Time dos Sonhos do Internacional


 

Por Guilherme Diniz

 

Ele sempre foi o clube do povo no Rio Grande do Sul. Plural, aceitava naquele começo de século XX brasileiros e estrangeiros em contraponto à identificação de muitos clubes na época com colônias italianas, alemãs e portuguesas. Ano após ano, mostrou sua grandeza com títulos e passou pelos rivais como um Rolo Compressor nos anos 1940, mantendo a sina vencedora nos anos 1950. No final dos anos 1960, construiu seu estádio com a ajuda do povo que sempre o apoiou. O agradecimento veio rápido, com um novo esquadrão que levantou três títulos nacionais (um deles invicto!) e mais um punhado de troféus estaduais. Na virada do século, as glórias continentais que tanto lhe eram hostis chegaram. Primeiro, a Libertadores. Depois, o Mundial. Em seguida, a Recopa. E, para fechar, a Copa Sul-Americana. O Internacional fez jus ao nome. E virou campeão de tudo. Com uma história recheada de craques e grandes técnicos, o Internacional é um clube que dispensa apresentações e que sempre honrou seu estado e suas origens. Dominante em diferentes épocas, o Colorado possui timaços que marcaram época até mesmo sem conquistar troféus. Por isso, montar um time dos sonhos foi tarefa árdua. Mas os escolhidos por vocês fizeram jus à grandeza do alvirrubro. É hora de conferir!

 

Os convocados pelos leitores e leitoras

 

Goleiros: Manga e Taffarel

Laterais-Direitos: Luís Carlos Winck e Ceará

Laterais-Esquerdos: Oreco e Kléber

Zagueiros: Figueroa, Mauro Galvão, Índio e Gamarra

Volantes: Falcão, Batista, Dunga e Tinga

Meias: D’Alessandro, Mário Sérgio, Paulo César Carpegiani e Alex

Atacantes: Fernandão, Valdomiro, Rafael Sóbis, Tesourinha e Carlitos

Técnico: Abel Braga

 

Esquema tático escolhido pelos leitores e leitoras: 4-3-3 (64,5% dos votos)

 

Time A – formação 1 – 4-3-3:

Manga; Luís Carlos Winck, Figueroa, Mauro Galvão e Oreco; Falcão, D’Alessandro e Mário Sérgio; Valdomiro, Fernandão e Rafael Sóbis.

A primeira formação deste Inter dos Sonhos possui uma mescla de alguns dos mais lendários esquadrões da história colorada. No gol, Manga, o paredão do time bicampeão brasileiro em 1975 e 1976. Nas laterais, Luís Carlos Winck, ídolo dos anos 1980, e Oreco, craque polivalente do time multicampeão dos anos 1950. A dupla de zaga seria simplesmente Figueroa e Mauro Galvão, absolutos nos times dos anos 1970 e que marcaram época no futebol brasileiro e sul-americano. No meio de campo, muita criatividade, talento, classe e arte com Falcão, o Puro Sangue, D’Alessandro, o rei dos anos 2000 e 2010, e Mário Sérgio, craque do timaço campeão brasileiro invicto. Na frente, um trio de ataque devastador e imprevisível: Valdomiro, endiabrado, pela direita, Fernandão, o Eterno Capitão, no meio, e Rafael Sóbis, o carrasco, pela esquerda. Para comandar essa turma, Abel Braga, no auge.

 

Time A – formação 2 – 4-3-3:

Manga; Luís Carlos Winck, Figueroa, Mauro Galvão e Oreco; Batista, D’Alessandro e Falcão; Valdomiro, Fernandão e Rafael Sóbis.

Nesta outra formação, Batista, um dos mais talentosos volantes do nosso futebol, entra na vaga de Mário Sérgio para dar mais liberdade a Falcão e D’Alessandro.

 

Time A – formação 3 – 4-3-3:

Manga; Luís Carlos Winck, Figueroa, Mauro Galvão e Oreco; Batista, D’Alessandro e Falcão; Tesourinha, Fernandão e Valdomiro.

Nesta outra formação, colocamos Tesourinha de um lado e Valdomiro do outro para criarem as mais diversas jogadas de ataque e municiarem Fernandão dentro da área.

 

Time B – formação – 4-3-3:

Taffarel; Ceará, Gamarra, Índio e Kléber; Dunga, Tinga e Paulo César Carpegiani; Tesourinha, Carlitos e Alex.

No time B, Taffarel, cria do Colorado e um dos maiores goleiros da história do Brasil, entra para realizar novos milagres. Nas laterais, dois campeões da Libertadores: Ceará, campeão em 2006, pela direita, e Kléber, absoluto no time de 2010, na esquerda. A zaga seria formada por Índio, titular nas mais diversas glórias entre 2006 e 2014, e Gamarra, o homem que não fazia faltas. No meio, muita raça e gritos com Dunga, mais recuado, e Tinga e Paulo César Carpegiani com funções mais ofensivas, embora ambos pudessem desarmar e proteger a zaga com maestria. No ataque, Alex jogaria um pouco mais aberto e recuado, enquanto Carlitos e Tesourinha voltariam a aprontar tudo o que aprontaram no Rolo Compressor para entupir os rivais de gols.

Os escolhidos pelos leitores e leitoras. OBS: alguns dados de jogos e gols não foram encontrados por carência de fontes.

 

Goleiro: Manga – 82,2% dos votos

Período no clube: 1974-1976

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Brasileiros (1975 e 1976) e 3 Campeonatos Gaúchos (1974, 1975 e 1976).

Jogos: 220

 

Ele tinha mãos enormes, cara de mal, era ágil, se colocava precisamente embaixo do travessão, esbanjava autoconfiança, era decisivo, vencedor e foi ídolo por onde passou. Além de tudo isso, se tornou especialista em provocar os rivais, se garantir em campo e ainda fazer pontes impecáveis só para ver a torcida se maravilhar com sua arte de defender uma bola. Haílton Corrêa de Arruda, mais conhecido como Manga, foi o mais legítimo sinônimo de goleiro no futebol brasileiro e mundial durante os anos 1960 e 1970 e se consagrou eternamente como um dos maiores do futebol nacional em todos os tempos. 

