Verdade ou Mito? Como nasceu a rivalidade entre Maradona e Pelé


 

Com informações da BBC News Brasil

 

A disputa no futebol entre Brasil e Argentina é conhecida mundialmente, e não poderia ser diferente em relação aos maiores futebolistas de ambos os países. A rivalidade entre Diego Armando Maradona e Edson Arantes do Nascimento atravessa décadas, sendo alimentada principalmente pela imprensa esportiva e torcedores. Enquanto os brasileiros bradam “Mil gols, Mil gols, só Pelé, só Pelé…”, os argentinos gritam: “Brasil, decime que se siente, Tener en casa a tu papá”. Mas entre os dois ídolos sempre houve uma admiração mútua, e após a morte de Maradona, no dia 25 de novembro, o Rei disse: “Que notícia triste. Eu perdi um grande amigo e o mundo perdeu uma lenda. Ainda há muito a ser dito, mas por agora, que Deus dê força para os familiares. Um dia, eu espero que possamos jogar bola juntos no céu.” 

Mas fica a dúvida, será que existia realmente uma rivalidade entre os dois? Vamos expor alguns fatos sobre a história desses grandes futebolistas para você entender o que é verdade e o que foi inventado.

 

Ídolo absoluto

Maradona e Pelé, em foto clássica do El Gráfico (ARG) de 1979: melhores do século XX.

 

Em entrevista à BBC News Brasil, Ronaldo George Helal, sociólogo e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, disse que “até o ano de 1998 não existia essa disputa entre os dois, e até mesmo a imprensa argentina considerava o Rei o maior de todos os tempos, a ponto de Dieguito ser visto como seu sucessor”. A dupla foi responsável por revelar a paixão pelo futebol em milhões (ou seriam bilhões?) de torcedores ao redor do mundo, que até hoje, além de vibrarem por suas equipes favoritas, dão palpites nos principais campeonatos, fazendo inclusive apostas online de futebol no Brasil e aproveitando para dar sua opinião em torneios disputadíssimos, como a Copa do Brasil e o Brasileirão.

De acordo com Helal, o antagonismo era entre Maradona e Zico, principalmente na Copa do Mundo de 1982. E, até nos anos 1990, alguns diários argentinos, como o Clarín, consideravam Pelé “o melhor da história do futebol”. Porém, com a chegada dos anos 2000, após a eleição da FIFA para determinar quem seria o melhor jogador do século XX, a disputa ganhou força. Maradona foi o eleito do povo, enquanto o Rei foi o escolhido pelos especialistas. De acordo com o jornalista Alex Sabino, à Folha de S. Paulo, após receber o prêmio, “Pelé convidou Maradona para subir ao palco, mas ele havia ido embora, revoltado”, lembrou Sabino.

 

À espera de um Messias

 

Já para o jornalista da ESPN e exímio pesquisador da história do futebol, Celso Unzelte, essa disputa é muito mais antiga, tendo início “antes mesmo de Dieguito nascer”. Aos 17 anos, Pelé conquistou uma Copa do Mundo (em 1958) e abismou o planeta, e os argentinos passaram a esperar “o seu Messias”. A partir de então, “sempre que surgia um futebolista diferenciado na Argentina, logo ele era comparado com o craque brasileiro”, disse Unzelte. Antes de Maradona, por exemplo, Di Stéfano era tido como o sucessor do craque do Santos e Seleção Brasileira. E assim que Dieguito começou a chamar atenção, os jornais tupiniquins já alertavam que estava “‘pintando” mais um que a Argentina espera que seja o seu Pelé”,  comentou Unzelte.

Na Copa do Mundo de 1978, houve uma oportunidade de Dieguito, aos 17 anos, igualar o feito do seu “rival” – porém, o jogador não foi convocado para aquela competição. Desde então, as comparações entre os craques não cessaram, apesar de serem bem diferentes. “Maradona era um futebolista espetacular, mas era dependente da sua perna esquerda e não era um bom cabeceador, além do mais, ficou bem longe de chegar aos mil gols marcados por Pelé”, comentou Unzelte. Porém, assim como Pelé colaborou imensamente para tornar o Santos um clube gigante, Dieguito fez o mesmo com o Napoli na Itália.

 

El Diez, o mais amado

Para Helal, uma coisa é inegável: o afeto que o povo argentino tem por Maradona é muito maior que o brasileiro tem com Pelé. Até hoje, ao andar pelas ruas da Argentina, é possível ver imagens de Dieguito nas bancas de jornais e em livrarias e estátuas em sua homenagem. Já o Rei do futebol sempre foi muito mais contestado do que amado pelos brasileiros. Para Pelé, ele mesmo admite que tem mais reconhecimento no exterior que no Brasil. Em questão de idolatria, Maradona pode ser mais comparado a Ayrton Senna, como lembrou Celso Unzelte. O fato é que ambos são lendas incontestáveis em seus países e no mundo. E idolatrados por todo e qualquer amante do futebol. Ontem, hoje e sempre.

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