Craque Imortal – Puyol

Barcelona's captain Puyol celebrates after their Spanish first division soccer match against Real Madrid in Madrid

 

Nascimento: 13 de Abril de 1978, em La Pobla de Segur, Catalunha, Espanha.

Posições: Zagueiro e Lateral-Direito

Clube: Barcelona-ESP (1999-2014).

Principais títulos por clube: 2 Mundiais de Clubes da FIFA (2009 e 2011), 3 Ligas dos Campeões da UEFA (2005-2006, 2008-2009 e 2010-2011), 2 Supercopas da UEFA (2009 e 2011), 6 Campeonatos Espanhóis (2004-2005, 2005-2006, 2008-2009, 2009-2010, 2010-2011 e 2012-2013), 2 Copas do Rei (2008-2009 e 2011-2012) e 6 Supercopas da Espanha (2005, 2006, 2009, 2010, 2011 e 2013) pelo Barcelona.

Principais títulos por seleção: 1 Copa do Mundo (2010), 1 Eurocopa (2008) e 1 Medalha de Prata Olímpica (Sydney-2000) pela Espanha.

 

Principais títulos individuais:

Prêmio Don Balón  de Revelação do Campeonato Espanhol: 2001

Eleito para o Time do Ano da ESM: 2001-2002, 2002-2003, 2004-2005 e 2005-2006

Eleito para o Time do Ano da UEFA: 2002, 2005, 2006, 2008, 2009, 2010

Eleito pela UEFA o Melhor Zagueiro de Clube do Ano: 2005-2006

Eleito para o Time do Ano do FIFA/FIFPro: 2007, 2008 e 2010

Eleito para o Time do Ano da Eurocopa: 2008

Eleito para o All-Star Team da Copa das Confederações: 2009

Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA: 2010

Fair Play Award da BBVA: 2011-2012

Condecorado com o prêmio Príncipe das Astúrias: 2010

Condecorado com a Real Ordem do Mérito Esportivo: 2011

 

“O Touro de Barcelona”

Cercado de verde e vizinho do rio Noguera Pallaresa, o pequeno município de Pobla de Segur, na Catalunha, foi o local de nascimento de um homem mitológico. Esse personagem sempre teve suas atenções voltadas para o maior clube de sua região e fez questão de iniciar sua carreira esportiva por lá: em Barcelona, no Barcelona. Quando vestiu a camisa azul e grená pela primeira vez, ele não apenas a vestiu. Ele a incorporou em sua alma, cravejou o inconfundível escudo em seu coração e, alguns anos depois, fez da braçadeira de capitão com as cores da Catalunha uma peça integrante de seu corpo, como uma tatuagem. Com o tempo, ele mostrou bravura, determinação, perseverança, raça, lealdade e espírito esportivo. Em campo, nunca foi um jogador qualquer. Ele sempre foi um algo a mais. Sempre se entregou mais. Seu time podia estar vencendo por 3 a 0 ou goleando o maior rival que sua atenção continuava a mil e sua braveza no ápice, como de um touro. Era difícil vencê-lo em força. Quase impossível em raça. Por quinze anos, o torcedor do Barça aprendeu a amar, idolatrar e vibrar como nunca antes o seu capitão de longos cabelos encaracolados apaixonado pelo Camp Nou, pelas cores blaugranas, pela história do FCB. Carles Puyol i Saforcada, ou simplesmente Puyol, foi um dos mais emblemáticos defensores da história do futebol espanhol e mundial e capitão de um dos maiores esquadrões de toda a história do esporte: o Barcelona de 2008-2012, de Pep Guardiola, dos títulos mundiais, europeus, nacionais, do “sextuple” e de todas as façanhas e proezas que encantaram o planeta durante cinco anos inesquecíveis. Símbolo de uma geração, Puyol estendeu seu trabalho de vida até a Seleção Espanhola, pela qual venceu uma Eurocopa e uma Copa do Mundo sempre jogando tudo o que sabia e até marcando gols. Mesmo longe de ser um zagueiro técnico, Puyol compensava isso com vigor, visão de jogo, disciplina e paixão pela vitória como poucos. Basta ver sua coleção de títulos para entender que ele realmente não foi um jogador qualquer. Ele foi Puyol. É hora de relembrar.