Campeão por absolutamente todos os clubes por onde passou, Manga fez história com defesas incríveis, coragem em sair do gol e ir de encontro às travas das chuteiras dos atacantes e jogar durante anos sem luvas, fato que lhe rendeu dezenas de machucados e várias contusões em seus instrumentos de trabalho. Mito no Botafogo de Garrincha, santidade no Nacional-URU campeão da América e do mundo em 1971 e lenda no Internacional bicampeão brasileiro em 1975 e 1976, Manga cumpriu tão bem seu papel de goleiro e jogou tanto que a data de seu aniversário (26 de abril) virou o Dia do Goleiro em sua homenagem. Vestindo a camisa colorada, o pernambucano sofreu apenas 120 gols em 220 jogos, um número simplesmente impressionante. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Goleiro: Taffarel – 52,7% dos votos

Período no clube: 1985-1990

Principais títulos pelo clube: Nenhum

Jogos: 188

 

Pode um jogador que nunca venceu um título por um clube ser eleito para o Time dos Sonhos? Bem, se for Cláudio Taffarel, sem dúvida! Ágil, dono de reflexos apurados, carismático, exímio pegador de pênaltis e símbolo de uma geração que acabou com um jejum de 24 anos sem títulos da Copa do Mundo pelo Brasil, Taffarel foi um dos maiores goleiros que o Brasil já teve e um dos mais respeitados e conhecidos no esporte. O gaúcho de Santa Rosa foi, por quase duas décadas, um jogador à frente de seu tempo, moderno e sinônimo de segurança embaixo do travessão.

Após conseguir uma chance no Colorado, que passava por um jejum de títulos importantes desde o tricampeonato brasileiro de 1979, Taffarel, ainda conhecido como Cláudio, começou sua carreira profissional e mostrou em pouco tempo seu estilo ágil, frio e seguro no gol, conquistando rapidamente a titularidade no Inter. Mesmo adorado pela torcida, Taffarel não teve sorte no clube. Suas defesas milagrosas levaram o clube às finais dos Campeonatos Brasileiro de 1987 e 1988. Mesmo assim, ambas foram perdidas para Flamengo e Bahia, respectivamente. No Campeonato Gaúcho, foram cinco títulos disputados e cinco derrotas, todas para o Grêmio, que dominou o torneio no período.

Porém, o goleiro levou a Bola de Ouro da Revista Placar em 1988, duas Bolas de Prata, em 1987 e 1988 e foi eleito o Terceiro melhor jogador das Américas, também em 1988. Além disso, o camisa 1 ficou 700 minutos sem levar gols em Campeonatos Brasileiros entre 1986 e 1987, 2ª maior marca do Inter na história do torneio. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

 

Lateral-Direito: Luís Carlos Winck – 73,4% dos votos

Período no clube: 1981-1989, 1991 e 1994

Principais títulos pelo clube: 6 Campeonatos Gaúchos (1981, 1982, 1983, 1984, 1991 e 1994)

Jogos: 457

Gols: 5

 

Revelado pelo Inter, Luís Carlos Winck é até hoje um dos mais virtuosos laterais que já vestiram o manto colorado na história e sua expressiva votação nesta enquete provou isso. Com apenas 18 anos, já esbanjava velocidade, força na marcação, ótimos passes e muita qualidade nos cruzamentos para a área, uma de suas especialidades. Jogando ao lado de nomes como Dunga, Mauro Galvão e Ruben Paz, Winck foi um dos alicerces do time multicampeão estadual no começo dos anos 1980 e também da equipe que fez boas campanhas nos Campeonatos Brasileiros entre 1985 e 1988. Vencedor das Bolas de Prata de 1985 e 1987, Winck foi convocado constantemente para a seleção no período. Ele é o 5º jogador com mais partidas pelo clube em todos os tempos.

 

Lateral-Direito: Ceará – 38,5% dos votos

Período no clube: 2005-2007 e 2016-2017

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial de Clubes da FIFA (2006), 1 Copa Libertadores da América (2006) e 1 Recopa Sul-Americana (2007).

Jogos: 113

Gols: 4

 

Foi um titã nos anos de 2006 e 2007 na lateral-direita do Inter e entrou para a história ao marcar de maneira impecável o maior craque do Barcelona, Ronaldinho, na final do Mundial de Clubes. Sem violência, com muita eficiência e futebol, Ceará virou ídolo. E um dos heróis do título mundial de 2006. Muito seguro defensivamente e intenso no ataque, viveu o auge da carreira no Colorado e peça crucial no esquadrão do técnico Abel Braga.

 

 

Lateral-Esquerdo: Oreco – 39,2% dos votos

Período no clube: 1950-1957

Principais títulos pelo clube: 5 Campeonatos Gaúchos (1950, 1951, 1952, 1953 e 1955).

Jogos: 270

Gols: 4

 

Debutou no Inter aos 18 anos, atuando como ponta-esquerda, mas quando recuou para a lateral se transformou em um dos maiores da posição em toda a história não só do clube, mas também de todo o futebol brasileiro. Unindo muita raça e técnica apurada, Oreco foi fundamental para o timaço multicampeão gaúcho nos anos 1950 e foi o reserva de Nilton Santos na Copa do Mundo de 1958, já vestindo a camisa do Corinthians. Tinha tanta habilidade e capacidade de adaptação tática que podia jogar, também, como lateral-direito e zagueiro. Só não foi para a Copa de 1962 por ter se contundido às vésperas do torneio.

 

Lateral-Esquerdo: Kléber – 38,5% dos votos

Período no clube: 2009-2013

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (2010), 1 Recopa Sul-Americana (2011), 1 Copa Suruga (2009) e 4 Campeonatos Gaúchos (2009, 2011, 2012 e 2013).

