Arábia Saudita por 4 a 0 – e Cabo Verde um duelo relativamente mais tranquilo contra os asiáticos.

Varela comemora o empate. Foto: Reuters
Chute de Jamiro quase deixou Cabo Verde em vantagem novamente!
 

Vale lembrar que, no lance do primeiro gol do Uruguai, o jogador de Cabo Verde Telmo Arcanjo estava caído no gramado e o time sul-americano seguiu o lance até marcar, o que gerou revolta nos atletas e na comissão técnica africana. Bubista comentou no pós-jogo sobre o lance – que, se não tivesse acontecido, poderia dar outro desfecho para a partida, até mesmo uma vitória dos cabo-verdianos. Arcanjo acabou substituído ainda no intervalo, por lesão, inclusive.

“O Uruguai é um adversário de nível muito alto. Mas no primeiro gol, aquilo não é fair play, aquilo não faz parte do jogo. Tivemos um jogador no chão por quase 2 minutos. Eu não compreendo essa regra.”

Contra a Arábia, a partida teve chances dos dois lados, Cabo Verde construiu as melhores, embora não tenha conseguido furar a meta do goleiro Al-Owais. O zero não saiu do placar e o terceiro ponto deu a Cabo Verde a segunda colocação do grupo. Restava torcer contra o Uruguai, que jogava contra a Espanha no mesmo horário e perdia por 1 a 0. Como a partida dos africanos terminou antes, todos os jogadores e a comissão técnica ficaram acompanhando a partida em um celular, na expectativa. E, após o apito final e a consolidação da vitória espanhola, a festa foi imensa em Houston (EUA), como se tivessem conquistado um título!

Pela primeira vez, Cabo Verde estava classificado para uma etapa eliminatória de Copa do Mundo. E deixava de fora a favorita Celeste, eliminada com apenas dois pontos em três jogos. “Sempre soubemos da nossa qualidade e tudo fizemos para que isso acontecesse. Talvez, lá fora, muita gente tenha pensado que seria mais complicado, mas mostramos muita personalidade, muita competência, muita vontade, muito querer. Estamos felizes por tudo”, afirmou o goleiro Vozinha, logo após o jogo. Foi a primeira vez em 16 anos que um país estreante conseguiu se classificar para uma etapa eliminatória de Copa – o último havia sido a Eslováquia, em 2010.

Qual seria o limite daquela seleção? Bem, ela seria testada contra um adversário gigante: a Argentina de Messi e companhia.

A incrível saga dos Tubarões contra os campeões do mundo

Então campeã mundial e embalada após três vitórias em três jogos na fase de grupos, com destaque para os gols de Lionel Messi, artilheiro da competição com 6 gols, a Argentina levaria a seleção de Cabo Verde ao limite. Enfrentar os sul-americanos não seria tarefa fácil, mesmo com a experiência dos embates na primeira fase. Só que os cabo-verdianos confiavam em uma boa partida. O goleiro Vozinha foi categórico à imprensa no pré-jogo. “Talvez, para muitos de vocês, os jogadores de Cabo Verde não sejam bons o suficiente. Mas viemos aqui para mostrar que temos muita qualidade”.

A equipe continuaria jogando da mesma forma, em função do coletivo, jamais de forma individualizada ou com uma marcação especial em Lionel Messi, por exemplo. “Não vamos mudar tanto nossa forma de jogar, nossa identidade, em função do adversário. O que deve sempre se ajustar são estratégias em preparação para um determinado jogo”, comentou o auxiliar Humberto Bettencourt. Com a bola rolando em Miami (EUA), a Argentina naturalmente teve o controle nos primeiros minutos e pressionou a saída de bola dos africanos. Mas, aos 6’, Lautaro foi tentar pressionar o goleiro Vozinha e levou um belo drible do veterano goleiro cabo-verdiano que levou a torcida dos Tubarões ao delírio. 

Vozinha driblou Lautaro duas vezes no jogo.
 

Na sequência, a primeira chegada efetiva foi de Cabo Verde, pela direita, quando Ryan Mendes avançou e acabou chutando fraco, com a bola desviando em Romero para a fácil defesa de Dibu Martínez. A Argentina continuou sua procura por brechas no campo defensivo, mas era difícil furar a bem postada zaga formada pelo técnico Bubista. Aos 14’, uma boa chegada pela esquerda em jogada do volante De Paul e do meia Almada terminou com a redonda nos pés de Messi. O camisa 10 achou um espaço e chutou rasteiro, mas a bola foi para fora. No minuto seguinte, o craque foi derrubado por Jovane Cabral perto da área e a albiceleste ganhou uma chance de ouro para abrir o placar. O capitão cobrou, mas Vozinha, bem colocado, encaixou firme e defendeu.

