Craque Imortal – Marco van Basten

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Nascimento: 31 de Outubro de 1964, em Utrecht, Holanda.

Posição: Centroavante / Atacante

Clubes: Ajax (1982-1987) e Milan (1987-1995)

Principais títulos por clubes: 2 Mundiais Interclubes (1989 e 1990), 3 Liga dos Campeões da UEFA (1988-1989, 1989-1990 e 1993-1994), 3 Supercopas da UEFA (1989, 1990 e 1994), 4 Campeonatos Italianos (1987-1988, 1991-1992, 1992-1993 e 1993-1994), 4 Supercopas da Itália (1989, 1993, 1994 e 1995) pelo Milan.

1 Recopa da UEFA (1986-1987), 3 Campeonatos Holandeses (1981-1982, 1982-1983 e 1984-1985) e 3 Copas da Holanda (1982-1983, 1985-1986 e 1986-1987) pelo Ajax.

Principal título por seleção: 1 Eurocopa (1988) pela Holanda.

 

Principais títulos Individuais e artilharias: Melhor jogador do mundo pela FIFA: 1992

Melhor jogador do mundo pela revista World Soccer: 1988 e 1992

Jogador do ano pela UEFA: 1989, 1990 e 1992

Jogador do ano pela IFFHS: 1988, 1989 e 1990

Onze d’Or: 1988, 1989

Troféu Bravo: 1987

Melhor jogador da Eurocopa: 1988

Ballon d’Or: 1988, 1989 e 1992

Jogador Neerlandês do Ano: 1985

Chuteira de Ouro da UEFA: 1986

FIFA 100: 2004

Artilheiro da Eurocopa: 1988 (5 gols)

Artilheiro da Liga dos Campeões da UEFA: 1989 (10 gols)

Artilheiro do Campeonato Holandês: 1984 (28 gols), 1985 (22 gols), 1986 (37 gols), 1987 (31 gols)

Artilheiro do Campeonato Italiano: 1990 (19 gols) e 1992 (25 gols)

 

“O Holandês voador”

Depois de brilhar intensamente na década de 70 e introduzir o futebol total, a Holanda estava carente de grandes craques no seu futebol. Será que nunca mais eles teriam nomes como Cruyff, Krol, Rensenbrink ou Neeskens? Bem, os deuses do futebol decidiram dar aos “laranjas” 3 jogadores que seriam divindades da bola durante a década de 80 e início da de 90: Rijkaard, Gullit e um atacante brilhante, rápido, matador, decisivo e extremamente habilidoso, que faria os holandeses esquecerem por um longo tempo Cruyff: Marco van Basten, um dos maiores centroavantes da história do futebol mundial, e, sem dúvida alguma, o maior do futebol holandês na posição. Ele surpreendeu o mundo com a camisa do Ajax, brilhou com a camisa da Holanda no primeiro e único título continental do país e encantou o planeta com o vermelho e preto do Milan. Tudo com maestria, habilidade, velocidade, arte e muitos, muitos gols. Vamos conhecer melhor esse craque.

 

O início

Filho de jogador de futebol, Van Basten foi estimulado desde pequeno a seguir os passos do pai. Aliado a isso, se encantava facilmente com as histórias e jogadas de Cruyff, seu grande ídolo. Assim, começou sua carreira na mesma equipe onde o camisa 14 brilhou na década de 70: o Ajax.