Jogos: 217

Gols: 13

 

Já consagrado por suas passagens vitoriosas por Corinthians e Santos, Kléber chegou ao Inter em 2009 e rapidamente virou titular absoluto do time que seria campeão da América em 2010. Com muita força física, apoio constante ao ataque e velocidade, o lateral marcou seu nome na história do clube com grandes atuações e muita regularidade. Kléber jogou até 2013 no Colorado e faturou sete títulos, além de ter conquistado a Bola de Prata da revista Placar de 2009. O carinho da torcida ficou ainda mais evidente após o jogador marcar o gol do título da Recopa Sul-Americana de 2011 sobre o Independiente, na vitória por 3 a 1 sobre os argentinos.

 

 

Zagueiro: Figueroa – 95,2% dos votos

Período no clube: 1971-1976

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Brasileiros (1975 e 1976) e 5 Campeonatos Gaúchos (1972, 1973, 1974, 1975 e 1976).

Jogos: 320

Gols: 26

 

Don Elías. El Coloso. Gran Capitán. El Dios de Beira-Rio. Gran Mariscal. Apelidos e adjetivos dos mais variados tipos serviram para tentar denominar o melhor jogador da história do futebol chileno, o zagueiro Elías Ricardo Figueroa Brander, ou simplesmente Figueroa. Dono de um talento primoroso e impecável dentro da área, o craque que brilhou principalmente no Internacional é sempre lembrado como o maior zagueiro do futebol sul-americano na década de 1970 e também um dos maiores do século XX. E foi mesmo. Elegante, técnico e capaz de usar toda sua raça e força quando preciso, Figueroa marcou época, foi um dos maiores ídolos da história do Internacional, ao lado de Falcão e Fernandão, capitão por onde passou e exemplo de liderança no esporte. Presente em dezenas de listas de grandes esquadrões ou de seleções do século XX, Figueroa foi gênio, craque e “autoritário”, a ponto de deixar para sempre sua frase registrada: “A área é minha casa. Nela, só entra quem eu quero.” 

Figueroa levantou pelo Inter dois Brasileirões e cinco Gauchões, e o craque marcou, de cabeça, o gol do título nacional do colorado em 1975, contra o Cruzeiro, em um lance emblemático, no qual um único feixe de luz do sol iluminou exatamente a cabeça do zagueirão, fazendo com que o gol ficasse conhecido como o “gol iluminado”. Figueroa acumulou na carreira quatro Bolas de Prata da revista Placar e uma Bola de Ouro. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

Zagueiro: Mauro Galvão – 66,4% dos votos

Período no clube: 1979-1986

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Brasileiro (1979) e 4 Campeonatos Gaúchos (1981, 1982, 1983 e 1984).

Jogos: 396

Gols: 6

 

Com apenas 17 anos (completou 18 na reta final do Brasileiro de 1979), foi a maior revelação do Colorado naquele final de década. Muito habilidoso, ótimo nas saídas de bola e especialista em desarmar os adversários com carrinhos leais e impecáveis, Galvão mostrou que seria um dos principais zagueiros do futebol brasileiro por muito tempo. Exemplo de longevidade, o zagueiro encerrou a carreira em 2002 com uma coleção invejável de títulos no currículo. Naquele começo de carreira pelo Inter, deixou todos impressionados com seu estilo de jogo, até mesmo o volante Falcão, que certa vez perguntou para o garoto por que ele não tinha tirado uma bola “de bico” e ouviu: “mas onde é o bico?”. Nos anos 1980, Mauro Galvão ainda atuou algumas vezes como lateral e marcou até um gol de meia-bicicleta em um Gre-Nal disputado em 1984.

 

Zagueiro: Índio – 56,8% dos votos

Período no clube: 2005-2014

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial de Clubes da FIFA (2006), 2 Copas Libertadores da América (2006 e 2010), 1 Copa Sul-Americana (2008), 2 Recopas Sul-Americanas (2007 e 2011), 1 Copa Suruga (2009) e 7 Campeonatos Gaúchos (2005, 2008, 2009, 2011, 2012, 2013, 2014).

Jogos: 391

Gols: 33

 

Um símbolo de raça e dedicação, Índio compôs uma zaga inesquecível ao lado de Bolívar e Fabiano Eller em 2006, ano das conquistas da América e do mundo pelo Colorado. Muito forte e sempre bem posicionado, virou xodó da torcida. É considerado um dos maiores zagueiros da história do Internacional e virou também o maior zagueiro-artilheiro do clube com 33 gols, alguns deles em Gre-Nais, o que só aumentou a idolatria do torcedor. Índio é um dos recordistas em títulos pelo Internacional com 14 troféus.

 

Zagueiro: Gamarra – 51,4% dos votos

Período no clube: 1995-1997

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Gaúcho (1997).

Jogos: 89

Gols: 4

 

A fase do Inter não era das melhores em 1995, mas Gamarra conseguiu virar ídolo instantâneo e deixar maravilhada a torcida colorada. Com atuações de gala, jogadas de efeito e roubadas de bola simplesmente perfeitas, Gamarra foi comparado por muitos ao ídolo Figueroa. E não foi por menos. A força e a soberania na zaga eram uma espécie de volta ao tempo para o torcedor, que ficava maravilhado pelo algo a mais de Gamarra: a segurança e a disciplina, pois ele não chegava duro e nas pernas dos atacantes como muitas vezes Figueroa fazia. Ele ia diretamente e puramente na bola. 

Tanta qualidade com a camisa vermelha não rendeu muitos títulos ao craque. O jogador faturou apenas um Campeonato Gaúcho, em 1997, mas ganhou vários prêmios individuais no período, entre eles duas Bolas de Prata da revista Placar em 1995 e 1996. No jogo do título estadual de 1997, Gamarra fez sua despedida do Beira-Rio para tentar a sorte no Benfica-POR, em sua primeira experiência profissional no Velho Continente. A torcida colorada chorou o adeus de seu “colorado” (por conta dos cabelos vermelhos), mas eternizou o paraguaio como um dos maiores ídolos de sua história. Leia mais sobre ele clicando aqui!