 

De goleiro à “Romário”

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Nascido na província de Lérida, Puyol sempre gostou de futebol e investiu no sonho de se tornar um jogador mesmo contra a vontade de seus pais, que queriam ver o filho estudando para se tornar um especialista em alguma área. Mas a especialidade do garoto era o esporte mais popular do mundo, e, como quase todo garoto catalão, ele tinha o sonho de um dia vestir a camisa do Barcelona. A primeira experiência de “Carlito”, como era chamado em sua terra, foi como goleiro, mas uma lesão o impediu de continuar na posição. Desistir? Jamais! Ele partiu para o setor ofensivo e começou a fazer vários gols que o levaram às categorias de base do clube catalão, com 16 anos de idade, na temporada 1995-1996. Nos treinos, Puyol ganhou até o apelido de “Romário” pela quantidade de gols que fazia (vale lembrar que o baixinho era uma estrela mundial na época e havia passado com sucesso pelo Barça), mas logo ele mudou de posição novamente para virar zagueiro e, por vezes, lateral-direito. O vigor físico, a entrega e a disciplina faziam dele um sujeito notável para o setor defensivo e com muito futuro para o time principal do time blaugrana, que precisava de novos elementos para voltar aos bons tempos depois do auge do Dream Team (leia mais clicando aqui).

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Após ser lapidado por Juande Ramos e Josep Maria Gonzalvo, os treinadores do Barça B naquela época, Puyol foi incorporado ao time principal do clube na temporada 1999-2000 pelo técnico Louis van Gaal, após recusar uma oferta do Málaga por ver que seu amigo de base, Xavi, já havia estreado no time principal. Ele pensou: “se Xavi já está no time A, logo eu também estarei”. E foi isso mesmo que aconteceu. Em 02 de outubro de 1999, Puyol fez seu debute no Barça contra o Valladolid, pela liga espanhola, como lateral-direito, posição que ocuparia por muito tempo. Nos jogos seguintes, Puyol foi despertando o interesse da mídia pela regularidade, pelo poder de marcação mesmo enfrentando grandes adversários e pela polivalência que demonstrava quando tinha que se deslocar para outras posições ao longo de uma partida.

 

Titular, mas sem títulos

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Em 2000, Puyol teve sua primeira prova de fogo ao ser incumbido de marcar Luis Figo, ex-jogador do Barça e que voltava ao Camp Nou pela primeira vez, mas com a camisa do Real Madrid. Em um duelo tenso e com muita hostilidade por parte da torcida blaugrana, Puyol conseguiu neutralizar o português e viu seu time vencer por 2 a 0. No mesmo ano, ele e seu amigo Xavi debutaram na Seleção Espanhola em um amistoso contra a Holanda, a mesma que uma década depois faria parte de um importante capítulo na vida de ambos. No mesmo ano, a dupla foi medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Sydney (o ouro ficou com Camarões). Em 2001, o defensor venceu o prêmio de revelação do Campeonato Espanhol e emendou nomeações para times do ano na Espanha por seu futebol correto, vigoroso e de entrega. Ele não fazia questão de exibir a técnica de defensores clássicos do futebol europeu, mas se garantia no mano-a-mano, nas divididas e nas roubadas de bola, uma de suas maiores especialidades.

Em 2002, o defensor foi convocado para a disputa da Copa do Mundo na Coreia do Sul e no Japão e foi titular no esquema do técnico José Antonio Camacho. A Espanha foi 100% na primeira fase, passou bem pelas oitavas de final, mas foi sonoramente “garfada” nas quartas de final contra a anfitriã Coreia, que acabou se classificando nos pênaltis.

De volta ao Barça, Puyol era titular absoluto e peça fundamental nos esquemas táticos. O defensor era muito regular, mas não via seu clube levantar títulos. Eram tempos difíceis e os grandes times da Espanha na época eram Real Madrid e Valencia, que colecionavam taças nacionais e internacionais (leia mais sobre eles clicando aqui e aqui). Além disso, o time catalão passava por um momento financeiro complicado e viu o Manchester United cobiçar o futebol do zagueiro, mas o acordo não foi realizado. Tempo depois, o defensor teve seu contrato renovado até 2007 e, na temporada 2004-2005, virou o capitão da equipe pela primeira vez após a aposentadoria de Luis Enrique. Curiosamente, seria a partir dali que a sorte do cabeludo – e do próprio Barça – mudaria para melhor.