A estreia do futuro craque não poderia ser mais emblemática. Em 1982, ele entrou pela primeira vez em campo substituindo o próprio Cruyff e ainda marcando um gol. A torcida do clube alvirrubro via nascer ali seu novo ídolo, e a Holanda percebia que Cruyff seria muito bem substituído. Logo em sua primeira temporada (1982), Van Basten conquistou o campeonato nacional, feito que se repetiria no ano seguinte. Em 1984, o título ficou com o Feyenoord, mas Van Basten conseguiu seu primeiro grande feito: ser o artilheiro da competição, com 28 gols. A partir daquele ano, ele mostraria seu faro de gol apurado e seria soberano na artilharia do campeonato por 4 temporadas seguidas. Além de 1983-1984, Van Basten foi o goleador em 1984-1985 (22 gols), 1985-1986 (37 gols!) e 1986-1987 (31 gols). Mesmo com tantos gols, Van Basten tinha uma característica: era frágil, e suas pernas longas e pouco musculosas eram alvos fáceis para os zagueiros. Com tanta pancada que levava, se irritava, e tentava revidar. Como não conseguia por motivos óbvios, preferia “atacar” de outro jeito: abusando dos dribles e fazendo os zagueirões sentarem, literalmente. Seu tornozelo seria algo como “o calcanhar de Basten” durante sua carreira, e muitas lesões o atrapalhariam nos anos seguintes.

Tricampeão nacional, Van Basten ganhou ainda a Copa da Holanda em 1983, 1986 e 1987, além do primeiro título internacional do Ajax desde 1973: a Recopa Europeia, ao fazer o gol do título na final contra o Lokomotive Leipzig (ALE). Despontando como uma das maiores estrelas da Holanda, Van Basten chamou a atenção do Milan, sedento por retomar sua era vitoriosa e formar uma grande equipe. Em 1987, ele se despediria de seu país natal para iniciar a fase mais fantástica de sua carreira.

 

Anos magníficos

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Rijkaard, Van Basten e Gullit: ícones do Milan e da Holanda.

 

Ao lado do também recém-contratado e compatriota Ruud Gullit, Van Basten faria uma dupla de ataque mortal no Milan e deu o título italiano ao clube depois de nove anos. Pouco tempo depois, outro craque holandês chegaria para fechar o trio de ouro holandês: Rijkaard. Estava pronta a seleção rossonera, que ainda tinha Baresi, Maldini, Costacurta, Donadoni e Ancelotti. Era hora de começar o show.

 

A consagração na Holanda

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Antes de iniciar o apogeu no Milan, Van Basten e seus compatriotas disputaram a Eurocopa de 1988 pela Holanda, comandada novamente pelo célebre inventor do carrossel que encantou o mundo em 1974: Rinus Michels. A equipe era uma das favoritas, mas começou perdendo para a extinta URSS por 1 a 0. No jogo seguinte, vitória por 3 a 1 contra a Inglaterra, com a assinatura de Van Basten, que marcou os três gols do time. No jogo seguinte, outra vitória, por 1 a 0, contra a Irlanda, que garantiu a classificação.

A semifinal foi duríssima: contra a dona da casa, Alemanha, de Matthäus. Os alemães abriram o placar com o próprio Matthäus, de pênalti. Pouco tempo depois, Koeman, também de pênalti, empatou para os laranjas. Aos 43´ do segundo tempo, ele, Van Basten, fez o gol da virada e da classificação. Algozes de 1974, os alemães eram derrotados em casa, com um gosto de revanche histórico para os holandeses. Era a hora da final, contra a URSS, que derrotara a Holanda na primeira fase.

 

Show da dupla Gullit-Van Basten

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A decisão foi bem disputada, com a URSS apostando em Protasov, Mikhaylichenko e o seguro goleiro Dasayev, e a Holanda com ótimos jogadores, como Van Breukelen no gol, Ronald Koeman e Rijkaard na zaga e Gullit e Van Basten no ataque. A Holanda, ávida por uma conquista, abriu o placar com Gullit, aos 32´do primeiro tempo. No segundo tempo… Ah, no segundo tempo… Van Basten recebeu um cruzamento da esquerda e chutou, de sem-pulo, para marcar um dos gols mais bonitos da história do futebol mundial, do título, da redenção: 2 a 0. Holanda campeã, pela primeira vez em sua história, da Eurocopa. Era a coroação de uma geração brilhante e aplaudida de pé por Cruyff e por todos que não conseguiram dar um título para a geração de 1974 e 1978. Van Basten coroou seu ano perfeito ao receber a Bola de Ouro da revista France Football de melhor jogador da Europa. O holandês era, enfim, o grande protagonista do futebol.