 

 

Volante: Falcão – 95,9% dos votos

Período no clube: 1973-1980

Principais títulos pelo clube: 3 Campeonatos Brasileiros (1975, 1976 e 1979) e 5 Campeonatos Gaúchos (1973, 1974, 1975, 1976 e 1978).

Jogos: 391

Gols: 77

 

Ele foi o maior jogador da história do Internacional. Um Craque, maiúsculo mesmo. Tinha tanta classe, elegância e arte em seus pés que seus apelidos foram da mais alta classe: Toscanini (maestro e compositor italiano), Galgo, Puro Sangue… Ainda era pouco para dizer o que era em campo Paulo Roberto Falcão, um dos maiores nomes do futebol brasileiro e mundial nas décadas de 1970 e 1980. Rei do Beira-Rio por anos maravilhosos e recheados de títulos, o brasileiro virou um rei ainda maior na Roma multicampeã italiana, onde foi o gênio maior em meio a tantos craques, ganhou a alcunha de Rei de Roma e a simpatia até mesmo do Papa João Paulo II. 

Falcão, a faixa de tricampeão e a taça.

 

 

Depois da Roma, jogou brevemente pelo São Paulo, mas a tempo de levar um título paulista, em 1985. Pela seleção, fez parte de uma das maiores gerações do Brasil, a equipe de 1982, que não levou a Copa do Mundo da Espanha por “culpa” de Paolo Rossi e o forte time azul. Sua garra, maestria e carisma conquistaram a todos e o colocaram no mais alto pedestal de imortais da bola. Vestindo o vermelho do Inter, Falcão se tornou o 9º atleta com mais jogos na história do Colorado, venceu três Bolas de Prata da revista Placar e duas Bolas de Ouro consecutivas, em 1978 e 1979. Aliás, o título brasileiro invicto do Inter em 1979 se deu muito por causa do craque, que jogou absurdamente demais a ponto de arrancar os seguintes dizeres de Luís Fernando Veríssimo: “Dizem que um jogador sozinho não ganha um campeonato. Mas o Falcão de 79 seria vice com certeza”. Leia mais sobre essa lenda clicando aqui!

 

Volante: Batista – 53,4% dos votos

Período no clube: 1975-1981

Principais títulos pelo clube: 3 Campeonatos Brasileiros (1975, 1976 e 1979) e 4 Campeonatos Gaúchos (1975, 1976, 1978 e 1981).

Jogos: —

Gols: —

 

Depois de ser coadjuvante de luxo nos títulos brasileiros de 1975 e 1976, Batista alcançou o auge da carreira no final da década e foi um dos pilares do meio de campo do Inter campeão brasileiro invicto em 1979. Com boa capacidade física, Batista conseguia marcar e apoiar o ataque com a mesma vitalidade e regularidade. Saía jogando com categoria e iniciava vários contra-ataques mortais. Fundamental na conquista, Batista virou ídolo da torcida pelo futebol de alto nível e por ser um dos grandes parceiros de Falcão no meio de campo, dando liberdade para o Rei do Beira-Rio avançar ao ataque e criar jogadas de ataque. Batista Faturou duas Bolas de Prata na carreira e vestiu a camisa da seleção em duas Copas do Mundo: 1978 e 1982.

 

Volante: Dunga – 44,5% dos votos

Período no clube: 1983-1984 e 1999-2000

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Gaúchos (1983 e 1984).

Jogos: 110

Gols: 9

 

O capitão do tetra foi revelado pelo Inter lá em 1983 e naquele início de carreira começou a demonstrar a virilidade e visão de jogo que iriam caracterizá-lo como um dos maiores volantes do futebol brasileiro nos anos 1980 e 1990. Com passes precisos, marcação implacável sobre os rivais e espírito de liderança, Dunga ajudou o Inter a vencer dois campeonatos estaduais, mas logo foi vendido ao Corinthians, passou por Santos e Vasco até fazer carreira no futebol europeu. No entanto, o volante ficou marcado mais pelas atuações com a camisa da seleção do que de clubes. Em 1999, retornou ao Inter e marcou o gol de falta que salvou o Inter do rebaixamento no Brasileiro de 1999, contra o Palmeiras, no Beira-Rio.

 

Volante: Tinga – 38,4% dos votos

Período no clube: 2005-2006 e 2010-2012

Principais títulos pelo clube: 2 Copas Libertadores da América (2006 e 2010), 1 Recopa Sul-Americana (2011) e 3 Campeonatos Gaúchos (2005, 2011 e 2012).

Jogos: 138

Gols: 15

 

Foi um dos maiores símbolos do Inter na conquista da Libertadores de 2006. Motor do meio de campo, ajudava não só na marcação como também na criação de jogadas, dando passes precisos para os companheiros, além de ele aparecer na frente e marcar gols – como o que selou a conquista continental de 2006 sobre o São Paulo. Em 2005, ficou marcado por ter sofrido um pênalti não marcado em um jogo decisivo contra o Corinthians, no Brasileirão, que poderia ter mudado o cenário do torneio – o jogo terminou empatado em 1 a 1 e o Timão acabou campeão. Em 2010, retornou para levantar outra Libertadores e seguir com o pé-quente nos anos seguintes.

 

 

Meia: Andrés D’Alessandro – 93,2% dos votos

Período no clube: 2008-2016 e 2017-2020

Principais títulos pelo clube: 1 Copa Libertadores da América (2010), 1 Copa Sul-Americana (2008), 1 Recopa Sul-Americana (2011), 1 Copa Suruga (2009), 7 Campeonatos Gaúchos (2009, 2011, 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016) e 2 Recopas Gaúchas (2016 e 2017).