 

As primeiras taças e os primeiros anos de ouro

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Com a chegada de Frank Rijkaard ao comando técnico do Barcelona, Puyol virou o capitão do time e viu o clube dar um enorme salto de qualidade com as boas contratações que a diretoria blaugrana fez, além de promissores jovens das categorias de base ganharem mais chances entre os titulares. Na temporada 2004-2005, Puyol levantou sua primeira taça: a liga espanhola, vencida com uma diferença de quatro pontos sobre vice-campeão, o Real Madrid. A festa aconteceu no dia 14 de maio, após empate em 1 a 1 com o Levante. O troféu deu ao clube uma vaga na Liga dos Campeões da UEFA de 2005-2006, um torneio que jamais sairia da cabeça do zagueirão.

Puyol ergue sua primeira Liga dos Campeões.

Puyol ergue sua primeira Liga dos Campeões.

 

Jogando ao lado de grandes estrelas em ótima fase como Samuel Eto´o, Deco e, acima de tudo, Ronaldinho Gaúcho, Puyol viu o Barça chegar com sobras até a grande final europeia contra outro grande esquadrão da época: o Arsenal-ING, de Thierry Henry. A decisão aconteceu em Paris (FRA), onde um espectador especial aumentou em Puyol ainda mais a vontade de vencer: seu pai, que comparecia pela primeira vez em um jogo do filho. Num dia de sonho, o Barça virou um jogo dramático contra os ingleses debaixo de muita chuva e venceu por 2 a 1, vencendo sua segunda Liga dos Campeões na história. Puyol comentou aquela ocasião:

“Foi um dia espetacular para mim pois foi o único jogo que meu pai me viu ao vivo. E justamente na decisão que todo jogador europeu sonha em jogar um dia. Eu fiquei extremamente contente por ele ter me visto campeão da Liga dos Campeões da UEFA”.Carles Puyol, em entrevista ao site do Barcelona, 06 de agosto de 2014.

Infelizmente, em novembro daquele ano, o pai do defensor acabou falecendo aos 56 anos, num acidente de trabalho em Sarroca de Bellera, a 15km de Pobla de Segur. O fato abalou profundamente Puyol, que via em seu pai o exemplo do sacrifício e do trabalho. O zagueiro teve um fim de ano bastante triste por causa desse baque e também por causa da eliminação de sua Espanha ainda nas oitavas de final na Copa do Mundo. Esses acontecimentos acabaram afetando o rendimento do “touro” nos últimos jogos do Barça no ano, inclusive no Mundial de Clubes da FIFA, perdido para o Internacional-BRA de Fernandão, Iarley, Fabiano Eller e Alex.

O auge daquele Barcelona de Rijkaard e Ronaldinho foi mesmo até 2006 (como você pode ler mais clicando aqui). Após aquele ano, o time perdeu intensidade e só voltaria a brilhar dois anos depois. Justamente o início do auge de Puyol e de todo o futebol espanhol.

 

Campeão europeu e o Sextuple

Puyol e os "brinquedos" de 2009: só para quem pode...

Puyol e os “brinquedos” de 2009: só para quem pode…

 

Em 2008, Puyol foi mais uma vez convocado para a seleção e viajou até Áustria e Suíça para a disputa da Eurocopa. Na primeira fase, o zagueiro foi titular nos dois primeiros jogos, mas ficou de fora da terceira partida por causa de uma contusão. Puyol voltou na fase de mata-mata, foi essencial e ajudou a Fúria a vencer o título europeu na vitória por 1 a 0 sobre a Alemanha, a primeira taça continental desde 1964 e o primeiro título desde o Ouro Olímpico conquistado em 1992. A partir daquele ano, Puyol percebeu que os ares haviam mudado para melhor, também, no seu Barcelona. Pep Guardiola, cria de longa data da casa, assumiu o comando técnico do time, revigorou as ações do clube e transformou a temporada 2008-2009 do time catalão na melhor e mais prolífica de toda a centenária história blaugrana. O Barcelona conquistou simplesmente TODOS os títulos que disputou e deu verdadeiros shows com uma constelação formada, entre outros, por Xavi, Iniesta, Messi, Eto´o, Henry e companhia. Na Espanha, a equipe foi campeã nacional, da Copa do Rei e da Supercopa da Espanha. A nível internacional, os catalães foram campeões da Liga dos Campeões da UEFA, da Supercopa da UEFA e do Mundial de Clubes da FIFA. Seis títulos apenas em 2009. Um recorde que dificilmente será igualado tão cedo.

O famoso beijo na braçadeira: imagem inesquecível para os torcedores blaugranas.

O famoso beijo na braçadeira: imagem inesquecível para os torcedores blaugranas.