O camisa 1 de Cabo Verde era soberano na grande área até aquele momento. Ele esbanjava tanta confiança que, aos 18’, repetiu o drible seco pra cima de Lautaro Martínez em uma pressionada do atacante, mostrando que ali, dentro da área, quem mandava era o goleirão. Após a pausa para hidratação, a Argentina voltou com Messi mais centralizado, como um legítimo camisa 9. E, aos 29’, esse posicionamento do craque gerou o primeiro gol. Do meio de campo, Lisandro Martínez fez um lançamento longo espetacular, digno dos mais lendários meias do futebol argentino, e mandou a bola para Messi. O camisa 10 dominou como só ele sabe fazer, ajeitou e bateu alto na saída de Vozinha, sem qualquer chance para o goleiro cabo-verdiano: 1 a 0.

A partir dali, a Argentina ficou mais confortável e trocou passes sem pressa, explorando novas brechas para ampliar. Cabo Verde ainda não agredia e só foi se arriscar no ataque perto dos 40’, em chances com Jovane Cabral, que acertou bom passe para Moreira, mas este errou o chute na sequência. Após os acréscimos, o placar de 1 a 0 era justo pelo jogo eficiente da Argentina e a quase inoperância de Cabo Verde no ataque. Tudo levava a crer que a albiceleste iria se classificar sem sustos. 

Só que Cabo Verde retornou com outra postura para os 45 minutos finais. Sem medo, a equipe se lançou ao ataque e ganhou escanteio logo aos três minutos. Os africanos tentaram pressionar, ganharam outro escanteio, mas a bola não entrou. A Argentina ficou mais contida e surpresa com o ímpeto dos africanos. Aos 8’, Deroy Duarte aproveitou uma bola na entrada da área e chutou rasteiro, exigindo a defesa de Dibu Martínez. Cabo Verde tinha mais a bola, trabalhava, tocava. E, aos 14’, Moreira conduziu na intermediária e tocou na direita para Ryan Mendes, que tocou rasteiro para dentro da área em direção a Deroy Duarte. O camisa 14 dominou e, mesmo com Lisandro Martínez à sua frente, chutou forte, rasteiro, para vencer Dibu Martínez: 1 a 1.

Deroy Duarte faz o gol de empate. Foto: Reuters
 
Os times em campo: Cabo Verde se fechou bem, mas soube atacar em vários momentos ao longo da partida.
 

Antes confortável e certa de que a partida estava ganha, a Argentina levava um baque. Cabo Verde era outro. Era ousado. Um time que via a chance de brigar pelo resultado e (por que não?) pela vitória. A albiceleste tentou a resposta rápida e, aos 17’, Lautaro recebeu perto da meia-lua, tocou com Messi e o craque saiu em disparada em direção à área. Na hora do chute, Vozinha se agigantou e evitou um tento certo do camisa 10. A partida era outra. Cabo Verde crescia tanto no ataque quanto na defesa.

A Argentina conseguiu ficar mais com a bola após os 22’ e repetiu a dominância do primeiro tempo, mas a finalização não saía. A cada minuto, a partida ficava ainda mais tensa e Cabo Verde fez mais duas modificações para dar mais fôlego ao sistema defensivo. Até que, aos 35’, a Argentina conseguiu uma brecha na área, Messi recebeu e abriu na direita com Molina, que cruzou rasteiro na área. Antes de a bola chegar a Enzo Fernández, livre, o zagueiro Pico Lopes tirou e praticamente fez um gol para Cabo Verde! Que alívio! E que susto, pois a bola passou perto da trave. 

A albiceleste se mandou inteira para o ataque e tentou pelo meio, pelas laterais, mas nada de gol. Porém, os africanos se arriscavam muito nas faltas perto da área. Em mais uma delas, aos 45’+3’, Messi bateu à meia altura, a bola desviou na barreira, mas Vozinha, muito bem colocado, defendeu de novo. Ele não permitia o segundo gol. A prorrogação era uma realidade. E ela veio, ao apito do árbitro Drew Fischer. A campeã do mundo pensou que seria fácil. Só que a vaga nas oitavas de final exigia mais.

Vozinha parou Messi de várias maneiras.
 