Jogos: 515

Gols: 95

 

Quando chegou ao Inter, em 2008, D’Alessandro enfrentou a dúvida de muitos “especialistas” que duvidaram de seu sucesso no Beira-Rio. Coitados… O meia jogou demais, marcou gols, transbordou raça e virou um dos xodós da torcida logo em seu primeiro ano, marcado pelo inédito título da Copa Sul-Americana. Tempo depois, foi o maestro da conquista da Libertadores de 2010, ano em que o camisa 10 venceu o título de melhor jogador da América do Sul pelo jornal El País, o primeiro colorado a vencer tal premiação desde o chileno Figueroa, em 1976. Em 2011, venceu a Recopa Sul-Americana e seguiu como o grande líder do time até ser emprestado ao River Plate, em 2016, retornando ao Inter no ano seguinte.

Justamente durante sua ausência, o Inter sentiu a falta de seu capitão e caiu para a Série B, mas foi graças às assistências de D’Alessandro que o Colorado retornou à elite já em 2017. D’Alessandro construiu uma história de amor ao Inter e jogou no Beira-Rio até 2020, quando se despediu do clube em definitivo como o 3º jogador com mais jogos na história do Colorado, superando a marca de 500 jogos, além de ser o 15º maior artilheiro com 95 gols.

 

Meia: Mário Sérgio – 59,6% dos votos

Período no clube: 1979-1981 e 1984

Principais títulos pelo clube: 1 Campeonato Brasileiro (1979) e 2 Campeonatos Gaúchos (1981 e 1984)

Jogos: 72

Gols: 4

 

Ser campeão brasileiro invicto é uma honra reservada apenas ao Internacional de 1979. E aquele título foi construído muito graças aos lances geniais de Mário Sérgio, meia naquele título histórico e que ainda marcou vários gols durante a campanha vitoriosa. O “Vesgo” dava passes magníficos sem olhar e com precisão milimétrica, driblava como poucos e ajudava na marcação do meio de campo quando o adversário retinha a bola. Com um controle de bola refinado, o craque foi um dos mais habilidosos jogadores do Brasil nos anos 1970 e 1980 e faturou quatro Bolas de Prata da revista Placar, duas delas pelo Internacional, em 1980 e 1981. Pelo futebol estrondoso que jogou vestindo o vermelho e branco do Inter, Mário Sérgio tem a gratidão eterna da torcida. E isso explica sua maciça votação neste Time dos Sonhos.

 

Meia: Paulo César Carpegiani – 54,1% dos votos

Período no clube: 1970-1977

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Brasileiros (1975 e 1976) e 8 Campeonatos Gaúchos (1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976)

Jogos: 327

Gols: 40

 

Dono de muita técnica dentro de campo, capaz de dar passes milimétricos, com visão de jogo estupenda e meio-campista completo, que defendia e atacava com a mesma eficiência, Paulo César Carpegiani foi sem dúvida alguma um dos maiores craques da história do Inter e imprescindível no timaço bicampeão brasileiro em 1975 e 1976. Revelado pelo Inter naquele começo de anos 1970, Carpegiani fez um trio inesquecível no meio de campo ao lado de Falcão e Caçapava, ajudando a dar ritmo, mobilidade e alternativas de ataque ao time vermelho. Fez um dos gols que calaram o Maracanã em 1975, na vitória sobre a Máquina do Fluminense, pelas semifinais do Brasileiro daquele ano. Após tantas glórias e jogos espetaculares, foi virar ídolo no Flamengo, onde também ajudou a organizar o timaço de Zico e companhia. Carpegiani disputou a Copa do Mundo de 1974.

 

Meia: Alex – 45,9% dos votos

Período no clube: 2004-2009 e 2013-2016

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial de Clubes da FIFA (2006), 1 Copa Libertadores da América (2006), 1 Copa Sul-Americana (2008), 1 Recopa Sul-Americana (2007), 1 Copa Dubai (2008), 6 Campeonatos Gaúchos (2004, 2005, 2008, 2014, 2015 e 2016) e 1 Recopa Gaúcha (2016).

Jogos: 289

Gols: 64

 

O meia franzino virou um craque do mais alto porte a partir de 2006. Com uma perna esquerda venenosa, passes precisos e um faro de gol apurado, Alex foi outro símbolo do Inter na imensidão de canecos do time entre 2006 e 2008. Seu grande momento foi, sem dúvida, a Copa Sul-Americana de 2008, quando foi artilheiro da competição ao lado de Nilmar com 5 gols marcados – três deles nos dois jogos contra o Boca Juniors. Ainda em 2008, Alex foi o artilheiro do Campeonato Gaúcho com 13 gols marcados. Ídolo do time, deixou o Inter em 2009, jogou na Rússia, colecionou troféus no Corinthians do começo dos anos 2010 e retornou ao Inter em 2013 para vencer mais títulos estaduais – com direito a dois gols na goleada de 4 a 1 sobre o Grêmio, na final do Gauchão de 2014 – e se aposentar, em 2016.

 

 

Atacante: Fernandão – 88,4% dos votos

Período no clube: 2004-2008

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial de Clubes da FIFA (2006), 1 Copa Libertadores da América (2006), 1 Recopa Sul-Americana (2007), 1 Copa Dubai (2008) e 3 Campeonatos Gaúchos (2004, 2005 e 2008).

Jogos: 190

Gols: 77

 

Capitão do Inter na conquista do maior título do clube, o Mundial de Clubes da FIFA de 2006. Capitão do Inter na conquista da primeira Copa Libertadores do clube, em 2006. Capitão do Inter na primeira conquista da Recopa Sul-Americana do clube, em 2007. Um dos 20 maiores artilheiros da história do Inter. Autor do gol 1000 da história dos Gre-Nais. Um ídolo na mais pura acepção da palavra. Um ser perpetuado nos livros, na memória e em uma estátua no Beira-Rio, sua casa por cinco anos inesquecíveis. Fernandão é o Eterno Capitão, o jogador que representou a era do Inter campeão de tudo, do time que bateu de frente contra alguns dos maiores clubes do planeta, que renovou o orgulho de ser colorado, que não desistia de nenhuma bola e que fazia gols decisivos, além de ele dar passes para tantos outros.