 

Durante essas façanhas, dois momentos de Puyol mereceram enorme destaque. O primeiro deles aconteceu no dia 02 de maio de 2009, no returno do Campeonato Espanhol, em Madrid. Era dia de clássico entre Barcelona e Real no Santiago Bernabéu, e uma vitória blaugrana consolidava praticamente o título aos catalães. O Real abriu o placar, mas Henry empatou quatro minutos depois. Logo em seguida, Puyol foi até a área madrilena tentar a cabeçada em uma jogada aérea. E, para a surpresa de todos, o zagueirão subiu firme e testou a bola com força e precisão direto para o gol de Casillas. Era o gol da virada de um jogo histórico que terminaria 6 a 2 para o Barça (leia mais clicando aqui). Mas o que ficou na retina dos torcedores não foi o gol. Foi a comemoração de Puyol. O zagueiro, visto por milhões de pessoas nas TVs em todo mundo e em pleno território merengue, tirou a braçadeira de capitão com as cores da Catalunha de seu braço, a apertou com orgulho e a beijou com amor, com fibra, para mostrar o tanto que ele amava aquele clube e o quanto aquele Barça desejava a vitória. Foi um ato épico que virou um símbolo de sua coragem e determinação para os torcedores – e que só aumentou sua idolatria para com os fãs.

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O jogador afirmou que, no dia do jogo, planejou com Xavi e Piqué uma jogada ensaiada que pudesse resultar num gol como aquele:

“Nós não tínhamos treinado nada como aquilo antes, mas conversamos sobre isso no dia do jogo. Antes de entrar em campo, o Tito (Vilanova, auxiliar de Guardiola na época) nos falou sobre a movimentação. O Piqué bloqueou meu marcador e o Xavi executou a cobrança. Eu fiz sinais para o Xavi assim que ele cobrou e tudo ocorreu perfeitamente bem”. Carles Puyol, em entrevista para a Barça TV, 06 de agosto de 2014.

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O outro grande momento do capitão foi na decisão da Liga dos Campeões, contra o Manchester United-ING (então campeão), em Roma (ITA). O grande trunfo dos ingleses era Cristiano Ronaldo, eleito melhor do mundo no ano anterior e que vivia grande fase. Puyol foi deslocado para a lateral por Guardiola justamente para poder frear as investidas do português. E deu certo. Em uma de suas melhores atuações na carreira, Puyol anulou Cristiano, viu Messi e Eto´o deixarem seus gols e o Barça levantou mais um título europeu.

 

África, terra da consagração definitiva

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Depois de colecionar taças e virar peça indispensável no timaço do Barça, Puyol continuou como integrante pleno, também, na Espanha de Vicente Del Bosque. A equipe se classificou bem para o Mundial da África do Sul e foi para a disputa como uma das favoritas, mas sempre com o fado de “amarelar” na reta final. Tal pessimismo aumentou após a derrota logo na estreia para a Suíça, mas tudo foi contornado nos duelos seguintes, com vitórias sobre Honduras (2 a 0) e Chile (2 a 1). A partir da segunda fase, os espanhóis venceram todos os seus jogos por 1 a 0 e sempre tiveram as ações dos jogos, bem como a posse de bola como principal virtude.

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Portugal e Paraguai foram derrotados nas oitavas e quartas, respectivamente. Na semifinal, duelo aguardadíssimo contra a sensação Alemanha, mas Puyol, de cabeça, fez o único gol do jogo e um dos três gols dele com a camisa espanhola na história. E que ocasião para marcar! Na final, contra a Holanda – a mesma que marcou o início da trajetória do zagueiro na Fúria, Iniesta fez o gol salvador na prorrogação que consolidou o primeiro título mundial da Espanha e colocou Puyol num invejável rol de jogadores que venceram absolutamente todos os principais títulos para um jogador de futebol profissional – torneio nacional, copa nacional, copa continental, Mundial de Clubes, Eurocopa e Copa do Mundo. E todos conquistados como titular absoluto!