 

Europa e mundo rossoneros

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Em 1989, o Milan ainda dividia com a rival Internazionale o posto de equipe italiana mais vencedora da Liga dos Campeões, com dois títulos. Mas Van Basten tratou de ajudar o clube rossonero a encerrar a discussão ao marcar dois gols na goleada do Milan sobre o Steaua Bucareste (ROM) na decisão daquele ano por 4 a 0, dando o tricampeonato à equipe. Ele seria fundamental, também, para as conquistas da Supercopa da UEFA e do Mundial de Clubes, colocando o time no topo do mundo. Marco também continuaria por cima ao vencer sua segunda Bola de Ouro. No ano seguinte, o Milan queria mais e venceu tudo de novo: Liga dos Campeões, Supercopa da UEFA e Mundial de Clubes. Em 1990, ele conseguiu pela primeira vez ser o artilheiro do campeonato italiano, com 19 gols. A hegemonia europeia seria encerrada em 1991, mas, no ano seguinte, Van Basten ajudou o Milan, com seus 25 gols, a conquistar novamente o Campeonato Italiano. No mesmo ano, conseguiria o tri da Bola de Ouro, se igualando a lendas como Cruyff e Platini. Porém, em 1993, sua carreira seria forçadamente encerrada.

 

O fim de uma estrela

A temporada de 1992-1993 foi derradeira para Van Basten. Seus tornozelos estavam acabados, vítimas da intensa violência e pancadas dos zagueiros ao longo dos anos para tentar parar o “holandês voador”. Cirurgias infelizes também foram cruciais para forçar o fim da carreira do jogador. Até uma prótese foi sugerida, mas ela o impediria de caminhar normalmente (um torcedor do Milan chegou a oferecer cartilagem de seu próprio corpo para tentar ajudar o atacante!). Em 1993, o Milan venceu novamente o campeonato italiano e chegou à final da Liga dos Campeões. Porém, a equipe não foi párea para seu algoz, o Olympique de Marselha, de Deschamps, Abedi Pelé, Boksic, Barthez e Desailly, que havia eliminado o time na Liga de 1990-1991. A partida foi a última da carreira de Van Basten, que ficou dois anos sem jogar antes de anunciar a aposentadoria, com apenas 30 anos.

A gravidade das lesões nos tornozelos era tão grande que nem mesmo uma partida de despedida foi possível ser realizada. O adeus foi no San Siro lotado de gente e emoção, com Van Basten vestido à paisana e se segurando para não chorar, dando uma volta olímpica para os torcedores. O adeus comoveu até o sisudo Fabio Capello, então técnico do Milan, que chorou na ocasião. Adriano Galliani, executivo da equipe à época, disse que “perdera seu Leonardo da Vinci”. Na verdade, não foi só ele. Todo o futebol perdeu naquele dia uma das maiores lendas do esporte, fatal na grande área, genial com a bola nos pés e decisivo quando suas equipes mais precisaram dele. Um craque imortal.

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Números de destaque:

Pelo Ajax: 172 jogos e 152 gols, média de 0,88.

Pelo Milan: 201 jogos e 124 gols, média de 0,62.

Pela Holanda: 58 jogos e 24 gols, média de 0,41.

Total na carreira: 431 jogos e 300 gols. Média de 0,70.

 

Leia mais sobre os grandes times que tiveram Van Basten no Imortais!

Holanda 1988

Milan 1988-1990

Milan 1991-1995

 

Extras

Veja o golaço de Van Basten na final da Eurocopa de 1988, que garantiu o titulo à equipe holandesa.

 

Gols, obras primas, jogadas geniais

Veja a compilação a seguir com vários grandes momentos de Van Basten.

 

O emocionante adeus

Veja a despedida de Van Basten no San Siro, com direito a choro de Fabio Capello.

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