 

A estátua de Fernandão no Beira-Rio.

 

Pelo Inter, Fernandão deu show com gols, passes, jogadas vistosas e um amor à camisa como poucos tiveram no clube, além de sempre demonstrar uma grande inteligência sobre os mais diversos assuntos, fazendo dele o líder que tanto o Inter usufruiu naquela época. Depois de pendurar as chuteiras, Fernandão virou dirigente, técnico e comentarista até falecer em um trágico acidente de helicóptero, em 2014, aos 36 anos. Ídolo eterno do colorado. E presença óbvia em qualquer Time dos Sonhos do SC Internacional.

 

Atacante: Valdomiro – 63,9% dos votos

Período no clube: 1968-1980 e 1982

Principais títulos pelo clube: 3 Campeonatos Brasileiros (1975, 1976 e 1979) e 10 Campeonatos Gaúchos (1969, 1970, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1978, 1982).

Jogos: 711

Gols: 191

 

Ponta-direita habilidoso e criativo, Valdomiro é o atleta que mais vezes vestiu a camisa do Inter na história: 711 vezes. Marcou quase 200 gols na carreira, é o 4º maior artilheiro da história do clube e um dos principais garçons do timaço multicampeão dos anos 1970. Foi ídolo da torcida por mais de uma década e o único a vencer genuinamente o octacampeonato gaúcho (1969-1976), além do tri brasileiro (1975/1976/1979). Valdomiro foi artilheiro dos Campeonatos Gaúchos de 1971 (6 gols) e 1978 (15 gols), venceu a Bola de Prata de 1976 e participou ativamente dos títulos nacionais de 1975 e 1976.

No primeiro, cobrou a falta que resultou no “gol iluminado” de Figueroa na decisão contra o Cruzeiro. E, no segundo, na final diante do Corinthians, cobrou a falta que originou o primeiro gol, de Dario, e marcou, de falta, o segundo gol da vitória por 2 a 0. Valdomiro era rápido, disparava chutes poderosos de média e longa distâncias, driblava como poucos e partia para cima das zagas rivais. Era perito em bolas paradas e cruzamentos na medida em direção à área. Foi um notável carrasco do rival Grêmio, marcando 10 gols em 54 Gre-Nais disputados na carreira.

 

Atacante: Rafael Sóbis – 49,7% dos votos

Período no clube: 2004-2006, 2010-2011 e 2019-2020

Principais títulos pelo clube: 2 Copas Libertadores da América (2006 e 2010) e 3 Campeonatos Gaúchos (2004, 2005 e 2011).

Jogos: 216

Gols: 54

 

O atacante endiabrado entrou neste time dos sonhos não só pelos grandes jogos que fez entre 2004 e 2006, mas por ser um dos principais responsáveis pelo primeiro título da Libertadores do Inter, em 2006. Sóbis fez história ao calar o Morumbi lotado na primeira partida da final marcando os dois gols da vitória colorada por 2 a 1 sobre o São Paulo. Rápido, habilidoso e letal na época, Sóbis foi ídolo e um símbolo da conquista do Inter, além de realizar uma parceria memorável com Fernandão. Um ano antes, em 2005, o jogador havia brilhado na campanha do vice-campeonato brasileiro do Colorado marcando 19 gols e conquistando a Bola de Prata. Após uma passagem pelo futebol estrangeiro, Sóbis retornou em 2010 e ganhou outra Libertadores. Teve muita estrela. E futebol.

 

Atacante: Tesourinha – 46,3% dos votos

Período no clube: 1939-1949

Principais títulos pelo clube: 8 Campeonatos Gaúchos (1940, 1941, 1942, 1943, 1944, 1945, 1947, 1948).

Jogos: 278

Gols: 178

 

Sem dúvida alguma um dos maiores pontas-direitas da história do futebol brasileiro e lenda do Internacional, Tesourinha brilhou por uma década com a camisa vermelha e foi o grande nome do lendário Rolo Compressor que venceu o hexacampeonato gaúcho nos anos 1940. Intempestivo, rápido, driblador e criativo, é muitas vezes comparado a Garrincha por conta do futebol exuberante que jogou. Foi um dos artilheiros do Brasil na conquista do título Sul-Americano de 1949 com 7 gols marcados e esbanjou técnica com grandes atuações. Só não foi titular da Copa do Mundo de 1950 por causa de uma lesão, caso contrário, seria absoluto no ataque. Foram 23 jogos e 10 gols com a camisa do Brasil e 178 gols pelo Internacional – Tesourinha é o 5º maior artilheiro do clube na história.

 

Atacante: Carlitos – 46,3% dos votos

Período no clube: 1938-1951

Principais títulos pelo clube: 10 Campeonatos Gaúchos (1940, 1941, 1942, 1943, 1944, 1945, 1947, 1948, 1950 e 1951).

Jogos: 384

Gols: 485

 

Com números impressionantes e média superior a um gol por jogo, Carlitos é presença obrigatória em qualquer Time dos Sonhos do Internacional, além de ter sido uma das maiores máquinas de gols do futebol brasileiro. Apaixonado pelo Inter, Carlitos só vestiu o manto Colorado na carreira e venceu 10 torneios estaduais, além de ser o maior carrasco do Grêmio na história com 42 gols em 62 Gre-Nais disputados, uma abundância que ajudou o Inter a tomar a dianteira no clássico e mantê-la desde então. O artilheiro ficou conhecido por nunca ter perdido um pênalti e por adorar aprontar contra o rival, como uma vez em que prendeu o calção do goleiro Júlio em um prego da trave só para atrasar (e atazanar) a vida do rival.

O famoso “gol de plano inclinado” de Carlitos.

 

Em 1945, marcou o lendário gol de plano inclinado, quando foi tão rápido em direção à bola que acabou passando por ela. Mesmo assim, teve tempo de voltar e empurrar a redonda de cabeça para marcar o gol que ajudou o Inter a empatar em 4 a 4 uma partida contra o Cruzeiro-POA, no estádio dos Eucaliptos. Carlitos adorava tanto o Inter que batizou seus três filhos com a letra inicial “i”, de seu clube de coração: Ivan, Iran e Irany.