 

Invicto, guerreiro e sempre campeão

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Após a Copa e a enxurrada de títulos de 2009 e 2010, Puyol continuou escrevendo sua história ao disputar 56 jogos oficiais e sair invicto de todos eles, uma sequência que começou após a derrota para a Internazionale-ITA, na semifinal da Liga dos Campeões de 2009-2010 e só terminou em 11 de janeiro de 2012, em uma derrota para o Osasuna, por 3 a 2. Nesse período, Puyol venceu mais títulos históricos, aprendeu a surrar sem dó o Real Madrid e ainda deixou o companheiro Abidal levantar a taça da Liga dos Campeões de 2011, após a vitória por 3 a 1 sobre o já freguês Manchester United. O curioso é que Puyol não foi titular na decisão e só entrou faltando dois minutos para o final justamente para levantar a taça como capitão pleno que era. Quando ele entrou, Xavi, o capitão àquela altura, foi correndo entregar a braçadeira para o xerife, mas Puyol foi em direção à Abidal e colocou a faixa no francês por causa dos problemas de saúde que ele havia enfrentado (e superado) naquela temporada.

Puyol "veste" Abidal...

Puyol “veste” Abidal…

 

... E o lateral retribui erguendo a taça!

… E o lateral retribui erguendo a taça!

 

O gesto foi extremamente elogiado pela mídia e, no final, Abidal levantou a mágica taça continental em Wembley. O zagueiro revelou tempo depois que já tinha planejado tudo antes, mas preferiu guardar surpresa por pura superstição. Durante mais esse período de ouro, Puyol continuou pleno em campo e dando exemplos de sua garra mesmo sofrendo quedas e até fraturas. Nada o parava. Antes de viajar para o Japão para a disputa do Mundial de Clubes de 2011, ele reanimou o time no clássico contra o Real Madrid após um gol relâmpago sofrido no primeiro tempo e foi fundamental para mais uma vitória sobre o time merengue, um triunfo maiúsculo que embalou o clube blaugrana para mais uma conquista mundial, com direito a uma aula de 4 a 0 sobre o Santos-BRA de Neymar e Ganso. No Japão, Puyol ergueu o bicampeonato mundial do Barça e chegou a um nível incontestável. Ele não precisava provar mais nada a ninguém.

 

As lesões que venceram o touro

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A partir de 2012, Puyol começou a sofrer com sérios problemas no joelho. O zagueiro sofreu uma grave lesão nos ligamentos que o fez perder a Eurocopa daquele ano. Em outubro, pela Liga dos Campeões, o defensor caiu de mau jeito e deslocou o ombro, sendo obrigado a ficar mais dois meses sem jogar. Mas, como ele era Puyol, a recuperação aconteceu em apenas um mês! No começo de 2013, o zagueiro chegou aos 100 jogos com a camisa da Espanha em um amistoso contra o Uruguai, partida que acabou sendo a última dele pela Fúria. No entanto, o joelho direito continuou a trazer problemas para o jogador e ele não conseguia engatar uma boa sequência de jogos. Por ter continuado a jogar com a mesma vontade e intensidade de sempre mesmo após as cirurgias que fez, a recuperação não foi total e seu corpo “avisou” que uma aposentadoria precoce deveria acontecer. Em maio de 2014, o zagueiro deu seu adeus definitivo ao Barcelona e ao futebol após 15 anos de futebol profissional, dez como capitão, 593 jogos oficiais, 18 gols e incríveis 21 títulos. A torcida blaugrana custou a acreditar e lhe fez diversas homenagens. Afinal, não era fácil dar adeus ao capitão do melhor Barcelona de todos os tempos.

 

Ídolo eterno

Puyol (muito) bem acompanhado: a Copa e a Gisele...

Puyol (muito) bem acompanhado: a Copa e a Gisele…

 

Mesmo aposentado, Puyol segue no meio esportivo e apareceu até na decisão da Copa do Mundo de 2014, como representante do time campeão da edição anterior, ao levar a taça até o gramado ao lado da modelo brasileira Gisele Bündchen. Puyol entrou definitivamente na história como um dos principais jogadores da Espanha e do mundo no século XXI e será eternamente lembrado pelo profissionalismo, perseverança e determinação que encarou toda e qualquer partida. Para ele, não havia bola perdida ou adversário imparável. Para ele, não havia clube no mundo maior que o Barcelona. Para ele, vencer e dar o melhor de si estava acima de tudo. O futebol, com certeza, seria bem melhor se todos os jogadores levassem a sério o esporte como ele levou. Um craque imortal.

Leia mais sobre o Barcelona de Puyol e Guardiola clicando aqui.

 

Números de destaque:

Disputou 593 jogos oficiais (663 no total) e marcou 18 gols pelo Barcelona. É o segundo na história que mais vezes vestiu a camisa blaugrana.

Disputou 100 jogos e marcou três gols pela Seleção da Espanha.

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Extra:

Veja grandes imagens e lances do craque (incluindo uma rara dele ainda garoto).

 

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