Jogar 30 minutos extras, além dos acréscimos, em plena fase de 16 avos de final não estava nos planos da Argentina. Era mais suor e energia que poderiam fazer falta na sequência da Copa. Por isso, o time albiceleste precisava aproveitar ao máximo as oportunidades. Vencer aquele adversário que se recusava a perder e seguia invicto após quatro jogos completos. E, logo aos 2’ do primeiro tempo extra, Messi cobrou escanteio, Mac Allister tocou de cabeça para trás, a bola sobrou para Lisandro Martínez, que dominou, ajeitou para a canhota e bateu alto, assim como Messi no primeiro gol, para vencer o goleiro Vozinha e marcar 2 a 1. 

Cabo Verde voltou a atacar após o gol. Era um adversário traiçoeiro. Ficava acuado, se defendendo. Mas, quando era agredido, revidava. E bem. Três minutos depois, uma cobrança de escanteio levou perigo quando Pico Lopes tentou de calcanhar uma bola sobrada na área. Após resistir um revide, Cabo Verde foi para o ataque mais duas vezes. Na primeira, um cruzamento da esquerda foi nas mãos de Dibu Martínez. Mas, no segunda, eis que aconteceu o extraordinário. 

Sidny Lopes Cabral recebeu lindo passe na esquerda, livre. Mac Allister chegou para o combate, mas foi driblado. O camisa 13 de Cabo Verde ajeitou e olhou para a área. Ele poderia cruzar, mas a zaga argentina estava em linha e dificilmente perderia a bola. Por isso, ele decidiu chutar. Bateu forte, com efeito. A bola voou até o ângulo de Dibu Martínez, que saltou e não encontrou nada: 2 a 2.

Um golaço espetacular! Um dos mais bonitos da Copa do Mundo de 2026. E um gol que encheu de emoção os quase 600 mil habitantes do arquipélago africano. Na comemoração, Sidny Cabral correu em direção aos seus familiares, em puro êxtase, sem acreditar no que havia acontecido. Nos acréscimos, Messi ainda teve a chance de colocar a Argentina de novo na frente, mas seu chute rasteiro foi defendido por Vozinha.

O segundo tempo começou e a Argentina continuou seu roteiro ofensivo, com Cabo Verde na defensiva. Os africanos queriam, àquela altura, levar o jogo para os pênaltis. Ou, quem sabe, engatilhar um contra-ataque e tentar a virada histórica. Mas histórico já era o que eles estavam fazendo: colocando a campeã do mundo nas cordas. Causando pânico. Tensão. Angústia. Aos 4’, Nico González fez fila na marcação e acabou cortado na cara de Vozinha por Diney. Escanteio. Messi foi para a cobrança. Lá na área, os zagueiros e praticamente o time inteiro da albiceleste. O camisa 10 cobrou, Romero cabeceou, a bola ainda bateu na mão de Diney e entrou: 3 a 2. 

Outro alívio para os sul-americanos. E outra sequência ofensiva de Cabo Verde. O torcedor argentino não conseguia cantarolar como sempre fazia após os gols de sua seleção. Não tinha forças. Ficava ali, compenetrado no campo, fechando os olhos a cada subida ao ataque daqueles azuis destemidos e que pareciam experientes de Copa do Mundo. Aos 8’, Monteiro fez um belo lançamento para Moreira, mas a bola foi muito forte e o camisa 22 não alcançou. Se ele dominasse, era o mesmo roteiro do primeiro gol e chance clara para o empate!

Na sequência, Varela ganhou na corrida de Montiel, foi derrubado e ganhou falta pela esquerda, muito perto da área. Na bola, Sidny Lopes Cabral. Os torcedores argentinos gelaram. Viam o gol do camisa 13 ainda fresco na memória. Sabiam que ele pegava muito bem na bola. Ele não cruzou. Chutou direto. Mas, dessa vez, Dibu Martínez estava atento. Se posicionou no meio do gol e fez uma defesaça para evitar o empate – o camisa 9 cabo-verdiano, Benchimol, ainda apareceu por ali em busca do rebote. Aos 13’, Cabo Verde construiu outra jogada de perigo pela lateral, a bola foi para a área e Benchimol apareceu livre para concluir, no entanto, Dibu Martínez foi bem no lance e conseguiu mandar a bola para escanteio.

Sidny Cabral quase fez outro belo gol, mas Dibu defendeu.
 