 

 

Técnico: Abel Braga – 49,7% dos votos

Período no clube: 1988-1989, 1991, 1995, 2006-2007, 2007-2008, 2014 e 2020-2021

Principais títulos pelo clube: 1 Mundial de Clubes da FIFA (2006), 1 Copa Libertadores da América (2006), 1 Copa Dubai (2008) e 2 Campeonatos Gaúchos (2008 e 2014).

Retrospecto: 340 jogos, 189 vitórias, 82 empates, 69 derrotas, aproveitamento de 63,6%.

 

A história de Abel Braga como técnico se confunde totalmente com a própria história do Inter. Após pendurar as chuteiras, o treinador passou por alguns clubes até chegar ao Colorado em 1988, quando levou o clube à inesquecível vitória no Gre-Nal do século, nas semifinais do Brasileirão daquele ano. No entanto, o time acabou derrotado pelo Bahia de Bobô na decisão e ficou com o vice. Em 1989, após uma nova decepção com a eliminação nas semifinais da Libertadores para o Olimpia, o treinador deixou o clube, teve dois breves retornos nos anos 1990 até assumir o comando em 2006, pegando o time formado por Muricy Ramalho na temporada anterior e transformando-o em campeão da América, campeão do mundo e vice-campeão brasileiro. Foi uma temporada inesquecível que provou a grande fase pela qual Abelão vivia e a capacidade de montar uma equipe muito organizada taticamente, letal nos contra-ataques e quase imbatível jogando em casa.

Em 2008, retornou para levantar o Gauchão com uma sonora goleada de 8 a 1 sobre o Juventude na decisão, venceu a Copa Dubai derrotando o Stuttgart-ALE (1 a 0) e a Inter de Milão (2 a 1), e voltou a levantar um troféu em 2014, ao conquistar o Gaúcho com apenas uma derrota em 19 jogos, o melhor ataque do torneio – 40 gols – e duas vitórias categóricas sobre o rival Grêmio na final: 2 a 1, na Arena do Grêmio, e 4 a 1, no Beira-Rio. Embora tenha caído bastante de produção em seus trabalhos recentes, Abel Braga tem para sempre o carinho do torcedor pelos títulos históricos de 2006, pela identificação com o clube e por ser o técnico que mais dirigiu o Inter na história: 340 jogos, superando as lendas Teté (337 jogos) e Cláudio Duarte (306 jogos).

 

 

Internacional dos Sonhos do Imortais!

 

Goleiros: Manga e Taffarel

Laterais-Direitos: Luís Carlos Winck e Ceará

Laterais-Esquerdos: Oreco e Vacaria

Zagueiros: Figueroa, Gamarra, Nena, Mauro Galvão e Índio

Volantes: Falcão, Caçapava, Batista e Tinga

Meias: D’Alessandro, Paulo César Carpegiani, Mário Sérgio e Jair

Atacantes: Fernandão, Valdomiro, Tesourinha, Carlitos e Rafael Sóbis

Técnico: Rubens Minelli

 

Time A – formação 1 – 4-3-3:

Manga; Luís Carlos Winck, Figueroa, Gamarra e Oreco; Caçapava, D’Alessandro e Falcão; Tesourinha, Fernandão e Valdomiro.

O time A do Imortais tem poucas modificações em relação ao dos leitores e leitoras. A primeira é na zaga, com Gamarra ao lado de Figueroa. No meio, Caçapava, um dos mais completos volantes da história do Inter, seria o responsável pela proteção à frente do miolo de zaga para deixar Falcão e D’Alessandro com características mais de criação. Na frente, apelamos com Tesourinha e Valdomiro, pelas pontas, e Fernandão no meio. O técnico seria Rubens Minelli, bicampeão brasileiro lá em 1975 e 1976.

 

Time A – formação 2 – 4-3-3:

Manga; Luís Carlos Winck, Figueroa, Nena e Oreco; Batista, D’Alessandro e Falcão; Tesourinha, Fernandão e Valdomiro.

Aqui, apenas duas mudanças: Nena, grande zagueiro do Rolo Compressor, entra no lugar de Gamarra. No meio, Batista fica na vaga de Caçapava, mais recuado.

 

Time A – formação 3 – 4-3-3:

Manga; Luís Carlos Winck, Figueroa, Nena e Oreco; Falcão, D’Alessandro e Paulo César Carpegiani; Tesourinha, Fernandão e Valdomiro.

Nesta formação, Falcão joga mais recuado e Carpegiani entra para armar jogadas ao lado de D’Alessandro.

 

Time B – formação 1 – 4-3-3:

Taffarel; Ceará, Mauro Galvão, Índio e Vacaria; Tinga, Jair e Mário Sérgio; Tesourinha, Carlitos e Rafael Sóbis.

As modificações neste time B estão na lateral esquerda, com a entrada de Vacaria, titular no timaço bicampeão brasileiro, no lugar de Kléber, e no meio, com Jair, outro grande craque do Inter dos anos 1970, na armação de jogadas ao lado de Mário Sérgio.

 

Time B – formação 2 – 4-4-2:

Taffarel; Ceará, Mauro Galvão, Índio e Vacaria; Batista, Tinga, Jair e Mário Sérgio; Rafael Sóbis e Carlitos.

Aqui, Batista entra no meio de campo para ajudar Tinga na marcação e liberar mais Mário Sérgio e Jair.

 

Os escolhidos pelo Imortais e ausentes nos times dos leitores e leitoras:

 

Lateral-Esquerdo: Vacaria

Período no clube: 1970-1971 e 1973-1977

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Brasileiros (1975 e 1976) e 6 Campeonatos Gaúchos (1970, 1971, 1973, 1974, 1975 e 1976).