Só dava Cabo Verde. A Argentina era a equipe na retranca. Papéis invertidos em um roteiro dramático. Nos acréscimos, os africanos continuaram ali, rodando o barco albiceleste, tentando a pancada fatal para virá-lo. Até quando tentou um contra-ataque, aos 15’+1’ do segundo tempo, a Argentina não conseguiu finalizar, pois Vozinha, como um líbero, interveio e manteve a bola sob controle dos africanos. Porém, faltava mais eficiência na hora da finalização. A última veio no penúltimo minuto, com Varela, que chutou para fora ao invés de tocar na esquerda.

Quando o árbitro encerrou a partida, os argentinos celebraram como um título. E a torcida, enfim, pôde vibrar e extravasar. A saga dos campeões do mundo em busca do tetra poderia seguir. Mas a fábula de Cabo Verde ficou para a história. Nunca uma equipe de um país tão pequeno e estreante fez tanto em uma Copa. Nunca uma equipe desconhecida deu tanta canseira em três seleções campeãs mundiais. E nunca a Argentina sofreu tanto em uma etapa eliminatória para um azarão como naquela noite de Miami. Foi um jogo de fases, contrastes, belos gols e muito futebol. Sem pancadaria, sem polêmicas. Tudo o que se espera de um duelo de Copa do Mundo. Simplesmente épico. E eterno.

Eles querem voltar

Segurar a Argentina e fazer ela sofrer como fez Cabo Verde causou enorme comoção na mídia de todo mundo. O país ganhou o reconhecimento e sua história entrou direto para os grandes contos das Copas, principalmente após o término da competição, pelo fato de eles terem sido a única equipe que a campeã Espanha não venceu e por terem dado um trabalho danado na Argentina, que terminou como vice-campeã.

“Obviamente, estamos um pouco tristes, acho que fizemos o suficiente para ganhar o jogo. Infelizmente, futebol é isso. A Argentina conseguiu marcar o terceiro gol num lance de bola parada. Mas estamos muito orgulhosos com nossa trajetória até aqui. Jogamos com o atual campeão do mundo, de igual para igual, e tivemos oportunidade de ganhar o jogo, temos que estar satisfeitos e orgulhosos. Obviamente estamos tristes, não queríamos ficar por aqui, mas estou muito grato por tudo…”, comentou o goleiro Vozinha, no pós-jogo, à CazéTV.

Foto: Raphael Bózeo
Festa da torcida com os jogadores na volta pra casa foi enorme! Foto: Reuters
 

O técnico Bubista também ressaltou o trabalho de seu time. “Orgulho da equipe. Eles são campeões do mundo, demos a volta no resultado, empatamos duas vezes. Levar para a prorrogação. Mais do que tudo, é ter orgulho dos jogadores. Nosso país fica dignificado deste Mundial. Mostramos nossa caráter e identidade”. Na volta para casa, os atletas foram recebidos com enorme festa, que coincidiu com as celebrações da independência do país. 

Mesmo sem vitórias, os africanos terminaram a Copa na 32ª colocação entre 48 seleções, com três empates, uma derrota, quatro gols marcados e cinco sofridos em quatro jogos. Cabo Verde foi também a única das seleções estreantes que conseguiu ficar entre as 32 melhores do torneio. Se mantiver o trabalho sério e o elenco, a seleção azul tem tudo para seguir escrevendo uma grande história e deve figurar entre as melhores do continente africano em breve. E, com a experiência de uma Copa praticamente invicta, os Tubarões Azuis querem aprontar em 2030 como aprontaram em 2026.

Os personagens: 

Vozinha: nascido na cidade cabo-verdiana de Mindelo, Josimar José Évora Dias ganhou o apelido de Vozinha na infância, pois foi criado pelos avós e sempre corria para o colo deles quando algo dava errado. Ao longo da carreira, defendeu equipes do próprio país e de países como Angola, Moldávia, Portugal, Chipre e Eslováquia. Com 1,89m de altura, começou a ser convocado para a seleção em 2012 e sempre figurou entre os melhores do país. Mas foi no ciclo do técnico Bubista que Vozinha se consagrou de vez com grandes atuações, imponência e enorme senso de colocação, além de expor uma personalidade marcante que influenciava bastante nos atacantes. Na Copa do Mundo, o goleirão não temeu nenhuma estrela – nem  Messi! – e se transformou no goleiro mais aclamado da Copa.

Com 18 defesas, Vozinha se tornou um dos três goleiros com 40 anos ou mais com mais defesas em uma só Copa em todos os tempos. Acima dele, apenas o inglês Peter Shilton (28 defesas em 1990) e o italiano Dino Zoff (27 defesas em 1982). Estes dois, no entanto, disputaram sete jogos, enquanto Vozinha conseguiu tal feito em apenas quatro partidas. O jogador foi, sem dúvida, o personagem de Cabo Verde na Copa, foi eleito para o All-Star Team do Mundial e ganhou o reconhecimento que merecia ao ser contratado pelo Colo-Colo-CHI, seu primeiro clube de expressão na carreira e que pode lhe dar a oportunidade de disputar uma Copa Libertadores em 2027. Vozinha tem tudo para seguir jogando em alto nível por alguns anos.

Steven Moreira: titularíssimo do setor defensivo da seleção, Moreira – que nasceu na França – pode jogar como lateral-direito e também como zagueiro. Ao longo de sua carreira, atuou principalmente como lateral-direito ofensivo, com eficiência nos cruzamentos e personalidade nos momentos decisivos. Quando a seleção joga com três zagueiros, atua muito bem pela direita, como terceiro defensor, mas com liberdade para sair jogando. Costuma oferecer perigo em chutes de longa distância. Joga desde 2021 no Columbus Crew-EUA.

Pico: o zagueiro que achou que o pedido para jogar na seleção de Cabo Verde via LinkedIn era Spam é convocado frequentemente desde 2019 e ganhou o apelido de Pico por causa de seu pai, que nasceu na ilha de São Nicolau, localidade do Pico do Monte Gordo. Fez uma grande dupla de zaga ao lado de Diney e ajudou no bom desempenho do time diante de grandes adversários ao longo da Copa.

Diney: nascido em Tarrafal, ao norte da ilha cabo-verdiana de Santiago, Edilson Alberto Monteiro Sanches Borges fez carreira no futebol português até se transferir para o FAR Rabat-MAR e, posteriormente, para o Al Bataeh-EAU. Começou a ser convocado para a seleção em 2017 e virou titular a partir de 2022, fazendo bons jogos e mostrando eficiência nas jogadas aéreas e nas saídas de bola.

Sidny Lopes Cabral: nascido em Roterdã-HOL, o lateral-esquerdo (que também pode jogar na direita) foi o autor do gol mais bonito da Copa no épico contra a Argentina e demonstrou durante o torneio muita qualidade nas transições com o ataque, velocidade e habilidade no um contra um e, claro, nas bolas paradas e chutes de longa distância. Se transferiu para o Benfica-POR em 2026 e acabou negociado junto ao Trabzonspor-TUR.

Kevin Pina: volante nascido na capital cabo-verdiana Praia, Pina foi outro destaque da seleção no Mundial com muita eficiência na marcação e cobertura, além de aparecer bem em jogadas ofensivas. Foi dele o histórico primeiro gol de Cabo Verde em Copas, no empate com o Uruguai em 2 a 2. Além de jogar como volante, pode também atuar ainda mais recuado, como líbero e também mais aberto. É convocado desde 2022 pelo técnico Bubista.

Benchimol: atacante também nascido na capital Praia, Benchimol tem quase 1,90m de altura e é uma importante referência em jogadas aéreas e em triangulações ofensivas, apesar de não ser prolífico. Joga no futebol russo desde 2024 e na seleção desde 2020.

Ryan Mendes: o capitão de Cabo Verde na Copa nasceu em Mindelo, no norte da ilha cabo-verdiana de São Vicente, e pode atuar como meia e também ponta-direita. Veterano – tem 36 anos -, Mendes passou por clubes do futebol francês e também pelo Nottingham Forest-ING, além de quase ter jogado no Leicester City campeão da Premier League de 2015-2016, mas os olheiros do clube acabaram contratando o argelino Riyad Mahrez na época. Pela seleção, Mendes sempre foi uma referência e marcou gols importantes em trajetórias da Copa Africana de Nações e Eliminatórias. Ele é o recordista em jogos por Cabo Verde com 102 partidas disputadas entre 2010 e 2026, além de ser o maior artilheiro da história dos Tubarões Azuis com 22 gols.

Willy Semedo: meia nascido na França, Willy Semedo é convocado para a seleção desde 2020 e já acumulou mais de 40 jogos pela equipe. Não costuma ser titular, mas entra no decorrer dos jogos para dar mais fôlego ao ataque.

Laros Duarte: nascido em Roterdã-HOL, Laros Duarte integrou todas as seleções de base da Holanda, mas acabou escolhendo a seleção de Cabo Verde quando completou 20 anos. Ele começou a ser convocado em 2024 e virou um dos principais jogadores do técnico Bubista pela boa capacidade de marcação e de organização no meio de campo. É o irmão mais velho de Deroy Duarte.