Jogos: —

Gols: —

 

Exímio apoiador no ataque e muito bom tecnicamente, Vacaria foi um dos melhores laterais-esquerdos do futebol brasileiro nos anos 1970 e expoente do timaço do Inter multicampeão daquela época. Era “a outra parte” do ponteiro Lula, criando um entrosamento memorável na ala esquerda do time. Tinha um chute muito forte de perna esquerda e era perigoso nas bolas paradas tanto quanto Valdomiro. Vacaria ganhou o apelido por causa da cidade do time onde começou sua carreira, o Glória, de Vacaria (RS).

 

Zagueiro: Nena

Período no clube: 1942-1951

Principais títulos pelo clube: 7 Campeonatos Gaúchos (1942, 1943, 1944, 1945, 1947, 1948 e 1950).

Jogos: —

Gols: —

 

Com uma notável capacidade de antecipação e de marcação, Nena foi o paredão do Rolo Compressor do Inter nos anos 1940 e um dos mais completos defensores do futebol brasileiro. Capaz de atuar, também, como lateral-esquerdo, Nena vencia com uma assombrosa facilidade os embates mano a mano com os atacantes rivais e ganhou o curioso apelido de Parada 18, referência a um ponto de ônibus localizado em frente a uma loja que fazia grandes liquidações e atraía muitos clientes na época. A propaganda nos rádios sobre a tal loja dizia que, para fazer boas compras, “ninguém passava da Parada 18”. Com isso, os Colorados aproveitaram o sucesso do comercial e “batizaram” Nena com o apelido. O zagueiro foi ainda o primeiro jogador do Internacional a ser convocado para uma Copa do Mundo, em 1950, mas não chegou a entrar em campo. Após deixar o Inter, brilhou no timaço da Portuguesa dos anos 1950.

 

Volante: Caçapava

Período no clube: 1972-1979

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Brasileiros (1975 e 1976) e 4 Campeonatos Gaúchos (1974, 1975, 1976 e 1978).

Jogos: —

Gols: —

 

Como você acha que Falcão e Carpegiani tinham tanta liberdade para criar e atacar no lendário Inter bicampeão brasileiro? Oras, com a proteção e dominância de Caçapava no meio de campo! Com seu corpanzil, força e garra incomparável, o volante marcou época com a camisa vermelha e formou o triângulo mágico que ajudou o Inter a dominar o futebol nacional na época. Cria das bases, Caçapava era um marcador implacável, exímio ladrão de bolas e responsável por iniciar vários contra-ataques. Nas finais brasileiras de 1975 e 1976, conseguiu parar os principais atacantes rivais, entre eles Palhinha e Joãozinho, do Cruzeiro, e Geraldão, do Corinthians.

 

Meia: Jair

Período no clube: 1974-1981

Principais títulos pelo clube: 3 Campeonatos Brasileiros (1975, 1976 e 1979) e 4 Campeonatos Gaúchos (1974, 1975, 1976 e 1978).

Jogos: —

Gols: 117

 

O “Príncipe Jajá” foi outra cria das bases do Inter que se destacou plenamente no timaço dos anos 1970 e um dos poucos a integrar os times dos três títulos brasileiros do clube. Perito em cobranças de falta e muito habilidoso, Jair marcou vários gols essenciais nas conquistas coloradas- em especial no título de 1979 -, sabia cadenciar o jogo quando preciso e engatilhar ataques rápidos também. Era um jogador à frente de seu tempo por causa da intensa movimentação que lhe possibilitava jogar em várias posições no campo de ataque e também mais recuado, como volante ou até mesmo lateral, afinal, ele tinha técnica de sobra e batia muito bem na bola. Depois de brilhar pelo Inter, foi jogar no Peñarol, onde também foi ídolo e ajudou o aurinegro a vencer o Mundial Interclubes e a Copa Libertadores em 1982.

 

Técnico: Rubens Minelli

Período no clube: 1974-1976

Principais títulos pelo clube: 2 Campeonatos Brasileiros (1975 e 1976) e 3 Campeonatos Gaúchos (1974, 1975 e 1976).

Retrospecto: comandou o Inter em 217 jogos, com 153 vitórias, 44 empates e 20 derrotas.

 

Ele construiu um dos maiores times da história do futebol brasileiro. Uma equipe colossal, altamente técnica, mas que não teria tido tanto sucesso sem um comando ávido e de pulso firme. Rubens Minelli foi um dos mais famosos, talentosos e prestigiados técnicos do futebol. Atento às minúcias que compõem o esporte mais popular do planeta e adepto da plenitude tática, física e psicológica de seus comandados, Minelli foi referência e soube como ninguém os macetes para derrotar equipes mais fortes que as dele e reverter situações das mais adversas possíveis.

Quando chegou ao Inter, Minelli gostou muito do ambiente e do elenco que a equipe vermelha tinha. Um meio-campista jovem e que transbordava talento (Falcão) havia acabado de subir das categorias de base e se mostrava impecável tanto na marcação quanto no apoio ao ataque. No gol, a diretoria contratou o experiente e magnífico goleiro Manga e, para o ataque, o ponteiro Lula. Na zaga, um chileno conhecido por Figueroa fincava residência com uma soberania plena. No meio e no ataque, Carpegiani, Caçapava e Valdomiro comandavam as ações.

Foto: Arquivo / Colorização: Memória Colorada.

 

Com esses e outros expoentes, o Internacional “daria trabalho” nas palavras do próprio Minelli, que começou a montar uma equipe fortíssima e que seria pioneira em vários quesitos. Em primeiro lugar, Minelli acabaria com o futebol retranqueiro do time e faria com que seus jogadores se impusessem em campo com força física, marcação no campo dos adversários e, acima de tudo, a consciência de que era preciso atacar e defender de maneira plena e correta, aura da polivalência que tanto Minelli pregava. Resultado? Dois títulos brasileiros, vitórias emblemáticas sobre Cruzeiro, Fluminense e Corinthians, e quatro títulos estaduais. Leia mais sobre Minelli clicando aqui!

 

Leia muito mais sobre o Inter clicando aqui!

 

 

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