Jamiro Monteiro: mais um nascido em Roterdã-HOL, joga mais pela esquerda do meio de campo, ajudando tanto na marcação quanto nas jogadas ofensivas, além de arriscar chutes de média distância. Fez uma boa Copa do Mundo como titular da equipe em toda fase de grupos e entrou no decorrer do jogo contra a Argentina. Jamiro é um dos 10 jogadores com mais partidas na história da seleção: 59 jogos. Ele marcou cinco gols pelos Tubarões Azuis.

Arcanjo: nascido em Lisboa-POR, Telmo Arcanjo pode jogar como meia e também como ponta-esquerda ou segundo atacante. Começou a jogar no Tondela-POR até se transferir para o Vitória de Guimarães-POR, onde atua desde 2023. Pela seleção, é convocado desde 2021.

Deroy Duarte: nascido em Roterdã-HOL, assim como seu irmão mais velho, Laros Duarte, Deroy também jogou pelas seleções de base da Holanda, mas escolheu vestir a camisa de Cabo Verde após os 20 anos. Meio-campista muito forte fisicamente e com boa presença ofensiva, marcou o gol de empate de Cabo Verde contra a Argentina, tento que levou o duelo para uma angustiante prorrogação. Joga desde 2024 no Ludogorets-BUL.

Yannick Semedo: o meio-campista nasceu na capital Praia e é presença constante nas convocações do técnico Bubista desde 2022. Apesar de não ser titular, entrou em dois jogos na Copa para dar mais opções no meio.

Jovane Cabral: capaz de jogar como meia e também como ponta, o atacante nascido em Assomada, na ilha cabo-verdiana de Santiago, já vestiu a camisa da seleção em 31 jogos e tem boa velocidade e eficiência no um contra um. Após a Copa, foi contratado pelo Grêmio-BRA e será um bom reforço para o tricolor no Campeonato Brasileiro.

Hélio Varela: atacante com boa velocidade e que atua bem pelas pontas, Varela nasceu em Almada, Portugal, e começou a jogar pela seleção de Cabo Verde em 2023. O jogador teve algumas passagens por clubes de Portugal até se transferir para o Gent-BEL, em 2024. Em 2025, acabou negociado ao Maccabi Tel Aviv-ISR.

Nuno da Costa: atacante veterano (35 anos), nasceu na capital Praia e atua pela seleção desde 2016, quando fez parte da equipe que disputou as Eliminatórias para a Copa Africana de Nações de 2017. Pode jogar como centroavante e segundo atacante, mas nunca conseguiu ser o goleador da seleção, função esta que quase sempre foi do capitão Ryan Mendes. Teve passagens por vários clubes da França e atualmente joga no Istambul Başakşehir-TUR.

Livramento: mais um nascido em Roterdã-HOL, o atacante passou pelo Roda JC-HOL e pelo MVV-HOL até conseguir uma boa oportunidade no futebol italiano, quando passou a vestir a camisa do Hellas Verona em 2024. No mesmo ano, começou a ser convocado para a seleção e se revezou com Nuno da Costa e Arcanjo como centroavante e também segundo atacante. Tem sete gols em 26 jogos pela seleção e já é um dos 10 maiores artilheiros dos Tubarões na história.

Bubista (Técnico): jogador da seleção entre 1989 e 2005, Pedro Leitão Brito, o Bubista – cujo apelido é uma homenagem à Ilha de Boa Vista, sua terra-natal no arquipélago cabo-verdiano, pois a pronúncia rápida do nome da Ilha de “Boa Vista” acaba sendo “Bubista” no sotaque português de Cabo Verde -, acompanhou todo o desenvolvimento do futebol de Cabo Verde e foi um dos principais responsáveis por criar uma equipe competitiva e destemida que fez história ao conseguir uma vaga na Copa de 2026, deixando de fora a gigante e tradicional Camarões.

Segurar seleções tão icônicas em uma Copa foi algo marcante e o treinador tem tudo para melhorar ainda mais seu time nos próximos anos. A confiança, união e humildade foram marcas dessa jornada e de um time que fez da Copa um lugar onde ele não queria sair. Bubista criou, como ele sempre disse, uma identidade de uma seleção que representa um povo que enfrenta as dificuldades e, por isso, tem a ambição de competir sem medo e com coragem. Desde janeiro de 2020 no comando técnico, Bubista acumulou até agora 68 jogos, com 31 vitórias, 19 empates e 18 derrotas.

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